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13 de out. de 2014

Sobre a vida que é digna de ser vivida.


É engraçado. Hoje recebi um e-mail me perguntando qual era o primeiro sinal indicando que estávamos melhorando. Logicamente respondi que não há um padrão, cada ser humano é único. Porém fiquei pensando em mim e no que melhorei. Não sei. Não penso em morrer com frequência, a vontade de se cortar é bem menos frequente, o choro vem mais espaçado. Trabalho. Lido com pessoas, organizo e resolvo a vida de muita gente, com suas expectativas. 

Fico perto da vida que falo tantas vezes, aquela que "vale a pena ser vivida", só que na verdade ainda não sei o que significa isso de verdade. Sofro ainda, a lembrança de tudo que passei vem vívida muitas vezes. Uma pessoa comentou a cena da Ray, a que ela sofre pelo sumiço do psicopata Edu em Dupla Identidade, dizendo que a atriz tinha sido bem dramática. Eu só sorri e respondi que ela havia sido simplesmente fiel. A dor corrói, entra na alma, que se rasga em pedaços. Eu sei o que é isso, apesar das pessoas as vezes se esquecerem disso. Como eu levo uma vida dando conselhos, advogando pela causa do transtorno, levantando a bandeira e sendo elogiada pela minha coragem, a parte que eu também sou border passa batido. Eu cheguei longe, eu sei. Meu blog me levou a colocar a cara a tapa na TV, mas minha escolha me fez perder este canal de desabafo. Muita gente que conheço entra aqui, então não posso mais me dar ao luxo de usar este veículo como diário pessoal. 

Não que eu me arrependa, não é isso. Eu fiz uma escolha, quando decidi ir a público e defender o que eu acredito. Eu levo a vida pensando em como vou agir, reagir, no que falar para você que está me lendo agora, que se corta todo dia, que está sem esperanças, que acha que não existe luz. Existe sim, mas não enxergá-la de vez em quando faz parte do processo de recuperação, no meu ponto de vista. Eu não enxergo as vezes. Deixo a vida me levar um dia após o outro, esperando que talvez eu acorde uma manhã e tudo deixe de ser tão intenso, como que por encanto. Há dias em que tudo que eu quero é ficar em casa, dormindo, comendo, ouvindo música. Todavia eu fiz a escolha mais difícil: melhorar. E isso demanda um esforço grande, um conhecimento pessoal, um controle que cansa, cansa muito... Tem dias que eu queria voltar a ser a Eilan. Era mais sofrido, mas menos cansativo. Eu reagia simplesmente, acabava com nada e culpava a vida por isso.

Esse texto não faz nenhum sentido, eu acho. Estava com saudade de escrever aqui, com minhas palavras, dividir a minha dor não para que eu a cultive, mas para mostrar que, apesar dela, eu vou acordar amanhã, cuidar dos gatos, vestir a roupa, colocar uma maquiagem e vou trabalhar. Que a vida que é digna de ser vivida talvez seja essa mesmo, onde apesar de querer sumir num dia, a gente levanta e vai viver no outro.

Pra terminar a nostalgia, uma música borderline pra coroar este post meio melancólico. Estava ouvindo no carro e achei bem adequada...

Simple Plan - Welcome to my Life


30 de set. de 2014

It Girl



"It girl" é um termo utilizado para se referir a mulheres, geralmente muito jovens, que, mesmo sem querer, criam tendências, despertam o interesse das pessoas em relação ao seu modo de vestir, de andar, pensar ou ser. As "it girls" têm via de regra o que muitos chamam de "carisma", algo que atrai a atenção para elas. Sua característica mais determinante é serem incomuns, destacarem-se das pessoas comuns e provocar interesse, a ponto de outras pessoas passarem a copiar seu jeito de vestir, falar e/ou agir. Normalmente as "it girls" comportam-se de maneira irreverente e despertam a curiosidade das pessoas sobre o seu modo de vida.
(Wikipedia)

Descobri que sou uma It Girl. Não, não é porque todos admiram meu jeito fashion, meu carisma inigualável e meu fascinante modo de pensar. É porque tenho um transtorno.

Virou moda ter um problema psicológico. É cult se dizer sofrida, espancada pela vida, cheia de cicatrizes na alma. Falando nelas, foi quando me deu o insight de escrever este texto. Numa conversa com uma amiga, ela me contou que numa fan page de borderline no facebook, a menina perguntou pra ela como era o melhor jeito de se cortar.
Oi?

Como assim alguém acha bonito se cortar? Como se fosse algo que podemos estar gritando aos quatro ventos, como uma qualidade a qual ninguém pode se igualar, um prêmio, uma dádiva. Acho que o mundo está mais doente do que eu.

Mas acho que tenho que colocar a bipolaridade no meu diagnóstico, pois mais cult que ser borderline é ser bipolar. Culpa da Britney Spears e seu guarda-chuva ameaçador. Ou da Amy Winehouse. Toda adolescente que se preza, com sua maquiagem carregada, roupa preta brilhando ao sol e olhar sofredor tem que ser bipolar. Tem que ter uma fase de odiar o mundo, porque tenho um transtorno horrível que me faz "feliz" um dia e "triste" em outro. Faz ter um status.

Faça-me o favor. Achar bonito sentir um vazio que a gente não sabe de onde vem, pegar uma lâmina e rasgar a pele, entrar em depressão por dias, meses, sem esperança de ver uma tênue luz ao fim do túnel (eu nem túnel to vendo mais), sentir seu mundo se abrindo aos seus pés porque um cara terminou com você não pode ser achado legal.
Mas é. Ser feliz é last season.

Então criamos um exércitos de mentes sãs procurando insanidade onde não tem. Que admiram a escuridão (talvez seja uma relação com os meigos vampiros da Stephenie Meyer) ao invés da luz. Que querem se espelhar em pessoas com verdadeira dor na alma ao seguir exemplos de superação. 

Já que é cool ser sofrido, pode me colocar aí num topo de algum ranking. Afinal, além de tudo tenho um blog. Melhor do que isso seria se eu postasse vídeos contando minha trajetória, aparecesse num programa de televisão e... Ops. Já fiz isso também.
Que esta loucura do mundo acabe logo, que surja uma nova moda, bolinhas de gude na orelha, sapatilha laranja ao contrário, viajantes do tempo que acabam na terra da magia, eu não sei. Qualquer coisa. 

Afinal de contas, se ser It Girl é isso...Obrigada mas, não obrigada.

(post de maio/2013)
25 de set. de 2014

Eilan.



Avalon. Berço da sabedoria da Britannia, envolta em suas névoas de mistério e beleza. É neste lugar mágico que nasce Eilan, sobrinha da poderosa Ganeda, a Senhora do Lago detentora dos segredos e responsável pela condução da Profecia: uma sacerdotisa gerará o herdeiro da terra. Criada pelo pai até os dez anos de idade sob o nome de Helena, Eilan volta a Avalon para ser instruída nos ensinamentos seculares, e, durante o processo de descoberta de sua verdadeira identidade, recebe a dádiva, por meio de uma visão: será a mãe do Prometido. A tia, que tem outros planos, opõe-se a ela ferozmente. Invocando a Deusa, expulsa a sobrinha quando esta se apaixona por Constantius, oficial do exército romano.

Eles fogem e vivem um amor intenso, interrompido quando Constantius se torna imperador – a origem de Helena não seria bem aceita nos círculos do poder. Constantino, filho do casal, desenvolve aptidões para o exército e uma ambição desmedida. Mesmo distante dos antigos cultos e cerimônias nas quais foi instruída, Helena mantém sua ligação com a Deusa e seus talentos de sacerdotisa. Ela viverá de perto toda a conturbação política de seu tempo e o conflito de retomar ou não seu lugar junto à Ganeda e às demais sacerdotisas.

A sacerdotisa de Avalon é uma obra póstuma de Marion Zimmer Bradley, concluída por sua colaboradora, Diana L. Paxson. A partir dos mitos e lendas, as autoras desenvolveram uma saga que acrescenta os mistérios de Avalon à bela figura de Helena. E contam uma parte da história da formação de valores cristãos em substituição aos cultos pagãos na Europa do século III.

À mitológica Helena, figura reverenciada na Alemanha, em Israel e Roma e aclamada como santa nas igrejas que levam o seu nome, são atribuídas a descoberta de relíquias, a responsabilidade de levar as cabeças dos três Reis Magos para Colônia, o Manto que Jesus usava para Trier e a Verdadeira Cruz para Roma. Acredita-se que era uma princesa bretã que se casou com um imperador, que tenha vivido em York e em Londres, e estabelecido estradas no País de Gales.

