Amigos:
-
-
-
Meu vícioHá um mês
-
-
-
Encontro de almasHá 11 meses
-
O DomingoHá 4 anos
-
-
Sem DestinoHá 7 anos
-
-
-
Morri de verdades...Há 8 anos
-
E depois, poeiraHá 8 anos
-
Minha casaHá 9 anos
-
-
Aprende a escrever na areiaHá 10 anos
-
-
Best Gated Communities in FloridaHá 10 anos
-
-
-
Victoria (2015)Há 10 anos
-
Uma palavra e… adeus sexo!Há 11 anos
-
NOVO BLOG!Há 11 anos
-
-
-
-
A sua própria aceitação.Há 12 anos
-
O que aconteceu comigo ?Há 12 anos
-
Teorias e desabafosHá 12 anos
-
Voltei em outro blog...Há 12 anos
-
-
-
Chega de Bullying. Não fique calado!Há 13 anos
-
Vai melhorar.Há 13 anos
-
Mensagem triste mas realista!Há 13 anos
-
-
-
-
TPB
comportamento borderline
devaneios
depoimentos
amor borderline
músicas Borderline
automutilação
dicas
relacionamentos
transtornos
crise
diário
amor
mês da consciência TPB
coisinhas da Eilan
saudades
terapia
amigos
família
música
gatos
terapia dialética comportamental
vídeos
emails
carência
podcast
insônia
álcool
colaboradores
dissociação
felicidade
mindfulness
suicídio
#ProjetoEuMeAmo
Adele
Burlive
depressão
impulsividade
poesias
Evanescence
anorexia
ansiedade
bulimia
compulsão alimentar
drogas
gatilhos
internação
medo
notícias
remédios
selos
transtornos alimentares
#Paula
Dupla Identidade
Promiscuidade
Sexo
ioga
raiva
validação
vinho
Mostrando postagens com marcador terapia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador terapia. Mostrar todas as postagens
2 de jan. de 2015
A vida começa todos os dias.
Postado por
Nathalia Musa
(texto da colaboradora mascotinha Isabella. O blog dela é Borderline.Excessos)
Hoje, me questionei muito sobre o que eu iria falar para vocês, e depois de tantas perguntas e dúvidas, resolvi falar sobre o que tenho aprendido depois de ser diagnosticada Borderline. Vejo o quanto as pessoas sofrem por não saberem o que é esse transtorno de personalidade. E o que não acaba ajudando em nada é quem não nos entende. Perdi as contas de quantas vezes fiquei chateada e me sentindo frustrada pelo fato de que não somos todos iguais. Enfrentei muitas dificuldades na escola, não sou uma pessoa nem um pouco fácil de lidar, e com os confrontos que encontramos no nosso cotidiano muitas vezes não sabemos como lidar com eles!
Reparo muito na falta de informação e preconceitos que sofremos por algo que não sabemos ao certo o que está acontecendo com a gente. Não estamos tentando chamar atenção não é? Temos um transtorno e precisamos lidar com eles da mesma forma em que somos fortes para levantar e encarar a vida todos ou dias. Eu carrego um pequeno lembrete no corpo que diz "Love Yourself", e eu olho todos os dias e lembro que acima de tudo devo me amar, antes de amar alguém. Não vejo como um defeito ou problema a nossa forma de amar demais e sentir demais, a única coisa que precisamos é entender a si próprio. Precisamos ser lembradas pelas nossas vitórias, conquistas e pelo o que somos! Não vamos deixar que isso nos abale, e sabe por quê? Porque somos únicos, e não há nada no mundo que possa nos fazer mal se você também não se machucar. Vejo o quanto eu cresci e amadureci depois desses dois anos de diagnóstico. Quantas batalhas vencidas e quantas vezes eu tive que pedir ajuda, porque ser orgulhosa nesse momento não vai ajudar.
O tratamento deve ser levado a sério, assim, podemos ter controle e levar a vida e não ela nos levar. Tente pensar em como você quer se ver, pensou? Eu quero ver todos(as) vocês cada vez melhor, vamos pensar mais antes de tomar atitudes que não vão nos trazer benefícios. Não é algo fácil, mas a gente consegue, e uma única certeza que eu tenho, é que tudo vai passar, hoje não vai ser como amanhã e assim em diante. Então levante da cama com a mesma certeza que eu tenho, existem frustrações, dias ruins, nos decepcionamos mas também temos nossos dias bons, sorrimos, e temos a chance de começar tudo novamente no dia seguinte. Quando eu ganhei alta do internamento uma pessoa muito importante me disse uma frase que eu coloco no meu despertador para ver sempre que acordo, "A vida começa todos os dias" (Érico Verissimo)
E ai, como vai começar seu dia amanhã?
Quero ver todos(as) bem, Beijão.
Marcadores:colaboradores,terapia | 5
comentários
13 de set. de 2013
Mindfulness (atenção plena) - benefícios e prática (2)
Postado por
Nathalia Musa
Neste post aqui eu comecei a falar de desregulação emocional e os benefícios do Mindfulness - chamado em português pela terapia cognitivo comportamental de atenção plena - para o TPB.
Lembrando: Mindfulness é estar intencionalmente consciente do momento presente, sem julgamento, se permitindo a vivê-lo, sem focar em outra coisa.
Como o mindfulness aumenta a consciência de si mesmo, praticá-lo ao longo do tempo ajuda a responder a uma situação ao invés de simplesmente reagir. Estes são alguns fatores que contribuem a isso:
- Focar no presente diminui a dor emocional:
Muitas vezes nosso sofrimento ou ansiedade é ligado a algo que está relacionado ao passado ou ao futuro: lembrança de um relacionamento que acabou, de uma morte, ou angústia por algo que está por vir, como um encontro, uma prova, entrevista de emprego, a possibilidade de encontrar alguém que não queremos encontrar se sairmos na rua. Estas coisas nos trazem sentimentos como raiva, tristeza, culpa, vergonha... Grande parte das pessoas que sofrem de algum transtorno de ansiedade vivem o futuro, experienciando os momentos que elas temem como se elas tivessem acontecendo naquele instante.
Focando no momento presente, ou seja, praticando a atenção plena/minfulness, ajuda a prevenir as emoções dolorosas de aflorarem, te ajudando a estar consciente de quando você estar vivendo no passado ou no futuro.
- A Atenção Plena tem um efeito calmante:
Como o resultado de se viver mais no momento presente diminui a frequência de emoções dolorosas, você vive mais relaxado. Exercitar a Atenção Plena necessita de que se faça uma coisa de cada vez. Fazer tudo no mesmo momento é extremamente estressante e tirar este peso da rotina tem um efeito calmante.
Prestando mais atenção ao que está vivendo no momento presente faz você se dar conta do prazer em fazer coisas que não percebia antes, como escutar os pássaros, cuidar do seu gato, caminhar.
- A Atenção Plena melhora a concentração e a memória.
Muitas vezes esquecemos aonde colocamos a chave, para que dia marcamos a consulta no médico ou até mesmo a água no fogo. Isso acontece porque fazemos uma coisa pensando em mil outras, e a consequência é que não vivemos nenhuma delas. Tendo consciência do que se está fazendo no mesmo instante nos faz lembrar com mais facilidade das etapas em que realizamos as tarefas diárias.
O objetivo da Atenção Plena:
Na verdade não há objetivos nesta prática. O foco é simplesmente estar. é simplesmente se permitir viver o momento presente com aceitação, sem expectativas ou julgamentos, sem desejar estar em outro lugar ou tentar ser algo diferente.
