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10 de jan. de 2015

Apaixonado por uma border - trocando experiências



Oi. Eu não tenho TPB, mas estou apaixonado por uma menina border. Eu a conheci na faculdade, mas ela trancou a matrícula. Por sorte ela faz um curso junto comigo, assim eu pude manter contato.
Depois de muito tempo conversando, principalmente por facebook, já que às vezes ela se ausenta do curso, eu a convidei pra sair. Ela aceitou e até se mostrou bastante entusiasmada. Fomos a um sarau onde ela expôs seus desenhos(ela é uma ótima artista). Nos divertimos, conversamos, tava tudo bem até que ela disse que estava se sentindo mal e pediu pra ir embora. Na verdade ela ficou frustrada porque os desenhos dela não tiveram muito reconhecimento. Não fiquei surpreendido, porque já sabia que ela é borderline, e como faço Psicologia sei que a frustração afeta muito o border. Fomos embora e no dia seguinte eu tentei animá-la, elogiei a arte dela e perguntei se a gente podia sair de novo, mas ela simplesmente não responde mais minhas mensagens. 

Agora não sei o que fazer, devo insistir ou devo deixá-la quieta? Não entendo porque ela passou a me desprezar literalmente de um dia para o outro. Por favor, será que você pode me ajudar a entender o que está acontecendo? É normal mulheres com TPB agirem assim?
Ficarei muito grato se você puder me ajudar.

Obrigado pela atenção.


Oi!

Primeiramente, mulheres são sempre mulheres, com ou sem TPB. E temos razões que a própria razão desconfia... Ela pode não ter respondido por mil razões diferentes: pode ter medo da sua aproximação, pode ter querido te afastar pra ver se você voltava, pode ter "enjoado" - já aconteceu comigo - enfim... Mas cuidado ao vê-la como border simplesmente. Antes de tudo ela é uma pessoa, que pode ter suas próprias razões, que talvez não tenham nada a ver com o TPB. 

Como você me mandou este e-mail já faz um tempo, imagino que esta situação já tenha tido um desfecho. Espero que tenha sido bom!

Beijos,

Nathy


6 de set. de 2014

Conheci um border... (depoimento)





Oi Eilan, estava vendo seu blog e resolvi te escrever.

Esse meu e-mail é fictício, prefiro não me identificar e com certeza entendes isso.
Apesar do nome no e-mail eu sou mulher... então vamos à história curta:

Sou das pessoas mais certinhas que existe. Mas gosto de conhecer pessoas. Foi assim que entrei naquele aplicativo Tinder (já ouviu falar?) e conheci um rapaz. 

Nos falamos por três dias e fui conhecê-lo. 

De cara ele me contou muitas histórias que pensei "como alguém pode confiar assim alguém que mal conhece?" Mas ao mesmo tempo fiquei "tranquila" por ele ser tão sincero. Ele conversou muito comigo, inclusive contou que tinha sido preso por ameaçar a ex-namora e descumprir a ordem do juiz de não se aproximar dela.

De cara eu percebi que ele tinha algum distúrbio de comportamento. Ele disse que tinha que me contar uma história ainda... mas no momento a história da prisão já foi demais... não sei porque, ainda assim ficamos (só beijos, nada de sexo).

Apesar de não ter medo das pessoas e acreditar que todas tem um lado bom, eu sou muito desconfiada, então fui pesquisá-lo na internet. Descobri que tudo que ele contou era verdade mesmo e ainda outras coisas. 

Nos encontramos no outro dia e antes que ele falasse qualquer coisa eu disse que tinha pesquisado ele no Google, ele sorriu e terminou de me contar a história. 

E me disse que era Borderline. Contou tudo sobre como descobriu a doença, como foi diagnosticado, as crises, a pior delas, a internação e a prisão e os motivos. Me falou tudo.

Eu fiquei sem reação. Primeiro porque a gente se conhece só há pouco menos de 1 semana. Segundo porque nunca tinha ouvido falar da doença. Terceiro porque fiquei pensando o motivo dele confiar em mim assim de cara e ser tão sincero. 

Ele disse que está fazendo tratamento, que toma os remédios. Que às vezes é meio anti-social porque ele evita situações e pessoas que possam desencadear uma crise. Ele pratica muito esporte como forma de liberar endorfina e liberar também um pouco do comportamento explosivo.

Enfim, só o conheço há uma semana! E agora lendo tudo sobre o TPB não sei o que fazer ou como posso ajudá-lo. Ele disse que entendia se eu não quisesse mais ficar com ele, e que entendia eu estar assustada e que não sabia como, depois de tudo que eu já sabia (pois antes de ir vê-lo pela segunda vez eu ja tinha visto que ele tinha sido internado em uma clínica de recuperação), eu ainda estava alí. Eu perguntei se teria algum problema se voltássemos uma "casa" e fôssemos só amigos. Ele disse que não, que talvez isso fosse o que ele precisava agora e tal. Acabamos nos beijando novamente e eu fui pra casa.

E com tudo isso na cabeça. Coloquei tudo no google pra descobrir mais sobre o TPB. Fiquei assustada com as pessoas falando como se afastam e abandonam as pessoas. Mas vi depoimentos de pessoas com a doença e que estão em tratamento... 

Enfim, o que achas? Como devo continuar com a amizade?

E desculpa por não me identificar.

Att.

**************************

* Ai gente, eu queria ter tempo de responder todos os emails que vocês me mandam. As vezes estou online e chega um, aí respondo na lata. Mas as vezes não dá, muita coisa pra fazer, agora que estou tentando fazer uns posts programados pra o blog não ficar sem nada por tanto tempo.

Na verdade, nem sei se a pessoa que me escreveu já resolveu o problema, porém achei que valia a pena postar isso, pra gente pensar junto: bato sempre na tecla do tratamento, o quanto ele é importante. Só que também não é mágica, tipo, começou a se tratar e já fica 100%. Na minha humilde opinião, eu acho que o cara merecia uma chance sim, se ele está comprometido com o que tem que fazer para melhorar. A gente não é só o borderline. 
Agora, sempre se protegendo. Pode parecer meio feio o que eu disse, todavia sabemos que podemos, sem querer, magoar. Por isso a consciência do nosso transtorno é tão importante, para que possamos prestar atenção nas nossas atitudes e comportamentos disfuncionais. 
Uma amizade/namoro com um border é possível? Claroooo! E digo mais, é maravilhosa, pelo grau de envolvimento que temos. Só não podemos achar que o outro tem que entender todo e qualquer comportamento nosso "por causa do borderline". Não somos escravos do transtorno e nem podemos exigir que ninguém seja, viu?

Acho que me alonguei. O que acham de tudo isso?
28 de ago. de 2014

Minha namorada borderline - depoimento




Oi Eilan, tudo bem com você?

Venho encarecidamente pedir ajuda em uma situação que não estou mais conseguindo administrar. Vou tentar resumir a história...

Conheci uma menina linda e muito querida em 2009, através de uma amiga em comum, conversávamos nos intervalos nas manhãs de aula por um tempo, mas nada além de poucas palavras. Desde o início simpatizei muito com ela. Passamos alguns anos sem nos ver e acabamos por nos reencontrar na metade do ano passado, nos reaproximamos como amigas. Em janeiro desse ano começamos a ficar, no início era algo sem envolvimento, só por diversão mesmo. Com o passar do tempo os sentimentos foram surgindo e nossa aproximação aumentando. Foram 8 meses convivendo, conversando diariamente. Acabei me apaixonando por ela.

Quando fazia um mês que estávamos juntas, ela me contou que tinha TPB. Eu sabia que ela havia desistido dos fármacos que utilizava em um tratamento, porém não sabia que eram referentes a esse transtorno. Havia parado o uso ainda em dezembro por achar que eles modificavam muito a personalidade dela. Também vinha de um fim de relacionamento de dois anos com outra menina. Nesse mesmo mês ela teve uma briga com a terapeuta, e desistiu da psicoterapia também. Detalhe, ela formou-se em psicologia em dezembro do ano passado, tem 23 anos. Eu tenho 24 e sou estudante, agora, do quarto semestre de psicologia.

