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13 de fev. de 2017

Sobre a "estabilidade".




Então você segue o tratamento, melhora. Consegue trabalhar, consegue se relacionar. Você entende o que tem, consegue (pelo menos algumas vezes) lidar com isso e... Aí você pára de ser borderline!

Como assim? Não, não existe uma "cura". Existe a remissão dos sintomas. Você continua sentindo tudo a sua volta com uma intensidade monstra. A vontade de se cortar vem de vez em quando. As lágrimas também, e o desânimo, e a vontade de largar tudo e voltar pra cama, e ficar na cama. As vezes você até volta pra cama, mas se culpa o resto da semana (ou da vida). Você tem (mais) obrigações que as vezes não consegue cumprir, se planeja no dia anterior pra no outro dia não fazer nada porque estava dormindo. Só que tudo isso acontece e como você não está mais largada numa cama com uma lâmina na mão e um copo de vodka na outra, a parte do borderline é esquecida. Você vira novamente a dramática, irresponsável, impulsiva, difícil, louca...

Você deve estar pensando: "ok, e qual a vantagem nisso então?"
Tenho que dizer que é até mais difícil que estar em crise. É mais difícil estar de pé, se controlar, respirar, tentar agir assertivamente, tentar tirar o óculos que te faz ver tudo tão intensamente e ponderar. Pensar que amanhã as coisas não serão como hoje. Tentar fazer aqueles a sua volta entenderem que você pode estar tendo uma vida dita "normal" (conte aí marido+enteada no meu caso) e mesmo assim agir de forma "estranha" de vez em quando. Que você não fica com raiva por horas, você fica por dias. Que você estressada é um furacão e isso pode passar em questão de minutos ou meses... Aprendi nesses meus dias de "normalidade" que o estável não é tão linear assim. E que a gente fica pensando que quando alcançar a tão falada remissão dos sintomas, tudo será lindo e belo e perfeito.

Não, não é. Mas quer saber? É a remissão que me faz ver que vale a pena. Que, por mais que as vezes eu queira me colocar naquele meu papel seguro de "não é minha culpa, então me aguentem!" e fazer toda sorte de cagadas, minha vida de hoje vale ser vivida. Meu sofrimento vale a pena, porque eu consigo enxergar a beleza das partes boas. Eu não parei de ter problemas de auto-estima, não parei de ser insegura, mas eu consigo arranjar forças pra continuar em mim mesma e naqueles que eu amo que estão à minha volta. Orgulho-me de não me cortar há mais de um ano e meio. De estar num emprego onde pessoas confiam em mim. De ter uma família linda, meus gatos. Antes, nada disso era motivo pra me fazer sair da cama, nem eu mesma era motivo pra sair da cama e ver o dia.

Então não queira a perfeição. Ela não existe.
Queira uma vida que valha a pena ser vivida. Queira ser feliz sabendo que o "ser" pode virar "estar" ou "não estar". Aproveite o momento com os pés no chão de quem sabe que a luz no fim do túnel existe sim, ela só não brilha do jeito que a gente imagina.


26 de dez. de 2014

Sobre Dupla Identidade.




Um dia eu estava conversando no WhatsApp e aparece a mensagem: "Glória Perez deixou uma mensagem pra você". E foi assim que comecei a minha história com o seriado Dupla Identidade. No começo eu não acreditava que a coisa iria tão longe. Sabe quando é muito bom pra ser verdade? 

A cada e-mail trocado com a Débora, com a Glória, a cada pergunta respondida, foi crescendo a minha ansiedade, mas insistia em manter os pés no chão. Se eu voasse muito alto, podia acabar caindo feio, na minha cabeça. E não estava ajudando pensando em aparecer na TV, na internet, enfim. Eu só queria ajudar. Só a visibilidade para o transtorno que o seriado traria seria suficiente para que eu fosse recompensada.

A partir de julho, tudo aconteceu rápido: apareci no GSHOW, Fátima Bernardes, enfim... Graças à Glória eu hoje posso mostrar minha cara, meu nome, minha luta. Eu posso tatuar o símbolo do blog no braço, eu posso dizer que tenho o Transtorno de Personalidade Borderline e mesmo assim trabalho, ganho meu dinheiro, pago minhas contas. Que faço terapia sim, que tomo remédio sim, e que ninguém pode usar isso contra mim. Posso lutar contra o estigma com minha própria voz.

E a Ray foi nossa voz. Cada vez que eu a via ali, chorando, se cortando, confusa, angustiada, enraivecida, eu me via, exposta nas minhas fraquezas e qualidades, como tantos outros que com certeza sentiam a mesma coisa. Ela foi nossa primeira porta para que o Brasil soubesse que não somos simplesmente dramáticas e chamadoras (es) de atenção. Amei e sofri cada minuto. 

Por que estou contando tudo isso aqui? Porque o que aconteceu comigo é prova de que a vida reserva coisas para nós, e não fazemos idéia do que seja. Quando eu criei este blog eu estava num lugar muito escuro. Eu me cortava diariamente. Pensava em morrer sempre. Não saia de casa. E esse mesmo blog me salvou, quando a maioria daqueles que eu conhecia me virou as costas. Se alguém me dissesse que menos de dois anos após criar este espaço eu estaria na Globo, eu ia rir muito, afinal de contas, não achava sequer que estaria viva.

Foi no ajudar pessoas que me ajudei, me levantei e por isso luto, dia após dia. O blog transformou minha dor em troféu. Eu não estou "curada", caio, levanto, e são as mensagens de estímulo de vocês que me dão forças para continuar.

Que tudo que aconteceu comigo sirva de mais um exemplo que há esperança. Que as vezes fazemos coisas e pegamos caminhos os quais nem imaginamos, mas que o retorno acontece, a vida surpreende. E que, apesar de muitas vezes não acreditarmos, ela vale a pena ser vivida sim.


1 de dez. de 2014

Princesa Borderline - depoimento (e mais uma colaboradora!)




(texto de Isabella, nossa nova colaboradora)

Nada melhor do que eu mesma para relatar essas idas e vindas que ocorrem no cotidiano complexo dessa jovem digamos que "perturbada" pelas próprias lembranças e frustrações.

Digamos que ela segue uma mistura de fada encantada com a bruxa da branca de neve - não que isso seja bom, claro que não é nada bom - mas para ela era uma virtude que poucos infelizes conseguem ter. Mas ela conseguia driblar tudo e todos com seu jeito e suas manias, mas, a única coisa que ela realmente queria era atenção - e ela tinha - era algo diferente, como de costume não era algo comum, ou no fundo era, mas não para ela.

Quando era uma doce criança já enfrentava problemas com as pessoas, ai que vem a pergunta - por causa dela ou dos outros? - Ainda não sei, ninguém sabe, ou pelo menos não quer realmente saber. Ela não conseguia se achar maligna, afinal, como alguém consegue ser maligna com 6 anos? Nos mais aguardados filmes de terror isso sempre foi possível, mas não é uma coisa ocasionalmente pensada, apesar de que os pais sempre aguardam que seus filhos sejam perfeitos... Acontece, que nem toda criança quando lida com os primeiros confrontos faz tudo da maneira mais indicada.

Apesar das idas a psicóloga ou os encontros fervorosos de família, Isa ainda não via nada de tão diferente no seu jeito de ser. Criada pelos pais até os 13 anos, e depois foi morar com sua mãe em um condomínio no centro da cidade, sem conviver com o pai e sua família por quatro anos, o que podemos dizer? Muita coisa muda em quatro anos não é?

A convivência com sua mãe era muito boa, ela era sua melhor amiga, e a jovem sentia muito orgulho da mãe, tanto pela pessoa que era e sem dúvidas a determinação da mãe. Depois da morte de sua avó, tempo difícil, as duas resolveram ajudar uma a outra. Depois desse tempo o pai de Isa ao rever a filha, encontrou uma moça tatuada, que fumava e bebia, e ainda por cima ficava com meninas. Esse primeiro contato não foi a melhor coisa do mundo, mas depois que ele levou a filha em uma clínica psiquiátrica a 1500 km de distância, deve ter levado o um baita susto e resolveu fazer o papel de pai uma vez por semana.

A adolescência não é o melhor período da vida, mas é com ele em que descobrimos quem somos, e foi aí em que começa o tormento e o sangue. A jovem começou a ir em um psiquiatra a pedido da mãe, ao ver que sua filha precisava de ajuda, um tratamento foi iniciado e ela ia ao médico de 15 em 15 dias...
Um tratamento longo, até chegarem a conclusão depois de dois anos que ela tinha um transtorno de personalidade, chamado Borderline. Não era nada fácil para ela entender o que era isso, mas com várias pesquisas na internet e com a ajuda de sua mãe as coisas começaram a se encaixar, com duas tentativas de suicídio nada agradáveis, dias sofridos, automutilação, noites sem dormir, crises, ela resolveu ir se internar. Como ela mesmo dizia "todos deveriam passar por essa experiência", torno das palavras dela as minhas. 