Helena/Eilan é a testemunha com visão privilegiada do tempo de formação dos valores ocidentais irreversíveis. Valores que não admitem mistérios de vários deuses ou as brumas que acolhem as profecias advindas da luz.

A parte romana que o livro narra é real. É a história de Santa Helena. A que encontrou o Santo Sepulcro. É a história do Imperador Constantino, um dos alicerces da Igreja Católica, hoje.

(Fontes: aqui e aqui)

* Esta é a estória de Eilan, da onde vem meu pseudônimo.

Ia postar sobre outra coisa hoje, mas eu mudei de idéia ao ver um post no blog da H. onde, se eu entendi bem, ela reclama porque alguém deve ter falado algo porque ela postou uma música Gospel anteriormente. Fiquei deveras irritada. Não gosto de comentar sobre minha religião aqui, mas hoje vou falar. Sou pagã. Não, não sou atéia, que não acredita em nada, acredito num Deus e em uma Deusa e reverencio a natureza.

Mas o mais importante: sou adepta à diversidade religiosa. Acho que todos temos que nos respeitar, fazer o bem. Não importa se a pessoa é evangélica, católica, protestante, espírita, umbandista... Cada um, assim como muitas outras coisas na vida, tem direito a fazer suas escolhas. Seria muito sem graça se tivéssemos somente um caminho a seguir.

Quero deixar claro que adoro quando me falam nos comentários sobre Deus e Jesus. Acredito que ele foi um ser iluminado e com certeza as pessoas que me desejam as coisas que ele pregou estão me mandando amor.

Agora, por favor. Respeitemos as escolhas. Chega de Felicianos da vida que se acham superiores porque tem uma crença qualquer. É por isso que temos tantas guerras no mundo. Pois a paz, que é a coisa em comum na maioria dos dogmas de todas estas religiões do mundo, não é bem compreendida por nós, meros mortais.

"Todos os Deuses são um Deus, e todas as Deusas uma Deusa. E a cada homem sua verdade, e Deus com ela."

As Brumas de Avalon
23 de set. de 2014

Rock and Roll.


Comecei a escrever este texto sobre a relação do Rock e do TPB pra mim mas... Fez mais sentido que ele fosse em inglês. Para os que falam o idioma, sugiro que leiam só a versão original, pois a tradução ficou boa porém não tem o mesmo espírito.

Are you a Rock'n'roll Girl? I truly believe I am one of these. Spirit wearing fancy and scratched All Stars, heavy makeup on. And that bad attitude, not caring, not giving a shit.

I have been starting to believe rock'n'roll has everything to do with Borderline Personality Disorder. Wild, madly crazy people. The sounds that hipnotize us are not quiet strings of an opera aria, but heavy hard core guitar solos on fire. Screaming with the last spark of voice left inside our lungs. Spreading vodka on the air. Eyes numbed by the smoke around, where are we?

Best poetry I've ever heard, sorry for the ones who are fond of the classics, came out of the (wonderful) throats of Eddie Vedder. Laney Staley, Chris Cornell, John Lennon, Janis Joplin. And my prince, Sir Paul McCartney. They take you away, but not to a very warm and tidy place, but to a room full of mess: inside your own mind.

And isn't it what we are, fellow borders? A room of mess, a pool of deep feelings, all entangled in a way that we can hardly ever figure out? Life of screams for freedom, can't we even free ourselves from our own thoughts? Just as drums beat, we wander around the ambience, taking everywhere, filling everywhere with our simpathy, empathy, craziness, sadness and shall we give people a break? No. The beats never stop. They stump, and stumble, and bump, and banish ordinary around. Even from dreams.

Can we be, even for a moment, mere ordinary people? I wish. Or not. Drugs taken, theraphy attended, but inside ourselves we are and will always be rock'n'roll people. We are the sounds that take everybody over. No matter how we do it and honestly we don't give a fuck, we live. Like a rock'n'roll oncert, with thousands of people singing along a chorus sometimes they don't understand, as if they were connected in an enchanted net, they keep going.

And that's who we are, my friends. Crazy rock'n'roll chords that only rock'n'roll people get. And the good news are: even with the therapy, meds, mind training, control... The verses will keep on playing. On our mind.

TRADUÇÃO:

Você é uma garota Rock'n'Roll? Eu realmente acredito que sou uma dessas. Um espírito calçando All Stars chiques e arranhados, maquiagem pesada na cara. E toda aquela atitude má, não dando a mínima.

Comecei a acreditar que o rock'n'roll tem tudo a ver com o transtorno de personalidade borderline. Pessoas selvagens, enlouquecidamente insanas. Os sons que nos hipnotizam não são as notas quietas de uma aria em uma ópera, mas pesados e hard core solos de guitarra pegando fogo. Gritando com a última centelha de voz ainda restante em nossos pulmões. Jogando vodka pelos ares. Onde estamos?

Desculpem-me aqueles que são fãs dos clássicos, mas a melhor poesia que já escutei saiu das gargantas (maravilhosas) de Eddie Vedder. Laney Staley, Chris Cornell, John Lennon, Janis Joplin. E de meu príncipe, Sir Paul McCartney. Eles te levam pra longe, porém não para um lugar quentinho e arrumado, mas para para um quarto repleto de bagunça: dentro de sua mente

E não é o o que somos, colegas borders? Um quarto bagunçado, uma piscina de sentimentos, todos emaranhados de tal forma que nós raramente conseguimos compreender? Vida de gritos por liberdade, não podemos sequer libertar-nos de nossos próprios pensamentos? Tal como as batidas da bateria, vagamos pelo ambiente, pegando tudo, preenchendo tudo com nossa simpatia, empatia, loucura, tristeza e será que deveríamos dar um tempo a eles? Não. As batidas nunca cessam. Elas batem pesado, tropeçam, impactam e banem o normal a volta. até mesmo dos sonhos.

Podemos ser, mesmo que por um momento, meras pessoas normais? Queria que sim. Ou não. Remédios tomados, terapias seguidas, mas dentro de nós mesmos ainda somos e sempre seremos pessoas rock'n'roll. Somos os sons que levam a todos. Não importa como fazemos isso e honestamente estamos pouco se fodendo, só vivemos. Como um show de rock, com milhares de pessoas cantando juntas acordes que as vezes não compreendem, como se conectados em uma teia encantada, eles continuam.

Isso é o que somos, meus amigos. Acordes loucos de rock, que só pessoas rock'n'roll entendem. E a boa notícia é: mesmo com a terapia, remédios, treinamento mental, controle... Os versos continuarão a tocar. Em nossa mente.


Mad Season - Lifeless Dead

Curiosidade: A banda que canta é o Mad Season.

Mad Season foi uma banda grunge estado-unidense criada em 1994 como um projeto paralelo de integrantes de outras bandas com base em Seattle e do sub-gênero, o que a conferiu a alcunha de supergrupo grunge. Formada pelo guitarrista Mike McCready do Pearl Jam, o vocalista Layne Staley do Alice in Chains, o baterista Barrett Martin do Screaming Trees e o baixista John Baker Saunders, o grupo fazia um som diversificado a partir de uma mistura entre blues e hard rock.


(Wikipedia)

TRADUÇÃO:

Morto Sem Vida

Morto sem vida, aquele leito impuro
Até ou quando o desejo dela foi satisfeito
Como ele tinha desejado que eles se casassem
"Eu prometo pelo nosso amor" ela disse
Promessas nunca foram cumpridas
Sozinho em chão sujo ele dormiu

Yeah, morto sem vida

E apesar de que ele não tivesse acreditado
Ela havia ido embora e assim ele chorou
Então um demônio veio a ele
"Você deve saber que eu vou vencer"

Yeah, morto sem vida

Ele disse, ela disse
Ela o guiou a morte
Ele disse, nós sofremos
Ela disse, mas não tentou

Morto sem vida, morto sem vida

(essa devia ser música borderline também...)
12 de dez. de 2013

Sobre amizades e perdas.




Faz algum tempo que não escrevo por aqui. A vida anda corrida, estou trabalhando demais, com problemas para me organizar, então muitas coisas ficam pendentes, infelizmente o blog está entre elas.

Pra completar, ando tendo vários acontecimentos envolvendo amigos e, por que não dizer, "ex-amigos". Quem sofre do Transtorno de Personalidade Borderline sabe o quanto nos apegamos às pessoas, o quanto decepções podem ser gatilhos para uma nova crise. 

Deparei-me com situações onde amigos se vão, amigos novos aparecem e me enchem de medo de uma decepção e finalmente, alguém que eu achava ser um grande amigo se mostrou frio e surpreendentemente diferente de tudo aquilo que eu acreditava. A história é o seguinte: tenho (ou tinha) dois amigos os quais eu considerava como irmãos. Conheço-os há pelo menos 10 anos e estes dois tiveram um papel decisivo na minha vida durante muitas crises, quando eu nem fazia idéia que era border. Acho que quem me acompanha sabe que eu moro em Recife, mas não sou daqui. Vim de Curitiba, onde vivi por 8 anos e estes meninos são de lá.