De lá, até o início dessa semana, estivemos juntas. Mas acabamos terminando o relacionamento por eu não saber mais o que fazer. Ela vem piorando a cada dia, tivemos momentos complicados, ela continuava a ficar comigo e com a ex namorada ao mesmo tempo. Elas trabalham no mesmo local, o que dificulta a minha situação. A outra menina, havia acabado o relacionamento com ela, alegando que não sabia lidar com a imaturidade, se arrependeu e quis voltar atrás. eu pedi diversas vezes que se não fosse intenção dela levar nossa relação adiante, ela deveria me avisar, coisa que ela nunca fez, ao contrário, sempre incentivou. Brigamos muito, mas não conseguíamos ficar longe uma da outra. Em julho resolvi pedir ela em namoro, ela aceitou com alguma relutância. Sempre alegando um medo de me fazer mal, também falou poucas vezes que me ama, que não tinha certeza disso. E admitia que não consegue se afastar da ex (e nem de mim). Nas últimas duas semanas ela me afastou muito, não me respondia direito, me deu bolo várias vezes. Pedi se ela gostaria de terminar o namoro, ela disse que sim. Foi o que fiz. 
Mas o que me preocupa é que ela está muito mal, muito mesmo, ainda nesta segunda, antes de terminar vi ela ter uma acesso de psicose e também notei que ela vem pegando a personalidade da ex namorada. Afastou quase todos os amigos e a família ignora as necessidades psicológicas dela. A mãe é um grande problema nisso, por não aceitar o transtorno e nem a homoafetividade. Conversamos sobre ela voltar a se tratar (coisa que fez desde uns 14-15 anos), mas ela me disse que não quer pq não tem solução, que está cansada e tem direito a negar tratamento. Estou muito preocupada com tudo isso. Como era a vontade dela, desde terça me afastei, mas não sei mais o que fazer. Ela veio atrás mas me mantive longe, estou com medo de estar piorando a situação dela. Estou com muito medo que ela tente suicídio ou algo assim. Fico confusa, não sei se faço bem ou mal pra ela, só sei que sou a única pessoa que tem percebido o quão mal ela está...

Por favor, me sugira algo pra fazer. Estou completamente sem norte e a amo muito, não quero que nada ruim aconteça com ela.

Obrigada por ler meu desabafo.

Beijos,

****************

* Baby... Infelizmente o que se tem pra fazer é torcer que ela busque o tratamento. Eu sempre bato nessa tecla: tem como ter uma vida que valha a pena ser vivida, mas precisamos do tratamento. Senão vai tudo por terra. 
E não dá pra obrigar ela a ir. Claro que a situação com a família dela não ajuda em nada, todavia ainda assim a escolha é dela, ainda mais sendo estudante de psicologia. 
Tente conversar, mas se preserve, sempre.


31 de mar. de 2014

Minha querida esposa “Borderline”




Hare Krishna! a todos.” Com muito gosto, ai vai o meu relato ou até mesmo desabafo. E, se de alguma forma isto puder ajudar outros que passam por estas fazes e tem ''boderlaines'' na família, ficarei muito feliz.

''Tenho 53 anos e morava só, já há uns 11 anos. Não sei se é ''karma'', mas este tipo de pessoas de comportamento, até então, estranho para mim, sempre acabava de uma forma ou de outra se hospedando aqui em casa por alguns dias. Alguns, até muito violentos, outros mais amenos. Bom, vou tentar ser breve: Em setembro do ano passado acabei hospedando uma garota (irmã de fé), aqui em casa. E, o que me chamou a atenção, por ela ser bem jovem, foi a sua profunda falta de vontade em querer viver , muito depressiva, e as vezes até me agredia sem motivos aparentes para isto. Graças á ''Deus'', procurando na internet respostas para os maus tratos dela, acabei achando estes vídeos maravilhosos que vocês postam, acabei descobrindo que ela é ''borderlaine'', hoje estamos casados e temos seu site como terapia e estudamos nele juntos para melhorar nossa convivência aqui em casa. Pois, o terapeuta que fomos procurar, não nos passou a devida confiança e respeito, por isso o abandonamos. Bom, o intuito de eu estar escrevendo é para que todos saibam que estar casado com uma garota ''borderlaine'', não é só sofrimentos. Posso relatar duas ou mais vantagens muito boas neste tipo de relacionamento.: neste relacionamento não há traição, pois a pessoa ''borderlaine'' precisa muito se espelhar e ter como guia a pessoa amada, pois ela mesmo não tem uma personalidade definida, por isso ama o parceiro com muita intensidade. A “borderlaine” é altamente carinhosa com o esposo, vive 24 horas dando e necessitando de amor (só para ter uma ideia, em oito meses de casado, fazemos ''aquilo'' todos os dias). A companheira ''borderlaine'' nunca vê defeitos em você, (infelizmente vê muitos nela mesma), e ela vai fazer de tudo para agradá-lo pois, para ela, só em pensar em perder o amado lhe é causa de profundo sofrimento. Torna-se um mundinho só de dois. A impressão que dá, é que a pessoa ''borderlaine'' tem 3 ou 4 anos de idade, que é uma das melhores fazes de se lidar com a criança; é só procurar compreender e ouvir seus queixumes (que não são poucos); nunca falar palavras que a ponha pra baixo ou que poda aquilo que é muito útil pra ela (óbvio que olhando também o interesse de ambos).

Enfim, temos nisto uma rara oportunidade dada por Deus de ser útil. Cuidar, preocupar-se, passar amor, fazer com que muitas coisas que achamos de suma importância na vida, na verdade, não nos faz viver melhor e ainda tomam todo o nosso tempo . Esta é uma oportunidade de ser realmente útil para alguém que precisa muito de sua atenção, é de suma importância e muito gratificante também. Pode parecer até aproveitar-se da situação da ''borderlaine'' mais, a coisa mais incrível que noto até agora é que, a ''borderlaine'', por mais irritante que seja as vezes, é a única mulher que tem a capacidade de retribuir triplamente ''o amor '' que lhe é recebido do amado ''. Estou, até agora, e se Deus quiser por toda vida, ''muito feliz'' com o relacionamento com uma ''borderlaine. Na hora das crises, para o meu acalento e também do dela, vemos o vídeo ''borderlaine amigos e parentes'' no youtube, ele é muito confortante e instrutivo, assim como sua pagina também, Eilan. Muito obrigado mesmo. Sim, só mais uma coisa, você que entende, porquê não faz um site chamado: ''Borderlaine: a melhor mulher do mundo. A única mulher que retribui (mesmo depois das crises nervosas) o triplo de amor que um homem precisa ''. 

“Hare Krishna” minha irmã, Muito obrigado ''.

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* Essa foi uma dos emails mais lindos que já recebi. Sem palavras.

Hare Krishna!


23 de ago. de 2013

Sobre amores e brisas.




Hoje me peguei assistindo Malhação. Acho que estou em uma fase carente, devido ao restabelecimento de uma cirurgia, então fico imaginando como seria bom ter um colo ou alguém para me mimar um pouco.

Porém aí que mora o perigo. Assistindo as cenas melosas dos novos mocinhos da novelinha adolescente, me ocorreu que eu só busco este tipo de amor idealizado: aquele que o mocinho fica com a mocinha, a cobre de beijos apaixonados e nunca, nunca mesmo a magoa. Acontece que todo mundo magoa todo mundo, intencionalmente ou não. Não somos perfeitos e as comédias românticas são tão perfeitas porque não mostram o depois, o dia-a-dia, a convivência com os pequenos detalhes diários que compõe a nossa vida.

Não estou classificando isso como um sentimento border, mas como uma falta de maturidade de minha parte, a de ficar almejando este amor idealizado, onde o romance está presente 24 horas por dia. 

Acho que é aí que o borderline entra. Ou é perfeito ou é horrível. Tenho aquela mania de acreditar que só meu relacionamento passa por altos e baixos, e que não deveria ser assim porque amor quando é amor a gente tem que ficar junto sempre e... É mesmo? Analisando agora, como deve ser cansativo mesmo não ter tempo de sentir saudade, de fazer as pazes, de ficar ansiosa depois de uma longa separação? E como deve ser incrivelmente bom não achar que o parceiro vai nos abandonar pra sempre a cada discussão onde ele sai batendo a porta.

Fiz muito pouco isso, mas lembro que todas as vezes que deixei meus parceiros livres eles voltaram pra mim por si só, e para minha total surpresa. Pois achamos que eles nos fazem um favor estando conosco, pois não somos dignas. Aí que entra essa obsessão por este amor romântico, pois nas telas, naquele mundinho imaginário que dura algumas horas de filme, eles não se desgrudam e preferem a morte à uma vida de separação. Mais ou menos como Romeu e Julieta que, numa sacada fantástica da minha marida Miss Danielle, com certeza eram borders. Quem mais vocês conhecem que se apaixonam instantaneamente no instante em que trocam olhares e que o amor que nasce é tão grande e forte que os faz mandar a merda uma rixa antiga de família?

