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31 de out de 2013

De um sobrevivente a outro.




Graças ao magnífico fato de Minas Gerais ser uma terra onde tudo prospera, menos a tecnologia, vai minha postagem com mais de 12hs de atraso....

Todos sabem que tenho uma história longa e intrincada com uma border e que no meio do caminho passei a ser um pouco referência para alguns outros familiares...
Acontece que entre os familiares que acompanho, um se destaca por ter uma história absolutamente IDENTICA a minha... ele também escritor, também adepto da poesia e, como não podia deixar de ser, também castrado em sua escrita pela desqualificação de sua parceira... Segue então o fruto de nossa última conversa, onde falávamos da capacidade de dar manutenção à própria identidade em detrimento do relacionamento e, do escrever sim, independente do que isso acarrete na visão do parceiro... pq, se para o border é importante a expressão dos sentimentos, para quem convive com ele e tem esse veio de escrita (ou qualquer outra forma de expressão) barrado, castrado, mutilado ou o que seja... o caminho para o abandono da própria sanidade está deveras encurtado, sem dó e sem piedade... 



"Então, meu irmão....

Tudo dará certo e virá a seu tempo...
Faze de tua dor o alimento de tua escrita...

Não há nada que bloqueie a arte que corre em tuas veias...
Nada além de tua própria necessidade de nutrir-se de tua dor e fazer dela tua amante unica exclusiva e ciumenta.
diletante é o sentimento de posse da dor que nos asssoma e incapacita o fluxo venal da arte que teu próprio coração bombeia...

Existe ai dentro, assim como sangue e linfa, beleza e dor....
outra...
Podes nutrir a dor, mas tua arte sucumbirá
Podes nutrir a tua

Resta a ti meu caro irmão saber separa-las e nutrir uma com a
arte.... mas apenas se fores capaz de desapegar-se da tua dor e dividi-la com o externo..."


28 de out de 2013

Sobre expectativas e frustrações.




Há muito tempo atrás eu escrevi sobre frustração, que eu não sabia como lidar com elas. E para o contraponto, minhas expectativas são sempre muito altas, então pensem na combinação explosiva: as coisas geralmente não saem da maneira que eu imagino frequentemente.

Resolvi voltar ao assunto porque eu, mesmo cheia de terapia, remédios, ioga e tudo mais, caio nesse carrossel de emoções. Este final de semana saí a noite, depois de meses sem fazê-lo. Como estava com a auto-estima até razoável depois de cortar o cabelo, fui achando que ia beijar na boca. Acabou que no final os dois meninos que estavam comigo ficaram conversando com as outras duas meninas do nosso grupo e eu me sentindo a baleia orca do universo. A cabeça inclusive começa a pregar peças, das do tipo: "Eles vão me deixar em casa e depois sair de novo, pois não me aguentam." - detalhe: eram 5 da manhã.

Resultado: cheguei em casa e me cortei, pois pra mim era "o que eu merecia". Ainda por cima fiquei o domingo na cama e hoje, auto-sabotagem: não fui na ioga!

Sim, eu tenho recaídas. Beleza. O que posso fazer para tirar esta sensação do meu peito? Estou me sentindo irritada, feia e desmotivada. Fora aquela angústia básica. Vontade de fazer algo para melhorar, para ser sincera, eu não tenho. Mas preciso fazer algo. Vou trabalhar e preciso parecer gente até as 14:00.

Primeiro: o borderline tem dificuldades para voltar ao estado basal das emoções (estado basal = primeiro estado). Ou seja, fiquei mal na madrugada de sábado para domingo e até agora não voltei ao estado mais estável. Eu sei disso. Nossos mecanismos de defesa para as frustrações são prejudiciais e acabam piorando a situação. 

Tudo que fazemos é pensando nos extremos: ou eu estou uma gostosa ou estou um lixo. Saí achando que eu estava maravilhosa e como as coisas não saíram do jeito que eu queria eu automaticamente me coloquei no lugar de lixo. 

Como pensar diferente? Sinceramente minha terapeuta vai me ajudar nisso amanhã. Como sair deste estado de tristeza? Posso tentar algumas técnicas:

- Comer alguma coisa gostosa. 
- Fumar um cigarro
- Nomear 3 coisas que eu agradeço ter nesse exato instante.
- Tomar um banho beeeeem demorado.
- Postar no blog (!)
- Sorrir, mesmo sem vontade.
- Me forçar pra me maquiar pra trabalhar, mesmo achando que isso não melhora minha feiura.
- Ver esse vídeo fofo de gatos ronronando


- Todas as alternativas acima.