Acontece que quando eu namorava (aquele filho da puta do meu ex, o C.) viajei para Curitiba e os apresentei para meu ex. Até onde eu sabia, nenhuma amizade surgiu deste encontro, tirando uma empatia. Qual não foi minha surpresa quando esta semana eu soube que este mesmo ex (peloamordedeus, ele parece estar em todos os lugares) está viajando a passeio para lá e, pasme, um desses meus irmãos de coração vai encontrar com ele, almoçar, sociabilizar. sua justificativa para mim é que ele não tinha nada a ver com o stress ocorrido com nosso término de namoro.

Não preciso dizer o quão chocada e decepcionada fiquei com tal atitude. Um menino que eu considerava parte da minha vida simplesmente deixando claro que o fato de eu ter sido tratada como lixo não faz esta diferença na vida dele. Para ser sincera, estou aqui escrevendo e me vem lágrimas nos olhos, só de pensar nisso tudo.

Porque estou contando tudo isso? Porque logo após falei com V., outra amiga de Curitiba e escutei dela que eu deveria parar de me preocupar e sofrer por quem não tem a mesma consideração por mim, que inclusive este mesmo "amigo" já tinha dito que, durante a minha crise onde eu estava láááá naquele lugar chamado fundo do poço, eu estava "me lamentando demais".

Ela está certa. Costumamos colocar num pedestal aqueles que amamos, sem contar que eles podem sim ter falhas ou simplesmente não serem merecedores de tamanho sentimento. A adoração é sempre maléfica, até mesmo na religião. Fechamos nossos olhos para a parte "humana" daqueles que amamos e não contamos, nem por um segundo, que estes simplesmente podem não ter a mesma recíproca ou sequer parecida, ou até mesmo não ligar pra gente. Não estou aqui tentando defender este meu "amigo" e dizer que a responsabilidade é minha pois, como border, amo demais e eu que lide com isso. Estou querendo dizer que ele tem o direito sim de achar que um "almoço inocente" com meu ex não o faz menos amigo meu. Tem sim. Mas eu também tenho o direito de não concordar com isso, de não aceitar e principalmente, não o querer mais em minha vida. Na realidade é essa parte que está doendo demais. 

Temos que tentar nos colocar em primeiro lugar e respeitar nossas verdades, sempre claro, pensando no limite do outro. Eu sei que eu estou fazendo a coisa certa pra mim mesma me afastando, mas isso não faz desse fato um atalho para uma possível recaída. Meu caminho para a estabilidade está sendo menos longo que o esperado, então tenho que tomar cuidado com tudo. E isso cansa demais. E acaba me deixando mais vulnerável.

Não sei se estou fazendo muito sentido. Acho que estou querendo dividir o quanto todos esses acontecimentos estão me forçando a repensar meus conceitos de amizade e que se no final a máxima que já escutei de várias pessoas com o tpb é real: "só conseguimos ser amigos de outro border". Não quero acreditar que isso seja real embora saiba que, nesse meu momento de busca pela estabilidade, eu precise daqueles que me cercam (infelizmente) uma dose extra de paciência. Isso pode levar à crenças de que eu quero tratamento diferenciado. Ou que eu acredite que mereço perdão por todas as minhas faltas por causa do Borderline. Não é isso, eu mesma bato na tecla aqui no blog que o TPB é uma razão, mas não nos exime da responsabilidade pelos nossos atos. Rá. Será que isso só os borders entenderiam também?

Penso que é sempre válido o questionamento pessoal. Pesar as opiniões, questionar o que nos motiva a agir dessa ou daquela forma. É o que estou fazendo, observando, pensando, escondidinha aqui no meu casulo para que, pelo menos nesse período de fragilidade, ninguém possa me ferir mais.

(Vale a dica das técnicas que estou usando para passar por este momento sem usar a gilete: ocupo a cabeça com o trabalho, pratico a Atenção Plena, tento tirar um momento do dia fazendo algo prazeroso, nem que seja por 10 minutos, respeito meus momentos e limites e não me forço a fazer coisas que não me fariam bem, estou tentando melhorar a alimentação e tomar muita água por dia - leia-se comer pelo menos uma fruta e tomar 3 litros de água - no final de semana tento me ocupar com serviços domésticos ou com alguma atividade que eu goste e me dê prazer, que no meu caso foi fazer unhas decoradas.)

** Ah, estou aceitando sugestões para temas para um novo vídeo...


2 de dez. de 2013

Amor, Paciência e Persistência.


(texto da linda da Paula Sophia, que não conseguiu postar semana passada e eu só parei pra postar hoje...)


Décadas se passam desde que ouvi uma das maiores lições do meu avô... uma lição que trouxe pra minha vida inteira e que guiou meus passos na senda das relações humanas ao longo da vida... 

_”O amor, minha filha, é feito de uma combinação única de cinco coisas.... Respeito, cumplicidade, companheirismo, amizade e confiança. Se faltar uma dessas coisas, pode dar o nome que quiser, mas amor não é...”

Sábio, sem dúvidas... No entanto, hoje eu agregaria outras duas coisas para a receita exata desta pretensa racionalização do amor...

Eu, hoje, agregaria a PACIÊNCIA e a PERSISTÊNCIA como itens importantes da constituição básica do amor... Não, eu não estou tratando de amor maternal ou filial... estou falando sim do amor de desejo... aquele que acontece entre um casal... Seja hétero ou gay, estes são sim itens importantes na composição do que se pode reconhecer como amor... Vejo por mim mesma.... anos de amor por uma mesma mulher... inúmeras tentativas de dar termino à relação... e sempre o mesmo velho amor cheio de astúcia nos punha novamente uma nos braços da outra... Por que tentávamos nos afastar? Ah... pelas mesmas razões que todo mundo.... porque uma sem a outra perde o motivo pra lutar... porque é mais fácil viver sem luta... Ainda que haja muito menos mérito na vivência de não amar por comodismo, é inegavelmente mais fácil... infinitas vezes mais calmo do que a avalanche de sentimentos e situações que a insistência no amar por simplesmente amar nos impõe... E foram elas.... a persistência de um amor que se negava a morrer e a paciência que só quem também sente coisas únicas e inexplicáveis tem com quem ama e faz coisas doidas.... Ah essa vida insana.... Ah esse amor que não se extingue... Ah.... não se extingue porque tem 7 pontos de apoio em vez de 5.... Ah o avanço... Veja Seu Walter.... até mesmo o amor evoluiu com o tempo...
31 de out. de 2013

De um sobrevivente a outro.




Graças ao magnífico fato de Minas Gerais ser uma terra onde tudo prospera, menos a tecnologia, vai minha postagem com mais de 12hs de atraso....

Todos sabem que tenho uma história longa e intrincada com uma border e que no meio do caminho passei a ser um pouco referência para alguns outros familiares...
Acontece que entre os familiares que acompanho, um se destaca por ter uma história absolutamente IDENTICA a minha... ele também escritor, também adepto da poesia e, como não podia deixar de ser, também castrado em sua escrita pela desqualificação de sua parceira... Segue então o fruto de nossa última conversa, onde falávamos da capacidade de dar manutenção à própria identidade em detrimento do relacionamento e, do escrever sim, independente do que isso acarrete na visão do parceiro... pq, se para o border é importante a expressão dos sentimentos, para quem convive com ele e tem esse veio de escrita (ou qualquer outra forma de expressão) barrado, castrado, mutilado ou o que seja... o caminho para o abandono da própria sanidade está deveras encurtado, sem dó e sem piedade... 



"Então, meu irmão....

Tudo dará certo e virá a seu tempo...
Faze de tua dor o alimento de tua escrita...

Não há nada que bloqueie a arte que corre em tuas veias...
Nada além de tua própria necessidade de nutrir-se de tua dor e fazer dela tua amante unica exclusiva e ciumenta.
diletante é o sentimento de posse da dor que nos asssoma e incapacita o fluxo venal da arte que teu próprio coração bombeia...

Existe ai dentro, assim como sangue e linfa, beleza e dor....
outra...
Podes nutrir a dor, mas tua arte sucumbirá
Podes nutrir a tua

Resta a ti meu caro irmão saber separa-las e nutrir uma com a
arte.... mas apenas se fores capaz de desapegar-se da tua dor e dividi-la com o externo..."