É... mas eles morreram né? Porque, sendo borders, não durariam uma semana. Ainda mais naquela época que tudo era resolvido na base da faca, Julieta ia dar um escândalo público em cima da primeira priminha abusada que olhasse pro Romeu por mais de 2 segundos e Romeu ia tirar as tripas da mucama dela por ciúme, porque ela falava mais com Julieta do que ele...

Exageros a parte. Tenho que aprender que amor não é tempestade, é mansidão, é perene, é calmo. sou acostumada a loucos sentimentos e intensidade por deveras exagerada, então acho que não reconheço amor quando vejo um. Pois se sou vendaval, ser brisa é sonho distante. Quero ser uma, todavia. Quero ser vento fresco e necessário e não me sentir na obrigação de chover com raios e trovões ao menor perigo.

Quero amar ser eu. Pra poder ter outro vento soprando comigo sem ter medo que ele vá balançar os cabelos de qualquer outra moça, pois saberei que as correntes nos manterão juntos mesmo que separados. E que se ele resolver soprar em outro lugar, bem, e daí? Eu vou saber, e gostar, de voar sozinha.


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Com mais de 500 mil exemplares vendidos somente nos EUA, "Pare de pisar em ovos" lida com um tema marcante nos dias atuais: o transtorno de personalidade borderline (TPB). Este livro busca entender este transtorno destrutivo, estabelecer limites e incentivar amigos ou familiares com o transtorno a deixar de lado comportamentos perigosos. Ele discute as últimas pesquisas sobre um problema caracterizado pelo limite das emoções e apresenta técnicas de comunicação e estratégias de enfrentamento para que o leitor possa equilibrar seu relacionamento com um borderline.

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15 de ago. de 2013

Por que as pessoas com o Borderline tem problemas com relacionamentos?




Relacionamentos são um milagre: dois seres se juntam, trazendo todas as suas opiniões, bagagem emocional e traços de personalidade com eles. De algum jeito algo acontece e uma parceria nasce.

Os primeiros meses - muitas vezes chamados de "lua-de-mel" - geralmente são os melhores. Porém, mais cedo ou mais tarde, quando as coisas ficam mais confortáveis e as pessoas vão se mostrando mais, os relacionamentos podem ficar mais difíceis. As barreiras e as fronteiras se quebram, danço espaço para mal - entendidos e sensações de estar sendo desrespeitado ou negligenciado.

Claramente os relacionamentos são difíceis pra todo mundo. Mas não é surpresa saber que as pessoas diagnosticadas com TPB tem um padrão de relacionamentos extremamente tensos.

Os sintomas do TPB que fazem os relacionamentos serem um desafio:

De acordo com o Instituto Nacional da Saúde (National Institutes of Health - NIH), o transtorno de personalidade borderline é caracterizado por sintomas que desafiam relacionamentos, como:

- Problemas em regular as emoções e pensamentos.
- Comportamento impulsivo e imprudente.
- Medo do abandono

Porque os relacionamentos são intrinsecamente baseados em confiança e comunicação, os elementos acima são um peso a mais nos desafios comuns existentes em qualquer relacionamento.

Pra transformar os relacionamentos em algo ainda mais desafiador, aqueles com o TPB tem altas taxas de:

- Abuso de substâncias
- Auto-mutilação
- Tendências suicidas
- Depressão
- Ansiedade
- Transtornos alimentares

Qualquer relacionamento lidando com estes desafios tem um caminho duro pela frente. Some isso aos sintomas do TPB, e as coisas podem ficar fora do controle rapidamente.
Melhorando os relacionamentos
Se há o desejo de ter um relacionamento significativo e completo, é possível tê-lo. Se pode até reparar certos erros cometidos no passado, antes que houvesse uma compreensão melhor do problema.

Com certeza, os relacionamentos mais difíceis de reconstruir são aqueles onde não há mais nenhum contato. Mas até mesmo nestas circunstâncias, existem coisas que você pode fazer.

Aqui vão dez dicas para melhorar/ter de volta/encontrar o relacionamento que você quer: 

1. Aprenda a tolerar as dificuldades um pouco mais. Alguns conflitos e circunstâncias difíceis são parte de um relacionamento normal e saudável. Se você focar neste ponto de vista e não explodir depois, estas ocorrências aparecerão e irão embora. Elas também podem servir como um momento para desenvolver a intimidade, aprender a solucionar os problemas e aprender a confiar e apoiar um ao outro.

2. Trabalhe seu senso de auto-estima. Mais do que tolerar as dificuldades, não há nada que ajude mais do que isso. Por que? Porque quando uma pessoa tem um forte senso de quem é, não se preocupa com outro que possa estar julgando, deixando ou criticando quando oferece sua perspectiva. Ela valoriza (na maioria das vezes) as opiniões dos outros, pode considerar, mas estas opiniões não a definirão ou darão seu valor. 

3. Melhore suas habilidades para validação. Validação é uma habilidade de comunicação onde você escuta alguém sem julgá-lo, e o faz saber que o que ele está experienciando é real e compreensível. Isso não significa que você concorda com sua posição. Esta habilidade é muito útil para diminuir emoções fortes no outro, negar ou afirmar um pedido.

4. Pergunte-se: "e daí?" - Estar certo ou ter as coisas feitas de forma perfeita vale o relacionamento? Mesmo? Se vale, vá em frente e mantenha a posição. Mas se numa próxima vez que uma tarefa não for feita exatamente da maneira certa, pergunte-se: "e daí?" Isso é mesmo importante?

5. Aprenda como pedir habilidosamente para que suas necessidades sejam encontradas. Isso requere uma habilidade em balancear seu pedido com firmeza e gentileza, ser claro e torn-alo a seu respeito, não a respeito das falhas. Ser capaz de articular claramente a recompensa pela concessão de seu pedido também é muito importante. 

6. Pratique dizer "não." Na verdade, ser capaz de dizer "não" sem se desculpar pode ajudar a fortalecer seu relacionamento. Você se sentirá mas forte e mais satisfeito e seu parceiro(a) vai sentir que pode contar com você para fazer a coisa certa, qualquer que seja a pressão. 

7. Experiencie a gratidão e mostre-a. Faça uma lista de coisas que você valoriza e aprecia naqueles que ama e expresse sua gratidão a eles frequentemente. Bem frequentemente.

8. Aprenda como ser uma pessoa que se doa. Isso é bem diferente do que ser um capacho ressentido. É ser capaz de observar as necessidades do outro e as conceder sem que isso tenha lhe sido pedido e sem esperar nada específio em troca. E também ser um vaso para receber amor.

9. Aprecie as diferenças. Somos feitos para sermos inter-dependentes com os outros. Aqueles de nós que tem o TPB realmente amam estar em relacionamentos e geralmente não são feitos para ser uma ilha. Celebre isso, celebre o que realmente fazemos para completar um ao outro. Mostre isso liberalmente permitindo que os outros façam suas próprias escolhas e serem eles mesmos, e colha os frutos das maravilhosas coisas novas que isso vai trazer a sua vida.

10. Pratique a compaixão e toma uma postura de não julgamento para com os outros. Se você conseguir fazer estas duas coisas, a recuperação é sua.


* Quisera eu ter podido pensar e refletir sobre estas coisas há muito tempo. Ter podido ser capaz de treinar isso, aplicar isso e quem sabe melhorar meus relacionamentos. Hoje eu tenho 34 anos. Não estou dizendo que está tarde demais, porém digo que eu poderia ter tido a chance mais cedo. Tenho total consciência que perdi meu primeiro namorado e ex-noivo pro borderline. Por isso que eu falo e repito como um mantra aos mais novos: vocês tem uma chance que eu não tive. Vejo MUITA gente com 17,18,20 anos que não se trata, muitas vezes porque não quer ou não acha que pode melhorar. Bem, eu, com 6 meses de terapia e remédios, estou me preparando para recomeçar a trabalhar. Tá difícil? Simmmm!!! Claro que sim! Eu tenho crises de ansiedade, vontade de me cortar, mudanças de humor o dia inteiro, vontade de chorar por nada, medo de ir para certos lugares por causa do C., pressão da minha mãe... Mas tô me agarrando a este lampejo de forças, de oportunidade. 