Como praticar a Atenção Plena:
A idéia do Mindfulness pode parecer relativamente simples: focar no momento presente com aceitação. Porém, colocar isso em prática é um pouco mais complicado. No mundo Ocidental aprendemos que o ideal é fazer várias coisas ao mesmo tempo. No nosso dia-a-dia, por exemplo, assistimos TV enquanto comemos, ao mesmo tempo que mexemos no Facebook e conversamos. Sem contar a parte do julgamento, crescemos com os conceitos do que é "bom" e "ruim", "certo" e "errado".
Ao retornar ao conceito de Mindfulness - fazer uma coisa de cada vez, no momento presente, com toda sua atenção e aceitação - você pode perceber que há uma variedade infinita de maneiras de praticar a atenção plena. qualquer coisa que você for fazer, pode ser de uma maneira consciente: escutar música, assistir TV, conversar com alguém, comer, dirigir, brincar com seu gato... Se focares toda a sua atenção na atividade, no momento presente, com aceitação. Então, se você está praticando a atenção plena ao escutar música, caso toque uma que você não goste ao invés de pensar: "odeio esta música" e passar para a próxima, você simplesmente deve prestar atenção nos pensamentos e sentimentos que vem a tona. Ou se você está (como eu agora) escrevendo e o som alto da televisão na sala te tira a atenção, ao invés de pensar: "que saco, não consigo acabar!", você presta atenção nos seus sentimentos: "Estou experienciando uma vontade de gritar para que alguém desligue a porcaria da televisão". Em ambos os casos você vai perceber os pensamentos e sentimentos que aparecem, reconhece-los e gentilmente (sem julgamento) retornar a atenção para a atividade.
Claro que algumas vezes a atenção plena é mais fácil de praticar do que em outras. O importante a ser lembrado é que pode parecer difícil, mas isso não significa que você deva parar de praticar. Pelo contrário, mindfulness vai ajudá-lo a aprender que você não deve reagir a todo e qualquer sentimento que tem, você pode ter consciência deles sem ter que fazer mais nada.
(fonte: Calming the Emotional Storm - Using Dialectical Behavior Therapy Skills to Manage your Emotions & Balace your life. SHERI VAN DIJK, MSW)
* É, eu ainda não escrevi meu texto pessoal sobre a felicidade (vai rolar, tenho que me inspirar), mas como eu havia falado antes, nesta Semana da Felicidade que instaurei aqui no B-G quero postar também formas para ajudar todo mundo a se sentir um pouco melhor. Eu venho praticando o mindfulness já faz algum tempo, e isso tem me ajudado bastante. Toda vez que me pego pensando em algo que me dói (o fdp do meu ex-namorado na maioria das vezes) ou ansiosa por alguma coisa, tento focar no momento presente. Se estou fumando, por exemplo, começo a notar tudo: como eu me sinto a medida que o cigarro vai sendo consumido, como está meu corpo, a pressão de meus lábios no cigarro, a fumaça que sai... Isso me faz viver o agora e não momentos que muitas vezes são criados pela minha mente, e outras vezes são a mesma mente teimando em me levar a momentos que não acontecerão mais.
Gente, parece bobo mas não é. Eu li a primeira vez e fiquei meio incrédula, mas a medida que vou praticando (como agora, por exemplo) fico mais consciente dos meus sentimentos, de minhas reações. Não é milagre não, com certeza, mas ajuda. Demais. além de tudo é usado sim como parte importante da Terapia Comportamental Dialética e Cognitivo Comportamental, comprovadamente eficazes no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline.
O Borderline e qualquer outro transtorno não é simplesmente um fardo que temos que carregar e ponto. Há formas de fazer com que tenhamos uma vida que valha a pena ser vivida. Falo mais: isso é para qualquer pessoas, com ou sem transtorno, doença ou qualquer coisa. Os problemas não são algo que foram jogados sob nossos ombros por alguma ira divina. Eles simplesmente fazem parte, as adversidades fazem parte, e a escolha é nossa de como lidar com isso.
11 de ago. de 2013
Transtorno da Personalidade: Teoria do Apego
Postado por
Nathalia Musa
(post da minha colaboradora Perséfone)
Simone Hoermann, Ph.D., Corinne E. Zupanick, Psy.D. & Mark Dombeck, Ph.D.
Outra forma influente de pensar sobre transtornos de personalidade decorre da teoria do apego, desenvolvida por John Bowlby e Mary Ainsworth. Ela propõe que as pessoas desenvolvem representações internas de relacionamentos através de suas interações com os primeiros cuidadores. Essas representações internas, ou modelos de relações, em seguida, virão a influenciar:
1) desenvolvimento da personalidade
2) tendências de interação social,
3) as expectativas do mundo e de outras pessoas
4) estratégias para regular emoções.
A teoria separa estes modelos de trabalho de relações em duas categorias principais, uma fixação segura e fixação insegura, de acordo com o grau de segurança e proteção presente nas relações representadas pelos modelos. A categoria de apego inseguro é subdividida em função de como as crianças reagem aos outros: ambivalente, esquiva, ou desorganizada. Características desses estilos de apego inseguro são comportamentos que buscam proximidade excessivamente grudenta, comportamentos onde se rejeita o cuidador e, por fim, algumas crianças desenvolvem um estilo de apego desorganizado, que se caracteriza pela alternância de ida e volta entre o comportamento pegajoso e o de rejeição.
A teoria do apego propõe que as primeiras relações das crianças com os cuidadores devem, idealmente, dar origem a um apego seguro, formada pelo fornecimento de uma base segura a partir da qual as crianças podem explorar de forma segura o mundo. Cuidadores de confiança tornam-se uma espécie de "base" ou porto seguro a partir do qual as crianças podem se aventurar com segurança em seu ambiente circundante, e então elas podem retornar à sua "base", sempre que precisarem de algum conforto. Quando as crianças estão chateadas, elas são biologicamente programadas para buscar a proteção e conforto de cuidadores. Cuidadores que atendem às necessidades das crianças para proteção e conforto fornecem respostas suaves, eficazes e adequadas. Quando os cuidadores modelam essas respostas, isso permite que as crianças aprendam a se acalmar e suavizarem-se. Experiências positivas de segurança e conforto das crianças fazem a formação de representações mentais de si e dos outros, caracterizadas por um senso básico de auto-estima e da confiança em outras pessoas (ou seja, o apego seguro). Ao longo do tempo, através de um comportamento consistente dos cuidadores de confiança, as crianças aprendem a regular o seu próprio afeto, e internalizar dentro de si uma estratégia suave de enfrentamento dos problemas, que acontecia anteriormente no espaço entre o cuidador e a criança.
Em contraste, quando os cuidadores rejeitam, são frios e/ou inconsistentes, em resposta às necessidades das crianças (em vez de serem sempre acolhedores e reconfortantes), as crianças não veem os cuidadores como pilares calmos e seguros, e, posteriormente, desenvolvem representações mentais de relacionamentos como inseguros. Pouca ou nenhuma modelagem do comportamento calmante é oferecida dentro desses apegos inseguros, ou a que é oferecida não pode ser confiável, porque é inconsistente, assim, as crianças não aprendem efetivamente a regularem suas próprias emoções ou a acalmarem-se.