Vou tentar sair dessa hoje, pois sei que estas sensações são trazidas pelo borderline. E eu quero uma semana melhor!

E vocês? Alguma sugestão para que eu me sinta melhor?

22 de out de 2013

Amo e odeio. (história de um pensamento preto-e-branco)




"Pessoas normais são ambivalentes e podem vivenciar estados contraditórios ao mesmo tempo. Os borders, no entanto, vivem num vaivém de emoções opostas e ignoram o estado anterior quando estão no outro extremo... A pessoa com TPB é emocionalmente uma criança que não tolera as inconsistências e ambiguidades humanas. Ela não consegue conciliar as qualidades boas e más da personalidade alheia e formar um entendimento coerente sobre o outro. O outro ou é bom, ou é mau. Não há meio--termo, não há área cinzenta. As nuances são percebidas com muita dificuldade, se tanto."

(Pare de Pisar em Ovos - Paul T. Manson / Randi Kreger)

Quando estamos mais antenados com os sintomas do TPB, perceber quando isso acontece é muito fácil (e ao mesmo tempo engraçado).

Eu, por exemplo, estou passando por isso no trabalho. Tem um menino que trabalha comigo, que eu conhecia um pouco de antes de começar lá, eu gostava dele, achava gente boa. Mas daí depois que comecei, descobri que ele reclama de tudo!! Do horário de trabalho, do tipo de trabalho, das reuniões... Como eu sou a superiora dele, fico maluca, pois é praticamente impossível agradá-lo. E ele me irrita profundamente quando fica falando sem parar sobre como queria que tal coisa fosse de tal jeito e blablabla.

Então eu havia decidido que não gostava mais dele. Mas daí ele me dá um abraço enorme depois de uma sessão de "mimimi" que tinha me tirado a paciência. Então decidi que gostava dele. Só que no outro dia eu faço uma reunião e ele reclama o tempo todo. Ódio novamente. No dia seguinte ele me dá uma massagem maravilhosa, porque eu dei um mal-jeito no pescoço na ioga. Ok, eu gosto dele...

Quando me toquei do que estava se passando, fiquei rindo pra mim mesma. Tipo, eu simplesmente NÃO CONSIGO um meio termo. E me dei conta que as coisas sempre foram assim: quando gosto, coloco panos quentes nos defeitos, quando odeio, digo que as qualidades são só falsidade. Como faz então? Eu tenho que conviver com esta pessoa. Tenho que encontrar o meio-termo, tomar uma decisão, gostar dele APESAR dos defeitos ou não gostar dele APESAR das qualidades. Só que nunca pensei que fosse tão difícil.

Aconteceram algumas coisas que depois disso me ajudaram a decidir finalmente qual era meu sentimento por essa pessoa... Eu havia decidido não gostar dele ou pelo menos tentar ser indiferente, consegui por uns dois dias, depois já estava confusa.

O que quero dizer com tudo isso? Que quando estamos conscientes dos sintomas, podemos tentar agir de uma forma diferente, e não simplesmente reagir, que é geralmente nossa primeira opção. Se fosse antes, eu já teria ido pra cima dele com todas as pedras na mão, provavelmente ficaria (de novo) com fama de instável e passional e pior, teria um membro de minha equipe praticamente contra mim declaradamente. Não é que estou falando para vocês serem falsos. É pra tentar pensar antes de sair que nem o demônio da Tazmania girando e quebrando o que vem pela frente. 


Fácil falar, né? Eu sei. Ainda estou na luta amo-odeio-amo-odeio esse colega de trabalho, sabendo que eu precisava é aprender a nem amar, nem odiar, simplesmente ter uma visão mais ou menos neutra, ou cinza. Tô tentando.
Conseguindo pelo menos chegar na indiferença, tô no lucro... ;)


20 de out de 2013

O que um jogador de futebol americano e o Transtorno de Personalidade Borderline tem em comum?





(notícia divulgada em 09 de outubro/2013, pela ESPN Chicago)


O jogador do Chicago Bears (futebol americano) Brandon Marshall vai usar tênis verdes na partida da próxima quinta-feira contra o New York Giants, prometendo dobrar a multa que certamente virá pela violação da política de uniformes da NFL (National Football League - Liga de Futebol Americano).

