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1 de set. de 2014

Mais uma garota (mulher) borderline - depoimento e dicas





Querida Eilan, 

Quero te dar parabéns e te agradecer por tua generosidade em compartilhar tanta informação conosco! Comecei a ser diagnosticada como borderline/ limítrofe em dezembro de 2012. O diagnóstico ficou em aberto por bastante tempo, até bem pouco tempo atrás (o que é péssimo pra gente). Também fui classificada como personalidade histriônica e déficit de atenção. Tantos diagnósticos, e todos inconclusivos me deixaram muito mais (!) insegura e ansiosa (como se uma border tivesse ainda chão pra isso...). Enfim. Muito ruim. O lado bom é que, diante da inconclusão dos profissionais que cuidam de mim, comecei a buscar informações e compartilhar o que encontro com minha psicóloga e com o psiquiatra. Eu entendo as razões que os levaram a cogitar vários diagnósticos e as razões que os fazem ter calma antes de fechar o diagnóstico. Mas também entendo que, eu, como paciente, fico ainda mais (!) desesperada, angustiada, auto-estigmatizada, insegura e ansiosa diante das dúvidas deles. Penso que, talvez, os profissionais devessem compartilhar os diagnósticos com os pacientes APENAS quando estão seguros pois isto provavelmente nos traria MENOS sofrimento. Após pesquisar muito, sei que sou mesmo portadora de TPB (ou TPL, limítrofe, como algumas pesquisas dizem). O psiquiatra que começou a me atender agora me explicou que outros sintomas como comportamento sedutor e ansiedade, dificuldade de concentração & hiper-foco, auto-sabotagem e pânico excessivos (relacionados também à personalidade histriônica, transtorno de ansiedade e ao TDAH) podem ter origem em co-morbidades com o TPB, o que faz muito sentido quando olho pra minha história pessoal. Teus vídeos me ajudam muito pois, sempre que vejo, me sinto menos sozinha, me sinto compreendida, me sinto menos "bicho-estranho", menos "louca". Acho que você faz ideia do quanto tudo isto É muito importante para uma border. Aquela sensação curadora de "uau, em algum lugar do universo existe alguém que também vive isso, existe alguém que sabe, que entende o inferno que eu vivo e que é tão difícil explicar. Completei 30 anos este ano. Quanto mais estudo sobre TPB, mais entendo que comecei a desenvolvê-lo (ou, já o tinha, não sei), desde a primeira infância (antes dos 6 anos). As coisas foram ficando mais graves na pré-adolescência, piores da adolescência, e definitivamente catastróficas depois dos 16 anos, com perdas, problemas e prejuízos cada vez maiores e irreversíveis. Apesar de ter começado a fazer terapia aos 18 anos, só nas vésperas de completar 29 é que comecei a receber este diagnóstico. 

Por isso, concordo TOTALMENTE com você quando você alerta os mais jovens e sugere que eles procurem URGENTEMENTE tratamento, psicológico e psiquiátrico. Eles e elas realmente PODEM evitar prejuízos bem sérios se fizerem isso e se, desde cara, contarem pros profissionais que "acham" que tem TPB. Infelizmente, como você lembra, ainda há muito desconhecimento sobre TPB no Brasil, e, às vezes, muita resistência aos diagnósticos - por isso a importância de contar para seu psicólogo(a) ou psiquiatra o que você mesmo identifica, quais sintomas, enfim, o que você sente. 

Sei que, infelizmente, uma boa parte dos jovens ainda não pode pagar os preços caríssimos dos planos de saúde e das consultas com estes profissionais - e eu sou uma destas pessoas. Por isso, quero te dar uma sugestão que já funcionou comigo 3 vezes na minha vida: 