Não é a vida que uma garota de dezessete anos queria, mas ela tentava tirar as coisas boas do momento em que estava, depois de ganhar alta ela começou a encarar os fatos de uma maneira mas coerente, por mais que acabava se frustrando uma vez ou outra. Depois disso, ela recebeu um tiro pelas costas da pessoa que ela mais amava, ela parou, e pensou o que ela deveria fazer naquele momento. Ela ergueu a sua cabeça e foi em diante. 
E tudo ficou feliz para sempre? Não, ela passava por provas todos os dias de sua vida, por um tempo resolveu ficar afastada de tudo, ficar na sua cama, ver seu filme, curtir sua gata Amy e aproveitar o que ela tinha para aproveitar nos dias atuais. 

Ela não era nenhuma princesa de contos de fada, era uma guerreira, graças ao apoio e carinho de sua mãe que acreditou nela até quando a própria Isabella deixou de acreditar.
4 de out. de 2014

Homens também podem ter o Transtorno de Personalidade Borderline.




O Transtorno de Personalidade Borderline é geralmente considerado como um transtorno "de mulher". Mas os homens podem ser borders, também. 

Therapy Soup dá as boas vindas a Dr. Robert Fischer. Dr. Fischer é o Diretor Executivo do Optimum Performance Institute, em Woodland Hills, CA. O Roanne Program  é especializado em tratar jovens adultos com o Transtorno de Personalidade Borderline ou com alguns traços dele.

Quando as pessoas pensam em uma pessoa com um diagnóstico de transtorno de personalidade borderline, eles pensam de ser doença de uma mulher. No entanto, os homens também podem ter o TPB. Quantos homens border e qual a percentagem de todos os doentes com o TPB são homens? 

Anos atrás, os médicos relutaram em fazer o diagnóstico de DBP, em parte porque os tratamentos disponíveis não estavam produzindo resultados favoráveis e, portanto, não havia muita esperança para a recuperação total. 

Com o advento da Terapia Dialética  Comportamental e outras modalidades terapêuticas, é claro que podemos fazer muito para ajudar as pessoas com o Borderline para melhorar a qualidade de suas vidas. Fizemos grandes progressos no de-estigmatizar o diagnóstico de TPB nas mulheres. 

Finalmente, estamos a dar o próximo passo e fazer o mesmo para os homens. 

Pesquisas anteriores mostraram que os homens eram cerca de 25% dos casos de TPB. Hoje sabemos que é um notável 50/50. 

Como o TPB em homens difere do TPB em mulheres? 

A literatura científica indica que as mulheres com o TPB são mais propensas a distúrbios alimentares, de humor, ansiedade e TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático), enquanto os homens demonstram paranóia, tendências passivas / agressivas, o narcisismo, e transtornos de personalidade anti-social. Homens com TPB parecem ser mais propensos a abusar dos cônjuges em vez de direcionar a raiva a si mesmos. Eles demonstram personalidades caracterizadas por temperamentos explosivos, abuso de substâncias e uma necessidade de buscar experiências emocionantes. 

Embora isso possa ser apoiado pelos dados, eu acredito que dá uma impressão muito pejorativa dos homens. Na verdade, não há diferença entre mulheres e homens em termos de seus níveis de estresse psicológico. Ambos são seres humanos que sofrem tremenda ansiedade. Tanto os homens como as mulheres estão sujeitas a sua genética e exposição social  possivelmente abusiva , como todos têm a necessidade de serem validados. 

Certamente, no Programa Roanne, vemos homens com TPB que não se apresentam transtorno de personalidade anti-social. Eles não são paranóicos. Eles são muito diferentes do que esta rotulagem estereotipada. 

Como olhamos para alguém em dificuldade determina, em parte, como nós os tratamos. 

Há sempre alguma verdade as generalizações sobre comportamento, mas cada pessoa é única. É importante cautela ao colocar uma pessoa em caixas calculadas estatisticamente. Ninguém merece ser estereotipado. 

São as causas ou antecedentes que diferem para o TPB em homens x mulheres? 

As causas específicas ou antecedentes podem ser diferentes. Mas homens e mulheres com o TPB compartilham uma dificuldade subjacente na gestão de stress e ansiedade. Podem haver causas neurológicas ou genéticas e podem haver diferenças nas formas de lidar com o sentimento de invalidação. Isso leva ao border a se distrair e encontrar dificuldades para completar seus objetivos. Não ser capaz disso faz causa problemas com a auto-estima. Este ciclo de sentimentos e comportamentos pode fazer difícil de estabelecer relações consistentes e carinho com os outros. 

Tanto os homens como as mulheres sofrem igualmente. 

Às vezes vemos homens com algumas características de quem sofre de TPB, mas eles têm outros marcadores do transtorno de personalidade também. Por exemplo, o transtorno anti-social de personalidade e o TPB às vezes parecem se sobrepor. O Transtorno de Personalidade Narcisista, em alguns casos, também. Você pode comentar sobre isso? 

Certamente existem muitos homens com TPB que também têm personalidades anti-sociais e narcisistas. 

Para este grupo a ajuda deve ser entregue de uma forma abrangente, abordando os comportamentos de agressividade e anti-sociais, proporcionando contenção, bem como compaixão e compreensão. Pode ser extremamente difícil prestar cuidados significativos e adequados para os homens (ou mulheres) que têm comportamentos anti-sociais. 

No entanto, os jovens com os quais temos trabalhado geralmente não parecem anti-sociais. Isso me leva a crer que existem muitos homens que poderiam se beneficiar e que são merecedores de cuidado, mas podem estar relutantes em apresentar-se para a ajuda, porque eles sentem que não se encaixam no diagnóstico atual do TPB. 

Os jovens que vemos para o tratamento para o TPB claramente demonstram os processos de pensamento subjacentes, ou seja, estilos de pensamento em preto ou branco rígidos e perfeccionismo. Eles acham difícil se comprometer, o que torna sua capacidade de estabelecer relacionamentos íntimos mais difícil. Vendo o mundo dessa maneira muito em preto ou branco também faz com que seja difícil para eles conseguir dominar os altos e baixos que vêm com a realização de metas complexas porque os baixos são experimentados como catastróficos e avassaladores. 

É claro que essa maneira de ver o mundo é comum. Todos nós fazemos isso às vezes. Mas quando ela se torna a forma predominante de lidar com o estresse e a ansiedade, torna-se problemática, especialmente em pessoas que são propensas a ter oscilações emocionais intensas. 

A associação de narcisismo e comportamentos anti-sociais com DBP, creio eu, pode ser em parte um artefato do grupo de pessoas em quem os estudos foram baseados. Um sistema de diagnóstico que é baseado em observações comportamentais estatisticamente válidas mas que não trata da vida interior, produz um sistema que pode ter verificabilidade, mas, muitas vezes tem pouca semelhança com o indivíduo sentado em um consultório. 

Esse é um ponto muito importante, Dr. Fischer. Temos que entender que a imagem que temos pode não ser completa, ou mesmo verdadeira, e que cada pessoa em tratamento é um indivíduo. 

O quadro fica ainda mais confuso quando se observa como muitos outros diagnósticos, tais como depressão, ansiedade, bipolaridade e TDAe TDAH são também uma parte da realidade em homens e mulheres com diagnóstico de TPB. 

Nosso sistema de diagnóstico, creio eu, simplesmente apresenta diretrizes que podem ser úteis. 

(tradução livre do artigo: "Men can have Borderline Personality Disorder, too")


Robert F. Fischer, MD, é diretor executivo e co-fundador do Instituto Optimum Performance (OPI), uma terapêutica credenciada do JCAHO , programa residencial e educacional para o jovem adulto, em Woodland Hills, CA.  Programas Roanne da OPI é especializado no tratamento de jovens adultos com Transtorno da Personalidade Borderline ou traços. Dr. Fischer é professor clínico assistente de psiquiatria, David Geffen da UCLA School of Medicine, Departamento de Psiconeuroimunologia, Instituto de Pesquisa consciência atenta. Ele tem ajudado os jovens adultos encontrar um significado em suas vidas por quase 35 anos.



23 de set. de 2014

Rock and Roll.


Comecei a escrever este texto sobre a relação do Rock e do TPB pra mim mas... Fez mais sentido que ele fosse em inglês. Para os que falam o idioma, sugiro que leiam só a versão original, pois a tradução ficou boa porém não tem o mesmo espírito.

Are you a Rock'n'roll Girl? I truly believe I am one of these. Spirit wearing fancy and scratched All Stars, heavy makeup on. And that bad attitude, not caring, not giving a shit.

I have been starting to believe rock'n'roll has everything to do with Borderline Personality Disorder. Wild, madly crazy people. The sounds that hipnotize us are not quiet strings of an opera aria, but heavy hard core guitar solos on fire. Screaming with the last spark of voice left inside our lungs. Spreading vodka on the air. Eyes numbed by the smoke around, where are we?

Best poetry I've ever heard, sorry for the ones who are fond of the classics, came out of the (wonderful) throats of Eddie Vedder. Laney Staley, Chris Cornell, John Lennon, Janis Joplin. And my prince, Sir Paul McCartney. They take you away, but not to a very warm and tidy place, but to a room full of mess: inside your own mind.

And isn't it what we are, fellow borders? A room of mess, a pool of deep feelings, all entangled in a way that we can hardly ever figure out? Life of screams for freedom, can't we even free ourselves from our own thoughts? Just as drums beat, we wander around the ambience, taking everywhere, filling everywhere with our simpathy, empathy, craziness, sadness and shall we give people a break? No. The beats never stop. They stump, and stumble, and bump, and banish ordinary around. Even from dreams.