Maus tratos prematuros, que culminam na formação de um estilo de apego inseguro, podem fazer as crianças a ficarem confusas em sua abordagem para as relações com os cuidadores e outras figuras de autoridade, embora passem a antecipar o abuso e, portanto, estão motivadas a serem cautelosas ou esquivas, elas precisam simultaneamente de apoio e proteção de tais figuras que motivam sua abordagem. Tal mistura incompatível de motivações interpessoais podem ser responsáveis por alguns dos comportamentos conflitantes e de instabilidade interpessoal freqüentemente encontrados em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline . Apesar de um estilo de apego inseguro e as respectivas representações internas distorcidas de si mesmos e dos outros não constituírem doenças, quando combinado com outros fatores de risco biológicos e ambientais, tais como o abuso, eles podem contribuir para o desenvolvimento de um transtorno de personalidade.
(tradução livre e edição deste artigo)
* Eu não sofri abusos físicos, acredito que meus pais não tem culpa no que aconteceu à minha família. Meus pais se casaram por amor e continuam casados até hoje, quase 32 anos. O nosso problema foi que meu irmão mais velho é doente. Ele é autista em um alto grau. Não tem asperger, ou seja, ele não é esperto em nada. Não sabe ler e vive em uma realidade alternativa em profunda regressão. Foi descoberta a doença dele quando eu nasci. Ele parou de falar e andar. Minha mãe passou dois anos até conseguir o diagnóstico de autismo. Então eu já tinha dois anos e meu irmão quatro. Apesar dos meus pais nunca terem se separado logo houve a separação de responsabilidades, minha mãe cuidava do meu irmão e meu pai de mim. Não por que eles assim quisessem, mas meu irmão nunca aceitou ninguém além de mainha. Eu não entendia o que havia com a minha família, mas sentia falta de coisas necessárias à formação de qualquer criança; hora para dormir, alguém checando minha tarefa de casa –ou mesmo me mandando fazer-, alguém vendo meu boletim, etc. Tentei chamar a atenção sendo a melhor aluna, não deu certo até eu passar a agir como adulta com dez anos. Eu conversava sobre a guerra do Golfo, colecionava artigos de economia e falava sobre marxismo. Virei a melhor amiga do meu pai. Nunca fui a festas, eu gostava de jazz, como meu pai. Os gostos dele eram os meus gostos, e se eu o decepcionava eu tinha que enfrentar discussões de como eu não estava pensando certo, eu era uma adulta aos dez anos. Hoje, aos 30, sou uma adolescente. Por quê?
Se você leu o artigo que traduzi acima, você vai ver que eu não tive pais acolhedores e calmantes, eu nunca estive segura com quem deveria cuidar de mim. Eu não tive limites. Crianças devem ser egoístas, e não seres preocupados, com que roupa o pai irá vestir. Eu queria limites, eu me impus limites. Hoje não tenho nenhuma noção de realidade ou limites, não entendo o dinheiro e não suporto ser rejeitada. Minha mãe nunca quis me rejeitar, a doença do meu irmão foi um fator com o qual eles não contavam e não poderiam antecipar. O abuso que sofri foi de um tipo subestimado tido como de segunda o abuso psicológico. Não foi maldade, mas muitas vezes mesmo com boas intenções, fazemos coisas ruins.
Hoje vario entre colar em alguém e rejeitar totalmente. Mas após muitos anos de terapia sei como funcionam os gatilhos – coisas que me fazem ter crises-.
Em futuros posts pretendo falar sobre o que são, os gatilhos e quais dispositivos internos eu uso para me acalmar.
Marcadores:depoimentos,família,terapia,TPB | 1 comentários
27 de jul. de 2013
Depoimento: Diário de um Borderline
Postado por
Nathalia Musa
Jovem, bonita com 28 anos de idade, com uma profissão e concluindo uma ótima graduação - essa era eu, acabara de comprar meu primeiro carro ano 95, estava feliz? Depois de muitos de muitos dias indo e vindo do caminho do trabalho em prantos, sem encontrar sequer um motivo que fosse para viver. Resolvi pesquisar as doses letais das medicações, e foi com o clonazepam que me entupi na tarde do dia de 24 de outubro de 2012, demorou muito para fazer efeito, não me dava sono logo, comecei a andar, foi então que vomitei e desmaiei...
Acordei em uma internação psiquiátrica, com uma médica me auscultando, apenas um soro fisiológico corria em minha veia, todos os pacientes psiquiátricos curiosos querendo conversar, eu só queria dormir. Aquela médica se foi, e eu fique internada durante 7 dias no hospital Tide Setúbal sem a visita de nenhum psiquiatra, fiquei totalmente robotizada, sem conseguir articular palavras, pouco me levantava e ia ao banheiro.
Mas o pesadelo mesmo começou após a alta, na qual fui embora sem nenhum tipo de acompanhamento, o CAPS não queria me atender por que eu era caso de ambulatório, e o ambulatório tinha uma fila de dois anos para o primeiro atendimento, sofri muito, tinha desejo me matar constantemente. Enquanto isso em casa eu me perfurava com agulhas 40X12 em minhas artérias na esperanças de ter aquela angústia interna suprida. Todo tipo de martírio eu fiz com meu corpo, raspei meus cabelo, que era o que eu mais amava em mim. Quando não aquentou mais me ver naquele estado minha mãe foi na ouvidoria da saúde, fez denúncia, ameaçou chamar a televisão, e em um mês conseguiram o anjo da minha psiquiatra Dr Taty e até hoje aguardo pela psicoterapia.
Minha professora por dó me encaminhou para a terapia na faculdade, mesmo uma vez a cada dois meses, mas melhor que nada pra quem não tem outra alternativa. Depois de encontrar a mínima ajuda e controlar o desejo suicida, consegui então parar para refletir em tudo que estava acontecendo na minha vida, na reviravolta que minha história havia tomado e como minha vida era incomum e minha experiencia, até mesmo a superação de não ter abandonado os estudos e estar viva até aquele momento.
Acreditei que a minha experiência pudesse servir para outros, para ajudar pessoas que tem a doença e nem mesmo sabem que a possuem, bem como aqueles que sabem de seu diagnóstico e não conseguem tratamento.
Querem saber mais detalhes dessa história? Mínimos detalhes... então curta a nossa pagina no Facebook: https://www.facebook.com/F6031DiarioDeUmBoderline, e aguardem o lançamento do meu livro, F6031 Diário de um Borderline.
(Depoimento de Camilla Prado, que está lançando sua autobiografia contando o que passou com sua luta Borderline)
........................................
Com mais de 500 mil exemplares vendidos somente nos EUA, "Pare de pisar em ovos" lida com um tema marcante nos dias atuais: o transtorno de personalidade borderline (TPB). Este livro busca entender este transtorno destrutivo, estabelecer limites e incentivar amigos ou familiares com o transtorno a deixar de lado comportamentos perigosos. Ele discute as últimas pesquisas sobre um problema caracterizado pelo limite das emoções e apresenta técnicas de comunicação e estratégias de enfrentamento para que o leitor possa equilibrar seu relacionamento com um borderline.
O Blog Borderline-Girl está sorteando, em parceria com a Editora Fontanar, dois exemplares deste livro. Para concorrer basta seguir estes passos:
- Curtir a página da Editora Fontanar e o Vivendo a Vida com Borderline
- Ser seguidor do blog Borderline-Girl
- Preencher e enviar o formulário na página SORTEIO.
O sorteio acontecerá dia 20/08!
........................................
Para quem ainda não viu, saiu o segundo vídeo aqui do blog! Assistam e se gostarem, curtam!