Cubro-me de apoio. Semana que vem começo a Yoga. Vou começar a fazer terapia cognitivo comportamental. Acabei de comprar incenso (que me acalma) e baixei megas e megas de músicas de meditação e celta para relaxar e prevenir/acalmar crises. Não me corto a 18 dias e só deus sabe o quanto isso é complicado. Se não fosse meu novo emprego eu ia começar logo logo o hospital-dia.

Não estou estabilizada. Nem curada. Porém estou tentando. Gente, não adianta ter uma crise e recusar ajuda. Querer jogar os remédios no mar, querer parar terapia, se drogar e achar bonito (afffe), trepar com meio mundo. A gente é border, mas não é burro. A gente não consegue parar, mas dizer que não tem consciência do que faz depois do diagnóstico é forçar a barra. 

Não tem dinheiro pra fazer yoga, mais terapia? Vá pro sol e aproveite por uns minutos. Assista coisas alegres, escute músicas que não sejam deprimentes/depressivas. Se não tem ânimo pra sair, tente fazer algo, assistir uma série legal, um filme de comédia. Coma chocolate, frutas, verduras (essa parte eu peco, como só o chocolate mesmo hehehe). Informe-se sobre seu transtorno, troque experiências com quem está melhor do que você. Tenha um bicho de estimação (ADOTANDO), uma plantinha pra cuidar, aprenda a tricotar ou a fazer ponto cruz. Se estiver numa crise, bem, deixa passar. Porque só com os remédios e a terapia acaba passando. Eu entendo a dor, e não acho que a gente não tenha nossas razões pra sofrer. Cada um, afinal, sabe a dor que sente. Nós só não podemos ser desistentes.

Força. Luz. Eu acredito em vocês. Como espero que a recíproca seja verdadeira.


22 de jul. de 2013

Música Borderline: Pain - Three Days Grace


"Porque eu prefiro sentir dor do que não sentir nada..."



E já que estamos falando de amor, segue um texto de uma blogueira (adoro os textos dela!) convidada Thaís Morrison, do Cabaré-Verde, blog muito bom!

10 razões para não acreditar no amor

Ser borderline é ter seu dia destroçado por um único gesto. 
Mínimo, pequeno, insignificante para muitos.
Mas não, Thais, não estrague o dia. 
Deixe de ser doente. 
Deixe de ser sentimentalmente barata. 
Não frite a carniça do seu coração para dar aos urubus. 
Não seja egoísta, você tem amor próprio (?) Ou deveria. 
Não precisa de migalhas, de carinhas felizes. 

Ah, Thaís, sempre se doando
Sempre se perdendo
Sempre deixando você para ser outro
que nunca deixará de ser ele mesmo.

Quem quiser publicar um texto aqui, mande!


21 de jul. de 2013

O Amor Borderline



O amor, ah o amor... Sentimento tão sublime que nos deixa leve e insones por um bom tempo. Amar alguém está inserido no ciclo natural da vida. Amar é necessário, mas penoso. Amar pode ser tudo e nada ao mesmo tempo, o bem e o mal, 2 em 1. Amar é isso, é aquilo, é outrora... Não há uma definição certa para o amor, além do famigerado “Eu amo porque amo e não tem explicação”. Mas o amor é sentido de maneiras diferentes.

Um border, por exemplo, não ama de maneira sublime e leve, mal sabe o que é isso. Um border ama de maneira pesada e dolorosa, que machuca e sofre e também faz sofrer. O amor borderline é o mais complicado de se entender, ou o mais fácil. Nós amamos por carência e, geralmente, por enxergar coisas que não existem, como uma certa malícia em cada palavra dita pela pessoa amada sem nada disso ter ocorrido. Nós amamos pela falta, falta de carinho da família e amigos, falta de ambição na vida, falta de paciência, falta de amor próprio, daí vem o ciclo vicioso resumido em poucas palavras: escassez, “objeto de desejo”, obsessão, possessão, dor. Aí que mora o perigo, nessa exata bola de neve do mal. Não sabemos amar direito, é sempre a pessoa errado, salvo raras exceções. 

Mas por que é sempre assim, tanto sofrimento pra amar alguém? Talvez se não enxergássemos no outro apenas aquilo que queremos (ao invés daquilo que devêssemos), tudo seria mais colorido e menos preto&branco. Nós nos projetamos no outro e é isso que torna o amor borderline sinônimo de dor, frustração e “masoquismo”.

 Dor porque é mais do que normal um border se machucar em uma relação - ou pseudorrelação -, mesmo sabendo que aquilo não daria certo de um jeito ou de outro. Machucamos-nos seriamente, às vezes as feridas parecem não querer cicatrizar ou parar de latejar. Frustração porque no fim, tudo não passava de uma grande ilusão, um sonho – ou melhor, pesadelo – criado por nós para sustentar uma verdade intrínseca que mal sabemos como surgiu. Uma verdade que não é simples, nada mais é que um emaranhado de fios conectados ao nosso ponto mais fraco: o abandono real ou imaginário da pessoa amada. Masoquismo porque é nisso que se torna o nosso sentimento: quanto mais amamos, mais nos machucamos e parece que mais gostamos da dor. Só depois de muito apanhar é que um border aprende a lição. Mas precisa sangrar, jorrar sangue pelos poros para ver o quanto é inútil crer que temos aquela pessoa em mãos. O quanto é inútil crer que seremos felizes como um “não-border”, enquanto nos deixamos de lado para viver a vida alheia. O quanto é inútil se colocar como um ser desprezível e o outro como um deus. Tudo é uma questão de tempo e razão, até o amor.


O que fazer para mudar esse estigma? Nada. Isso mesmo, nada. Não tem muito que fazer. É normal um border sofrer por amor. Alías, border que não sofre por amor é um pouco estranho, não acham? Então, ao invés de procurar fórmulas mágicas para não sofrer por amor, que tal deixar o tempo fluir na vida como tem que ser? Nada cai do céu, muito menos a felicidade plena. Uma decepção amorosa pode ser universal, seja você um border ou não. O que falta é acreditarmos mais em nós mesmos e menos nos outros. No dia que isso acontecer, o céu brilhará de outra forma para todos nós. 
8 de jul. de 2013

Música Borderline: Can't take my eyes off you - Lauryn Hill

Diva Lauryn Hill cantando uma das minhas músicas favoritas. Ela lembra meu melhor amigo, que está longe em Londres hoje. Eu cantava esta música pra ele brincando. Vamos tentar começar a semana de melhor humor.

Coloquei ela como Borderline por mostrar este sentimento da gente precisar tanto assim de quem amamos. Mas serve de música romântica também, para os mais otimistas de plantão.




TRADUÇÃO:

(versão original por Frank Valli)

Não Posso Tirar Os Meu Olhos de Você

Você é lindo demais para ser verdade,
Não consigo tirar meus olhos de você.
Você seria como o céu para tocar,
Eu quero tanto te abraçar.
Finalmente o amor chegou
E agradeço a Deus que estou viva.
Você é lindo demais para ser verdade,
Não consigo tirar meus olhos de você...

Perdoe o jeito como eu fico,
Não existe nada mais para se comparar.
A sua visão me deixa fraco,
Não sobram palavras para falar.
Mas se você sente-se como eu me sinto,
Por favor, deixe-me saber que é real.
Você é lindo demais para ser verdade,
Não consigo tirar meus olhos de você...

Eu te amo, baby, e se está tudo bem,
Eu preciso de você, baby, para aquecer as noites solitárias.
Eu te amo, baby, acredite em mim quando eu digo...
Oh, coisinha linda, não me deixe deprimida, eu imploro
Oh, coisinha linda; agora que eu te encontrei, fique
E me deixe te amar, baby, me deixe te amar...

Você é lindo demais para ser verdade,
Não consigo tirar meus olhos de você.
Você seria como o céu para tocar,
Eu quero tanto te abraçar.
Finalmente o amor chegou
E agradeço a Deus que estou viva.
Você é lindo demais para ser verdade,
Não consigo tirar meus olhos de você...

* Ah, claro, e para quem não viu o primeiro vídeo do blog, vamos lá, assistam, curtam se gostaram e me mandem sugestões! :)


22 de jun. de 2013

Você tem saudade do quê?