Can we be, even for a moment, mere ordinary people? I wish. Or not. Drugs taken, theraphy attended, but inside ourselves we are and will always be rock'n'roll people. We are the sounds that take everybody over. No matter how we do it and honestly we don't give a fuck, we live. Like a rock'n'roll oncert, with thousands of people singing along a chorus sometimes they don't understand, as if they were connected in an enchanted net, they keep going.

And that's who we are, my friends. Crazy rock'n'roll chords that only rock'n'roll people get. And the good news are: even with the therapy, meds, mind training, control... The verses will keep on playing. On our mind.

TRADUÇÃO:

Você é uma garota Rock'n'Roll? Eu realmente acredito que sou uma dessas. Um espírito calçando All Stars chiques e arranhados, maquiagem pesada na cara. E toda aquela atitude má, não dando a mínima.

Comecei a acreditar que o rock'n'roll tem tudo a ver com o transtorno de personalidade borderline. Pessoas selvagens, enlouquecidamente insanas. Os sons que nos hipnotizam não são as notas quietas de uma aria em uma ópera, mas pesados e hard core solos de guitarra pegando fogo. Gritando com a última centelha de voz ainda restante em nossos pulmões. Jogando vodka pelos ares. Onde estamos?

Desculpem-me aqueles que são fãs dos clássicos, mas a melhor poesia que já escutei saiu das gargantas (maravilhosas) de Eddie Vedder. Laney Staley, Chris Cornell, John Lennon, Janis Joplin. E de meu príncipe, Sir Paul McCartney. Eles te levam pra longe, porém não para um lugar quentinho e arrumado, mas para para um quarto repleto de bagunça: dentro de sua mente

E não é o o que somos, colegas borders? Um quarto bagunçado, uma piscina de sentimentos, todos emaranhados de tal forma que nós raramente conseguimos compreender? Vida de gritos por liberdade, não podemos sequer libertar-nos de nossos próprios pensamentos? Tal como as batidas da bateria, vagamos pelo ambiente, pegando tudo, preenchendo tudo com nossa simpatia, empatia, loucura, tristeza e será que deveríamos dar um tempo a eles? Não. As batidas nunca cessam. Elas batem pesado, tropeçam, impactam e banem o normal a volta. até mesmo dos sonhos.

Podemos ser, mesmo que por um momento, meras pessoas normais? Queria que sim. Ou não. Remédios tomados, terapias seguidas, mas dentro de nós mesmos ainda somos e sempre seremos pessoas rock'n'roll. Somos os sons que levam a todos. Não importa como fazemos isso e honestamente estamos pouco se fodendo, só vivemos. Como um show de rock, com milhares de pessoas cantando juntas acordes que as vezes não compreendem, como se conectados em uma teia encantada, eles continuam.

Isso é o que somos, meus amigos. Acordes loucos de rock, que só pessoas rock'n'roll entendem. E a boa notícia é: mesmo com a terapia, remédios, treinamento mental, controle... Os versos continuarão a tocar. Em nossa mente.


Mad Season - Lifeless Dead

Curiosidade: A banda que canta é o Mad Season.

Mad Season foi uma banda grunge estado-unidense criada em 1994 como um projeto paralelo de integrantes de outras bandas com base em Seattle e do sub-gênero, o que a conferiu a alcunha de supergrupo grunge. Formada pelo guitarrista Mike McCready do Pearl Jam, o vocalista Layne Staley do Alice in Chains, o baterista Barrett Martin do Screaming Trees e o baixista John Baker Saunders, o grupo fazia um som diversificado a partir de uma mistura entre blues e hard rock.


(Wikipedia)

TRADUÇÃO:

Morto Sem Vida

Morto sem vida, aquele leito impuro
Até ou quando o desejo dela foi satisfeito
Como ele tinha desejado que eles se casassem
"Eu prometo pelo nosso amor" ela disse
Promessas nunca foram cumpridas
Sozinho em chão sujo ele dormiu

Yeah, morto sem vida

E apesar de que ele não tivesse acreditado
Ela havia ido embora e assim ele chorou
Então um demônio veio a ele
"Você deve saber que eu vou vencer"

Yeah, morto sem vida

Ele disse, ela disse
Ela o guiou a morte
Ele disse, nós sofremos
Ela disse, mas não tentou

Morto sem vida, morto sem vida

(essa devia ser música borderline também...)
6 de set. de 2014

Conheci um border... (depoimento)





Oi Eilan, estava vendo seu blog e resolvi te escrever.

Esse meu e-mail é fictício, prefiro não me identificar e com certeza entendes isso.
Apesar do nome no e-mail eu sou mulher... então vamos à história curta:

Sou das pessoas mais certinhas que existe. Mas gosto de conhecer pessoas. Foi assim que entrei naquele aplicativo Tinder (já ouviu falar?) e conheci um rapaz. 

Nos falamos por três dias e fui conhecê-lo. 

De cara ele me contou muitas histórias que pensei "como alguém pode confiar assim alguém que mal conhece?" Mas ao mesmo tempo fiquei "tranquila" por ele ser tão sincero. Ele conversou muito comigo, inclusive contou que tinha sido preso por ameaçar a ex-namora e descumprir a ordem do juiz de não se aproximar dela.

De cara eu percebi que ele tinha algum distúrbio de comportamento. Ele disse que tinha que me contar uma história ainda... mas no momento a história da prisão já foi demais... não sei porque, ainda assim ficamos (só beijos, nada de sexo).

Apesar de não ter medo das pessoas e acreditar que todas tem um lado bom, eu sou muito desconfiada, então fui pesquisá-lo na internet. Descobri que tudo que ele contou era verdade mesmo e ainda outras coisas. 

Nos encontramos no outro dia e antes que ele falasse qualquer coisa eu disse que tinha pesquisado ele no Google, ele sorriu e terminou de me contar a história. 

E me disse que era Borderline. Contou tudo sobre como descobriu a doença, como foi diagnosticado, as crises, a pior delas, a internação e a prisão e os motivos. Me falou tudo.

Eu fiquei sem reação. Primeiro porque a gente se conhece só há pouco menos de 1 semana. Segundo porque nunca tinha ouvido falar da doença. Terceiro porque fiquei pensando o motivo dele confiar em mim assim de cara e ser tão sincero. 

Ele disse que está fazendo tratamento, que toma os remédios. Que às vezes é meio anti-social porque ele evita situações e pessoas que possam desencadear uma crise. Ele pratica muito esporte como forma de liberar endorfina e liberar também um pouco do comportamento explosivo.

Enfim, só o conheço há uma semana! E agora lendo tudo sobre o TPB não sei o que fazer ou como posso ajudá-lo. Ele disse que entendia se eu não quisesse mais ficar com ele, e que entendia eu estar assustada e que não sabia como, depois de tudo que eu já sabia (pois antes de ir vê-lo pela segunda vez eu ja tinha visto que ele tinha sido internado em uma clínica de recuperação), eu ainda estava alí. Eu perguntei se teria algum problema se voltássemos uma "casa" e fôssemos só amigos. Ele disse que não, que talvez isso fosse o que ele precisava agora e tal. Acabamos nos beijando novamente e eu fui pra casa.

E com tudo isso na cabeça. Coloquei tudo no google pra descobrir mais sobre o TPB. Fiquei assustada com as pessoas falando como se afastam e abandonam as pessoas. Mas vi depoimentos de pessoas com a doença e que estão em tratamento... 

Enfim, o que achas? Como devo continuar com a amizade?

E desculpa por não me identificar.

Att.

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* Ai gente, eu queria ter tempo de responder todos os emails que vocês me mandam. As vezes estou online e chega um, aí respondo na lata. Mas as vezes não dá, muita coisa pra fazer, agora que estou tentando fazer uns posts programados pra o blog não ficar sem nada por tanto tempo.

Na verdade, nem sei se a pessoa que me escreveu já resolveu o problema, porém achei que valia a pena postar isso, pra gente pensar junto: bato sempre na tecla do tratamento, o quanto ele é importante. Só que também não é mágica, tipo, começou a se tratar e já fica 100%. Na minha humilde opinião, eu acho que o cara merecia uma chance sim, se ele está comprometido com o que tem que fazer para melhorar. A gente não é só o borderline. 
Agora, sempre se protegendo. Pode parecer meio feio o que eu disse, todavia sabemos que podemos, sem querer, magoar. Por isso a consciência do nosso transtorno é tão importante, para que possamos prestar atenção nas nossas atitudes e comportamentos disfuncionais. 
Uma amizade/namoro com um border é possível? Claroooo! E digo mais, é maravilhosa, pelo grau de envolvimento que temos. Só não podemos achar que o outro tem que entender todo e qualquer comportamento nosso "por causa do borderline". Não somos escravos do transtorno e nem podemos exigir que ninguém seja, viu?