* Divulgar que TODO curso superior de psicologia oferece atendimento GRATUITO. Esteja numa instituição pública ou privada, todo curso! de psicologia, de psicanálise e de terapias complementares precisam oferecer aos seus alunos e alunas o momento do ESTÁGIO. Os cursos de Mestrado e Doutorado nestas áreas TAMBÉM OFERECEM isso. Basta a gente procurar as instituições, pedir informações sobre os atendimentos gratuitos e SEGUIR as orientações (geralmente as instituições fazem uma triagem com as pessoas que se inscrevem, que por sua vez acontece em uma determinada semana ou dia do ano ou do semestre). Os Hospitais Universitários das Universidades Federais também possuem atendimento psiquiátrico - para ser atendido por eles, você precisa passar antes pelo Posto de Saúde e pedir um encaminhamento deles. Além disso, o SUS está disponibilizando PSICÓLOGOS que atendem semanalmente nos postos de saúde e PSIQUIATRAS que atendam os postos de saúde regularmente (3, 2, ou 1 vez por mês). Tudo depende da sua CIDADE, da sua Secretaria de Saúde - há cidades que cumprem com este requisito do SUS, ma! s infelizmente, há cidades que, por culpa de suas prefeituras! , não cumprem ainda isto. Estou em uma cidade que, felizmente, cumpre com os requisitos. E, por fim, ainda há os institutos de saúde (não vou nomear pra não fazer propaganda) nos quais você paga preços para consultas com psiquiatras e psicólogos entre R$50,00 e R$90,00, sem mensalidades, - o que já é beeeeeeeem mais viável do que pagar R$200,00, R$250,00, R$300,00 ou até MAIS do que isso por atendimento. 

Por fim, quero deixar aqui algumas sugestões que encontrei. Talvez você conheça, talvez não. Aí vão:

Filme: "Borderline", de 2008. É um filme canadense bárbaro, da diretora Lyne Charlebois, baseado nos romances auto-biográficos de uma escritora borderline, a Marie-Sissi Labrèche. Para mim, é o melhor retrato cinematrográfico de um paciente border. 
Aí vai o link para o trailer no youtube:www.youtube.com/watch?v=sYJJfriIv90

Documentário: Border_ , dirigiso pela psicóloga Tami Sattler e pela escritora Debbie Corso que também é portadora de TPB. O documentário é bem emocionante e mostra depoimentos de mulheres portadoras de TPB que conseguiram ou estão tentando conseguir voltar a ter uma "vida digna de ser vivida", como você lindamente diz. Seria legal alguém colocar legendas em português! 

Livros: "Criança Interrompida, Adulto Borderline", de Taty Ades e Eduardo dos Santos, é muito bom mesmo!!!! Alguém já menciou ele aqui.

"Borderline" e "La Brèche", de Marie-Sissi Labrèche, também portadora de TPB. Ambos são romances auto-biográficos sobre a trajetória da escritora com o TPB.

"Healing From Borderline Personality Disorder: My Journey Out of Hell Through Dialectical Behavior Therapy", de, Debbie Corso, também portadora do TPB.

Este é o site da Debbie Corso, no qual ela compartilha reflexões e muito do que passou ou passa como portadora do TPB.

Canal: Ades Taty 
Neste canal há pelos 6 vídeos que falam diretamente sobre TPB, e mais vídeos que ajudam a entender as diferenças entre TPB e Transtorno Bipolar, e, entre TPB e Esquizofrenia. Achei o canal por conta do livro. Tem me ajudado a me entender um pouco mais também.

Enfim flor, é isso. 

De minha parte, posso dizer que: saiba que estamos juntas e juntos e que em outras partes do Brasil ao menos, há mais gente sofrendo e buscando curar-se.

Grande Abraço, para Eilan, colaboradores(as) e leitores(as) do Blog!


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* Adoreiii este email! Cheio de dicas. O site da Debbie eu coloquei já nos links e usei como base em alguns posts. Porém sempre válidas as lembranças e sugestões!!

Sua história é mais uma prova que sim, com o tratamento, estudo, força de vontade, podemos ter uma vida que valha a pena ser vivida! É difícil, mas possível!

28 de dez. de 2013

Lidando com os sintomas do TPB: Resistindo à vontade de se cortar.




Um dos sintomas associados com o Transtorno de Personalidade Borderline é a necessidade da auto-mutilação. Ela pode se manifestar de várias maneiras, incluindo se queimar com cigarros, arrancar fios do cabelo ou bater a cabeça na parede. Muitas vezes esta compulsão se manifesta quando queremos nos cortar.

Se você tem o TPB, pode já saber o que é essa necessidade de se cortar. Para aqueles que não, se cortar é o tipo de auto-mutilação no qual alguém usa um objeto afiado (uma lâmina, uma faca ou tesouras) para rasgar a pele.