REPORTAGEM DA REVISTA MARIE CLAIRE - JUNHO/2013

"Saudade é um pouco como fome. só passa quando se come a presença." A frase da escritora Clarice Lispector expressa o vazio deixado pelo fim de um grande amor. Não importa o tempo que passou ou se o presente já tem uma nova companhia. Às vezes, um perfume no ar, um olhar, evoca alguém que parecia tão distante e ainda nos toca. É um vazio que, como diz Lispector, faz que nos sintamos privados de um alimento essencial. E com ele vem uma série de perguntas inevitáveis: será que o amor ainda não acabou? Vale a pena procurá-lo ou é melhor deixar quieto? Nesse caldeirão de sentimentos, segundo a psicoterapeuta Lúcia Rosenberg, cabe tanto a satisfação de saber que se viveu uma relação importante quanto a raiva por ela ter acabado. "Mesmo quem tomou a iniciativa da separação pode sofrer com a falta do ex",diz a especialista. "E não sentimos saudade só do outro, mas também de nós mesmos e dos pontos que o outro iluminava na gente", afirma Lúcia.

Para ela, é importante ter bons momentos para lembrar. Isso ajuda a curar a ferida da ruptura. "O que está dentro do seu peito ninguém rouba. O problema é quando a pessoa não se conforma, troca o parceiro pela ferida, casa com ela e chama de saudade o que na verdade é tortura", opina a especialista. Então, nada de ficar ouvindo a música predileta do casal ou vasculhando a vida do ex na web. Uma dose de recolhimento e amor-próprio ajudam, e a presença de amigos é um bálsamo na temporada de luto do amor, que dura, em média, dois anos.

O desejo de reatar, às vezes, bate forte, mas será que vale a pena? "A lealdade interna precisa estar em primeiro lugar", adverte Lúcia. "Pode passar por cima do orgulho, mas não por cima daquilo que é fundamental pra você. Senão estará indo atrás do outro por carência, vício, como quem vai atrás de uma droga, e não é essa a natureza do amor." Se a ruptura é definitiva, não há como evitar a dor: "A gente tem de sofrer o que cabe. Nem mais, nem menos", diz Lúcia. Para ela, reconhecer a importância de um amor é fazer jus à sua história, mas apegar-se a esta memória é um equívoco. "Deixar a saudade passar é um pedido do amor querendo renascer." A seguir, três depoimentos de pessoas que viveram uma grande paixão, sofreram de saudades e aprenderam coisas diferentes com isso.

(nesta transcrição colocarei somente um. - Eilan)

"Deixei de ouvir rock, porque isso me lembrava o Gustavo. Estamos separados há quatro anos, mas durante dois, parei de ir a determinados shoppings e restaurantes que íamos juntos. Fui eu que quis terminar o namoro, não podia voltar atrás. Mas a saudade me deixou fora do eixo. Uma vez, senti o cheiro dele na rua e parei o homem para perguntar que perfume ele estava usando. O cheiro era a lembrança mais forte de quando a gente se abraçava.

Nossa  relação durou seis anos e eu era apaixonada. Nunca tivemos vida social. Gustavo morava com o pai que, nos finais de semana, costumava viajar. eu me mudava para lá e ficávamos assistindo TV, passeando com o cachorro dele, cozinhando e transando.

O sexo não era a chave da relação, mas meu primeiro orgasmo foi com ele. Nossa relação foi se desgastando porque ele era possessivo. Quando entrei na faculdade, ele se matriculou para outro curso no mesmo campus. Batia o sinal, já estava na porta me esperando. No começo, eu achava lindo, via o ciúme como uma prova de amor. Só que acabei ficando isolada, longe do mundo e dos amigos.

Apesar de tudo eu acreditava que as coisas podiam mudar, porque gostava dele, mas esperava um sinal de que ele queria investir em nós dois. Eu queria morar junto, mas ele não se manisfestava. Começamos a brigar por coisas bobas. Até que, no dia do meu aniversário, saímos para jantar e ele colocou uma caixinha de jóias na minha mão. Foram cinco minutos de expectativa. Quando abri a caixa, era uma correntinha. Não escondi minha decepção por não ser um anel de compromisso, e o clima ficou péssimo. Eu me recolhi e acabei rompendo o namoro por SMS. Sabia que era a coisa certa a se fazer, só que ainda o amava, tinha medo de encontrá-lo e fraquejar. Ele já estava com outra pessoa, descobri depois. Mas eu caí num buraco negro. Achei que não iria amar de novo, que tinha perdido a chance de ser feliz. Sentia falta de coisas muito simples, como ele me ligar pela manhã para dar bom dia. Adoeci, comecei a ter ataques de pânico. Por ordem médica, tomei antidepressivos durante quatro meses.

Nós nos encontramos três vezes por acaso e apenas nos cumprimentamos. Nas duas primeiras, minha vontade era de pedir para voltar. Na terceira, com oito meses de separação, não senti mais nada, estava em paz. Felizmente, reatei o vínculo com meus amigos, voltar a sair com eles me fez reviver. Depois de alguns meses, comecei a ir sozinha ao cinema, ao teatro e descobri que gostava da minha companhia! Até eu me sentir curada, levou uns dois anos. Cheguei a ficar com outros homens antes disso, mas nada sério. Melhorei aos poucos, e passei a me sentir cada vez mais autônoma. Adorei viajar sozinha! fui primeiro para a Bahia depois para Buenos Aires e para a Europa. O ressentimento acabou. Sou grata a tudo que vivi, porque sei que amei e fui amada enquanto durou.

Há alguns meses, conheci o Rafael. Estamos gostando um do outro, nos descobrindo. Tudo é diferente porque eu mudei. Amadureci. Hoje sei o que eu quero e o que não quero de um romance."

Thais Turlão, 29, publicitária. Após quatro anos separada, apaixonou-se de novo.

* Eu resolvi escrever sobre este tópico, porque é algo que sofro até hoje. Mas lendo este artigo, percebo que não é simplesmente por causa do transtorno que estou assim. Neste relato esta menina não tem nenhum e mesmo assim ficou mal. Claro que a intensidade deve ser diferente, mas dá pra se sentir menos ET, pelo menos. Afinal de contas, quem nunca sofreu de saudades?

Ainda sofro, até hoje, lembrando exatamente das pequenas coisas, os detalhes que fazem a diferença quando estamos com alguém: a voz, o cheiro, o abraço. Também deixei de ouvir certas músicas, ir a certos shoppings e restaurantes. Tenho fobia de lugares muito cheios. Qualquer coisinha a toa ainda me leva a ele. Eu tenho consciência sim que ele não merece tamanha devoção, e cada vez mais consigo me libertar. A semana do meu aniversário foi bem pesada. Recebi uma mensagem desaforada de C. um dia antes, respondendo a que eu eu havia mandado (bêbada). Fora todo o resto. Tive uma crise violenta, me cortei como nunca havia feito, tive que chamar a minha mãe para ajudar e se ela não tivesse vindo eu não teria parado.

Mas estou melhor. Como eu falei, mudei o cabelo. Vou publicar os vídeos. E ontem eu dei um passo importante, fui ao shopping com uma amiga. Tudo bem, era de tarde, as chances de encontrar meu ex eram quase nulas porém ainda assim foi um passo, pois eu não estava entrando de jeito nenhum.

A vida vai seguindo. E eu vou tentando. Será que consigo?

(amanhã podcast!)




21 de jun. de 2013

Eu sou o baby, você tem que me amar!


Perdi as contas de quantas vezes que me descontrolei e/ou me humilhei para não ficar só. Isso acontece nas amizades, mas muito mais potencializado nos romances.
Cá estou eu, em um período de quatro meses com duas decepções amorosas. Um italiano e um turco, que eu nunca conheci. Parece loucura, mas não é.

Começo de fevereiro, Marco, um italiano abobado de 23 anos, sem nada de especial, exceto minha imensa carência que acabou transformando esse “esporco” em um anjo iluminado. Pelo qual dediquei diversas cartas e poemas apaixonados (dos quais ele sequer deu algum valor). E eu jurava (mais uma vez) que ele era meu grande amor. Depois de muito me humilhar e ser rejeitada, comecei aos poucos “clarear” minhas idéias e ver o que realmente estava acontecendo. Não demorou muito para eu levantar no meio da noite meio louca, cheia de raiva e razão, apagar todas as fotos dele e músicas melosas italianas do meu PC, rasgar as que eu tinha revelado (sim eu fiz isso). No outro dia lá estava eu livre, leve e solta. Satisfeita por ter expulsado o italiano fanfarrão da minha vida.