Acho que me alonguei. O que acham de tudo isso?
1 de set. de 2014

Mais uma garota (mulher) borderline - depoimento e dicas





Querida Eilan, 

Quero te dar parabéns e te agradecer por tua generosidade em compartilhar tanta informação conosco! Comecei a ser diagnosticada como borderline/ limítrofe em dezembro de 2012. O diagnóstico ficou em aberto por bastante tempo, até bem pouco tempo atrás (o que é péssimo pra gente). Também fui classificada como personalidade histriônica e déficit de atenção. Tantos diagnósticos, e todos inconclusivos me deixaram muito mais (!) insegura e ansiosa (como se uma border tivesse ainda chão pra isso...). Enfim. Muito ruim. O lado bom é que, diante da inconclusão dos profissionais que cuidam de mim, comecei a buscar informações e compartilhar o que encontro com minha psicóloga e com o psiquiatra. Eu entendo as razões que os levaram a cogitar vários diagnósticos e as razões que os fazem ter calma antes de fechar o diagnóstico. Mas também entendo que, eu, como paciente, fico ainda mais (!) desesperada, angustiada, auto-estigmatizada, insegura e ansiosa diante das dúvidas deles. Penso que, talvez, os profissionais devessem compartilhar os diagnósticos com os pacientes APENAS quando estão seguros pois isto provavelmente nos traria MENOS sofrimento. Após pesquisar muito, sei que sou mesmo portadora de TPB (ou TPL, limítrofe, como algumas pesquisas dizem). O psiquiatra que começou a me atender agora me explicou que outros sintomas como comportamento sedutor e ansiedade, dificuldade de concentração & hiper-foco, auto-sabotagem e pânico excessivos (relacionados também à personalidade histriônica, transtorno de ansiedade e ao TDAH) podem ter origem em co-morbidades com o TPB, o que faz muito sentido quando olho pra minha história pessoal. Teus vídeos me ajudam muito pois, sempre que vejo, me sinto menos sozinha, me sinto compreendida, me sinto menos "bicho-estranho", menos "louca". Acho que você faz ideia do quanto tudo isto É muito importante para uma border. Aquela sensação curadora de "uau, em algum lugar do universo existe alguém que também vive isso, existe alguém que sabe, que entende o inferno que eu vivo e que é tão difícil explicar. Completei 30 anos este ano. Quanto mais estudo sobre TPB, mais entendo que comecei a desenvolvê-lo (ou, já o tinha, não sei), desde a primeira infância (antes dos 6 anos). As coisas foram ficando mais graves na pré-adolescência, piores da adolescência, e definitivamente catastróficas depois dos 16 anos, com perdas, problemas e prejuízos cada vez maiores e irreversíveis. Apesar de ter começado a fazer terapia aos 18 anos, só nas vésperas de completar 29 é que comecei a receber este diagnóstico. 

Por isso, concordo TOTALMENTE com você quando você alerta os mais jovens e sugere que eles procurem URGENTEMENTE tratamento, psicológico e psiquiátrico. Eles e elas realmente PODEM evitar prejuízos bem sérios se fizerem isso e se, desde cara, contarem pros profissionais que "acham" que tem TPB. Infelizmente, como você lembra, ainda há muito desconhecimento sobre TPB no Brasil, e, às vezes, muita resistência aos diagnósticos - por isso a importância de contar para seu psicólogo(a) ou psiquiatra o que você mesmo identifica, quais sintomas, enfim, o que você sente. 

Sei que, infelizmente, uma boa parte dos jovens ainda não pode pagar os preços caríssimos dos planos de saúde e das consultas com estes profissionais - e eu sou uma destas pessoas. Por isso, quero te dar uma sugestão que já funcionou comigo 3 vezes na minha vida: 

* Divulgar que TODO curso superior de psicologia oferece atendimento GRATUITO. Esteja numa instituição pública ou privada, todo curso! de psicologia, de psicanálise e de terapias complementares precisam oferecer aos seus alunos e alunas o momento do ESTÁGIO. Os cursos de Mestrado e Doutorado nestas áreas TAMBÉM OFERECEM isso. Basta a gente procurar as instituições, pedir informações sobre os atendimentos gratuitos e SEGUIR as orientações (geralmente as instituições fazem uma triagem com as pessoas que se inscrevem, que por sua vez acontece em uma determinada semana ou dia do ano ou do semestre). Os Hospitais Universitários das Universidades Federais também possuem atendimento psiquiátrico - para ser atendido por eles, você precisa passar antes pelo Posto de Saúde e pedir um encaminhamento deles. Além disso, o SUS está disponibilizando PSICÓLOGOS que atendem semanalmente nos postos de saúde e PSIQUIATRAS que atendam os postos de saúde regularmente (3, 2, ou 1 vez por mês). Tudo depende da sua CIDADE, da sua Secretaria de Saúde - há cidades que cumprem com este requisito do SUS, ma! s infelizmente, há cidades que, por culpa de suas prefeituras! , não cumprem ainda isto. Estou em uma cidade que, felizmente, cumpre com os requisitos. E, por fim, ainda há os institutos de saúde (não vou nomear pra não fazer propaganda) nos quais você paga preços para consultas com psiquiatras e psicólogos entre R$50,00 e R$90,00, sem mensalidades, - o que já é beeeeeeeem mais viável do que pagar R$200,00, R$250,00, R$300,00 ou até MAIS do que isso por atendimento. 

Por fim, quero deixar aqui algumas sugestões que encontrei. Talvez você conheça, talvez não. Aí vão:

Filme: "Borderline", de 2008. É um filme canadense bárbaro, da diretora Lyne Charlebois, baseado nos romances auto-biográficos de uma escritora borderline, a Marie-Sissi Labrèche. Para mim, é o melhor retrato cinematrográfico de um paciente border. 
Aí vai o link para o trailer no youtube:www.youtube.com/watch?v=sYJJfriIv90

Documentário: Border_ , dirigiso pela psicóloga Tami Sattler e pela escritora Debbie Corso que também é portadora de TPB. O documentário é bem emocionante e mostra depoimentos de mulheres portadoras de TPB que conseguiram ou estão tentando conseguir voltar a ter uma "vida digna de ser vivida", como você lindamente diz. Seria legal alguém colocar legendas em português! 

Livros: "Criança Interrompida, Adulto Borderline", de Taty Ades e Eduardo dos Santos, é muito bom mesmo!!!! Alguém já menciou ele aqui.

"Borderline" e "La Brèche", de Marie-Sissi Labrèche, também portadora de TPB. Ambos são romances auto-biográficos sobre a trajetória da escritora com o TPB.

"Healing From Borderline Personality Disorder: My Journey Out of Hell Through Dialectical Behavior Therapy", de, Debbie Corso, também portadora do TPB.

Este é o site da Debbie Corso, no qual ela compartilha reflexões e muito do que passou ou passa como portadora do TPB.

Canal: Ades Taty 
Neste canal há pelos 6 vídeos que falam diretamente sobre TPB, e mais vídeos que ajudam a entender as diferenças entre TPB e Transtorno Bipolar, e, entre TPB e Esquizofrenia. Achei o canal por conta do livro. Tem me ajudado a me entender um pouco mais também.

Enfim flor, é isso. 

De minha parte, posso dizer que: saiba que estamos juntas e juntos e que em outras partes do Brasil ao menos, há mais gente sofrendo e buscando curar-se.

Grande Abraço, para Eilan, colaboradores(as) e leitores(as) do Blog!


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* Adoreiii este email! Cheio de dicas. O site da Debbie eu coloquei já nos links e usei como base em alguns posts. Porém sempre válidas as lembranças e sugestões!!

Sua história é mais uma prova que sim, com o tratamento, estudo, força de vontade, podemos ter uma vida que valha a pena ser vivida! É difícil, mas possível!

24 de ago. de 2014

O que o sofrimento me ensinou.



Era uma noite quente na Penn Station e eu estava com pressa de voltar para casa. Enquanto eu caminhava pela estação de metrô lotada, uma jovem sentada no canto chamou minha atenção. Vislumbrei em seu cartaz de papelão dizendo: QUALQUER COISA AJUDA com marcador preto. Ao contrário de muitos moradores de rua que eu vejo, ela se destacou: cabelo sedoso, short jeans. Por um rápido segundo eu me perguntei o que uma mulher como ela estava fazendo nas ruas - ela parecia uma filha que faria qualquer mãe orgulhosa -, mas assim como muitos dos passageiros daquele dia, eu continuei caminhando. O que eu poderia fazer nos 10 minutos restantes para pegar o trem? 

Não demorou muito para eu me perguntasse mais sobre ela. Qual era a sua história? O que a levou àquela situação, pedindo a ajuda de estranhos? Como ela está sobrevivendo? Eu estava em choque. Na verdade verdadeira, eu estava desconfortável comigo mesma. E nesse instante, ocorreu-me: poderia ter sido eu. 

Nos meus momentos mais desesperadores, pensei em muitas coisas para escapar do meu sofrimento: em um dia bom, foi uma mudança para a África, como voluntária na Tanzânia. Nos dias ruins que era automutilação, a ameaça de suicídio, e sim, viver nas ruas. Eu não sei por que viver nas ruas fazia sentido para mim. Acho que pensei que meus amigos e família ficariam arrasados se eu deixasse-os permanentemente e viver nas ruas talvez fosse suavizar o golpe de eu desaparecer. Eu não sei. Era uma idéia desesperadora. Cheguei perto de realizar este plano de fuga, mas o pensamento dos meus entes queridos me parou - ele sempre o fez. Eu tenho a sorte de tê-los olhando por mim. E eu sei que muitas pessoas não têm isso. 

