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28 de fev de 2014

Trocando Experiências.




Olá, boa tarde, bom dia, ou qualquer coisa assim... não sei muito bem como iniciar essa conversa pelo maior motivo que é não saber exatamente como contar... Eu tenho 17 anos e julgo estar vivendo a melhor fase da minha vida, mas eu descobri que até as coisas boas me trazem uma ponta de extrema insanidade e recaídas.

Eu não lembro qual foi a primeira vez que me cortei, mas lembro que passei a minha infância inteira pressionando objetos afiados pelo meu corpo, naquela idade eu não tinha coragem de me cortar, mas não suportava as coisas que aconteciam ao meu redor e o que o mundo inteiro colocado em minhas costas, eu era uma criança que não teve uma boa infância e sonhava em ter coragem de se cortar.
A criança cresceu e começou a fazer riscos em seu corpo para aliviar os acontecimentos, sai de casa procurando uma outra realidade para viver e mudei de estado, mas foi exatamente nessas mudanças que tudo desandou.

Cheguei em SP com 14 anos e não tinha ninguém para contar, minha presença não era programada para os meus familiares então teve que ser adaptada, nessa época comecei a me cortar com mais frequência, em mais lugares e cortes mais profundos para amenizar as dores. Comecei a escrever, criei uma personagem que era eu - um alterego que tinha coragem de morrer propriamente dito.

Com 15 anos comecei a morar com meu pai e nossa relação era muito complicada, eu me cortava todos os dias e escrevia, digo que 15 anos é uma idade infernal. Namorei com uma guria que sempre foi filha da puta e me fazia de gato e sapato, mas na época eu não ligava porque precisava de alguém. Terminamos no inverno dos meus 16 anos e eu não era mais eu, eu era o meu alterego e tinha coragem de morrer, queria morrer, conspirava sobre isso, foi quando eu reencontrei minha atual namorada e nós, com os mesmos problemas, começamos a nos ajudar, entramos no mundo uma da outra e começamos a termos coragem e vontade de viver, queremos realizar todos os nossos sonhos, queremos casar, ter filhos, uma casinha com cerca branca... essas coisas de casais 'normais'.

Meu diagnóstico está sujeito a mudanças por ele não ser exatamente um diagnóstico, tenho medo de ir em psicólogos, embora minha namorada me incentive e há pouco tempo atrás eu fui numa consulta com ela, a terapeuta dela disse que eu tenho traços border. O jeito qu'eu falo, me expresso, todos os meus jeitos. Eu tenho tendências suicidas e não sei o que está errado na minha vida agora para explicarem minhas recaídas, mas acontece qu'eu não me corto mais pela vontade de me punir, para tampar um espaço, para esquecer, eu passei a me cortar por gostar, gostar de verdade e aí que mora o meu principal perigo, eu sei que tenho total controle sobre mim mesma, mas sei que a linha desse controle é muito tênue.

Eu passei dois meses sem me cortar e recai essa semana, a semana qu'eu completei 17 anos. Recai de uma forma uma brusca e estou tentando parar novamente, estou tentando me reerguer, mas não por mim, por eu saber que minha namorada precisa de mim em pé.

Obrigada pela atenção, acho quer consegui organizar até quer bem todas as letrinhas.

(Por T.)

** Baby, o que te dizer? Primeiramente: Vá para terapia. Busque ajuda. É difícil sozinha. Você já deu um passo importante, que é admitir que quer melhorar. Tem que ter um diagnóstico fechado, pra ter o tratamento correto. Então vamos tentar de todas as formas! 

Mas olha, tem que ser POR VOCÊ. Você precisa de si mesma de pé. De si mesma fazendo uma vida que valha a pena ser vivida. Eu sei, parece distante e difícil de internalizar isso, mas a terapia ajuda muito!

Tô torcendo por ti!

*** Querem sua história aqui no blog? Escrevam: borderlineggirl@gmail.com!


22 de fev de 2014

Abuso de Substâncias (dependência química)




Abuso de substâncias significa mais que usar drogas ou álcool regularmente. Duas características que definem esse ato são a dependência a uma substância e a inabilidade de parar de usá-la, apesar das consequências negativas associadas a ela.

Mais de 23 milhões de americanos lutam com o vício de drogas ou álcool, muitas vezes colocando suas vidas em risco. Dependentes podem se engajar em comportamentos arriscados, roubar dinheiro para comprar mais drogas/álcool ou mesmo ter problemas com a justiça.

Os sintomas físicos do abuso de substâncias são:

- Perda ou ganho de peso repentino
- Mudança no padrão de sono
- Olhos injetados
- Negligência consigo mesmo
- Fala arrastada ou coordenação afetada.
- Tremores.