22 de out. de 2013

Amo e odeio. (história de um pensamento preto-e-branco)




"Pessoas normais são ambivalentes e podem vivenciar estados contraditórios ao mesmo tempo. Os borders, no entanto, vivem num vaivém de emoções opostas e ignoram o estado anterior quando estão no outro extremo... A pessoa com TPB é emocionalmente uma criança que não tolera as inconsistências e ambiguidades humanas. Ela não consegue conciliar as qualidades boas e más da personalidade alheia e formar um entendimento coerente sobre o outro. O outro ou é bom, ou é mau. Não há meio--termo, não há área cinzenta. As nuances são percebidas com muita dificuldade, se tanto."

(Pare de Pisar em Ovos - Paul T. Manson / Randi Kreger)

Quando estamos mais antenados com os sintomas do TPB, perceber quando isso acontece é muito fácil (e ao mesmo tempo engraçado).

Eu, por exemplo, estou passando por isso no trabalho. Tem um menino que trabalha comigo, que eu conhecia um pouco de antes de começar lá, eu gostava dele, achava gente boa. Mas daí depois que comecei, descobri que ele reclama de tudo!! Do horário de trabalho, do tipo de trabalho, das reuniões... Como eu sou a superiora dele, fico maluca, pois é praticamente impossível agradá-lo. E ele me irrita profundamente quando fica falando sem parar sobre como queria que tal coisa fosse de tal jeito e blablabla.

Então eu havia decidido que não gostava mais dele. Mas daí ele me dá um abraço enorme depois de uma sessão de "mimimi" que tinha me tirado a paciência. Então decidi que gostava dele. Só que no outro dia eu faço uma reunião e ele reclama o tempo todo. Ódio novamente. No dia seguinte ele me dá uma massagem maravilhosa, porque eu dei um mal-jeito no pescoço na ioga. Ok, eu gosto dele...

Quando me toquei do que estava se passando, fiquei rindo pra mim mesma. Tipo, eu simplesmente NÃO CONSIGO um meio termo. E me dei conta que as coisas sempre foram assim: quando gosto, coloco panos quentes nos defeitos, quando odeio, digo que as qualidades são só falsidade. Como faz então? Eu tenho que conviver com esta pessoa. Tenho que encontrar o meio-termo, tomar uma decisão, gostar dele APESAR dos defeitos ou não gostar dele APESAR das qualidades. Só que nunca pensei que fosse tão difícil.

Aconteceram algumas coisas que depois disso me ajudaram a decidir finalmente qual era meu sentimento por essa pessoa... Eu havia decidido não gostar dele ou pelo menos tentar ser indiferente, consegui por uns dois dias, depois já estava confusa.

O que quero dizer com tudo isso? Que quando estamos conscientes dos sintomas, podemos tentar agir de uma forma diferente, e não simplesmente reagir, que é geralmente nossa primeira opção. Se fosse antes, eu já teria ido pra cima dele com todas as pedras na mão, provavelmente ficaria (de novo) com fama de instável e passional e pior, teria um membro de minha equipe praticamente contra mim declaradamente. Não é que estou falando para vocês serem falsos. É pra tentar pensar antes de sair que nem o demônio da Tazmania girando e quebrando o que vem pela frente. 


Fácil falar, né? Eu sei. Ainda estou na luta amo-odeio-amo-odeio esse colega de trabalho, sabendo que eu precisava é aprender a nem amar, nem odiar, simplesmente ter uma visão mais ou menos neutra, ou cinza. Tô tentando.
Conseguindo pelo menos chegar na indiferença, tô no lucro... ;)


30 de set. de 2013

Sobre recaídas e o medo da estabilidade. / Música Borderline

Ontem (28/09) eu me cortei. Após meses me controlando, após minha vida entrar em um túnel de uma razoável "normalidade", trabalhando, começando a tomar as rédeas da situação, praticando ioga, fazendo terapia cognitivo-comportamental além da análise, eu não aguentei a pressão e novamente recorri a gilete. 

É assustador ter que lidar com os mesmos problemas que eu lidava a seis meses atrás, só que com uma perspectiva diferente. Antes eu chorava por não estar com meu ex mas estava presa em casa, agora choro porque não estou presa em casa mas continuo sozinha. Na realidade, se eu for parar para analisar, os problemas aumentaram um pouco, porém graças aos Deuses aumentou minha rede de ajuda. Agora eu tenho que parecer estável num mundo de "estáveis", esconder os cortes debaixo de blusas de manga longa embaixo de um sol do nordeste, controlar a boca para não falar demais e mais do que tudo, reaprender a conviver com pessoas que não tem transtornos de personalidade. Isso quer dizer separar a Eilan do meu eu. 

Mas quando eu acabo e começa a Eilan? Minha psicóloga da cognitivo-comportamental me pediu para me definir e definir a Eilan e não consegui. Sei da Eilan: segura, sincera, com vontade de vencer, adorável. Eu? Só poderia falar uma coisa agora: covarde.

Aí entra a parte do medo da estabilidade. Porque é bem mais difícil se dizer pronta pra enfrentar a vida de frente. Isso quer dizer, no meu caso, parar de depender da minha mãe pra tudo, assumir o risco de encontrar meu ex em qualquer esquina, pagar todas as contas, tomar as próprias decisões sem o "borderline" na frente. Dá medo. As vezes eu só queria voltar mais no tempo, onde eu não sabia que era border e vivia iludida com uma vida que era baseada numa firmeza de teia de aranha. Eu sei, não condiz com meu discurso de Mindfulness, ioga e tal, mas também tenho meus momentos. Momentos de balançar, de me questionar, de cair, pra ter forças pra levantar.

Pois isso eu não posso abdicar: da crença que eu vou levantar. Passei pelo inferno. Sobrevivi. Não vai ser qualquer coisa que vai me nocautear tão feio novamente.

.........................

Música Borderline: Ironic - Alanis Morissette

Escolhi essa porque é realmente irônica essa vida...


18 de set. de 2013

Do amor e dos excessos...




O amor, quando em excesso, não traz ao homem nem honra nem mérito. (Eurípedes)


Em momento costumeiro de autocrítica diária, analisei a fala de um amigo querido que, diante de minha abnegação em busca de soluções para um problema, que na teoria não é meu, me disse literalmente o seguinte:

COMOVC PODE SER TAO FODA ASSIM???
NA MORAL TE ADMIRO MUITO!!!!
UM DIA QUERO SER ASSIM TAMBÉM!!!

E refletindo a fala de meu querido amigo, posso compreender que ele tenha essa empatia comigo, visto que sou absolutamente persistente e obstinada... mas... e o excesso???

Pois bem, Eurípedes estava correto em sua teoria... e não, eu não concordo com meu amigo... eu não sou foda! E não isso não me surpreende... rs Mas com toda certeza vos digo:

Não me privo das honras devidas aos feitos embasados no amor... mas também não há como escapar da penalidade do que surge dos excessos...

E me dei conta disso hoje por uma razão específica...

Hoje é um dia especial.... especialmente doloroso e triste...

Hoje é um dos dias em que eu realmente me vejo indócil e aflita... vivenciando as agruras de um relacionamento de amor ainda muito mais intenso e muito mais indestrutível que aquele por quem meu querido amigo me designou como exemplo... Amor de mãe... de mãe distante 2000km de seu rebento que precisa hoje muito mais do que tudo do meu colo e do meu carinho.... e de saber que não está sozinha e que eu a amo sem a frieza de uma tela para dizer-lhe isso... E vejo que essas agruras advém do excesso... assim como a distância advém da escolha feita por excesso... e que segurar esse rojão sozinha também é (e com certeza o é principalmente) consequência das escolhas que fiz por excesso...
E me ver cheia de mimimi por não ter o apoio que eu me achava merecedora ter em um momento em que, com toda honestidade, meu mundo está ruindo... é mais um dos excessos...
Então, desta vez estou aqui pra dizer coisas muito simples... que todo mundo sabe... mas de um jeito um tantinho abusado que o amor é realmente incrível... mas que como toda droga ele precisa ser acompanhado de moderação... Pq TUDO que é em excesso, sobra.... e o que é sobra é resto... e ninguém precisa de restos pra viver....

Então ame... ame muito... e não desista de seus amores.... mas principalmente não desista daquele ser cheio de promessas que nunca te abandona mesmo nas horas ruins e que se esconde do outro lado do espelho....

Enquanto isso fico por aqui.... no aguardo de dias melhores e, principalmente, puxando minhas orelhas pra me fazer ver que sempre passei pelos naufrágios com as forças dos meus próprios braços... e não existe realmente nada, mas nada que me faça menos capaz agora de dar mais umas braçadas... por amor??? Com certeza... mas sem excessos...





4 de set. de 2013

Sobre o Perdão


Hoje vou abrir mão do espaço de expressão do que penso em favor de algo que realmente melhorou meu dia....