Mas esse não é o ponto deste post. Nem é o que eu fiz para ajudar essa jovem senhora. A questão é por quê. Veja só, eu nunca consegui descobrir a história dela. Eu nunca perguntei por que ela estava sem teto ou o que sofreu para chegar lá. O que me impressionou foi que ao vê-la sozinha naquele canto, eu me liguei a seu sofrimento. Eu não sabia nada sobre ela e, no entanto, eu sabia que ela estava sofrendo.

Eu queria que ela soubesse que eu sabia. Que eu reconheci onde estava na vida e que estava tudo bem. Que eu era uma testemunha de sua luta e por causa disso, ela ainda tinha a dignidade. De forma alguma eu entendia o que era ser ela, mas eu queria que ela soubesse que haviam pessoas lá fora também travando batalhas difíceis. 

Naquela noite, antes de pegar o trem para casa às 17:08, eu caminhei de volta para aquela jovem. Eu estava com medo, nervosa, indigna. 

"Olá? ... Olá?" 

Ela levantou os olhos do livro que estava lendo. Seus olhos estavam cansados​​, mas ainda bonita. Ela não poderia ter mais de 22 anos de idade - muito jovem, eu pensei, para estar nas ruas. 

"Você está com fome?" Era tudo que eu poderia dar. 

"Sim". 

Dei-lhe um saco com alimentos, barras de proteína e garrafas de água. Ela agradeceu e me abençoou e começou a vasculhar tudo. Eu senti como se estivesse incomodando, que ela precisava de privacidade para comer, então eu deixei-a ser e me afastei. Você deve achar que eu estava bem por causa do que eu fiz, que estava orgulhosa, mas eu tinha vergonha de  não fazer mais. Eume achei uma covarde. Eu pensava que eu tive a oportunidade de ajudá-la de alguma forma, mas amarelei. 

E então me lembrei que a minha terapeuta disse: "É só chuva". Não tire um ponto positivo por causa de sua lado negativo. Seu caráter não é falho. Você simplesmente deu a alguém algo que ela precisava. Mas olhando para trás, eu cheguei à conclusão de que era mais do que isso. Por um momento você a reconheceu como outro ser humano. Por um momento, você reconheceu como era difícil a vida dela. Era pequeno, minúsculo, foi pouco, mas foi alguma coisa. Na verdade, essa é a única coisa que você quis durante a sua própria angústia: compaixão, compreensão, dignidade. 

Para alcançar essa conexão com outra pessoa que não temos que superar o sofrimento - o meu próprio sofrimento e o dela ainda estavam lá. O que eu tinha que fazer era superar a raiva que tinha do meu sofrimento. Eu não podia procurar um significado e encontrá-lo sem antes deixar ir o sentimento do quão injustos, merdas, como implacáveis os demônios são. As pessoas que sofrem e são capazes de compreender o seu sofrimento para além da dor, são capazes de chegar aos outros, criar a ação - até mesmo ter uma vida digna de ser vivida. 

E eu acho que isso é o que as pessoas que sofrem muito podem oferecer ao mundo. Nesse momento, quando tudo o que eu poderia oferecer era um pouco de comida, eu encontrei o meu significado. Eu fiz algo pequeno e minúsculo, mas foi maior do que eu. Nós podemos fazer algo maior que nós mesmos, algo que só nós podemos proporcionar. Precisamos descobrir o que é,  não importa quanto tempo leve, não importa o quanto de sofrimento que suportamos, devemos continuar a seguir em frente. Porque debaixo de todo aquele sofrimento há uma oportunidade, e essa oportunidade nos leva a um novo nível de compreensão de nós mesmos e outras pessoas. Ele nos guia de volta para os nossos corações, de volta para a compaixão, e de volta a dignidade. E isso, creio eu, é uma coisa notável. 

A menina no canto? Eu não acho que eu teria notado sua presença, se não fosse pelos meus próprios problemas. Eu não teria sido capaz de me identificar com o sofrimento dela, fazendo-me agir, por tomando algum tipo de atitude. Dar-lhe algo foi meu jeito que eu dizer: "Seu sofrimento não é só seu, tal como o meu sofrimento não pode mais ser só meu."  Porque mesmo nas horas mais difíceis de desespero, nunca podemos ser jogados fora. Apenas por um breve momento, nós estávamos lá juntas. E vou me lembrar disso por muito tempo.

(tradução livre deste artigo: "What suffering has taught me"

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Amanda Wang, que escreveu este texto, é mais uma prova de que é possível superar o transtorno e viver uma vida digna de ser vivida. Ela é diagnosticada e após anos de tratamento advoga pela causa do Borderline, com o site The Fight Within Us, e tem projetos de criar um documentário sobre o tema. Já teve o nome aparecendo na Scientific American e tem várias participações em grandes congressos sobre o tema nos EUA.

"Eu costumava pensar que eu era louca, e sentir-se louca é muito solitário", diz ela. Quando eu descobri que eu tinha o TPB, tudo fez sentido. Eu entendi que era uma doença e que eu fazia parte de uma comunidade de pessoas que lutam com ela. Eu não estava mais sozinha."


13 de jul. de 2014

Quando o diagnóstico vem depois dos 30. (depoimento)




Querida Eilan!


Teus vídeos têm me ajudado bastante. Queria te agradecer pela coragem de se expor. A tua coragem ajuda, certamente, muitos de nós, limítrofes. 

Tenho 39 anos e sofro do transtorno desde sempre, mas - principalmente - dos 19 em diante, quando as coisas foram ficando piores. Aos 20, passei um ano me cortando. Nunca mais fiz isso porque passei a ter muita vergonha, mas passei a abusar de medicamentos. Tentei suicídio muitas vezes. A dor é indescritível, você bem sabe.

Só fui diagnosticada há uma semana. Até então, passava por sérios julgamentos da minha família como sendo uma pessoa birrenta, raivosa, mimada e que queria chamar atenção. Isso me deixava extremamente pior. Com o tempo, minha mãe foi percebendo que eu "tinha alguma coisa", mas pensava que era depressão, embora não achasse que tinha muitas características. Pensava isso pelos meus momentos depressivos e destrutivos. Mas sempre dizia que não fazia sentido porque eu oscilava demais. Também não me achava bipolar porque eu não tive jamais crises maníacas, de euforia. Entretanto, nunca havia recebido diagnóstico correto.

No momento, estou tomando medicação e fazendo análise (há dois anos). Depois de ver teus vídeos, passarei a fazer ioga também e voltarei à academia.
Passei por um fim de relacionamento com uma pessoa que, embora fosse um doce em muitos momentos, me julgava muito e me acusava de não saber me relacionar porque meus relacionamentos não era duradouros como os dele. Isso foi me destruindo e acabei não suportando e tentando suicídio por conta das discussões. Ele nem sonha que tenho o diagnóstico e nem que tentei me matar. Eu terminei a relação e estou me recuperando. Agora meus pais estão me ajudando e meu pai, percebo, sente-se culpado por nunca ter percebido o que eu tinha antes. Ele comentou hoje, com as mãos no rosto: "Meu Deus, eu sou um cara que lê tanto, que estuda tanto, como nunca pesquisei o que a minha filha tinha?! Tantos anos achando que era frescura! Como não pude descobrir o que você tinha?!" Quase morri de pena. Ele não tem culpa. Ninguém tem. 

Ainda estou um pouco em choque com o diagnóstico, para o qual fecho em 100% dos critérios. Dá um certo alívio, mas desanima, por ser algo que não tem cura. Sei que terei muitos sofrimentos ainda. Não há com quem falar sobre isso por aqui. O único amigo com quem comentei, me abandonou. Nunca mais me atendeu, nem entrou em contato. Foi bem triste. Depois disso, nunca mais comentei com ninguém. Só meus pais sabem.

Morro de medo de entrar em uma nova relação. Tenho medo de ser maltratada, de estragar tudo, de não ter critérios de escolha dessa pessoa. Medo de me machucar, de me destruir se não der certo novamente.

Não sou do tipo agressiva. Embora já tenha acontecido isso sim. Hoje em dia, sou mais implosiva e sofro demais. Me aniquilo. Não vejo futuro, me sinto perdida, doi o tempo todo. Aquela coisa... A única coisa que consegue me tirar da cama quando estou muito mal, são minhas 4 cadelas que tirei da rua. Elas precisam de mim, dependem de mim, sofrem e se alegram por mim. São meus anjos. Já deixei de tentar suicídio outras vezes por causa delas, pois sei que não teria quem cuidasse delas. É a única coisa que me mantém um pouco.

Tenho desenvolvido uma certa fobia social, sinto-me desadaptada ao mundo e muito sozinha. Todos os meus amigos casaram, constituíram suas famílias, meu irmão, que é mais novo, também. E eu aqui. Sou uma mulher bonita, inteligente, meiga, carinhosa. Reconheço isso, mas não sei pra que me serve. Não me vejo capaz de viver sem alguém, em contrapartida, nunca tenho ninguém. Os homens reconhecem minhas qualidades, mas não querem compromisso comigo. E seguem me elogiando. Minha sensibilidade me mata. Na verdade, na minha última tentativa de suicídio, eu sinto que morri. Estou feito zumbi agora. Só durmo com medicação, só como se minha mãe vem a minha casa me trazer comida. Emagreci horrores. Envelheci muito nos últimos dias, é notável e triste. Estou muito isolada e sem forças para nada.
Vou tentar seguir a prática da ioga, como vc sugeriu. Também quero melhorar.
Te agradeço demais e gostaria de poder te ajudar também.
Um grande beijo.
Com carinho, 

Laura


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* Resolvi colocar este depoimento porque a maioria dos e-mails que eu recebo é de gente mais jovem - menos de 25 anos - e acho que foi o primeiro que recebi de alguém mais velho que eu (tenho 35).