Quatro dias depois, dia dos namorados (este último), sempre tive uma identificação maluca com os povos mediterrâneos, suas danças e músicas tão lindas. Quando criança eu dizia ser a Princesa Jasmine e sonhava em um dia voar com meu Aladim em cima de um tapete mágico. Isso tudo somado ao dia dos namorados me fez pensar, e se eu adicionasse um turco, tipo assim, só pra conversar saber mais da cultura, que mal poderia ter nisso... Não sei como nem onde, me deparei com um turco gato, 25 anos, meu número (ai ai) fiz o quê?! Adicionei, na hora! E ele me aceitou. Assim começou minha segunda decepção do ano.

O que foi mais assustador é que ele foi a exata descrição minha de como eu agia com o italiano, cheia de amor, poemas, declarações. Chegou inclusive me marcar em publicações do Facebook dele com clipes românticos e o escambau, respondia meus comentários sempre com muito mel. Nós sempre conversávamos em inglês, um belo dia para agradar resolvi deixar um comentário em uma foto em turco “Kalbim” (“amor”), não demorou muito para outras pessoas comentarem a foto (inclusive o irmão dele), ele curtiu todos os comentários que já não eram pela foto e sim pela “shilique estrangeira” que vos fala. Hahahahahaha. Lá ficaram os comentários por dois dias, quando ontem, de repente, eles sumiram como por encanto de um gênio da lâmpada. E eu OBVIO fui confrontá-lo, ele disse que não sabia o que tinha acontecido (sei, sei). Entre uma conversa e outra ele disse: “eu te amo” e eu respondi: “prove”. Então ele me enviou uma solicitação de relacionamento sério, e eu toda boba na hora aceitei publicamente dando a cara pra bater assumindo um romance com um turco que ninguém sabia de onde saio. Quando eu fui boba deixar um recado apaixonado no perfil do Facebook dele descobri que o bonito não tinha deixado o status publico, e sim só para eu visualizar.

FÚRIA! Eu fiquei com tanta raiva, exclui tudo na hora. Fui até ele pedir uma explicação, depois de eu muito discutir ele me pediu desculpas, inclusive perante os amigos dele na webcam. Então ele me contou o porque ele fez isso: “Você não tem noção de como as coisas funcionam aqui, eu não estava preparado para assumir publicamente um relacionamento e suportar a pressão e perguntas da minha família, fiquei com medo de te magoar, por isso não falei. Desculpe mas as coisas aqui são diferentes, você acha que eu posso fazer uma tatuagem ou um piercing e tudo bem, não eu não posso. Tente entender”.

Ok, ok ele não foi de todo cafajeste, apenas covarde como diria minha amiga Eilan. Mas para um homem que ia me pagar uma passagem para turkia e me receber na casa da família dele, conhecer tudo e todos, o mínimo que eu esperava era ser alertada sobre a possibilidade de eu não ser tão bem recebida ou melhor dizendo ser enxotada porta a fora em uma língua que eu nem ia entender do que estavam me chamando. E que ao invés de ter um homem que iria ficar ao meu lado e me defender eu ia ter apenas um cara que ia fazer uma carinha de “chatiado” e me dizer um “foi mal, adeus”. Ninguém merece!


Bem gente, contei essas duas histórias que me ocorreram este ano, das diversas que tenho, para ilustrar o quanto nos metemos em frias e nos envolvemos sempre nos típicos amores impossíveis, pois precisamos acreditar que há uma história de amor nos esperando. E mesmo para quem está em um relacionamento acabado, sempre tentamos por medo de ficar sozinhos. 

É a solidão me assusta e muito. Não aceito ela e conseqüentemente nem a mim mesma. Enquanto tantas pessoas seguras de si acordam todas as manhãs e se olham no espelho dizendo: ”Eu me basto!”. Nós por outro lado, fechamos os olhos e pensamos: “Quando eu tiver um amor ao meu lado ele me bastará!”.
12 de jun. de 2013

Depoimento: o amor superando transtornos!



Bom me chamo Junior tenho 32 anos e a Samantha 35 anos, sou apaixonado por ela. Mas vou contar um pouco sobre a gente 

Nos nós conhecemos em setembro e tudo fui mágico, onde parecemos almas gêmeas: mesmos gostos tudo perfeito e ela e romântica e apaixonante, tudo perfeito, um clima de amor no ar que contagiava todos mundo que estava em nossa volta. Foi quando descobrimos o transtorno. No inicio era difícil, uma mudança de humor em forma geral, onde ela demonstrava um mudança de comportamento e isso me assustava de montão por não entender o que era esse transtorno. Falavam de dupla personalidade, que depois fui descobrir que se chamava de transtorno borderline. Fui buscar informações na net e li muita coisa que dava medo de quem sofria isso. Ao primeiro contato fugi, não sabia como lidar em enfrentar esta situação de mudança de apaixonante a ira total, é complicado. Fugi porque é mais fácil do que enfrentar. 

Mas o que fazer se você ama a pessoa com esta doença? Comecei a entender o doença entrando em contatos nos grupos, lendo muito e evitando situações de risco onde podia dar alguma crise, na nossa volta tudo parecia como se estivesse num campo minado onde tudo era motivo, mas queria ter ela e lutaria por isso. Então me joguei de cabeça na relação fazendo e mudando as minhas reações que tinha antes de brigar e bater de frente e evitar brigas. Me esforço a todo instante pra não dar motivos pra causar o transtorno, mas sempre existem as tempestades ou obstáculos a serem superados e em nome do amor irei lutar pra estar ao seu lado, enfrentarei todos os seus humores  porque nosso amor é maior que qualquer mudança de humor ou fase do transtorno. 

Estarei lutando junto com você nos momentos bons e ruins. Estarei colado a você, enfrentando com você cada adversidade em prol do nosso amor.

Te amo aqui agora e sempre, minha Samantha. TE AMO!



** Gente, MORRI com esse depoimento. Faz a gente até acreditar naquela luz no fim do túnel. Meu muito obrigada ao Júnior que escreveu isso pra que eu pudesse divulgar pras pessoas, quem sabe dando uma esperança?

Alguém poderia dar um jeito do C., meu digníssimo ex, ler isso? Obrigada. (risos)

** Quem quiser mandar um depoimento, contando da vida como border, ou se ama um border, enfim, envia pra mim!. Se não quiser nem coloco o nome aqui. Acho interessante esta troca de experiências.
11 de jun. de 2013

Transtorno de Personalidade Borderline, Relacionamentos e o Dia dos Namorados.



O Dia dos Namorados está chegando - ou, como alguns de nós preferem chamar, "O Dia da Consciência da Solteirice" ou "Dia do Chocolate pela Metade do Preço".

Um dos sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline é um histórico relacionamentos intensos e instáveis. Nós alternamos entre idolatrar e repugnar outras pessoas. Também temos a tendência a ficar em relacionamentos mais do que deveríamos, por causa do medo de se sentir abandonado.. Isso é especialmente verdadeiro quando se trata de relacionamentos românticos.

Nossa cultura dá muita ênfase em ter que estar em um relacionamento. Desde um status de Facebook a filmes água-com-açucar, é fácil se sentir pressionado a estar namorando ou casado.

Nada poderia ser mais perigoso.

Questão sobre o relacionamento nº 1: É seguro?

Corações partidos curam-se mais facilmente que ossos partidos.

As pessoas com o TPB - especialmente aqueles que sobreviveram a algum tipo de abuso - podem permanecer em uma relação arriscada porque eles preferem estar em uma situação familiar com alguém do que numa situação estranha sozinhas.

Aprendam com meu erro: terminem um relacionamento a qualquer sinal de comportamento violento.

Meu ex-noivo foi obrigado pela justiça a se tratar do TPB. Ele se recusou e começou a ficar agressivo.

Primeiro ele contava estórias - as quais eu espero que sejam falsas - dando a entender que ele havia participado de vários assassinatos. Se elas eram verdade, o problema estava óbvio. se não, que tipo de pessoa inventaria uma estória como essa?

Segundo, ele começou a atirar em mim com uma pistola de chumbinho - e continuou a fazê-lo quando eu pedi para ele parar. Era um desprezo pelo meu próprio bem-estar.

Finalmente, em uma noite, ele pegou uma faca e saiu "para salvar Jennifer de um traficante". eu estava apavorada: acreditei que ele me mataria se eu não terminasse logo o relacionamento. Quando ele voltou, eu dei-lhe o anel de noivado e o deixei.