SOBRE O PERDÃO

Os quatro estágios do perdão:

1. Deixar passar — deixar a questão em paz

2. Controlar-se — renunciar à punição
3. Esquecer — afastar da memória, recusar-se a repisar
4. Perdoar — o abandono da dívida

DEIXAR PASSAR
Para se começar a perdoar, é bom deixar passar algum tempo. Ou seja, é bom deixar de pensar provisoriamente na pessoa ou no acontecimento. Não se trata de deixar algo por fazer, mas assemelha-se a tirar umas férias do assunto. Isso ajuda a evitar que fiquemos exaustas, permite que nos fortaleçamos por outros meios, que tenhamos outras alegrias na vida.
Esse estágio é um bom treino para o abandono definitivo que mais adiante advirá do perdão. Deixe a situação, a recordação, o assunto, tantas vezes quantas for necessário. A idéia não é a de fechar os olhos, mas a de adquirir agilidade e força para se desligar da questão. Deixar passar envolve voltar a tecer, a escrever, ir até o mar, aprender e amar algo que a fortaleça e deixar que o tema saia do primeiro plano por um tempo. Isso é bom e é medicinal. As questões de danos passados irão atormentar a mulher muito menos se ela garantir à psique ferida que lhe aplicará bálsamos medicinais agora e que mais tarde tratará do assunto de quem provocou tal ferida.

CONTROLAR-SE
A segunda fase é a do controle, especificamente no sentido de abster-se de punir; de não pensar no fato nem reagir a ele seja em termos grandes, seja em termos pequenos. É de extrema utilidade a prática desse tipo de refreamento, pois ele aglutina a questão num único ponto, em vez de permitir que ela se espalhe por toda a parte. Essa atitude concentra a atenção para a hora em que a pessoa se dirigir aos próximos passos. Ela não quer dizer que a pessoa deva ficar cega, entorpecida ou que perca sua vigilância protetora. Ela pretende conferir um prazo à situação para ver como isso ajuda.
Controlar-se significa ter paciência, resistir, canalizar a emoção. Esses são medicamentos poderosos. Faça tanto quanto puder. Esse é um regime de purificação. Você não precisa fazer tudo; você pode escolher um aspecto, como o da paciência, e praticá-lo. Você pode se abster de palavras, de resmungos punitivos, de agir de modo hostil, ressentido. Ao evitar punições desnecessárias, você estará reforçando a integridade da alma e da ação. Controlar-se é praticar a generosidade, permitindo, assim, que a grande natureza compassiva participe de questões que anteriormente geravam emoções que iam desde a ínfima irritação até a fúria.

ESQUECER
Esquecer significa afastar da lembrança, recusar-se a repisar um assunto — em outras palavras, deixar de lado, soltar, especialmente da memória. Esquecer não quer dizer entorpecer o cérebro. O esquecimento consciente consiste em deixar de lado o acontecimento, não insistir para que ele permaneça no primeiro plano, mas permitir que ele seja relegado ao plano de fundo ou mesmo que saia do palco.
Praticamos o esquecimento consciente quando nos recusamos a invocar o material inflamável, quando nos recusamos a mergulhar em recordações. Esquecer é uma atividade, não uma atitude passiva. Significa não trazer certos materiais até a superfície, nem revirá-los constantemente, nem se irritar com pensamentos, imagens ou emoções repetitivas. O esquecimento consciente significa a determinação de abandonar a prática obsessiva, de ultrapassar a situação e perdê-la de vista, sem olhar para trás, vivendo, portanto, numa nova paisagem, criando vida e experiências novas em que pensar no lugar das antigas. Esse tipo de esquecimento não apaga a memória; ele simplesmente enterra as emoções que cercavam a memória.

PERDOAR
Existem muitos meios e proporções com os quais se perdoa uma pessoa, uma comunidade, uma nação por uma ofensa. É importante lembrar que um perdão "final" não é uma capitulação. É uma decisão consciente de deixar de abrigar ressentimento, o que inclui o perdão da ofensa e a desistência da determinação de retaliar. É você quem decide quando perdoar e o ritual a ser usado para assinalar esse evento. É você quem resolve qual é a dívida que você agora afirma não precisar mais ser paga.
Algumas pessoas optam pelo perdão total: liberando a pessoa de qualquer tipo de reparação para sempre. Outras preferem interromper a reparação no meio, abandonando a dívida, alegando que o que está feito está feito e que a compensação já é suficiente. Outro tipo de perdão consiste em isentar a pessoa sem que ela tenha feito qualquer reparação emocional ou de outra natureza.
Para certas pessoas, finalizar o perdão significa considerar o outro com indulgência, e isso é mais fácil quando as ofensas são relativamente leves. Uma das formas mais profundas de perdão está em dar ajuda compassiva ao ofensor por um ou outro meio. Isso não quer dizer que você deva enfiar a cabeça no ninho da cobra, mas, sim, ser sensível a partir de uma postura de compaixão, segurança e preparo.
0 perdão é onde vão culminar toda a abstenção, o controle e o esquecimento. Não significa abdicar da própria proteção, mas da própria frieza. Uma forma profunda de perdão consiste em deixar de excluir o outro, o que significa deixar de mantê-lo à distância, de ignorá-lo, de agir com frieza, condescendência e falsidade. É melhor para a psique da alma restringir ao máximo o tempo de exposição às pessoas que são difíceis para você do que agir como um robô insensível.
O perdão é um ato de criação. Você pode escolher entre muitas formas de proceder. Você pode perdoar por enquanto, perdoar até que, perdoar até a próxima vez, perdoar mas não dar outra chance — começa tudo de novo se acontecer outro incidente. Você pode dar só mais uma chance, dar mais algumas chances, dar muitas chances, dar chances só se... Você pode perdoar uma ofensa em parte, pela metade ou totalmente. Você pode imaginar um perdão abrangente. Você decide.
Como a mulher sabe que perdoou? Você passa a sentir tristeza a respeito da circunstância, em vez de raiva. Você passa a sentir pena da pessoa em vez de irritação. Você passa a não se lembrar de mais nada a dizer a respeito daquilo tudo. Você compreende o sofrimento que provocou a ofensa. Você prefere se manter fora daquele meio. Você não espera por nada. Você não quer nada. Não há no seu tornozelo nenhuma armadilha de laço que se estende desde lá longe até aqui. Você está livre para ir e vir. Pode ser que tudo não tenha acabado em "viveram felizes para sempre", mas sem a menor dúvida existe de hoje em diante um novo "Era uma vez" à sua espera.


(Clarissa Pinkola Estés In: Mulheres que Correm com os Lobos)

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6 de ago. de 2013

pontes e precipícios


Hoje eu consigo sentir. Sinto os sangue em minhas veias, a vida correndo pelo meu corpo, meus pensamentos não estão tão confusos e eu consigo focar em uma coisa de cada vez. Hoje. Amanhã pode ser diferente. Amanhã eu posso acordar sem a capacidade de sentir coisa alguma, e então eu vou querer me cortar para ver o sangue escorrendo pelos meus braços e provar para mim mesma que eu continuo viva. Amanhã minha mente pode estar confusa demais para prestar atenção no mundo a minha volta. Amanhã meu monstro pode estar forte o suficiente para falar coisas horríveis no meu ouvido. Nunca se sabe. E eu vivo cada dia como se fosse o último, porque quem me garante? Quem pode me garantir como a Sabrina vai acordar amanhã? Talvez eu mude de ideia, talvez eu morra com a mesma ideia fixa em mente. Eles dizem em instabilidade, emocional, em relacionamentos e decisões. Eu não acho muito diferente da instabilidade presente nas pessoas normais, só um pouco mais amplificado talvez. Aquela linha tão tênue entre o normal e o estranho, o louco, o desajustado.

Somos estranhos, loucos e desajustados, mas antes disso também somos pessoas normais. Que amam, que sonham, que merecem a felicidade como qualquer outra. E daí se eu mudo de ideia a cada 5 minutos? E daí se eu amo e odeio de uma hora para outra pelos motivos mais estranhos? São coisas que fazem parte da doença, mas antes disso, fazem parte de mim. Intenso é a palavra certa. Nós somos intensos. Não sei se isso é positivo ou negativo - talvez as duas coisas -, mas é o que somos. Sempre vivendo a beira do precipício, nos perguntando quando devemos nos atirar e o quão fundo cairemos daquela vez. E a gente se atira, uma vez depois da outra, porque não conseguimos aprender com os nossos erros. Tem a porra de uma ponte ligando um lado ao outro do precipício e a gente continua se atirando como se não tivéssemos escolha. Não conseguimos enxergar a ponte, não sabemos como ela funciona e, principalmente, não confiamos nela.

Então nos jogamos, de novo e de novo. Esperando que, um dia, tantas quedas nos ensine a voar.
29 de jul. de 2013

Quero matar meu ex-namorado.