O abuso de substâncias pode levar ao vício. Viciados em drogas e álcool acabam por aumentar sua tolerância à estas substâncias, e também perda total de controle do uso destas. experienciarão a síndrome de abstinência ao parar.

Tratamento

Você pode achar que não há esperança para que consiga parar com sua dependência, mas existe como aprender-se a parar de contar com substâncias para se lidar com o dia-a-dia e viver sim uma vida mais saudável.

Uma internação pode ajudar você a reunir as forças que você precisa para acabar com tal comportamento. Tratamentos usados também involvem terapia individual e de grupo, como também terapias especializadas. 

As pessoas geralmente começam a usar drogas ou álcool para mascarar ou lidar com sintomas de outro transtorno, como o Transtorno do Estresse Pós-traumático, depressão, transtornos de ansiedade e o TPB.

Se você está sofrendo com isso, buscar ajuda é o primeiro passo para conseguir a recuperação.

(tradução livre daqui)


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Recebo um monte de e-mails de gente que é usuária. Têm que procurar ajuda. Vocês sabem que não leva a nada, que piora. Eu mesma sei que tenho que diminuir a bebida. O abuso de substâncias é uma comorbidade comum entre nós borders e temos que estar alertas a isso!

Me dei conta que quase não falei de drogas aqui, pois não é algo comum no meu dia-a-dia... Estou corrigindo isso.

Vamos tentar fazer uma vida que valha a pena ser vivida? 
17 de fev de 2014

Minha namorada tem borderline (trocando experiências)





E-mail que recebi semana passada:

Olá meu nome é D. (não gostaria que identificasse este nome) , pode me chamar de D , minha namorada tem este transtorno, na verdade quando há conheci não sabia disto e aos poucos ela foi me falando , hoje ela faz tratamento com psiquiatra e psicologo, ela por algumas vezes no mes se corta,tem crises fortes de furia e parece que as vezes fica atuando sabe? na verdade muitas vezes tenho paciencia outras não, fico sem saber como agir pois parece que pessoas com este transtorno quer que o mundo gire em torno delas são extremamente carentes afetivamente e tem medo de serem abandonadas. Gostaria de saber como lidar melhor com ele ao ponto que também não me prejudique psicologicamente, e se este transtorno pode amenizar e ela ter mais facilidade em se relacionar com pessoas, digo isto pois ela não tem muitas amizades


Oi D.!

É difícil falar sobre "namoro borderline" quando eu mesma posso estar no mesmo papel que sua namorada a qualquer instante. Mas vamos lá: Primeiro de tudo, que bom que ela está se tratando, isso já faz as coisas ficarem mais fáceis. Porém leva tempo, D. Eu mesma estou em tratamento há um ano e me cortei a uma semana. Claro, no meu caso a frequência é beeem baixa, mas pra você ver que recaídas acontecem.

Sua namorada age estranho porque ainda é a única maneira que a mente dela enxerga de como se portar. Não é por querer que o mundo gire em torno dela, é por achar que a única maneira de ser amada que resta pra ela é chamando a atenção, é implorando. Não tô aqui dizendo que é pra você passar a mão na cabeça dela não, por favor. TPB não é desculpa pra fazer o que quiser. O que eu estou dizendo é que as razões dos atos dela não são ruins. Ela ainda não percebe.

Ela vai morrer de medo sim que você a deixe e pode te testar. Isso não é bom. O que você pode fazer para ajudar? Mande mensagens dizendo que a ama. Dê uma foto pra ela carregar, ou qualquer objeto que lembre você e diga que é pra ela se sentir contigo. Seja coerente, não caia em brigas, tente de alguma forma expor suas razões objetivamente, tentando não usar frases como "não acredito que você está com raiva por algo tão pequeno", "isso é besteira", "você está exagerando"... Não invalide os sentimentos dela, não precisa concordar, mas deixe claro que sim, o fato dela estar sentindo A ou B é compreensível mas que você tem uma opinião diferente pois tem o direito de discordar, e isso não faz que você a ame mais ou menos. Imponha limites, sempre.

Eu sei, na hora da raiva é difícil pensar em tudo isso. Por isso tô te dando dicas. E com relação a você, bem, já tiveste uma boa atitude que foi buscar informação a respeito do TPB. Leia. Proteja-se, tendo tempo pra si mesmo, fazendo atividades que gosta. Lembre que não é pessoal, que os ataques de fúria não existem porque é com você. 

Com o tratamento, os sintomas amenizam sim. O tempo ajuda a gente a saber como se portar em determinadas circunstâncias. A raiva passa mais.

Para terminar, D, olha... Ninguém disse que é fácil. Mas ter um amor de uma garota borderline é um presente. Ela vai ser sua e estar neste relacionamento de tal forma que duvido que encontres novamente em sua vida. E, acima de tudo, ela não é só o transtorno. 

Espero ter ajudado!!