Cortar-se é diferente de tentar se matar, pois quem o faz não está tentando tirar sua vida, mas anestesiar-se de algum stress causado por um gatilho. Obviamente que, apesar desta prática não estar associada ao suicídio, ela é muito perigosa devido à perda de sangue ou risco de infecção. Pode ser também emocionalmente perigosa, já que muitos reportaram terem se tornado viciados em se cortar.

Como resistir à vontade de se cortar:

Resistir pode ser um grande desafio: Aqui vão algumas dicas do que você pode fazer da próxima vez que tiver vontade de se cortar:

- Esteja consciente de quais situações te levam a querer se cortar. O cutting (expressão em inglês para o ato de querer se cortar) é como se fosse uma solução "rápida" e impulsiva para um sentimento negativo. Identifique estas situações e as evite ou tente aprender outras formas de lidar com elas.

- Saiba o que te acalma. Tenha uma lista, seja na cabeça ou mesmo escrita na sua bolsa, de outras formas de lidar com seus gatilhos. Ligue para um amigo. Escute uma música. Vá correr. Tome um banho. Respire.

- Tente se lembrar que este sentimento passa. Quando estamos imersos no momento, durante o gatilho, há uma escuridão avassaladora difícil de suportar. 
Tente lembrar agora de quando isso aconteceu antes, e os momentos que se seguiram, quando a escuridão se dissipou. Veja se você consegue chegar lá sem se machucar.

- Entenda que o progresso leva tempo. Tenha objetivos realistas e não espere que seu comportamento mude do dia pra noite. O progresso, acredite ou não, pode ser amedrontador e você pode começar a se identificar com este sentimento negativo. Isso junto com os outros sintomas como senso de si mesmo instável ou medo de abandono, pode ser realmente aterrorizante seguir para um período de vida mais saudável.

- Busque ajuda! Nunca é demais dizer que a terapia, os remédios e os exercícios são essenciais para nossa busca pela estabilidade. Infelizmente não conseguimos sozinhos.

(tradução livre/edição do artigo: "Managing BPD Symptoms: Resisting the Urge to Cut")


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* Assusta. Estar menos instável assusta pra caralho. Eu fico esperando uma crise a cada momento. As lâminas estão lá, na minha cabeceira, caso eu falhe. Não consigo me livrar delas. Mas faz tempo que não me corto... Uns dois meses, talvez. Parei de contar. Acho que deveria.
Cansa, claro que cansa. Cansa se policiar sempre, cansa se obrigar a enfrentar o problema ao invés de rasgar a carne. E houveram dias que cheguei a chorar de vontade. Mas vale a pena, vale o esforço, vale.
Estou longe de estar estável, mas sinto que meu esforço está rendendo frutos! :)


26 de dez. de 2013

Seja a mudança.





Solidariedade não faz bem apenas para quem recebe ajuda, mas também para quem a pratica. E isso, agora, está comprovado cientificamente: Um estudo realizado nos EUA por um neurocientista brasileiro revela que a boa ação (doar, ser voluntário ou visitar hospitais e instituições carentes) ativa uma região cerebral que proporciona uma sensação de prazer e bem-estar comparada aos atos de comer chocolate, ganhar dinheiro e fazer sexo! Além de ter a oportunidade de ajudar pessoas que precisam, praticar o altruísmo alivia tensões, reduz o estresse e pode até aumentar a espectativa de vida. Segundo o neurocientista Jorge Moll Neto, autor da pesquisa, "se os egoístas não tinham um bom motivo para fazer algo em prol dos outros, agora têm!" (fonte: Bolsa de Mulher) 

Neste ano que passou, eu fui do céu ao inferno. Conheci o fundo do poço, as desilusões. Fui apresentada à lâmina, aos amigos de ocasião. Entendi que muitas vezes somos interessantes nos sorrisos e que nossas dores se resumem à "mimimis".

Voltei. Venci, com a ajuda de muitos. Mas muito mais a minha ajuda. Porque que eu tenho que me bastar. E por que estou falando tudo isso? Pois esquecemos muitas vezes que para manter a roda girando, precisamos dar também, a fim de receber.

Eu tinha um trabalho com animais de rua. Resgato gatos. Ajudava financeiramente com o que podia, e as vezes com o que não podia. Organizei um bazar, comecei a construção de um gatil que foi parada pela minha queda vertiginosa para a escuridão. Conheço ainda muitos que o fazem, que se doam, saem no meio da noite para socorrer um animal ferido, fazem rifas e campanhas... São grãos de areia nesse mundo enorme de gente que não sabe o que veio fazer nesse planeta.