Durante um mês no qual os jogadores da NFL  estão usando sapatos, luvas e pulseiras rosas para apoiar o mês da consciência para o câncer de mama, Marshall irá de verde para apoiar sua própria fundação, que foca em doenças mentais.

Marshall foi diagnosticado com o Transtorno de Personalidade Borderline em 2011. Indo de verde, Marshall está sensível à causa daqueles que vestirão rosa, e não quer tirar o foco da mensagem passada por estes.

"Eu vou levar uma multa e vou arcar com isso, queremos ser parceiros com a luta contra o câncer," Marshall disse. "Estamos ainda trabalhando no que dar, realmente doar a uma organização que está trabalhando na área da saúde mental. O diagnóstico de câncer de mama pode balançar a família. Afeta a todos nós." 

(notícia de 16 de outubro/2013 pela CBSSPORTS)



Como prometido, o jogador do Chicago Bears Brandon Marshall usou tênis verdes no jogo da última quinta-feira contra o New York Giants.

Como também prometido pela liga, Marshall foi multado por violação do uniforme - U$ 10.500, para ser mais exato. Sabemos disso porque Marshall tuitou uma foto de sua notificação pela NFL, adicionando que, "Futebol é minha plataforma, não meu propósito. Esta multa é nada comparada à atenção que a causa conseguiu e a conscientização elevada."




* Sensacional, não? Queria eu que nossos jogadores se expusessem por uma causa, seja ela qual fosse. Aqui no Brasil tá difícil, ainda mais se uma multa está envolvida. Para quem não sabe, existe sim mais estigma para quem tem o TPB lá fora, porém também há muito mais informação. Inclusive maio é o mês da conscientização do TPB lá nos EUA, fiz vários posts a respeito, quem quiser ler procura a tag "mês da consciência TPB".

* Já viram o novo vídeo do blog? Não?? Tá aqui olha...


12 de out de 2013

Depoimento: Borderline: Uma Luta Diária.






No domingo, dia 15 de setembro de 2013, eu estava com dor de garganta e febre acima de 40 graus. No dia seguinte escutei a voz da minha irmã, chamando meu nome, mas eu não conseguia abrir os olhos e nem responder. Finalmente consegui abrir os olhos e levantar, mas ainda não conseguia falar e fui esbarrando em tudo, minha mãe e minha irmã me levaram pro UPA, no carro de um primo. Eu estava muito mal e desmaiei enquanto estava com soro e medicação entrando pela minha veia, me levaram pra sala vermelha (onde ficam os pacientes em situações graves e de maior urgência) e só lembro de ter desmaiado e voltado muitas vezes, e pessoas desconhecidas chamando meu nome. No dia seguinte depois que acordei me levaram pra sala amarela, minha mãe foi me ver e disse que no dia anterior minha pressão chegou a 4 por alguma coisa, que meus batimentos chegaram a 50 por minuto e que o próprio médico se surpreendeu porque sobrevivi. Uma bactéria atacou meus rins e meu coração, estava passando por uma necrose na garganta (morte dos tecidos), já que meu sistema imunológico estava fraco. Meu irmão, pai, irmã, mãe e namorada foram me visitar no horário de visitas. 

No decorrer dos dias que fiquei lá a cardiologista quis falar com minha mãe, depois liguei pra ela pra saber o que a cardiologista queria, eu estava com um problema no coração, depois que desliguei o telefone comecei a chorar, falei para minha namorada que eu não queria nenhuma visita e pedi pra ela ligar pra minha mãe e avisar, minha mãe ficou me ligando depois e não atendi. Me levaram para o isolamento, quando isso aconteceu fiquei desesperada, achei que poderia estar com algo grave que poderia passar para outro paciente. Começaram a me dar antibióticos mais fortes, eu estava cheia de furos e desanimada, cansada de viver, só queria morrer pra não preocupar mais quem gosta de mim, primeiro com a borderline e agora com esse problema no coração. Minha mãe passou a ficar comigo como acompanhante, e às vezes minha irmã, descobri que me mandaram pro isolamento para a minha própria segurança, pois com o sistema imunológico muito fraco eu poderia facilmente pegar uma bactéria hospitalar. 