Doeu como fogo, mas eu senti um alívio tremendo em minutos

Questão sobre o relacionamento nº 2: É saudável?

Depois deste disastre, concluí que antes ser feliz solteira do que infeliz casada.

Ele tinha me dado uma placa com um versículo da Bíblia escrito:  1 Coríntios 13:4-7, também conhecido como o "capítulo do amor" ou o "capítulo do casamento" devido a sua popularidade em cerimônias matrimoniais. Esta carta de 2.000 anos é ainda um checkup eficiente para o relacionamento.

"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."

Substitua "amor" pelo nome da pessoa que você está envolvida. Quanto menos precisa for a descrição, mais doente o relacionamento.

“Não namore ninguém que você conheceu na terapia.”

Duas pessoas com TPB não deveriam formar um casal. Não cometam meu erro. Um border também não deveria ter um relacionamento amoroso com alguém que tenha algum vício ativo (como eu tinha) ou com alguém recusando tratamento.

Há vantagens em estar solteiro. Como Ann Landers* disse à TIME em 1989: "Isso pode soar muito egoísta, mas adoro a liberdade que tenho. Eu não tenho que me preocupar com ninguém além de mim mesma. Não tenho que pensar em roupas de homem, seus parentes, seus horários, sua dieta ou suas alergias. Eu não me casaria de novo."

Estar solteira é uma vantagem incrível pra mim. O Jornalismo demanda trabalho em horas estranhas, já que as notícias nunca acontecem de 8 às 6 da tarde, de segunda a sexta. Pode exigir uma viagem. Não é surpresa que entre os jornalistas há um alto índice de divórcio.

Não importa o que te digam, você não tem que estar em um relacionamento. Ninguém pode te preencher; tentar preencher um vazio com outra pessoa faz este vazio pior. Você tem que encontrar a plenitude em si mesmo. Tem que encontrar sua própria felicidade, independentemente de estar com alguém ou não. 

Pense sobre isso enquanto come o chocolate que você comprou já pensando no Dia dos Namorados.

* Ann Landers, pseudônimo de Esther Pauline Friedman Lederer (4 de julho de 1918 — 22 de junho de 2002) foi uma escritora e jornalista dos Estados Unidos.

(tradução livre do artigo: "Borderline Personality Disorder, Relationships and Valentine’s Day" - algumas alterações foram feitas por mim, devido à algumas expressões e costumes que só faziam sentido em inglês e referência sobre Ann Landers na wikipedia)


* Gente, não vou mentir. Este Dia dos Namorados vai ser especialmente difícil para mim, pois sou muito ligada a datas. Vai ser meu primeiro depois do término com C., causa de toda a minha crise. Vou dormir e provavelmente tomar um vinho. Porém ando pensando muito sobre isso e entendendo que finalmente preciso aprender a me amar. É difícil. Muito complicado mesmo, pois temos aquela tendência de se culpar por tudo e eu não sou diferente. Só tenho que ter força e pedir que entenda logo que eu não preciso rezar para estar namorando no próximo dia dos namorados e sim para estar bem comigo mesma, independente de estar com alguém ou não.

Para os que vão ficar bem ou mal amanhã, leiam e reflitam, como eu. Ah sim. Meu chocolate já está comprado... ;)


25 de mai. de 2013

Contos de Fadas



Cinderela é uma piada. A Bela Adormecida provavelmente nunca acordou pois o príncipe deve ter encontrado outra no caminho. Branca de Neve, bem esta morreu mesmo. Envenenada.

Os contos de fadas deviam ser proibidos para crianças, principalmente as meninas. Enfiam em nossas mentes idéias ilusórias de um mundo perfeito onde o príncipe encontra sua princesa e todos são felizes para sempre. Não há TPM. Não há crises, ciúme e principalmente transtornos de personalidade. Se bem que a fixação da Bela por alguém que só gritava com ela deveria ter sido estudado. Fora a burra da Branca de Neve, já citada, comendo a primeira maçã que uma velha com cara de louca ofereceu.

Então cá ficamos, esperando o cavalo branco. Aquele que nos amará como somos, não importando os defeitos. Ele será fiel e dedicado e nenhuma lágrima será derramada.

Desculpem, mas isso é tolice. O reino encantado está nos livros. A realidade é bem inversa. Aqui os caras nos humilham, traem, rejeitam. E ao contrário do que ensinam os livros, quanto mais amor você demonstrar, mais dedicação você tiver, pior será tratada. Quem nunca ouviu: "o homem não pode se sentir seguro demais!"? Alguém já parou para pensar numa besteira dessas? Primeiro nos fazem acreditar em amor eterno e depois te dizem que se você demonstrar amor demais não será valorizada. Então o que é valorizado? Indiferença?

É. O que está em voga ultimamente é exatamente isso. A não crença no amor. Uma apologia louca à uma auto-estima super-estimada, onde nos mandam ser "donas do nosso próprio nariz" e independentes, porém casar, ter filhos e de preferência ganhar muito dinheiro para contratar uma babá. E hoje em dia com a nova lei isso está bem difícil. Fora nosso "príncipe" que se ficou conosco tempo suficiente para encarar um pseudo-final feliz, que muito provavelmente vai esperar alguns anos de casamento para nos deixar e aos filhos, atrás do primeiro par de peitos mais durinhos que passar pela frente deles. A dona destes com certeza dá a ele a indiferença que não demos, por isso é mais desejável.

Por isso que hoje, chorando de saudade de um grandissíssimo filho da puta, insensível, frio beirando a psicopatia, eu peço para que eu esqueça de vez todas estas idéias românticas que insistiram em enfiar na minha cabeça.e tenha forças para viver, ao invés desta sobrevida patética.

Pois pelo que vi, "happy ending" é utopia.
19 de mai. de 2013

Devaneios e Podcasts



Acho que vou ler Freud. É. As coisas estão se emaranhando, o tempo está passando e eu continuo a derramar lágrimas. Sim, ainda penso em você. Não, não sei por que, mais ainda penso. Vou ler Freud, acho que é o que me resta. Olho pela janela, chove. Choveu o dia inteiro, ontem, a água varreu a cidade e eu nem notei, presa em meu mundo particular. Sonho com seus cabelos, seu sorriso, sua voz, me dói o peito, choro, quando isso vai acabar? Isso vai acabar? Tenho que começar a ler Freud, a biografia é grande, quem sabe eu entenda? Minhas coisas estão espalhadas, assim como os pedaços de meu coração. Corre vidro pelas minhas veias, talvez se eu me cortasse e visse o sangue eu me convencesse do contrário.

Sou uma fraude. Meu sorriso é falso, a risada é forçada, os assuntos vazios, eu ando, vago ainda perdida. Acham que eu não estou. Acham que sou diferente por causa do blog, porém o blog nada mais é do que uma válvula de escape, um paliativo, um placebo pra minha dor frequente. É sábado. O mundo corre lá fora de minha janela e eu aqui a devanear sobre minha existência miserável. Talvez eu esteja me fazendo de vítima, mas, quem se importa? Eu é que não. Na verdade já não me importa muita coisa. Então vou ler Freud e esquecer que estou aqui, presa por estas correntes que talvez eu mesma tenha colocado em mim, incapaz de lutar contra as memórias, incapaz de respirar sozinha. Tudo se foi. Suas coisas, meus sonhos, eu as vezes me atrevo a querer um futuro, todavia logo me lembro que não há motivo. Não há razão. Estou só. Perdida e só, eu, minha lâmina e meu computador, vivendo num mundo virtual pois foi o que me restou.

Então escrevo estas linhas pra me distrair. Da lâmina que me tenta, das lágrimas que correm, das vozes das pessoas lá fora, vivendo suas vidas, sorrindo, gritando, felizes, querem pouco, pedem pouco e têm tudo. Eu só queria alguém que parasse de respirar por mim. Por isso eu vou ler Freud. Quem sabe ele explica?

P.S.: Consegui gravar meu primeiro podcast. Está um pouco longo, pois minha capacidade de síntese anda meio avariada. Postarei aqui e na barra lateral do blog.

Apresentação / O que é o TPB?

8 de mai. de 2013

Perdas.



Hoje entreguei nosso apartamento. Ao andar por ele, ainda podia escutar meus risos, nossos risos. Podia sentir os planos, cheirar o orgulho que senti quando me mudei para lá.