A gente reclama. Diz que não tem tempo. Se vale do borderline, da ansiedade, da depressão... De qualquer coisa. Mas continua reclamando que o mundo não é um lugar bom pra se viver, da pobreza, desigualdade, blablabla. Ok. E o que VOCÊ está fazendo para mudar isso?

Não consegue sair de casa? Eu também não conseguia, mas criei um blog que acabou por ajudar centenas de pessoas que não sabiam do TPB. Existem doações online, bazares online. Apadrinhe uma criança, um idoso, um cachorro, um gato... Tire um domingo pra visitar uma creche. Ou um sábado pra um mutirão de banho em um abrigo de animais. Doe as roupas que não usa mais, os brinquedos que seus filhos não brincam mais. Entregue cestas básicas, compre ração para animais de abrigos, as possibilidades são INFINITAS!

Eu tenho essa ferramenta linda que é o blog e a fanpage, que tem centenas de visitantes por dia. Faz parte de minha resolução para esse ano de 2014: voltarei a ser fiel a minha causa, que é a dos animais e agora à passar pra frente a informação e ajudar pessoas que, como eu, sofrem com o TPB. Podem se preparar: vou fazer a minha lojinha virtual vendendo canecas e camisas com temas de animais, vender rifas, apoiar campanhas... Com relação ao TPB, bem, meu objetivo é me organizar para postar mais, interagir mais. Quem sabe dar palestras. Quem sabe...?

Então pra você que tá me lendo agora eu dou esta sugestão: escolha sua causa, seja ela qual for. Você não imagina o prazer que é sentir que está fazendo algo para mudar o mundo.
24 de dez. de 2013

Cinco dicas para passar pelas festas de fim de ano





Festas de fim de ano: Que época maravilhosa!! A menos que passar um tempo com sua família seja um dos seus gatilhos.

Se reuniões familiares são gatilhos para seus sintomas borderline de ansiedade, depressão ou impulsividade, ou até mesmo acorda sua compulsão alimentar ou desejos de se se cortar, é bom você estar preparado.

Aqui vão cinco dicas para passar pelas festas de fim de ano quando você tem TPB:

1. Tenha um plano. Esteja certo de quais são seus gatilhos, então faça o máximo para evitá-los. Se você sabe que seu irmão vai dizer algo que vai te chatear, espere ele sentar e então sente do outro lado da mesa. Se sabe que o segundo copo de vinho vai te fazer falar demais, troque o vinho pela cidra. Imagine antes possíveis situações complicadas e pense como sair delas.

2. Esteja consciente de si mesmo. Pratique Atenção Plena. Faça um check-in de si mesmo durante o evento. Esteja consciente das sensações no seu corpo. Está respirando? Está tenso na região dos ombros? Faça um esforço para se retirar de situações emocionalmente carregadas, seja fisicamente ou simplesmente se dando um momento para respirar ou ficar quieto consigo mesmo. Você não pode controlar a reação e o comportamento dos outros, mas pode estar no controle do seu. 

3. Lembre-se de quem você é. Você não tem mais 13 anos, apesar de ser fácil cair nesse pensamento quando está rodeado de parentes e pessoas que te acompanharam durante muitas mudanças na sua vida. Ao entrar no ambiente que remete seu passado, sua infância, pare um momento para relembrar quem você é AGORA. Faça um estoque de coisas positivas que você sabe serem verdade sobre você. Seja seu melhor amigo durante o evento.

4. Lembre-se de quem eles são. Não esqueça de que seus familiares provavelmente não estão tentando ser vilões. Seu irmão tem as motivações dele para dizer as coisas que ele diz. Talvez ele esteja estressado e esteja se comportando assim porque é a única maneira que ele conhece de tentar parecer uma pessoa melhor. Talvez ele não tenha se preparado para esta ocasião como você. É libertador perceber que nem tudo é pessoal contra você.

5. Recuperação. Se possível, planeje um dia para se recuperar depois do evento. Mesmo para aqueles que não sofrem dos sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline, estar com a família pode ser esgotante e emocionalmente desgastante. Se você tirar este momento para se colocar nos trilhos de novo, as consequências podem ser minimizadas.
(tradução livre/edição do artigo: "5 Tips on Navigating the Holiday Season (and Family) with BPD")

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* E então. Eu vou usar todas estas dicas e mais algumas. Vou passar o Natal com meu pai e minha mãe, somente. Divorciados desde que eu tinha 12 anos. Minha mãe irritada dando patada em todo mundo, meu pai no seu mundinho particular onde ele acha que borderline é um incômodo passageiro. 
Mas passarei por isso. Porque as vitórias que tive este ano são maiores do que uma noite qualquer...