Após saber disso fui mudando de atitude, fiquei mais comunicativa, alegre, comecei a ver o lado bom das coisas, e a valorizar mais minha família que estava lá me apoiando, como se tivesse sido me dada uma segunda chance, o problema no coração me motivou a continuar sem beber e a parar de fumar, e assim como minha namorada deixou de beber por minha causa, ela parou de fumar também. Fiquei sem tomar os remédios que o psiquiatra receitou, e não tive nenhuma crise, achei que tivesse encontrado minha cura para o borderline, saí do hospital dia 24 de setembro. A cardiologista do hospital me aconselhou a parar de tomar os remédios que o psiquiatra receitou, pois segundo ela eram remédios demais, e passou apenas 2 remédios para substituírem os que eu estava tomando, 2 antidepressivos. 

Estava tão feliz por estar viva, antes eu não tinha medo de morrer, até queria isso em certos momentos. Mas depois do que eu passei, vi como minha mãe ficou preocupada, não queria que ela, minha namorada e qualquer outra pessoa que goste de mim tivesse que passar pela dor de me perder, que eu passe pela dor de perdê-las para poupa-las do sofrimento. Já tinha até esquecido que o borderline existe, até essa terça. Estava vendo na TV uma matéria sobre transtornos alimentares e apesar de nunca ter provocado vômito pra emagrecer ou algo do tipo, lembrei que sempre falam que estou muito magra mas eu não enxergo isso, às vezes até acho que deveria emagrecer mais um pouco. Inclusive, o médico perguntou se eu não estava tomando remédio para emagrecer quando fui parar no hospital. Juntando o medo de desenvolver um transtorno alimentar com o medo dos sintomas da Borderline voltarem tive um ataque, comecei a ficar nervosa, agitada e com vontade de fumar, não estava conseguindo dormir. 

No dia seguinte (ontem) não almocei e comprei 1 maço de cigarros, fui encontrar meu ex (que na verdade era mais um melhor amigo, de quem ainda sou muito dependente pois gosto de contar tudo para ele), ele parece bem diferente, abatido, não posso deixar de me sentir culpada pelas coisas de ruim que fiz (traí-lo como uma forma de testa-lo para ter certeza de que ele não iria me abandonar, que eu sempre o teria por perto; ser muito possessiva; achar que ele era sempre o errado; agredi-lo; entre outras coisas). Na hora da volta pra casa percebi que eu queria voltar para o hospital, talvez seja porque lá eu não preciso de antidepressivos, tranquilizante e estabilizador de humor para ficar bem, ou até mesmo porque lá fumar não é uma opção. Comecei a me sentir culpada, uma fraca, por ter quebrado o acordo de não fumar que fiz com minha namorada. Nem contei pra minha mãe, não quero decepciona-la. 

Estou deprimida, sem ânimo, sem vontade de comer, só quero ficar comendo doce quando fico nervosa, quero voltar a tomar meus remédios de costume, pelo menos eles são mais fortes. Só espero não voltar a me cortar, não faço isso a mais de um mês e se eu voltar a fazer estarei a apenas um passo de voltar para o fundo do poço. Acho que sei porque voltei a ficar assim, ou pelo menos tenho uma teoria, infelizmente gosto muito de ter atenção das pessoas de quem gosto, mesmo sendo geralmente uma relação de amor e ódio, lá no hospital eu tinha atenção o tempo inteiro, depois que voltei conversava bastante com minha mãe e minha irmã ainda, mas as coisas foram voltando a ser como antes, minha irmã fica na casa dela e minha mãe fica na sala vendo novelas. E agora minha namorada está trabalhando e não dá para nos vermos direito e nem podemos ficar trocando sms o dia inteiro que nem antes, por causa do emprego dela. Talvez algum dia eu consiga definitivamente parar de fumar. E uma luta diária contra meus vícios, e contra o borderline, tentando me manter ocupada, me distrair, para não ficar sozinha com meus pensamentos ruins. Talvez algum dia eu vença o Borderline, ou ele mesmo me vença pelo cansaço.

(Depoimento enviado pela Poison Girl. Quer enviar seu depoimento para eu publicar no blog? Mande pro e-mail borderlineggirl@gmail.com)



9 de out de 2013

Sou Borderline. (uma nova história)




Olá, sou a Eilan para alguns e para outros não. Fui diagnosticada com o transtorno de personalidade borderline há mais ou menos 7 meses, devido a uma crise violenta que tive após o término de um relacionamento de 5 anos. Este era difícil, tanto pelas minhas crises de insegurança e brigas constantes, como pela falta de respeito de meu ex-namorado, que muitas vezes me tratava mal, me xingava de escrota e burra, entre outras coisas e me deixava sem saber se nosso namoro duraria um dia ou um ano. 