Sempre comento a sorte que os mais novos tem de um diagnóstico cedo - quanto sofrimento eles podem evitar, se começarem o tratamento logo de uma vez. Só os Deuses sabem o que eu poderia  ter evitado, caso alguém tivesse cogitado o TPB pra mim. 

O que importa é que você está tentando, Laura. É difícil, eu sei. Você logo vai conseguir se levantar, eu acredito!


6 de jul. de 2014

Promiscuidade e o Trastorno de Personalidade Borderline





Eu Danielle Confesso: Sou uma Depravada... Totalmente Infeliz!


Este provavelmente foi o post mais difícil de escrever até agora pois tive que literalmente ficar nua de morais, sem tabus. Afinal mesmo usando o codinome Danielle, alguns amigos inclusive a dona do blog Eilan (minha rainha) sabem quem sou, algumas das coisas escritas nunca disse a ninguém pois tem coisas que é difícil admitir até para si mesmo. Espero que ao lerem este post eu seja respeitada, nem espero compreensão apenas que reconheçam a coragem que precisei ter ao escreve-lo. Tudo que vocês vão ler serão relatos fiéis de uma maneira bem resumida da vida sexual de uma menina/mulher com TPB desde o início até o dia de hoje. Cuidado porque as coisas podem esquentar um pouco por aqui. Hahaha


Meu primeiro orgasmo foi aos cinco anos com um urso panda gigante da minha vizinha de quatro, ela me apresentou a maravilha e eu fiquei viciada. Não preciso dizer que viramos amigas inseparáveis e o urso também, é claro. Mas aquilo nada passava de reações físicas e nada tinha haver com inclinação sexual real ou nada assim. Só brincadeira. Teve também um lado ruim dois anos depois, mas não gostaria de inserir neste texto e sim em outro assunto posteriormente. Logo fui aprendendo a me virar sozinha, dava a desculpa que ia comer fruta no pé das árvores da fazenda e subia lá em cima. A brincadeira acabou quando eu levei uma mordida nas costas de um bicho e nunca mais. Portas trancadas, o travesseiro, aquilo tudo, de praxe...

Meu primeiro beijo foi com dois garotos ao mesmo tempo em baixo da escada no prédio da minha mãe não beijei nem um nem outro primeiro, um me beijava do lado direito e outro do lado esquerdo foi sexy e louco e eu aprendi na marra, cinco minutos depois também já sabia pegar muito bem em dois pênis ao mesmo tempo. =)

Demorei muito pra perder a virgindade, mas antes fiz muita gente sofrer ninguém acreditava que eu ainda fosse virgem eu enlouquecia qualquer um sem precisar abrir o zipper. Eu virei fã de filmes pornôs, tinha minhas atrizes prediletas queria agir como elas na cama, usava os vídeos como uma matéria de pesquisa. Então quando resolvi perder foi tipo: Ok, hora de acabar com isso de uma vez. E foi assim, sem emoção. Usei o garoto como um objeto sentei em cima dele e no outro dia nunca mais falei com ele. Rezo até hoje para nunca mais ter que encontra-lo na rua. Tudo isso foi porque eu era obcecada (sim porque se apaixonar é para os fracos) pelo irmão da minha colega, e ele era tipo o cara mais galinha do colégio, e eu não queria parecer inexperiente nem tampouco ficar com ele num dia e ser abandonada no outro. Resultado fiquei muito tempo obcecada por ele e sem coragem para correr o risco de ser largada. Nesse meio tempo eu me livrava do mal estar da covardia fazendo sexo com qualquer um que não fosse ele. Mas passou... Sempre passa.

Encarei uma personagem, a deusa, a indomável, criei um nome, fazia sexo como muita facilidade, e levava jeito. Deixa-os loucos em cima da cama, tinha noites que eram 6-7 quando era verão pois morava em cidade praiana de veraneio (muito gringo). Comecei a ter encontros em séries. Tinha dias que eu tinha que tomar medicação pra passar dores fortíssimas no corpo. Uma vez perdi os sentidos, menti para minha família que era porque havia ficado bêbada demais, mas foi perca de forças devido a fazer muito sexo (sim isso já me aconteceu, acreditem). Parei de contar a muitos anos quando estava perto dos 200. Realizei desejos que qualquer homem invejaria: de ficar com gêmeos, estar com mulheres, transar na água, suruba, dar uma de dominatrix. Já seduzi um gay lindo que tinha nojo de mulher o convencendo com louvor a fazer sexo comigo de pé atrás da festa (sim), homem casado, pastor bonito de igreja, tudo pra saciar meu desejo sem limites de sentir-me desejada, afinal quanto maior o desafio melhor. Estive com homens de outras nacionalidades, fui a motéis caros, dei voltas em carros importados, dormi em casas de seis dígitos, beijei gente importante fiz e aconteci. Em alguns momentos enquanto tinha eles sob o controle dos meus lábios ou sob embalo dos meus quadris eu me sentia mais poderosa que qualquer mulher, achava que eles jamais conseguiriam me dizer adeus que eles correriam atrás de mim pelo resto de suas vidas. Que suas vidas sem eu (a deusa nefertiti) seria um caos. Mas nenhum deles o fez, nem os que eu mais desejei que fizessem, os que eu realmente senti algo, nenhum destes sentiu minha falta, ou se apaixonou por mim, ou me achou a mulher mais foda do universo ou o sexo mais irresistível. Alguém merecedora de mostrar pra família e exibir em fotos nas redes sociais. O que só fez eu me sentir mais fraca e repugnante. No momento que eles estavam ali eles me dedicavam tudo, alguns me falaram que eu fui a melhor, chegaram a dizer inclusive a palavra inesquecível, mas... depois nada, só aquele vazio de novo, aquela solidão, aquele frio, então eu saia freneticamente atrás de alguém que preenchesse novamente, qualquer um que que me desejasse, qualquer um que falasse mentindo que me amava, alguém que derretesse pelo menos por algum estante aquele iceberg que se formava em meu peito. Precisava ser tocada, precisava de um beijo, de um abraço, precisava ser invadida de alguma maneira, queria ser amada nem que fosse da forma mais suja e rasa que pudesse existir. Aquela era minha maneira de sobreviver a cada dia, como uma vampira que sugava de cada homem uma gota de atenção para poder não queimar até virar fumaça quando o sol nascesse. Era errado, era triste, mas era a maneira que eu encontrei pra sobreviver. Me vestia como se o sexo fosse minha profissão, meu ganha pão, e de certa forma eu dependia dele. Arrumava sempre uma amiga maluquinha pra levar junto, uma alma a mais pra vender sempre dá sorte. Toda festa tem uma lei: mulher bonita sempre arruma uma maneira de não pagar! O que facilitava muito as coisas porque eu era de menor e não trabalhava, eu era conhecida em todas as festas, muitas vezes chegando na festa já tinha minha cota de drink reservada porque eu fazia aqueles homens beberem muito e quem estava do lado de fora eu chamava pra dentro, e eles vinham, sempre. O lance sempre era escolher os melhores "peixes" do mar, tinha vezes que só o que eu queria era fazer alguém me pagar bastante bebida sair o mais rápido possível depois ir pra praia fazer festa com vários, dançar muito e terminar a noite vendo a lua deitada em algum braço, respirando o perfume gostoso e olhando os olhos de um lindo garoto que eu sabia que jamais iria ver novamente. Toda vez que acabava-nos satisfeitos e alguns continuavam do meu lado abraçados, eu sentia vontade de falar mais sobre mim, quem sabe sabendo quem eu era ele entendesse o porque eu agia assim, que sabe ele não me abandonaria na manhã seguinte sem sequer me dar o seu telefone. Mas eu nunca falava, apenas ficava tentando imaginar ele fosse apaixonado por mim, como seria o rosto dos nossos filhos e como eu poderia ser feliz ao lado dele... As vezes eu lutava pra esconder uma lágrima fugitiva. Lágrimas que corriam após orgasmos maravilhosos e nenhum homem que se deitou comigo conseguiu decifra-las. Talvez alguém que está lendo estas linhas se identifique, alguém que nem me conheça, eu gostaria de saber, saber que não sou só eu.

Precisava daquilo, na rua eu era uma ninfo, mas o interessante é que dentro de casa eu passava despercebida, ninguém notava que eu tivesse qualquer comportamento fora do comum no sentido sexual, sabiam que eu saia, mas ainda me tratavam como criança e não me levavam a sério no máximo achavam que eu andava "bebendo demais". Naquela época eu usava muita droga, o que piorava meus impulsos e minhas recaídas depressivas, eu era a garota problema o anjo mau, a "coisa ruim" como minha família gosta de me chamar até hoje.