E minha mãe. Meu pai podia ser morto também, acho que me faria bem.

Você que está lendo estas linhas deve estar achando que finalmente eu surtei de vez e assumi meu lado psicopata. Não, ainda não cheguei neste ponto.

Um dos princípios do tratamento psicanalítico é "matar pai e mãe". Claro que ao dizer isso, Freud o faz num sentido figurado, não matar propriamente dito, mas matar simbolicamente as figuras paternais introjetadas em nós, quando chegamos a idade adulta, no sentido de nos libertarmos da submissão aos pais, da autoridade e principalmente da dependência que temos deles.

Escutei minha psicóloga falando isso para mim em minha última sessão e fiquei refletindo. Acho que eu teria que matar quase todo mundo, pois é inacreditável a dependência emocional que tenho para com aqueles que conseguem estar muito ou razoavelmente próximos a mim, de uma forma em que uma opinião deles sobre minha pessoa afeta toda e qualquer crença que eu tinha antes disso. Um exemplo? Discuti com a minha mãe um dia desses e ela acabou falando que eu lia muito sobre o borderline, mas que na hora de colocar na prática eu não fazia nada. Bem, eu sei o progresso que venho tendo. Sei também que ela disse aquilo num momento de emoção e que não condiz com a verdade. Porém só de escutar, e somar esta declaração com uma muito parecida, dita pelo meu queridíssimo ex, o C., fiquei abalada, questionando se eu realmente estava avançando ou se estava simplesmente iludida.

A questão central aqui não é o que ela ou C. acham, é como isso afeta a MINHA verdade. Teoricamente, se eu tivesse uma crença nos meus sentidos e em minhas opiniões, eles até podiam achar isso, acharem que eu estava louca varrida, mas quando estamos bem consigo mesmos estas opiniões não nos afetam.

Citei minha mãe, porém foi só para exemplificar. Poderia falar de tantos outros, como C. me chamando de burra ou de "crazy bitch" (cadela louca... ou algo parecido). Até coisas mais amenas, como uma crítica leve no trabalho, que geralmente faz eu pensar que TUDO que fiz está uma droga ou um amigo dizendo para eu não fazer algo que eu estava determinada a fazer e eu acatar porque para mim se o outro acha é porque deve estar certo.


Resumindo, eu queria matar sim, meu ex, minha mãe, meu pai e uma penca de gente mais. Para que eu possa ter uma relação mais saudável com eles (tirando C., ele é só pra que seus comentários depreciativos parem de ecoar na minha cabeça). Quero poder ter um amor-próprio e um senso de identidade para não me abalar com qualquer opinião que tenham sobre mim ou sobre o que faço. Quero poder colocar uma roupa e, se me sentir bem com ela, sair de casa sem preocupar-me com o que vão pensar. Quero não me abalar quando minha mãe diz que eu deveria emagrecer, ou quando me dizem que me exponho demais, ou quando questionam meus motivos. Entendam, não é que eu queira ser uma porra-louca que vive em seu próprio mundo sem noção do que é certo ou errado. 
Eu quero poder escolher por mim mesma. E aguentar as consequências de minhas escolhas, certas ou erradas, mas tomadas por mim, não por uma mente que insiste que meu valor e minha verdade só existem quando afirmadas por terceiros.


Matando certas pessoas eu renasceria melhor, para mim, e para eles.


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Com mais de 500 mil exemplares vendidos somente nos EUA, "Pare de pisar em ovos" lida com um tema marcante nos dias atuais: o transtorno de personalidade borderline (TPB). Este livro busca entender este transtorno destrutivo, estabelecer limites e incentivar amigos ou familiares com o transtorno a deixar de lado comportamentos perigosos. Ele discute as últimas pesquisas sobre um problema caracterizado pelo limite das emoções e apresenta técnicas de comunicação e estratégias de enfrentamento para que o leitor possa equilibrar seu relacionamento com um borderline.

O Blog Borderline-Girl está sorteando, em parceria com a Editora Fontanar, dois exemplares deste livro. Para concorrer basta seguir estes passos:

- Curtir a página da Editora Fontanar e o Vivendo a Vida com Borderline

Vivendo a Vida com Borderline
Editora Fontanar

- Ser seguidor do blog Borderline-Girl
- Preencher e enviar o formulário na página SORTEIO.


O sorteio acontecerá dia 20/08!






24 de jul. de 2013

#TudoCulpaDoBorderline




Tropeçou numa pedra, perdeu o ônibus, acordou atrasado pro trabalho? Tudo culpa do borderline! O dólar subiu, gastou com aquela blusa linda que você tava de olho a tempos, não estudou pra prova? Tudo culpa do borderline! Deu em cima de quem não devia e levou um fora? Borderline malvado!

Tendemos a nos apoiar no diagnóstico muitas vezes pra justificar as mais diversas desgraças de nossa vida. Lamentamos por horas na terapia, pensando em como tudo seria diferente se não tivéssemos sido "amaldiçoados" com este transtorno maldoso. Ou pior, não vamos à terapia e culpamos o borderline também.

Pra piorar, há aqueles que nunca pisaram num consultório médico, se acham borderline e culpam ele por isso. "Me encaixo nos sintomas". "Sofro". Bem, tenho novidades: todo mundo sofre! Só que a gente tem essa mania horrorosa de acreditar que a vida dos "não-borders", estes seres que vivem em um mundo mágico do controle, não tem problemas. Ah, eles tem sim, e pior, não podem culpar nem o borderline pelas cagadas que fazem.

Bem, como é tudo culpa do borderline mesmo, abusamos da sorte. Não tentamos, muitas vezes, nem parar pra pensar. Paramos remédios, esquecemos a terapia, lemos textos e textos mas na hora de botar em prática, nada... (tudo culpa do borderline também). Eu sei que é difícil. Eu sei que é muito mais fácil se entregar, pois o sofrimento é nossa zona de conforto. Não vislumbramos a vida como algo estável, e pior, não nos imaginamos sem sermos este turbilhão de emoções. Cultivamos a dor, compartilhamos lamúrias no facebook, lembramos a todos e a nós mesmos o quanto nos sentimos miseráveis. E esta roda-viva continua indefinitamente.

Eu já escrevi algumas vezes aqui que não somos um transtorno. Eu aprendo isso a cada dia, tentando analisar como funciono, os motivos de minhas reações, sendo elas corretas ou não. Caio, dou 5 passos pra trás mas volto a tentar ir pra frente e, por isso, algumas coisas estão acontecendo na minha vida.

Então, da mesma forma que eu odeio os rótulos que as pessoas nos colocam, também não acho saudável usar o borderline de muleta, pois ele não vai te levar a lugar algum.

O que te leva a algum lugar é o que você vai fazer a respeito disso. 

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* Ah! Resolvi compartilhar com vocês o presente que recebi da Editora Fontanar: o livro "Pare de Pisar em Ovos", a tradução do "Stop Walking on Egg Shells", super vendido nos EUA! Na página TPB aqui do blog vocês podem ler um pouco do que se trata. É um livro para borders e não-borders que tem que lidar com a gente. Vale a pena comprar!
A boa notícia é que o Borderline-Girl vai sortear, em parceria com a Editora Fontanar, dois exemplares deste livro! Logo logo posto as regras.

A mais descabelada tirando foto.

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* O blog Borderline-Girl está de luto pela morte da Wally Martins, blogueira do Re-Tecendo a Vida. Um dos motivos de eu ter decidido escrever este blog foi depois de visitar o dela, cheio de informações não só sobre o TPB, mas também sobre vários outros transtornos. "Peguei emprestado", com a autorização da mesma, muitas idéias, como a música Borderline.
Descanse em paz, querida. Você ajudou muita gente. Eu aqui vou tentar seguir seu exemplo.



20 de jul. de 2013

Amizade (post conjunto)



Eilan

É engraçado como a vida ensina lições... Eu sempre fui uma pessoa completamente leal aos meus amigos e sempre estive ao lado de todos eles. As vezes da minha forma "borderline" de ser, exagerando, sufocando, mas bem, era o que eu podia fazer.

Em Curitiba não posso reclamar dos amigos que tinha. Viraram irmãos, irmãs, me deram a mão incontáveis vezes e o mesmo fiz por eles, não importava se estivessem bem ou mal.