Em cada parede, apesar do relativo pouco tempo em que fiquei lá, estava gravada minha confiança agora perdida. Lembrei das conversas sobre comprar uma estante, um video-game, pintar a parede... Em todo canto existia a memória de uma vida que eu tinha e perdi, ou uma vida que eu achava que tinha e agora me encontro na verdadeira. Esta areia movediça de sombras, que insiste em me puxar para baixo toda vez que eu tento sair dela.

Hoje oficialmente perdi a última coisa que me faltava. O lugar que eu morava. Eu achava que ia conseguir voltar lá, sabe, achava que eu ia conseguir. Mas eu falhei. De novo. O tempo voltou e sou aquela que pisou em Recife pela primeira vez, malas na mão, sem amigos, sem amores, com sonhos loucos e ao mesmo tempo vazios. Eu ousei sonhar de novo, mesmo que as vezes você não me acompanhasse.

O som de seu violão ainda ecoa por lá, assim como o timbre tão conhecido de sua voz. Seu fantasma ficará lá, mesmo quando todas as coisas se forem, assim como o meu. Pois tu, aquele que eu idealizava, nunca existiu. E eu, aquela que eu pensava que era eu, também não era real. Então eu e ti ficaremos eternizados como uma estória de amor trágica, em que mocinho e mocinha morrem no final.

Lá ficaram meus sonhos de crescer. De que eu podia. Que eu não falharia. Hoje, aqui, escrevendo estas letras, é só um rabisco torto daquela que um dia já fui, com máscaras disfarçando risos, palavras nubladas por uma melancolia que não morre nunca.

Resta somente eu. Não. Restam somente os pedaços. Antes eram só do coração. Hoje da alma.


* Por favor, ajudem o Ringo. Conheça a estória deste felino lutador AQUI
Quem puder divulgar, agradeço..
12 de abr. de 2013

Não me deixe! Transtorno de Personalidade Borderline e o abandono. (parte 2)

 
 
Como eu disse no post anterior, eu tenho muito a falar sobre este tema de abandono. quando eu li que este era um dos sintomas do transtorno, muita coisa fez sentido pra mim, pois estar sozinha foi sempre meu maior medo.

Fiz coisas que na época eu não entendia, ou não pensava muito no assunto, achando que era minha reação, ou as vezes me culpando por minhas atitudes, por não ter a força necessária para lutar contra aquilo.
 
Eu tive mais problemas com isso durante meu primeiro relacionamento e este último. quando me mudei para Curitiba para ficar com meu ex-noivo, aguentei toda sorte de coisas para não deixá-lo. Ele, por exemplo, estava envolvido com outra menina que ele conheceu na internet e eu sabia. Toda noite, depois que eu me deitava no quarto dele, ele ia para o computador para falar com ela, e eu escutava tudo. Quando brigávamos, eu perdia totalmente o controle. Partia pra cima dele, esmurrava, batia e dizia que ia me jogar pela janela, enquanto ele me segurava. Eu digo que se ele não me segurasse eu me jogaria mesmo, na adrenalina da discussão. Depois comecei a fazer chantagem, após minha tentativa de suicídio, dizendo que se ele terminasse comigo eu me mataria. Isso segurou ele por um tempo, mas para mim era a morte, pois eu me sentia pior sabendo que ele estava comigo porque eu havia dito que ia me suicidar. Pouco tempo depois retirei a chantagem e continuamos juntos mesmo assim, mas terminaríamos pouco tempo depois, também porque ele havia arranjado outra pessoa. Lembro-me que ele estava trabalhando em Campinas e quando me disse ao telefone que iríamos terminar, peguei um ônibus no outro dia e fui bater no hotel dele. Tivemos uma discussão grande dentro do seu carro, e foi a primeira vez que ele devolveu os tapas que eu lhe dava (não, não o culpo, ele nem bateu forte e eu merecia depois de tantos que eu havia dado nele.). A coisa ficou tão evidente que um carro de polícia nos parou perguntando se havia algo errado. Acabou que não importou o quanto eu chantageasse, lutasse, me humilhasse... Ele terminou comigo.
 
Com meu ex a situação não era muito diferente, era até pior. Tenho que explicar que desde o início nosso relacionamento foi conturbado, estávamos ficando por 10 meses antes dele finalmente oficializar o namoro, e como mesmo assim vivíamos juntos todos os dias, isso bagunçava com minha cabeça e me deixava insegura. todos os dias eu pensava que ele podia encontrar uma garota melhor que eu e me largar. Mesmo quando oficializamos eu ainda tiinha isso na cabeça. Ao contrário do meu ex-noivo, meu ex-namorado não tinha a menor paciência, tato e consideração. Durante a maioria das brigas ele me dizia coisas horríveis, que não me aguentava, que estava melhor solteiro, que eu era uma "crazy bitch" e eu, o que fazia? Me descontrolava, ao invés de ir embora. Empurrava ele, quebrava coisas, tinha crises de choro que muitas vezes terminavam em desmaios. Ele também tinha o péssimo hábito de querer ir embora durante qualquer discussão, ou se eu estava na casa dele, ele me expulsava de lá. Quando isso acontecia, para mim era a morte. Na minha cabeça, ele não voltaria mais, me ligaria no outro dia dizendo que tudo estava acabado. Então eu me ajoelhava, segurava a chave o meu apartamento, a mochila dele, tomava o celular de sua mão enquanto ele chamava o taxi, ia atrás quando o táxi chegava e me jogava dentro dizendo que iria com ele, isso entre escândalos em que os porteiros eram as testemunhas, ou qualquer outro que estivesse passando.

Como ele era muito grosso durante as brigas, não passava pela minha cabeça que ele voltaria. Para mim, alguém que falava as coisas que ele me falava não podia nutrir sentimentos por mim. Quando ele ia embora durante as brigas eu ligava milhões de vezes, mandava mensagens dizendo que ele não me amava, isso sem contar que eu ficava tão mal que no outro dia muitas vezes não iria trabalhar.
Todos me perguntavam do porquê de eu estar com ele, devido a todas as brigas e muitas vezes grosserias comigo na frente de outras pessoas. eu respondia: "não tenho forças de deixá-lo". Hoje eu entendo que eu sabia já o que se passava, sabia que eu não era forte, mas eu achava que eu era simplesmente fraca.

Hoje, olhando pra trás, penso em como tudo teria sido diferente se eu tivesse entrado na terapia mais cedo, ou se tivesse começado a me tratar mais cedo. Pois o estopim de minha crise foi exatamente quando terminamos, em nossa derradeira discussão, os dois bêbados, eu saí da casa dele, entrei no mar de roupa e tudo desesperada, depois voltei e ele me expulsou aos gritos na frente de toda sua família. O motivo da discussão? Facebook. Uma coisa banal que explodiu em mágoa e raiva.
 
Quero deixar claro que não era de todo ruim, ele tinha suas fases boas, e é nisso que eu me agarro hoje em dia quando sofro de saudade. eu sei que deveria entender que no fundo estou melhor sem ele, que é uma pessoa que muitas vezes me desrespeitava, esmagava minha auto-estima e me deixava mal. Mas não consigo. Tudo que me lembro são os bons momentos e, como disse a minha psicóloga, "ruim com ele, pior sem". Não vou mentir que se hoje ele me ligasse e me quisesse de volta eu iria, sem pestanejar. Não sei explicar porque, só que me sinto muito sozinha e tenho pavor disso. é como o mundo funciona pra mim, estar sem ninguém dói demais, ainda mais com meus amigos também afastados.
 
Eu sei que ele não vai me ligar. Na verdade ele deve estar muito feliz sem mim, como algumas vezes fez questão de deixar claro, apesar de tudo que fiz por ele. Enquanto me apego nas coisas boas ele se apega nas ruins pra me categorizar como louca. Então me pego pensando se algum dia conseguirei alguém que me ame do jeito que sou. Não me orgulho das coisas ruins que fiz e se pudesse faria diferente. Mas não posso. Eram as cores do meu mundo e, sem elas, ficou tudo cinza. Não sei se tenho esperança em encontrar uma pessoa em que possa confiar. Ou uma pessoa que me queira de verdade. Tudo que eu acreditava que era fraqueza é simplesmente meu cérebro funcionando neste ritmo, então não deveria me culpar. Porém me culpo. E sei que é muito difícil encontrar alguém que não o faça.
PS: Receita de hoje: A stiff drink and a sharp blade.