Marcadores:depoimentos,internação,terapia,TPB,vídeos | 1 comentários
16 de jul. de 2013
Quando e porque se internar
Postado por
Unknown
A clínica psiquiátrica se constitui como um universo a parte. Quando você é internado é como se alguém tivesse apertado o pause na sua vida e te jogado para outra dimensão. Falando assim até parece ser uma boa ideia para quem está querendo fugir do mundo por exemplo, mas como tudo na vida, ser internado em uma clínica tem seus prós e contras.
Vamos ao lado bom. Por que uma pessoa é internada? Essa é fácil. Porque ela se tornou um perigo para si mesma ou para a sociedade. Esse é o único motivo justificável para prender uma pessoa entre quatro paredes. A internação protege o indivíduo dele mesmo e, caso ele seja agressivo, protege o mundo contra essa pessoa. O universo da clínica gira ao redor do paciente e todos os profissionais estão lá para recuperá-lo e tornar a vida do mesmo melhor. É um lugar onde você está supostamente seguro e deveria se sentir assim. Lá a única coisa que importa é a sua doença e como você vai aprender a lidar com ela para ser reinserido na sociedade.
Pois bem. Por que, então, tanta gente é contra a internação? Isso já é um pouco mais complicado. O universo da internação não é o universo real, é algo construído para proteger pessoas problemáticas. A função da clínica é recuperar o doente para que ele volte a ter uma vida normal, ou tão normal quanto seja possível. O problema é que algumas pessoas acabam se viciando nesse ambiente. Elas começam a negar o mundo real e passam a buscar a doença como desculpa para se manterem internadas. Não é muito difícil entender porque elas fazem isso. Viver dentro de uma clínica psiquiátrica significa não ter liberdade, mas também significa não ter responsabilidades, não precisar lidar com os problemas do dia-a-dia fora dali e significa nunca se ver sozinho e sem apoio. É um pouco assustador ver que muita gente prefere renunciar sua liberdade ao invés de enfrentar seus problemas, mas acontece bastante. Outro lado negativo em uma internação é a convivência, ou seja, o fato de ter um bando de louco vivendo trancado no mesmo lugar. Não é raro observarmos o efeito bola de neve ali dentro. Uma pessoa surta e acaba levando a clínica inteira junto. É preciso tomar cuidado para ao invés de sair melhor, não sair com mais problemas ainda.
Tudo isso sem contar os detalhes de como é o dia-a-dia trancado em um lugar como este. Estar internado significa ter horário para tudo, liberdade para nada e privacidade como artigo de luxo. Significa ser vigiado 24 horas por dia, 7 dias por semana. Significa estar longe das pessoas que te amam e ter como único meio de comunicação com o mundo lá fora um telefone público que mal funciona. Estar internado significa ser amarrado em uma cama e ser dopado quando a única coisa que você queria era um abraço, significa passar dias e noites ouvindo os gritos das pessoas que estão piores do que você. Significa perceber que eles te tiraram tudo... Absolutamente tudo, porque você não tinha mais capacidade de fazer suas próprias escolhas. Ser internado é como voltar ao útero da sua mãe depois de experimentar a maravilhosa liberdade do mundo lá fora. No começo pode parecer quente e seguro, mas com o tempo você percebe que aquilo não passa de uma prisão sufocante.
Eu não sou contra a internação, tanto que já fui internada duas vezes, mas acredito que seja uma ferramenta para casos bem específicos e extremos. Ser internado não é como tirar férias, está há anos luz de distância disso. Não se engane e nunca se acomode.
[ Primeiro texto meu no blog. Muito prazer, me chamo Sah.
Meu blog pessoal -> yoyo-sah.blogspot.com ]
Marcadores:internação,terapia,TPB | 8
comentários
13 de jul. de 2013
Validação, Invalidação e o Transtorno de Personalidade Borderline
Postado por
Nathalia Musa
* Texto baseado na Teoria Biosocial, base da Terapia Dialética Comportamental. *
Os indivíduos com o TPB não são somente emocionalmente vulneráveis, mas também cresceram em ambientes onde eles não aprenderam como lidar com suas próprias emoções, chamados de ambientes invalidadores.
O que é invalidação?
Imagine que você está em um ônibus, alguém pisa no seu pé, você avisa, diz que aquilo doeu, a pessoa responde que sabe disso, mas continua pisando. Esta pessoa sabe que não está dando importância ao fato de que aquilo te machucou.
Invalidação significa que as emoções da outra pessoa estão sendo rejeitadas, ignoradas ou julgadas.
Ambiente de invalidação:
Neste tipo de ambiente, as pessoas não ajudam você a lidar com suas emoções. Ao invés disso, eles podem dizer que está errado sentir aquilo ou até mesmo te punir ou te ignorar por ficar emotivo. Isso pode acontecer não só usando palavras, mas certas expressões faciais ou linguagem corporal.
As vezes, até crescer em uma família aonde todo mundo é diferente de você pode ser invalidador. Mesmo que ninguém te diga que há algo de errado contigo, você pode se "sentir errado", como se fosse "a ovelha negra" da família, ou um intruso. É muito doloroso se pensar diferente ou mais sensível do que aqueles ao seu redor, ou que é mais difícil pra você lidar com suas emoções.
Finalmente, também é frequente casos mais extremos, como aqueles onde a criança sofre abuso sexual ou verbal.
Causas e consequências:
De acordo com a teoria biosocial, os borders tiveram várias experiências de invalidações enquanto estavam crescendo. Se você tem o TPB, você deve ter tido a experiência de pessoas te ignorando, ficando bravos, te descartando ou rejeitando quando ficou emocional, então, como resultado, acabou ficando com medo de sentir o que sentia.
Mas lembre: O TPB é uma combinação de fatores - vulnerabilidade emocional (com uma predisposição biológica para fortes respostas emocionais) + ambiente invalidador
- Muitas pessoas são emocionalmente vulneráveis mas nunca desenvolvem o transtorno
- Muitas pessoas crescem e vivem em ambientes invalidadores, estressantes e abusivos e nunca adquirem o TPB.
É importante notar que nesta teria não podemos culpar nenhum destes fatores. Não há nada de errado em ser emotivo ou sensível, na verdade há muitas vantagens. Algumas vezes, as pessoas muito sentimentais são as mais carismáticas e interessantes. Elas são apaixonadas pela vida, sentem profundamente a dor dos outros e são compreensíveis e sensíveis.
As pessoas menos sentimentais podem não saber como lidar com aquelas que o são em demasia, principalmente com uma criança mais emotiva, sem que isso seja sua culpa. Há esta relação entre esta criança e o cuidador (pai/mãe/adultos relevantes) menos sensível que ela: a criança mais sensível tem alguma emoção intensa e os cuidadores não sabem lidar com isso. Então eles podem dizer: "pare de agir assim!" - não porque eles querem machucar ou prejudicar a criança, mas pelo fato de que eles não sabem como lidar com isso, não sabem o que fazer ou como ajudar.
E o que acontece quando alguém te diz para não sentir algo? Você sente muito mais! E é provável que comece a ficar chateado, na defensiva ou fora de controle. Aí fica ainda mais sensível do que estava antes, seus cuidadores não fazem a mínima idéia do que fazer com isso e eles podem começar a se sentir fora de controle também, ficando então irritados.