Continuando, minha vida teve uma grande virada quando eu comecei a namorar aos 19 anos, com um garoto de fora do estado amigo de um colega meu que OBVIAMENTE não me conhecia bem pra me apresentar pro melhor amigo dele como uma garota bacaninha. Coitado. O L. foi o homem que mais sofreu com minhas carências, nós ficamos 1 ano e meio namorando a distancia nos víamos pouco, eu nunca o amei mas como ele gostava de mim e eu precisava incessantemente disso me sujeitei a ficar com ele, mas a pior coisa é estar com alguém pensando em outro. Na época eu gostava de um argentino amor de verão que tive. Eu e minhas ilusões, assunto pra mais um post quilométrico... Para segura-lo eu agia como a mulher mais apaixonada do planeta, ligava de 5 em 5 minutos, tinha ciúmes da sombra, sufoquei ele demais mesmo, e ao mesmo tempo, vejam o contraste, punia-o por ele não ser o argentino que eu gostava traindo ele sem dó nem piedade, ele era bonito mas quando estava com ele minha libido caia lá em baixo não sentia vontade nem de beija-lo e quando não estava o fato de trai-lo também me deixava enjoada. Até que quando estávamos quase nos separando eu engravidei. Aquilo foi o fim do mundo pra mim, engravidar de alguém que eu não amava, eu a pessoa sem nenhum controle, sem saber de mim dali uma semana tendo que pensar na vida a longo prazo pois logo estaria com um filho da pessoa menos esperada. Desde o momento da minha gravidez até o termino a dois anos atrás eu nunca mais trai o L. mas em compensação eu nunca mais tive um orgasmo, eu morria a cada dia, nesse meio tempo que estivemos juntos eu fui diagnosticada, me esqueci quem eu era, me recusei a tomar medicação francamente porque eu não queria melhorar, e a única coisa que me fazia sentir viva era viver uma vida que não era minha, ficar sonhando acordada, escrevendo, pensando como minha vida deveria ter sido. Cada dia que o L. vinha me beijar ou transar comigo eu dava um novo rosto pra ele, tampava a boca dele e pedia pra ele não falar. Também me imaginava diferente, com outra vida em outra situação. Praticamente vivia para cuidar do meu filho, só me levantava da cama porque ele chorava me acordando, comia porque tinha que preparar comida pra ele, saia de casa porque ele precisava pegar sol e brincar na pracinha e só sorria pois ele sorria primeiro. Mas teve uma hora que literalmente peguei a faca e expulsei o pai dele de casa, vim pra casa da minha vó e aos poucos a vida do meu rosto foi voltado.

Hoje com 24 anos estou no começo do meu processo de recuperação, estou aceitando medicação e fazendo terapia certinho a mais de 6 meses, pois tive um episódio bem traumático próximo do ano novo após um romance casual com um italiano pelo qual eu me envolvi no estágio máximo da minha obsessão e loucura borderline, quando vi  que ele iria embora sem mim e sem promessas tentei suicídio me recortando inteira e então me jogando frente a carros, o que só fui conseguir admitir a pouco tempo em uma sessão com minha psicóloga, antes eu não conseguia admitir que queria realmente morrer, tinha vergonha de mim mesma, da minha fraqueza. O lado bom do susto é que levei a sério minha doença e minha saúde, desde então tenho me obrigado a tomar medicação e fazer terapia custe o que custar, se não por mim, pelo meu filho, o único homem que realmente me amou. Quando me separei a dois anos não tinha mais aquela "tranca" pensei que eu iria voltar a ser aquela louca que fazia sexo freneticamente, tinha muito medo, por isso passei muito tempo em casa, tive recaídas de todos os tipos, no começo eram mais frequentes, este ano estou feliz com muitos aspectos sobre mim, claro que estes muitos são uns 20% do que desejo mas pra quem vivia na escuridão quase completa já é alguma coisa. Tenho uma pira com caras de outros países uma pira forte, outro ponto pra analisar na terapia. Comecei a trabalhar a pouco tempo e tive uma diminuição na medicação, a minha libido não diminuiu, e eu acho que o maior trabalho deve ser interno, devemos confiar em nós mesmos, sei que posso cair este ano já caí quatro vezes e fiz muita sujeira, mas acreditar que não irei cair, ou que se cair não conseguirei me levantar nenhuma das afirmações estarão corretas. Tenho que me aceitar e ficar forte. Pois se vou ou não me curar eu não sei. Só sei que não quero mais me sentir como antes eu entrava naquele maldito ciclo todo santo dia, por pelo menos dois anos foi exatamente um comportamento compulsivo, se eu não fizesse sexo eu nem dormia, eu chegava a me masturbar mais de 5 vezes ao dia. No momento vai se formando aquele desejo desenfreado, aquele fogo no olhar que nenhum homem consegue resistir. Me transformo como mágica em um ser libidinoso e traiçoeiro para mim mesma, sem travas e sem medidas. De noite sou fogo, sou vulcão em erupção. Pela manhã apenas um pedaço de gelo frio e sem vida no meio do nada, mendigando carinho. O sexo pra mim, é minha munição é meu escudo, minha arma e meu próprio veneno que bebo sedenta por falta de água. Eu não tinha nenhum pudor quando estava "mega" eu abaixava as calças de um homem e fazia o que tinha pra ser feito como se minha vida dependesse disso, eles ficavam confusos porque eu realmente não pedia nada em troca. Uma prostituta que cobrava abraços...

***

Mas afinal qual a Relação do ponto de vista Científico e Psiquiátrico entre o TPB e a Libido?

A maioria da literatura nesta área sugere que, em comparação com indivíduos sem transtorno, aqueles com evidência de TPB têm maior impulsividade sexual como indicado por níveis mais elevados de preocupação sexual, exposição sexual mais cedo, as relações sexuais mais casuais, um maior número de diferentes parceiros sexuais, promiscuidade e experiências homossexuais. Além disso, esses pacientes evidenciaram maior vitimização como indicado por um maior número de comportamentos sexuais de alto risco; maior probabilidade de serem coagidas a ter relações sexuais, estupro, estupro por um estranho; e mais doenças sexualmente transmissíveis. Note-se que esses dois temas, impulsividade e vitimização, caracterizar os temas psicológicos encontrados em uma série de outros comportamentos comuns em TPB (por exemplo, álcool e abuso de substâncias / abuso, comer compulsivamente / não comer, dificuldade de regular dinheiro). Do ponto de vista psiquiátrico, estes resultados sugerem que a impulsividade sexual e vitimização são preocupações práticas clínicas em pacientes com TPB, tanto em termos de temas psicológicos relevantes, bem como os riscos à saúde. Do ponto de vista da atenção primária, os resultados sugerem que os médicos nessas configurações precisam manter um alto índice de suspeita sobre a possibilidade de múltiplos parceiros sexuais, traumas sexual e doenças sexualmente transmissíveis nestes pacientes, bem como a necessidade de abordar a contracepção e a profilaxia contra doenças sexualmente transmissíveis. Da mesma forma, os pacientes que se apresentam com a promiscuidade em ambientes de cuidados primários podem precisar de ser avaliado para TPB e possivelmente encaminhados para tratamento com um profissional de saúde mental.
Em resumo, o tema psicodinâmica da impulsividade, conforme descrito no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, quarta edição, parece ser um sub critério legítimo em muitos pacientes com TPB. O que parece estar faltando nos descritores atuais é o tom de vitimização, que também caracteriza o comportamento sexual desses pacientes.
[tradução livre do artigo: "Sexual Behavior in Borderline Personality"]


14 de jun. de 2014

Sobre o borderline... (depoimento)





"Doença, o que é a doença? Uma gripe forte ou uma dor de cabeça ao qual você se medica e passa? O vazio não qual você não tem seu self formado e se projetamos nós outros para tentar saber o que você gosta ou não de fazer. A frustração ou abandono não qual é mais intenso. Algo quase impossível de ser entendido por pessoas “normais”. 
Automutilação, pois a dor externa é mil vezes menor do que a interna. Impulsividade e agressividade por não saber lidar com rejeição verdadeira ou fantasiosa. Afastar das pessoas antes que elas se afastem de você para que você não fique muito mal. 
Tentar começar algo na sua vida e sempre parar por se sentir uma pessoa incapaz. Mudar de humor com muita intensidade a cada minuto. E lidar com o preconceito por pessoas que não entendem sua dor interna, julga que sua vida é perfeita e você não dá valor, julgam-te louca sem ao menos ter compaixão de entender o que você tem, ou melhor, estudar o seu problema para saber lidar. Mais para que se é mais fácil se afastar. 
Cobram-te para que você tenha pensamentos positivos quando não consegue controlar seus sentimentos por serem absurdamente intensos.
Colocam matérias na internet pejorativa. 
Esquizofrenia: Às vezes não sabe diferenciar a realidade da fantasia. 
Bipolaridade: mudanças de humores da tristeza profunda a alegria extrema em um tempo grande como semanas e meses. 
Psicopata: Não tem arrependimento e não tem sentimento. 
Para estes existem remédios. 
TPB: Quase 100% emotivo, dificilmente raciocinam antes de agir, manipulador de uma forma negativa (faz para se machucar), impulsivo e agressivo (normalmente para si mesmo), se mutila para não sentir dor interna, alto índice de suicídio, pois é muito difícil conviver consigo mesmo porque não tem uma personalidade formada, se julga e se cobra constantemente. Mudança de humor a cada minuto. Parte emotiva uma criança, pois foi lá onde deveria ter formado sua personalidade que ouve a paralisação. Medicação, só o regulador de humor. Terapia para reconstruir tua vida toda desde infância para descobrir que realmente é. 
Tem gente com fome, tem gente sem casa, enfim tem muita gente sofredora e porque achar que alguém que sofre constantemente de problemas mentais não sofre igual. E deus como permite que um ser venha sem controle emocional, como pedir fé se é difícil manter a energia, o humor ou qualquer coisa deste tipo para cima se é algo instável e sem controle. Um pouco injusto né, mais como eu disse quem somos nós para julgar."