Chegando aqui em Recife, demorei muito pra me abrir. As pessoas eram fechadas, estranhas, diferentes. Com o tempo fui conhecendo pessoas e bem, achava que tinha encontrado o que eu tinha antes no Sul. Eu mesma continuei agindo como agia lá: aquela pessoa que estava apoiando faça chuva ou faça sol. Qual não foi minha surpresa quando, assim que tive minha crise com o término de meu namoro, eles sumiram. Alguns eu briguei, fiz as pazes e depois deixaram claro que estavam do lado de C. Outros davam desculpas de não virem me visitar por falta de tempo, distância, muito trabalho. Os amigos de C., que ajudei a todos, sem exceção, praticamente me deletaram de suas vidas como se eu tivesse sido apenas uma chuva passageira... Eu sei que posso contar nos dedos quem esteve realmente do meu lado. Uns ligavam de vez em quando, outros ligavam uma vez ou outra... Concluí que quando estamos mal, com problemas, não somos interessantes. Pelo menos para aqueles que não são seus amigos de verdade.

Por que estou contando esta história? Porque antes do blog, cada vez que eu lia um artigo que falava sobre a importância dos amigos para a recuperação do border eu me desesperava. Tinha minha prima, amiga de infância, que me dava uma força grande como podia, já que é casada e com filho pequeno. Alguns me surpreenderam mas, no geral, éramos eu e minha mãe. Aí criei o blog. E pessoas que nem me conheciam começaram a me dar a força e os conselhos que os meus supostos amigos deveriam ter dado. Comecei a ficar próxima de todos e o ponto alto de meu dia era ler os comentários.

Então comecei a conversar com alguns, trocar e-mails e, quando percebi, tinha muita gente pra falar, e-mails, gente que se importava comigo e eu com elas. Apesar de não nos conhecermos pessoalmente, a energia me deu o impulso para começar a fazer as mudanças que eu precisava.

Então, apesar de ainda ter sim amigos (poucos) fora do mundo do blog, resolvi fazer este texto para dar o Feliz Dia do Amigo a quem fez a diferença nesta minha fase onde finalmente busco a recuperação... A todos que se preocuparam, escreveram, ligaram, mandaram e-mails, falaram no chat... Principalmente minhas filhinhas borders Tadllla, Perséfone, Marília, Sabrina e minha marida, que posso hoje ter a honra de chamar de amiga, Miss Danielle.

Uma vez, conversando com a Dani, nos questionávamos se nos dávamos bem por sermos borders. Eu disse que não. Não precisa ser border para escutar sem julgamento, dar a mão quando preciso e amar de coração.

Miss Danielle:

A amizade é como um casamento, exige afinidade, confiança, entrega e amor. E assim como o casamento pode existir rompimentos devido a traições. É realmente um grande obstáculo encontrarmos pessoas em quem confiar. Mas felizmente ainda encontramos a quem se apoiar e servir de apoio, a energia prestada e recebida deve ser a mesma.
Ter alguém para ligar as 3 da manhã é bom, melhor é ter alguém para ficar falando bobagem até as 4 da manhã sem parar. ;P
O melhor que tirei da vida? Certamente as amizades verdadeiras que fiz, poucas mas boas, pessoas que estiveram comigo principalmente nas horas ruins, e mesmo que a vida se esforce em nos afastar não há nada que as tire de mim, estarão para sempre em mim.


Não somos monstros!




Desde que comecei a estudar sobre o Borderline, escutei muito sobre este rótulo que temos: impulsivos, manipuladores, dramáticos, inconsequentes, promíscuos e impossíveis de se lidar. quem não sabe do diagnóstico nos acha fora do controle e muitos que sabem ainda insistem que "estamos numa fossa", "somos crianças", "fazemos muito drama".

Não somos monstros. Apesar de muitos livros e sites nos pintarem assim, a verdade é que somos seres humanos que são extremamente sensíveis emocionalmente e que geralmente tem comportamentos extremos. Para muitos, é uma combinação de "sabotar a própria vida", escolhas impulsivas ou literalmente auto-mutilação. Apesar de muitos de nós terem experiência com estes sintomas e comportamentos, somos tamb´´em muito vulneráveis e queremos desesperadamente que gostem de nós, que tenhamos aprovação e que se importem conosco. Queremos estar em relacionamentos mas a dicotomia deste desejo desesperado e medo de ser machucado causa confusão. O resultado é agir das formas que conhecemos até o momento - a que serve para alcançarmos o que queremos.

Não estou aqui falando que se relacionar com um(a) border é fácil. Pode ser muito difícil, realmente, mas tudo depende da pessoa, se ela está em tratamento, se está no caminho de se conscientizar sobre suas reações. Eu já fiz muita nesta vida, coisas de que não me orgulho, porém já fiz um outro tanto por várias pessoas - ações que mudaram suas vidas pra melhor. Então tudo depende da maneira que você enxergue.

A verdade é que vivi, e sei que muitos vivem, perdida. Precisava sentir algo para não encarar meu vazio e muitas vezes me pegava fazendo algo louco ou inconsequente (de vez em quando até hoje) só para sentir algo. Para agitar as coisas, e preencher minhas próprias lacunas. Não é consciente. Não, não é uma desculpa, é só a realidade.

Eu sei que para muita gente tudo se resume a drama. Queria eu que fosse simplesmente isso, que fosse fácil. Não é. A gente age e depois de culpa, só que não consegue parar, pois o medo de encarar o próprio vazio, encarar a solidão, nos cega.

Queria eu poder encarar as situações que vivi no meu passado com a maturidade que alcancei (e ainda estou no começo do caminho!) hoje em dia. Não teria ficado 5 anos com C. Não teria tido muitas atitudes extremas. Hoje talvez eu estivesse com a vida mais encaminhada. 

Então, bem, lidamos com as ferramentas que nos foram dadas. E se você que está me lendo ama alguém que é border, saiba que não há esperança. Se não temos tratamento, bem, as coisas ficam difíceis, mas você mesmo pode ajudá-la a encontrar o caminho, pois há esperança. E quando o tratamento já está acontecendo, tenha esperança porque a tendência é sempre melhorar.

Nós não somos monstros. Infelizmente as cores do nosso mundo são brilhantes demais e temos dificuldade de lidar com elas. A solução é colocar os óculos certos, pode ser incômodo no início, mas quando se acostuma, tudo fica bem mais nítido e claro.

(texto inspirado neste post aqui)


PS: Viram que o Blog tá todo mudado? Ainda to acrescentando algumas coisas. Na parte TPB vocês vão encontrar não só a definição dos sintomas, mas também dicas de links e livros interessantes. Também colocamos a página do Anjos de Estimação, onde postarei algum caso de resgate de animais que eu faço ou pessoas próximas, e eventualmente pedir ajuda. Na barra lateral postarei os vídeos do canal e se quiser me seguir em alguma rede social os ícones estão a disposição!

Espero que gostem!

Agradeço do fundo do meu coração a minha marida Miss Danielle, que mudou este layout e me deu este presente lindo. inclusive, se alguém quiser fazer um template, fale com ela, seus dons são ótimos!! 
Amo tu marida.
20 de jun. de 2013

Perséfone



Olá, aqui vocês me conhecerão como Perséfone. Mas não tenho nada de deusa, minha identificação com ela é que quando ela menos esperava andando num campo, feliz, ela foi tirada da vida que conhecia e passou a literalmente viver no inferno com um um deus-demônio como companhia, Hades. A beleza dela o atraiu, o ponto forte virou ponto fraco. Ela conseguiu ser resgatada, mas não totalmente, pois ela comeu seis sementes de romã e a regra era que quem comesse no mundo dos mortos não poderia sair, outras versões dizem que era porque a romã era o fruto do casamento. Mas a mãe dela Deméter não se conforma e como deusa da agricultura ela passou a negligenciar a terra, que passou a ficar fria e nada mais se podia cultivar.

É aí Que Zeus intervêm ele faz um acordo com Hades: seis meses ela ficaria com Hades no Tártaro – mundo dos mortos- e seis com Deméter no Olimpo. Assim ela passa seis meses – primavera e verão - , feliz com suas flores; e seis meses – inverno e outono- no Tártaro como rainha dos mortos e consorte de Hades.

Eu costumava ter um ponto forte, eu era a inteligente. Passei toda minha infância e boa parte da adolescência tentando chamar a atenção, sendo a garota perfeita. Não adiantou muito, na faculdade me destaquei, até ter meu surto. Fui diagnosticada como bipolar, na época ninguém falava do TPB – treze anos atrás-. Fui medicada e sofri, eu não era mais a garota inteligente eu passei a ser a louca. Há cinco anos minha psicóloga questionou o diagnóstico e o tratamento, eu havia me tornado um robô. Mudei de psiquiatra e disseram que eu era borderline, foi pior. Tenho uma tia psiquiatra e ela disse que isso queria dizer que eu era uma chantagista emocional, manipuladora, mentirosa e que as duas tentativas de suicídio foram só pra chamar atenção.

Eu tento viver, mas eu sou antes do surto, depois do surto. 