Portanto, de acordo com esta teoria, os dois fatores são importantes e um pode amplificar o outro. O tempo vai passando e a medida que isso acontece repetidamente, as pessoas emocionalmente vulneráveis começam a ter dificuldades em gerenciar suas emoções e começam a sentir medo delas, achá-las intoleráveis e passar seu tempo tentando evitá-las. Estas crianças não aprendem como lidar com o que sentem e isso acaba por levar a uma desregulação emocional. De fato, muitos borders dizem que fazem coisas como auto-mutilação e tentativas de suicídio a fim de escapar de suas emoções. Uso de drogas, compulsão alimentar e outros comportamentos destrutivos são usados com o mesmo propósito. As pessoas com TPB fazem isso para se sentirem melhor a curto prazo, mas é claro que esse comportamento cria mais problemas a longo prazo.
Validação:
A validação é um conceito simples de entender, mas difícil de pôr em prática: é o reconhecimento e aceitação da experiência interna da outra pessoa como sendo válida. Validação emocional se distingue de invalidação emocional, em que as suas ou as experiências emocionais de outra pessoa são rejeitados, ignorados ou julgados. Auto-validação é o reconhecimento de sua própria experiência interna.
Validação não significa concordar com ou apoiar sentimentos ou pensamentos. Não quer dizer amor. Você pode validar alguém que você não gosta, mesmo que você não queira.
Validando:
*A criança
- Ouvir com atenção a criança descrever o seu dia na primeira série.
- Não fazer graça ou dizer que é besteira ao escutá-las contando histórias que são importante para elas, como do primeiro amor.
- Dar atenção e reassegurar seu papel de protetor
- Admirar e elogiar um desenho quando você percebe que a criança se esforçou para aquilo.
- Ensinar sem dizer que a criança está fazendo "tudo errado"
* Um amigo / irmão / parceiro(a)
- Segurar a mão da pessoa quando ela está em um tratamento médico doloroso.
- Ir para a casa de um(a) amigo(a) à meia-noite para se sentar com ele(a) enquanto ela chora por causa de um(a) namorado(a)
- Saber que qualquer um ficaria chateado em uma situação específica é validar. Por exemplo: "Claro que você está ansioso. Falar para uma platéia pela primeira vez é assustador para qualquer um."
- Compreender que uma experiência passada pode estar afetando a reação da pessoa no presente e não julgá-la.
- Estar presente de uma forma onde não há julgamento.
* A si mesmo
- Ser consciente das próprias emoções e não tentar escapar das ruins.
- Tentar entender que algumas de nossas reações são baseadas em experiências passadas e não porque "não conseguimos reagir direito."
- Entender que "culpa" por um ato é diferente de "assumir a responsabilidade"
- Não se julgar quando cometer um erro, entender que todos somos humanos.
- Se cuidar, se mostrar apresentável e bonito de uma forma não de se submeter ao que a sociedade impõe, mas sim de aumentar o próprio bem-estar.
- Se aceitar como é mas não ficar complacente com os próprios erros.
* Fontes:
- The Borderline Personality Disorder Survival Guide: Everything you need to know about living with BPD - Alexander L. Chapman, PH.D ; Kim L. Gratz, PH.D (livro)
Marcadores:família,terapia,TPB | 1 comentários
1 de jul. de 2013
Depoimento - Psiquiatras
Postado por
Nathalia Musa
Meu nome é Thais, tenho 25 anos e sou diagnosticada com transtorno de personalidade borderline grave pelo Hospital das Clínicas de SP.
Fazia tratamento lá, um tratamento muito rígido, que fui forçada a parar por conta de um emprego que arrumei. Não tentem isso em casa. Não parem o tratamento, não é seguro. Tenho muita coisa pra falar, mas pouca coisa a dizer, achei esse blog pesquisando como todos os borders fazem a respeito de sua doença e me interessei muito pelo seu conteúdo. Eu escrevo num blog pessoal aspectos da minha rotina e da minha doença, além de alguns textos, que um dia, se quiserem, terei o prazer de mostra-lhes.
aqui, contarei um pequeno relato de um dos dias que estive mal com a minha psiquiatra e gostaria de saber se já passaram por sentimentos parecidos:
SEXTA-FEIRA, 11 DE MAIO DE 2012
Vai pegar mal se eu contar?
Briguei com a Karina, minha psiquiatra. Mas serei breve porque esse fato é meio constrangedor, eu acho. Pra começar falei que não ia espera-la mais, depois de quase a tarde toda, sem falar da semana passada que não tive tempo de buscar os remédios na farmácia do IPQ graças a estimada pontualidade dela.
Depois, veio a parte mais cômica e drástica desta história, quando eu falei que ela não dava atenção pra mim, só pra outra paciente (que não vou citar o nome, porque eu gosto dela e não quero que ela pense o contrário, caso venha a ler este relato enfadonho algum dia)
Ela disse que o caso era novo e perguntou se acaso eu me lembrava de quando eu ingressei o tratamento no IPQ. Me lembro pouco, pois estava totalmente dopada de rivotril 24 horas por dia. Mas, mesmo assim eu disse, "Lembro-me e aliás, não sei porque você me perguntou isso se meu psiquiatra era o Bruno"
Não que eu goste mais do Bruno, mas ele gostava mais de mim, eu acho. A Karina tem ideias idiotas, do tipo, eu, uma pessoa com transtorno de personalidade limítrofe, desempregada e estudando as duras penas, ela pergunta, porque eu não vou morar sozinha. Por que será, dr. Karina?
Enfim, isto não vem ao caso agora, voltemos aonde parei. Sei que foi doentio da minha parte me importar com esse tipo de coisa, afinal, ela é só mais uma deles, dos loucos que pensam que são normais. Não confiar. Menos, claro no meu supervisor, que eu amo de paixão, o doctor Erlis, ele é uma pessoa muito especial.
No mais, acabou em "pizza" na enfermaria do integrado. E daí? No fim, continuarei a tomar aquela imensidão de comprimidos para loucura todos os dias. E eu estou de saco cheio deles.
beijos ternos
Marcadores:comportamento borderline,depoimentos,terapia | 1 comentários
27 de jun. de 2013
Terapia Dialética Comportamental e o Transtorno de Personalidade Borderline
Postado por
Nathalia Musa
* Este é um artigo longo, mas para quem é border acho super importante ler, pois explica as bases da Dialética Comportamental, uma das principais terapias usadas no tratamento do transtorno.
MARSHA M. LINEHAN, Ph.D.é a criadora da Terapia Dialética Comportamental e professora no Departamento de Psicologia na Universidade de Washington..
The Journal, 1º de Março, 1997, Vol. 8/Iss. 1.
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) representa um grande problema mental a partir dos anos 90. É um transtorno predominante que é severo, crônico e persistente. O número de indivíduos que se adequam ao critério para ele é alto, aproximadamente 11% de todos os pacientes psiquiátricos ambulatoriais e 20% dos pacientes psiquiátricos internados. Além de ser predominante, estudos indicam que o diagnóstico do TPB é crônico. Entre 57 e 67% continuam a se adequar ao critério de sintomas por quatro a sete anos após o primeiro diagnóstico e mais de 44% quinze anos depois.