Durante a crise fiquei 14 dias sem comer, bebendo e tomando remédios. Depois me mudei para a casa de minha mãe e gradualmente fui perdendo tudo, apartamento, amigos, possibilidades de emprego e a fé na vida. Não saia de casa e ficava o dia todo assistindo seriados no computador. Mandava mensagens para meu ex-namorado, que quando respondia era para me reafirmar que não queria uma louca perto dele.

Depois resolvi começar a estudar sobre o transtorno, e foi daí que nasceu o blog Borderline-Girl. Graças a ele conheci amigos, pessoas que me ajudaram e ajudam até hoje, que me davam conselhos e me diziam que tudo ia acabar bem, apesar de eu não acreditar. Comecei a me cortar e em pouco tempo já estava com cicatrizes por todos os lados.

Aos poucos, entre uma recaída e outra, fui me reerguendo. Comecei a sair de casa, a dar aulas particulares de inglês, a me interessar mais pela vida, apesar de sempre muito sozinha. Me cortava ainda, praticamente todos os dias, porém conheci a terapia dialética-comportamental e comecei a praticar as suas técnicas, me dando mais força para continuar seguindo.

O blog foi crescendo a medida que eu fui melhorando. Voltei ao Facebook, que eu tinha fechado desde que meu namoro. Conheci mais pessoas, comecei a cuidar da fanpage do blog, e a aventar a possibilidade de recomeçar a viver. Por volta de agosto consegui meu emprego de professora de inglês e recomecei a dar aulas e a recomeçar a coordenar a escola. Comecei a fazer ioga e a fazer um segundo tipo de terapia, a TCC, ou terapia Cognitivo Comportamental, que é a base da Dialética Comportamental. 

Tenho medo de recaídas todos os dias. Fiquei uns dois meses sem me cortar mas acabei cedendo há mais ou menos 2 semanas, apesar de todo o tratamento. Choro as vezes, tenho vontade de ficar na cama muitos dias, mas em outros parece que minha vida retornou aos eixos. Vivo me policiando e analisando minhas reações, para não voltar ao fundo do poço de onde eu saí. Eu vou cair, mas vou levantar. Como qualquer um.

Sim, existe sim como sair dessa. Existe luz no fim do túnel, existe esperança. Não é porque sou borderline que sou obrigada a ficar a mercê disso o tempo inteiro. Não estou "curada", nem "estabilizada". Ainda não entro em shoppings depois das 18:00 por medo de encontrar meu ex. Ainda tenho vontade de me cortar, ainda me sinto sozinha e muitas vezes o vazio me corrói, porém eu penso em outra coisa e vou seguindo. Eu quero fazer a minha vida valer a pena ser vivida, eu quero crescer internamente. A ioga me ajuda muito, me fez reencontrar a mim mesma. Tenho medo de tudo, sou insegura e sem auto-estima, mas quero descobrir quem eu sou de verdade. Depois de 7 meses consegui colocar um All Star no pé (que eu não usava porque lembrava meu ex). Ainda bebo para esquecer, só que menos. De vez em quando penso em morrer, mas nem tanto. 

E sorrio. Sorrio quando combino com as minhas alunas teens de comer milk-shake de Nutella no shopping ou fazer brownies de microondas. Sorrio quando consigo convencer uma aluna de 15 anos que tentou suicídio há 1 semana por causa do namorado a aceitar ajuda de um psicólogo, quando ela confia em mim porque temos as mesmas cicatrizes na pele. Sorrio quando recebo um elogio de um aluno ou quando recebi meu primeiro salário depois de tanto tempo e pude, finalmente, pagar pelos meus cigarros.


Felicidade? Não sei. Nem sei se realmente compreendo o que é isso de verdade, pois sempre tenho a idéia de que esta teria que ser tão intensa quanto minhas dores. Acho que vou usar a analogia que escutei hoje de uma aluna. Ela havia me perguntado se eu tinha voltado a ser coordenadora da escola de inglês que trabalho e eu disse que sim, porém não oficialmente, e que ela poderia contar comigo mesmo assim. Então escuto um:
- Você "está" coordenadora, ainda não é. (e riu)
Achei legal. "Estou" feliz de vez em quando. Mas não sou. Ainda. O que quer que seja isso. 



(me desculpem a sumida. Estou tentando me organizar para aparecer mais...)