(texto que recebi no inbox da fanpage do blog no Facebook)



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Não se esqueçam: é difícil. Todo dia eu acordo e saibam, não é fácil. Mas eu levanto. E vivo. Porque mesmo sem acreditar as vezes, eu acredito.


8 de jun. de 2014

O Transtorno de Personalidade Borderline em Crianças e Adolescentes





É difícil diagnosticar o transtorno borderline com precisão em crianças porque sintomas semelhantes podem evoluir para uma das várias doenças que a criança desenvolve. No entanto, a doença pode ser diagnosticada na adolescência ou início da idade adulta, embora, hajam indicações de problemas comportamentais significativas antes a forma completa do transtorno torna-se evidente. 

Algumas crianças parecem ter sintomas que são muito semelhantes ao borderline em adolescentes e adultos. Os pais de alguns pacientes border relatam que detectaram os problemas logo no primeiro ano de vida. Os bebês afetados parecem ter mais "cólica", choram mais, têm capacidade diminuída de sentir prazer, dormem menos tranqüilamente, ficam chateados mais facilmente por mudanças na rotina, e são mais difíceis de acalmar quando nervosos.

Na primeira infância, as crianças que  são diagnosticadas com o TPB mais tarde são freqüentemente descritos como sendo mais exigentes e que requerem mais atenção do que seus irmãos e irmãs. Alguns parecem se preocupar mais, terem mais episódios de tristeza, são mais sensíveis a críticas, continuam a serem perturbados mais facilmente por mudanças na rotina ou planos, e são mais facilmente irritados. Eles são mais facilmente frustrados e, quando isso acontece eles podem ter graves acessos de raiva . Alguns têm grande dificuldade em partir de casa para frequentar a escola, e sob estresse podem demonstrar sintomas físicos como puxar pequenos fios de seu cabelo, dores de estômago frequentes, dores de cabeça, problemas alimentares, e um padrão de sono anormal.

Apesar desses relatos de pais, o fato é que nós realmente não sabemos muito sobre como eram as pessoas com transtorno borderline quando crianças. Há relativamente poucos artigos na literatura médica sobre as características do TPB em crianças, e há uma falta de consenso claro sobre a presença e os critérios de diagnóstico da doença durante a infância.

Um número de diferentes descrições de comportamentos foi desenvolvido para diagnosticar crianças com o TPB. No entanto, eles parecem definir com mais precisão as crianças que mais tarde na vida desenvolverão uma série de diferentes transtornos mentais, incluindo o borderline e outros transtornos de personalidade, como o déficit de atenção, hiperatividade e transtornos por uso de substâncias.

Em geral, estes são os grupos de sintomas em crianças que sugerem que um problema significativo pode estar presente e requer a avaliação e, eventualmente, um tratamento: 

- emoções hiper-reativa com graves  explosões de temperamento; 
- pouco controle de impulsos, especialmente atos contra si mesmos ou aos outros; 
- dificuldade de racionalizar e pensamento limitado; 
- relações pessoais marcadas por distúrbios.

É aconselhável procurar um terapeuta especializado quando estão presentes estes sintomas.




10 de mar. de 2014

História do Transtorno de Personalidade Borderline




Inicialmente , foi sugerido que o transtorno de personalidade borderline beirava ou se sobrepunha com a esquizofrenia, psicoses não- esquizofrênicas e neuroses , como transtornos de ansiedade e depressão. Porque coincidiu com tantos outros diagnósticos psiquiátricos , foi comumente acreditado ser uma perda de tempo, com falta de precisão e de validade, e só é útil para pacientes que não se enquadravam claramente em outras categorias de diagnóstico. Pensou-se também que o transtorno respondia muito fracamente ao tratamento. Infelizmente, um grande número de profissionais de saúde mental , aparentemente não familiarizados com a literatura científica atual, ainda acham que isso é verdade.

No entanto, muitos estudos têm mostrado agora que o transtorno borderline tem validade e integridade diagnóstica. Alguns desses estudos indicam claramente que a doença não se sobrepõe com esquizofrenia. Além disso, o transtorno parece ser uma entidade diagnóstica distinta , embora co-ocorra com freqüência com outros transtornos mentais, como depressão e transtornos bipolar II , déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) , transtornos por uso de substâncias, transtorno de estresse pós -traumático ( PTSD), e com vários outros transtornos de personalidade.

Finalmente, medicamentos e formas específicas de psicoterapia têm se mostrado eficazes no tratamento do TPB, dando assim esperança substancial para aqueles que sofrem com isso, e para as seus famíliares e amigos.

Segue-se uma breve revisão histórica dos principais avanços na nossa compreensão e tratamento do transtorno borderline:

- Descrições de indivíduos demonstrando os sintomas do transtorno borderline foram mencionadas pela primeira vez na literatura médica quase 3.000 anos atrás.

- Em 1938, o psicanalista americano Adolph Stern descreveu pela primeira vez a maioria dos sintomas que são agora considerados como critérios diagnósticos do TPB. Ele sugeriu as possíveis causas da doença, e o que ele acreditava ser a forma mais eficaz de psicoterapia para estes pacientes. Finalmente , ele nomeou a doença , referindo-se a pacientes com os sintomas que ele descreveu como "o grupo de linha de fronteira (borderline)"

- O psicanalista Robert Knight, em 1940 , introduziu os conceitos da psicologia do ego em sua descrição do transtorno borderline. Psicologia do ego lida com as funções mentais que nos permitem perceber realisticamente eventos , integrar com sucesso os nossos pensamentos e sentimentos e desenvolver respostas eficazes para a vida que nos rodeia. Ele sugeriu que as pessoas com transtorno borderline têm deficiências em muitas dessas funções , e ele se refere a elas como "estados fronteiriços (borderline)". 

- O próximo grande contribuição no campo foi feita pela psicanalista Otto Kernberg. Na década de 1960, ele propôs que os transtornos mentais fossem determinados por três organizações de personalidade distintas: psicóticos , neuróticos e "personalidade borderline". Kernberg foi um forte defensor da terapia psicanalítica modificada para os pacientes com transtorno TPB que são capazes de se beneficiar dela.  

- Em 1968, Roy Grinker e seus colegas publicaram os resultados do primeiro estudo realizado em pacientes com transtorno borderline, a qual ele se referia como a "síndrome borderline".

- O próximo grande avanço ocorreu em 1975, quando John Gunderson e Margaret Cantor publicaram um artigo que sintetizou a informação relevante publicada sobre o transtorno borderline, e definiu as suas principais características. Gunderson então publicou um instrumento de pesquisa específica para melhorar o diagnóstico preciso do transtorno. Este instrumento permitiu aos pesquisadores do mundo inteiro verificar a validade e a integridade do borderline. Posteriormente, o TPB apareceu pela primeira vez no DSM- III como um diagnóstico psiquiátrico de boa-fé , em 1980.

- Em 1979, John Brinkley, Bernard Beitman e Robert Friedel propuseram que os medicamentos, especificamente baixas doses de neurolépticos (agora referidos como agentes antipsicóticos), são eficazes em reduzir alguns dos sintomas do transtorno borderline. A equipe de pesquisa de Friedel publicado um apoio a esta proposta  em 1986, em um dos primeiros dois estudos controlados com placebo para qualquer medicamento em pacientes com transtorno borderline. Uma descoberta semelhante foi relatado na mesma revista pela equipe de pesquisa de Paulo Soloff com uma medicação diferente da mesma classe. Desde então, outros estudos controlados de agentes similares têm apoiado e ampliado a conclusão inicial . Além disso , os medicamentos de outras classes foram relatados como tendo eficácia no tratamento dos sintomas do transtorno borderline. 

- Na década de 1980 , o primeiro de um grande número de neuroimagens , estudos bioquímicos e genéticos foram publicados indicando que o transtorno borderline está associado com distúrbios biológicos nas áreas do cérebro relacionadas com os sintomas da doença . 

- Em 1993, Marsha Linehan introduziu a terapia comportamental dialética (DBT), uma forma  de psicoterapia  específica e agora bem documentado para pacientes com transtorno borderline propensos a um comportamento auto-prejudicial e que necessitavam e solicitavam frequentes e breves internações. Desde então, outras formas de psicoterapia que são projetadas especificamente para o transtorno borderline foram desenvolvidas.

- Ao longo da última década, dois grupos de defesa foram fundados, o Treatment and Research Advancements Association for Personality Disorder (TARA APD), e a Aliança Nacional de Educação para o Transtorno de Personalidade Borderline - National Education Alliance for Borderline Personality Disorder ( NEA- BPD). As missões dessas organizações são: aumentar a consciência do transtorno borderline e seus tratamentos; prestar apoio a pessoas que sofrem de doença, e às suas famílias e amigos; aumentar o financiamento da pesquisa federal e privada dedicada transtorno , e para diminuir o estigma associado a ele.

(tradução/edição do artigo: "History of the Disorder", da página Borderline Personality Disorder Dismystified)