A severidade do TPB talvez seja melhor vista na alta taxa de mortalidade deste transtorno. Aproximadamente 10% dos pacientes eventualmente se matam. A taxa de suicídio é muito maior entre os 36 a 65% dos indivíduos que tentaram suicídio ou se mutilaram pelo menos uma vez em seu passado. Olhando para as taxas de mortalidade de um ângulo reverso, 12 a 33% de todas as pessoas que morrem por suicídio adequam-se ao critério de diagnóstico para o TPB. Os custos emocionais para os borders são enormes. Eles descrevem sentimentos crônicos de raiva, vazio, depressão e ansiedade. Experimentam frustração e raiva extremas, e ocasionalmente breves episódios psicóticos. Eles descrevem relacionamentos caóticos e "identidades confusas". Mesmo entre aqueles que não tentaram se matar, a idéia do suicídio é comum. A classificação para a qualidade de vida de alguns dos problemas que os borders experimentam frequentemente sugerem que sua qualidade de vida está entre as mais baixas.
No presente há poucos tratamentos para indivíduos com o TPB com eficácia comprovada. Em resumo, os achados dos estudos de tratamentos farmacológicos, Paul Soloff, MD., concluem que os efeitos da farmacoterapia, embora clinicamente significativos, são modestos em magnitude. A evidência empírica apoiando tratamentos psicossociais para o TPB é igualmente escassa. Isso mostra um problema especial porque mesmo quando uma farmacoterapia efetiva é dada, a complexidade e severidade do TPB pedem psicoterapia.
Terapia Dialética Comportamental: Bases
A TDC (terapia dialética comportamental) é baseada em um modelo que sugere que a causa e permanência do TPB tem suas raízes em uma desordem biológica combinada com uma ambiental. A desordem biológica é na regulação das emoções e pode ser devido a causas genéticas, fatores intrauterinos antes do nascimento, eventos traumáticos no desenvolvimento inicial que afetam permanentemente o cérebro, ou uma combinação destes fatores. A desordem ambiental é qualquer conjunto de circunstâncias que punem, traumatizam ou negligenciam especificamente esta vulnerabilidade emocional, ou geralmente o self emocional do indivíduo, denominado de ambiente de invalidação. O modelo tem como hipótese que o TPB resulta de uma transação ao longo do tempo que podem seguir diversos caminhos diferentes, com o grau inicial do transtorno mais para o lado biológico em alguns casos e mais para o lado ambiental em outros. O ponto principal é que o resultado final, o TPB, é devido a uma transação onde o indivíduo e o ambiente co-criam um ao outro através do tempo com o indivíduo se tornando progressivamente mais desregulado emocionalmente e o ambiente se tornando mais invalidativo.
Dificuldades emocionais nos borders consistem em dois fatores: vulnerabilidade emocional mais deficits em habilidades necessárias para regular as emoções. Os componentes da vulnerabilidade emocional são sensibilidade ao estímulo emocional, intensidade emocional e retorno lento à base emocional. "Alta sensibilidade" se refere à tendência a pegar sugestões emocionais, especialmente as negativas, reagir rapidamente e ter um baixo limiar para reações emocionais. Em outras palavras, não precisa muito para provocar uma reação emocional. "Intensidade emocional" se refere a reações extremas à estímulos emocionais, que rompem o processamento cognitivo e a habilidade para se acalmar. "Retorno lento à base emocional" se refere à reações sendo de longa duração, as quais por sua vez levam a um estreitamento de atenção no sentido de um humor relacionado a aspectos do ambiente, memória e interpretações tendenciosas, que contribuem em manter o estado inicial de humor e um elevado grau de excitação.
Um traço importante da TDC é hipótese que o próprio sistema de regulação emocional está desordenado, não somente emoções específicas de medo, raiva ou vergonha. Portanto, os indivíduos com o TPB podem experimentar emoções positivas intensas e desreguladas, como amor e interesse. Todos os comportamentos problemáticos dos borders são vistos como relacionados a regular novamente as emoções fora do controle ou como resultados naturais de emoções desreguladas.
Terapia Dialética Comportamental: O modelo de tratamento
A TDC assume que os problemas do TPB são duplicados:
Primeiro, eles não tem muitas capacidades importantes, incluindo habilidades interpessoais suficientes, capacidades emocionais e de auto-regulação (incluindo a habilidade de auto-regular sistemas biológicos) e a habilidade de tolerar o estresse.
Segundo, fatores pessoais e ambientais bloqueiam habilidades de lidar com problemas e interferem com as habilidades de auto-regulação que o indivíduo tem, frequentemente reforçam padrões comportamentais mal adaptativos e punem comportamentos adaptativos melhorados.
Porém ajudar os borders a fazer mudanças terapêuticas é extraordinariamente difícil, por pelo menos duas razões. Primeiro, focar na mudança do paciente, seja por motivação ou ensinando novas habilidades comportamentais é frequentemente visto como invalidações por indivíduos traumatizados e pode precipitar, por um lado, a retirada, não comparecimento e abandono precoce do tratamento, e raiva, agressão e ataque do outro. Segundo, ignorar a necessidade para que o paciente mude (e assim, não promover a mudança necessária) é também percebido com invalidações. Tal postura não leva a sério problemas muito reais e consequências negativas do comportamento do paciente e pode, por sua vez, precipitar pânico, desespero e suicídio.
Foi a tensão e resolução final deste conflito essencial entre aceitação do paciente como ele ou ela está no momento versus exigir que o paciente mude este momento exato que leva ao uso de dialética como nome do tratamento. Na TDC, o tratamento requer por um lado confrontação, compromisso e responsabilidade do paciente, por outro lado foca em energia terapêutica considerável em aceitar e validar a condição atual do paciente enquanto simultaneamente ensina uma ampla gama de habilidades comportamentais. O confronto é balanceado com apoio. A tarefa terapêutica, ao longo do tempo, é balancear este foco em aceitação com um foco correspondente em mudança. Como uma visão de mundo, além disso, a dialética ancora o tratamento dentro de outras perspectivas que enfatizam:
1. a natureza holística, sistêmica e inter-relacionada do funcionamento humano e a realidade como um todo (perguntando sempre "o que está sendo deixado de fora de nosso entendimento aqui?);"
2. a procura por síntese e equilíbrio, (para substituir as respostas rígidas, muitas vezes extremas características de indivíduos severamente disfuncionais);
3. melhorar o conforto com ambiguidade e mudança que são vistas como aspectos inevitáveis da vida..
A TDC foi projetada para atender as seguintes cinco funções de tratamentos bem sucedidos:
- aprimoramento da capacidade,
- aprimoramento motivacional,
- aprimoramento da difusão de ganhos,
- aprimoramento das capacidades e motivação dos terapeutas
- estruturação do ambiente para apoiar o progresso clínico
Aprimoramento das capacidades foca em melhorar a auto-regulação e regulação comportamental. Todos os pacientes na TDC recebem um treinamento de habilidades psico-educacionais em cinco áreas: consciência (para melhorar o controle da atenção e da mente), habilidades interpessoais e gerenciamento de conflitos, regulação emocional, tolerância à dificuldade e auto-gestão. As medicações são usadas também para aprimorar a habilidade individual para auto-regular os sistemas biológicos.
Aprimoramento motivacional foca em ter certeza que o processo clínico é reforçado (em vez de punido), que o comportamento mal-adaptado não seja reforçado e em reduzir outros fatores (como emoções ou crenças) que inibem ou interferem no processo clínico. Geralmente, isso requer terapia individual intensiva (pelo menos sessões semanais de uma a uma hora e meia). A gama completa de terapias comportamentais e cognitivas eficazes são integradas dentro do tratamento em ordem de importância: reduzir o suicídio e outros comportamentos que ameaçam a vida; reduzir comportamentos de interferência na terapia (incluindo o não comparecimento ou largar o tratamento); reduzir comportamentos interferentes que reduzem a qualidade de vida (incluindo transtornos como depressão, compulsão alimentar e abuso de substâncias); aumento de comportamentos hábeis para se lidar com problemas, incluindo tolerância às dificuldades, regulação emocional, eficácia interpessoal e consciência; reduzindo experiências emocionais traumáticas, incluindo respostas a estresse pós-traumático (por exemplo: reações continuas a um trauma de infância); melhorar o respeito próprio, reduzir e dominar problemas com mentiras; resolver um senso de incompletude.