Há muitos mitos em torno do TPB, como Eilan diz se tornou modinha, ela me ajudou a ver que não estou sozinha e que se houvessem vozes desmentindo os mitos, talvez outras pessoas não sofressem o que eu sofri. 

Meu primeiro post aqui, começa quando eu encontrei uma colega de antes do surto.

Eu falei com uma colega antiga, e tive um ataque de pânico, por quê? Ela tentou ser solidária falando que todos tem problemas, mas que eu deveria.ser mais forte que estes. Essa frase me matou, era melhor uma punhalada. Quem não está sentindo uma dor que te impede de respirar, não pode ser solidária comigo, não é maldade da pessoa, ou deveria dizer pessoas? As pessoas, principalmente mulheres, não são solidárias conosco. Nós sentimos diferente, tudo em nós é muito intenso: se gostamos; amamos, se odiamos; queremos que deixe de existir. E não há meio termo. Exemplo; para mim amizade com ex é impossível. Acabou, eu sofro e ajo como se aquela pessoa nunca tivesse existido. Se eu vejo um ex, eu perco a respiração, fica impossível pensar, só quero correr dali. E as outras mulheres quando vêem minha reação dizem maldosamente, que eu ainda devo gostar do ex. Seja lá qual for, tenho a mesma reação para todos.

A solidariedade só pode existir entre pessoas que entendem as reações do outro. Mas vamos viver em guetos? Impossível. Temos que aprender a lidar com nossas reações tão intensas, para isso precisamos: de auto crítica; precisamos de pessoas que possamos contar; e precisamos de um profissional. Por isso é necessário procurar ajuda. Somos intensas, oito ou oitenta.. Precisamos descobrir como viver em um mundo que não nos entende. Sabendo nossa dinâmica e gatilhos a vida se torna menos difícil. Procurar o profissional as vezes é mais difícil que qualquer coisa, primeiro porque se você está procurando um psicólogo, você sabe que tem um problema e admitir isso é muito difícil e segundo porque nem todos são realmente profissionais, nem todos são bem informados. Tentem. Ter ajuda sempre é bom.

Ass. Perséfone


* Perséfone é minha mais nova amiga e colaboradora! Seja bem-vinda!!
* Gente, pintei mesmo o cabelo e cortei, tem foto lá no "Quem sou eu". Ah sim, este domingo tem podcast, o último antes de eu começar a fazer os vídeos!
(Eilan)
19 de jun. de 2013

#VEMPRARUA





Eu sei, este é um blog sobre o transtorno de personalidade borderline. Você que entrou agora, não, não está no blog errado. Porém tem certas coisas que vão além de transtornos. 

Eu tinha 14 anos e morava em Brasília no FORA COLLOR. Fugi do colégio e fui pra rua até o congresso, com a cara pintada. Qual não é minha surpresa a ver que finalmente as pessoas estão acordando. Acordando contra esta roubalheira generalizada que acontece por debaixo dos nossos narizes. Acordou contra estes políticos ladrões que nos fazem de palhaços e sorrimos, satisfeitos com uma vida patética de pão e circo.

Então gastam milhões em estádios que virarão elefantes brancos em pouquíssimo tempo. Cobram uma fortuna de ingressos e pedem voluntários pra trabalhar. Em um mar de obras super-faturadas roubam nosso dinheiro sem vergonha nenhuma. Aumentam a tarifa de ônibus e oferecem um sistema de transporte precário e humilhante para qualquer estudante ou trabalhador.

Pra mim é muito lindo ver a galera acordando e indo pra rua protestar, pois, sim, nossa voz é maior do que qualquer politicagem ridícula! A força de uma população insatisfeita pode quebrar barreira e conseguir vitórias pertinentes e o povo está se dando conta disso, finalmente! É um novo tempo, a alienação deu lugar a luta, o povo está dando sinais que não aguenta mais tanta roubalheira, tanto desrespeito. somos nós quem fazemos este país, não eles!

Não são 20, 30 centavos. É o descontentamento com um país em frangalhos em que quem está no poder ri da nossa cara a cada dia, votando para se auto-proteger, aumentos de salários, leis absurdas. Gente, o que é o ATO MÉDICO? E a CURA GAY? Absurdo retrocesso.

Então eu estou aqui fazendo 0,00000001% do que as pessoas lá fora estão fazendo. Amanhã é a vez de Recife acordar. Teremos um protesto onde são esperadas pelo menos 30.000 pessoas, no mínimo. Se não fosse esta minha fobia de lugares com muita gente que estou agora eu estaria lá, gritando, fazendo história. Estamos reescrevendo os livros, gente. Você, que está lendo isso, borderline, bipolar, TDAH, sem transtorno, não importa, vá pra rua! Vá fazer parte da mudança! Vá provar aos que estão no poder que sua voz não se cala! 

Vocês estão vendo tudo isso vindo de uma pessoa que sempre se disse não patriota. Porém, ao ver o hino nacional sendo cantado nas ruas por pessoas que realmente querem a mudança e não por um bando de hipócritas vestidos de amarelo correndo atrás de uma bola, não pude deixar de me emocionar. Ser patriota não é ir por bar ver a seleção. É ir pra rua tentar mudar a porra dessa nação.

#OGIGANTEACORDOU


8 de jun. de 2013

Amigos. (2)


"É engraçado como depositamos tanta confiança e tanto sentimento nas pessoas. Em pessoas que achávamos conhecer, mas, que no fim, só mostraram ser iguais a todos. E por esperar demais, sonhar demais, criar expectativas demais, sempre acabamos nos decepcionando e nos machucando cada vez mais."

Dalai Lama

"...Amigo é aquele que conhece todos os seus segredos e mesmo assim gosta de você!
Amigo é aquele que nos faz sentir melhor e sobre tudo nos faz sentir amados..."



Érico Veríssimo


(figura roubada honestamente do Malvadas)

** É incrível como no mesmo dia você possa se decepcionar e se alegrar com seus amigos. É bom lembrar  que há sentimentos que nunca mudam. E é triste constatar que as vezes aqueles que você jurava poder contar simplesmente te decepcionam. Estou aprendendo a lidar com isso e com as voltas que a vida dá. Aprendendo que existem aqueles em que o tempo e distância não apagarão o sentimento de carinho, por mais que eu me sinta insegura ou deixada de lado.

Aprendendo que demonstrações de amor estão nas pequenas atitudes. Que quem gosta, cuida, se preocupa, mesmo que eu ache que não mereça. Mesmo que eu, com minhas neuroses, ache que não sou boa o suficiente.

Aprendendo que as vezes outras pessoas vão me decepcionar sim, muitas vezes aqueles que eu nunca achava que o fariam. E mesmo magoada, eu tenho que ser maior do que isso: não me arrepender do que fiz e ao mesmo tempo nunca esquecer do bem que me fizeram. As escolhas estão aí para serem feitas e todas tem seu preço. Eu luto pelos meus amigos como uma leoa, mas tem gente que simplesmente não faz isso. Por isso tenho que manter minhas expectativas em baixa. Então temos sempre que optar, o que queremos? Alguém que está do seu lado quando você está sorrindo ou alguém que está lá pro que der e vier? Eu já sei o que quero e isso faz parte da minha reconstrução. Se não está do meu lado, o sentimento não é aquele que quero para minha vida.

Hoje, pela primeira vez em pouco mais de 4 meses, comecei a querer encontrar a luz no fim do túnel. Por causa de um amigo, lembrei que fiz uma promessa a ele faz muito tempo. Que eu ia tentar ficar bem. Eu havia esquecido dela. Sentir-me querida fez-me lembrar que eu POSSO me sentir assim. Não sei se estou sendo clara. Não é pra ele nem por ele. É porque ele me fez lembrar que eu não sou tão insignificante assim. que talvez eu faça a diferença sim.

Hoje, pela primeira vez em pouco mais de 4 meses, comecei a querer encontrar a luz no fim do túnel. Por causa de amigos que eu achava estarem do meu lado, mas preferiram estar do lado de C.. Apesar de tudo. Então eu também quis melhorar, pois se a minha vida finalmente mudar eu direi a eles que ela mudou. E que eu percebi que certos sentimentos que eu nutria não eram recíprocos. A lealdade principalmente. Quando eu melhorar verei exatamente quem me cerca.

Devaneio. Estou melancólica. Triste. Pensativa. Desculpem o desabafo. Antes estaria chorando desesperada pelas coisas tristes que me aconteceram, pela decepção com estes amigos. Mas estou começando a ver que também acontecem coisas boas, meu melhor amigo me deu um monte de conselhos apesar de estar longe, arranjei amizades legais aqui pelo blog (marida e Sam, beijooosss), estou com projetos... quem sabe eu não me dê conta logo que eu posso SIM vencer tudo isso?