Aprimoramento de difusão de ganhos: aprender a ser eficaz no consultório do terapeuta, ou para um paciente internado ou com definições residenciais é inútil se os novos comportamentos não se difundem para o dia-a-dia do paciente. Portanto a terceira tarefa da terapia é assegurar a difusão de novos comportamentos no ambiente natural. Na TDC isso é feito geralmente por consultas telefônicas entre o paciente e o terapeuta individual.
Aprimoramento das capacidades e motivação dos terapeutas: Um tratamento eficaz é inútil se o terapeuta está incapacitado ou desmotivado para tratar de uma forma eficaz, mas é uma parte não reconhecida porém essencial ao programa de tratamento. Na TDC, esta função do tratamento é encontrada em reuniões de consultas de todos os terapeutas da TDC. O objetivo destas reuniões é prover consultas e apoio para estes profissionais que se esforçam em aplicar a TDC.
As estratégias de tratamento são divididas em quatro grupos principais: Estratégias dialéticas consistem em balancear aceitação e mudança em todas as interações, sempre buscando por uma síntese e visando mudar a estrutura dos problemas que resistem a uma solução. As estratégias centrais da TDC requerem o equilíbrio da validação com a resolução de problemas. Validação é um grupo de estratégias enfatizando aceitação e validação do paciente escutando com empatia, refletindo com precisão, articulando o que é experenciado mas não necessariamente dito, clarificando aqueles comportamentos desordenados que acontecem devido a uma biologia desordenada ou histórico de aprendizagem no passado, e destacando os comportamentos que são válidos porque eles se encaixam a fatos atuais ou são eficazes para os objetivos do paciente a longo prazo. A essência da validação é ver e responder ao paciente como uma pessoa de status e valor iguais. A estratégia de resolução de problemas é designada para avaliar os problemas específicos do indivíduo, descobrir quais fatores estão controlando ou mantendo os problemas comportamentais, e então aplicando sistematicamente intervenções de terapia comportamental.
Estruturando o ambiente: Se o ambiente continua a reforçar comportamentos problemáticos e borderline e pune o progresso clínico, então é inútil esperar que os ganhos do tratamento serão mantidos, uma vez que o tratamento termine. Portanto, se o tratamento está para acabar, a terapia precisa assistir ao paciente em desenvolver um ambiente que apóia bastante os ganhos clínicos. É igualmente importante que o terapeuta foque em prover uma atmosfera de tratamento que encoraje o progresso, não a recaída. Sessões familiares reuniões de consulta de caso com outros terapeutas (sempre com o paciente presente) servem a esta função na TDC.
O sofrimento intenso que acompanha o transtorno de personalidade borderline, para o paciente e para aqueles ao seu redor, sugerem que a maior prioridade tem que ser em desenvolver novos tratamentos eficazes e disseminar aqueles que estão disponíveis.
(tradução e edição deste artigo)
* To morrendo de dor de dente, vou passar por vários canais, por isso o post atrasou... Tentei fazer a tradução e edição da melhor forma possível, mas posso ter perdido alguma coisa...
(tradução e edição deste artigo)
* To morrendo de dor de dente, vou passar por vários canais, por isso o post atrasou... Tentei fazer a tradução e edição da melhor forma possível, mas posso ter perdido alguma coisa...
Marcadores:terapia,TPB | 8
comentários
25 de jun. de 2013
Será que tudo que fazemos é por causa do TPB?
Postado por
Nathalia Musa
"Às vezes um charuto é apenas um charuto."
(Sigmund Freud)
Depois que fui diagnosticada com o Transtorno de Personalidade Borderline, tenho lido tudo a respeito: sites, entrevistas com especialistas, reportagens, literalmente mergulhei neste mundo de transtornos de personalidade. Como consequência, comecei a analisar tudo muito detalhadamente e me veio logo a primeira pergunta: o que sou eu e o que é o transtorno? Existe uma fronteira?
Eu inclusive já escrevi algo parecido uma vez aqui, porém resolvi voltar ao assunto porque vejo que isso é uma tendência que não é só minha, mas da maioria dos borders que conversam ou que comentam aqui. É como se não tivéssemos vontade própria e que o transtorno nos puxasse pro abismo sem que possamos nos defender.
Desculpem--me os que discordam, mas isso não é verdade. As emoções são nossas e as escolhas também. É claro que precisamos de uma rede de apoio sim, principalmente no início, mas temos que nos dar conta que a vontade de melhorar tem de vir da gente. Quando eu mando uma mensagem pra C., meu ex, e ele responde com sua grosseria peculiar, não posso culpá-lo. Eu sabia das consequências. Eu sabia que ele é um cavalo. Eu mandei a $%#@ da mensagem porque eu quis. Ah, o TPB nos faz impulsivos? Faz. Todavia cabe a nós internalizarmos certas atitudes e opiniões para nos protegermos. Eu já não mando mais tantas SMS pra C. Eu já não vou atrás dos meus pseudo-amigos. Eu vasculho a internet a procura de formas para me ajudar na minha ansiedade, pânico, tristeza... Tento ajudar pessoas e fazer da minha experiência ruim algo que me faça bem.
Eu já tive pior nesta crise e sei o quanto é difícil. Muito mais fácil de deixar levar pela onde de emoções que sentimos, pela gilete (nosso amor-bandido), e achar que cada passo que damos é por culpa do TPB e que somos meras marionetes do nosso cérebro.
"Ah, ela gosta de mudar o cabelo por causa do transtorno, é impulsiva..." NÃO. Eu mudo meu cabelo porque gosto de mudar ele e ponto final. Eu gosto de abraçar as pessoas e chamar elas de baby não porque sou carente, mas porque adoro a troca de energias. Gosto de dizer "eu te amo" porque é uma das frases mais poderosas do mundo.
Logicamente nossa intensidade emocional ganha as vezes. Fazemos coisas sem sentir, magoamos por medo de sermos magoados. Porém temos que nos conhecer primeiro, saber que muitas de nossas emoções e reações não são "privilégio borderline" (eu mesma postei a reportagem da Marie Claire sobre saudade que citava pessoas sofrendo muito de amor que não eram borders) e parar de se esconder atrás do TPB.
Só somos seres-humanos um pouco especiais, porém com capacidade de melhorar como qualquer outro por aí, e com o direito de errar também como qualquer mortal. Tentem prestar atenção nas próprias atitudes para descobrir quando estão tendendo a colocar o transtorno como vilão eterno.
Então você, que acabou de escolher comer aquela lata de cobertura de chocolate da Nestlé (eu!!!) e ainda por cima comeu goiabada com creme de leite de almoço (eu!!!), pára de culpar a impulsividade border. Se está arrependida, fecha a boca porque o borderline não tem nada a ver de você ter escolhido ser gulosa hoje.
P.S.: quem ainda não ouviu o último podcast tá aí na coluna da direita! --->
Marcadores:comportamento borderline,dicas,terapia,TPB,transtornos | 10
comentários
15 de jun. de 2013
Por que tantas pessoas se identificam com o Transtorno de Personalidade Borderline?
Postado por
Miss Danielle de Barbarrac
Bem primeiramente vale salientar que todas as pessoas têm algum “traço” de algum transtorno ou patologia, não existe individuo perfeito. Mas somente quando é preenchido o mínimo de requisitos pode ser feito o diagnostico.
NÃO EXISTE AUTO-DIAGNÓSTICO!
Você somente pode se dizer Borderline quando um profissional te dá o diagnóstico. O que na maioria das vezes demora por não ser um transtorno comum e um dos mais difíceis de diagnosticar, por ter traços de vários outros problemas.
Pegue mulheres que vivem em um país onde nascem sete mulheres para cada homem (aproximadamente). Mulheres essas que desde o nascimento vão formando uma ideologia irreal para um relacionamento, onde só é bom se ela for a princesa e ele o príncipe apaixonado. Mais a carga genética de milhares de anos onde há reações involuntárias a querer formar uma família e nunca ser abandonada aos “lobos” sozinha.
Pegue mais um punhado de pessoas que vivem em um mundo injusto e cada dia mais se sabe disso através de redes sociais e mídias. Como sabemos que inteligência é quase o oposto de alegria não é preciso analisar muito para ver que as pessoas estão cada vez mais vazias e depressivas a cada dia.
Impulsividade, bem quem nunca...
Junte tudo isso com o stress da sociedade pós-moderna. Onde tudo acontece muito rápido e as pessoas como formigas operárias, correm o dia todo ganham pouco e nunca relaxam. Isso nos torna irritados e amargos.
Bem, essa receita daria um ótimo exemplo de borderline, se olharmos rapidamente:
- Dificuldade de abandono
- Vazio;
- Depressão;
- Impulsividade;
- Irritabilidade;
E muitas vezes problemas familiares, pois a mínima porcentagem de pessoas faz algum tipo de terapia, o que gera progenitores problemáticos e obviamente filhos com problemas “anyway”.
A diferença está toda na INTENSIDADE e no TEMPO DE OCORRÊNCIA. Todo mundo um dia já se sentiu feliz e de repente ficou triste ou fez alguma coisa sem pensar ou se irritou com algo e fez alguma coisa louca, ou se pensou que sua vida não tem sentido ou sofreu bastante por um rompimento. Mas quando um Borderline fica triste ele sente uma dor tão grande que a própria morte parece menos dolorosa. Quando um Borderline está bravo ele quebra coisas, bate nas pessoas, grita e fala coisas que machucam. Quando um Borderline perde um amor para ele é a mesma sensação se Deus o tivesse abandonado é como se ele perdesse tudo que tem, é uma sensação de fracasso muito grande. E a gente se sente assim praticamente todo o tempo.
Como hoje o Borderline é o novo "hit" do momento (como já foi a bipolaridade) existem muitas farsas por aí. Muitos pseudo-borderlines e muita gente que se identifica com o transtorno. Talvez uma pequena quantia de pessoas que estão em duvida realmente seja. Mas só há um jeito de saber:
PROCURE UM PSIQUIATRA!
* Gente eu só tenho um conselho a mais: ser borderline não é legal! Eu sou atormentada diariamente pelo fato de que é bem provável que eu nunca terei uma vida real, completa e feliz. Que eu nunca seja a mãe que meu filho precisa ou a mulher ideal para o cara que um dia tenha o azar de tentar ter um relacionamento comigo. Chega de farsas! Isto é um desrespeito com quem realmente sofre de TPB. Vão viver suas vidas, vocês não precisam ser carentes e tristes. Eu não tenho essa escolha!
Marcadores:comportamento borderline,terapia,TPB,transtornos | 5
comentários
25 de abr. de 2013
Frustrações.
Postado por
Nathalia Musa
Frustração. Do lat. frustratio que vem do advérbio frustra (em vão, debalde). Ação de impedir que um ser atinja o objetivo ao que tende pela sua própria dinâmica. Estado em que se encontra o organismo quando depara com um obstáculo mais ou menos importante no caminho que o leva à realização completa de um comportamento. (1)
Em Psicanálise, designa a privação sentida como injusta, de satisfações materiais ou psíquicas (2)
Hoje na terapia minha psicóloga disse que um de meus maiores problemas era saber lidar com a frustração. Aquilo que no cotidiano de todos é tão comum, como chegar atrasado, ficar preso no trânsito, perder uma chave ou queimar um bolo para mim é como se fosse uma catástrofe. Principalmente pelo fato que eu não enfrento isso, prefiro fugir das mais diferentes formas possíveis, como bebendo, me cortando, fumando ou comendo.
Mas afinal de contas, o que é a frustração? Tentei o dicionário e a que mais se encaixou com minha realidade foi realmente a definição da psicanálise. Todo impedimento que resulta no fato de eu não conseguir o que quero ou o que planejava, é tida como injusta, pois sempre dou o meu máximo quando tenho um objetivo. Todavia, por que isso acontece?
Talvez eu me cobre demais, queira a perfeição em demasia, que raramente é alcançada por qualquer um dos reles mortais. A sensação da impotência me paralisa também. Sempre se pode fazer mais, pelo menos é assim que eu penso. Se não conseguiu, deve ser por não ter tentado o suficiente. Porém há um momento em que temos que parar e assumir que não há mais nada a ser feito e, seguir em frente.
Por que, as vezes por mais que tentemos, não conseguimos o que planejávamos? Que força é essa, injusta, que faz a luta ser em vão? Já não dizia qualquer um desses escritores esotéricos/de auto-ajuda, que quando desejamos algo o universo conspira a nosso favor?
Talvez não seja uma afirmação de todo falsa. Acontece que outras pessoas almejam coisas também e o Universo não pode estar a favor apenas de um indivíduo (se o fosse, muito confortavelmente pensaríamos só em si próprios para tão cobiçada dádiva). Então, além de mim, muito provavelmente existem muitos outros chateados por não terem chegado em seus compromissos a tempo, assim como existe um outro tanto que chegou, a custo daqueles minutos a menos no banho ou aquela espiada básica que não deram no Facebook antes de sair de casa.
Ainda assim não consigo aceitar o fato de que não posso fazer mais nada a respeito. Luto até minhas forças se esvaírem (não estou eu, até hoje, tentando falar com meu ex?) e só quando caio, vencida, que paro. Mas não aceito. Somente paro e sofro por achar que podia ter dado um pouco mais de mim, tentado mais, me esforçado mais. E para não enfrentar eu fujo. É mais fácil, dói menos, existe muita dor já em mim para que eu queira me jogar de bom grado em mais uma, que seja ela parte do cotiano ou algo mais profundo.
O que nos faz recuar e perceber que temos que desviar o caminho, pois aquele que escolhemos anteriormente infelizmente está bloqueado e impossível de atravessar e não podemos fazer nada a respeito? Para realizar isso, temos que andar pra trás e isso sempre é, de alguma forma, sentido como negativo.
Não esperava chegar a nenhuma conclusão com estes devaneios, só pensar. Pensar nas razões de eu não me dar por vencida, mesmo quando a batalha já está perdida. E ficar em pé, como um general louco, sangrando, enquanto minha tropa jaz no chão a tempos. Necessito saber guardar minha espada e enfrentar a derrota. só não sei como.
Marcadores:devaneios,terapia,TPB | 6
comentários
Assinar:
Postagens
(Atom)
PODCASTS
O que é o TPB?
Terapias e Terapeutas
Automutilação