Feliz Natal pra vocês, leitores, que me dão todos os dias este presente que é seu carinho!!!
12 de dez. de 2013

Sobre amizades e perdas.




Faz algum tempo que não escrevo por aqui. A vida anda corrida, estou trabalhando demais, com problemas para me organizar, então muitas coisas ficam pendentes, infelizmente o blog está entre elas.

Pra completar, ando tendo vários acontecimentos envolvendo amigos e, por que não dizer, "ex-amigos". Quem sofre do Transtorno de Personalidade Borderline sabe o quanto nos apegamos às pessoas, o quanto decepções podem ser gatilhos para uma nova crise. 

Deparei-me com situações onde amigos se vão, amigos novos aparecem e me enchem de medo de uma decepção e finalmente, alguém que eu achava ser um grande amigo se mostrou frio e surpreendentemente diferente de tudo aquilo que eu acreditava. A história é o seguinte: tenho (ou tinha) dois amigos os quais eu considerava como irmãos. Conheço-os há pelo menos 10 anos e estes dois tiveram um papel decisivo na minha vida durante muitas crises, quando eu nem fazia idéia que era border. Acho que quem me acompanha sabe que eu moro em Recife, mas não sou daqui. Vim de Curitiba, onde vivi por 8 anos e estes meninos são de lá.

Acontece que quando eu namorava (aquele filho da puta do meu ex, o C.) viajei para Curitiba e os apresentei para meu ex. Até onde eu sabia, nenhuma amizade surgiu deste encontro, tirando uma empatia. Qual não foi minha surpresa quando esta semana eu soube que este mesmo ex (peloamordedeus, ele parece estar em todos os lugares) está viajando a passeio para lá e, pasme, um desses meus irmãos de coração vai encontrar com ele, almoçar, sociabilizar. sua justificativa para mim é que ele não tinha nada a ver com o stress ocorrido com nosso término de namoro.

Não preciso dizer o quão chocada e decepcionada fiquei com tal atitude. Um menino que eu considerava parte da minha vida simplesmente deixando claro que o fato de eu ter sido tratada como lixo não faz esta diferença na vida dele. Para ser sincera, estou aqui escrevendo e me vem lágrimas nos olhos, só de pensar nisso tudo.

Porque estou contando tudo isso? Porque logo após falei com V., outra amiga de Curitiba e escutei dela que eu deveria parar de me preocupar e sofrer por quem não tem a mesma consideração por mim, que inclusive este mesmo "amigo" já tinha dito que, durante a minha crise onde eu estava láááá naquele lugar chamado fundo do poço, eu estava "me lamentando demais".

Ela está certa. Costumamos colocar num pedestal aqueles que amamos, sem contar que eles podem sim ter falhas ou simplesmente não serem merecedores de tamanho sentimento. A adoração é sempre maléfica, até mesmo na religião. Fechamos nossos olhos para a parte "humana" daqueles que amamos e não contamos, nem por um segundo, que estes simplesmente podem não ter a mesma recíproca ou sequer parecida, ou até mesmo não ligar pra gente. Não estou aqui tentando defender este meu "amigo" e dizer que a responsabilidade é minha pois, como border, amo demais e eu que lide com isso. Estou querendo dizer que ele tem o direito sim de achar que um "almoço inocente" com meu ex não o faz menos amigo meu. Tem sim. Mas eu também tenho o direito de não concordar com isso, de não aceitar e principalmente, não o querer mais em minha vida. Na realidade é essa parte que está doendo demais. 

Temos que tentar nos colocar em primeiro lugar e respeitar nossas verdades, sempre claro, pensando no limite do outro. Eu sei que eu estou fazendo a coisa certa pra mim mesma me afastando, mas isso não faz desse fato um atalho para uma possível recaída. Meu caminho para a estabilidade está sendo menos longo que o esperado, então tenho que tomar cuidado com tudo. E isso cansa demais. E acaba me deixando mais vulnerável.

Não sei se estou fazendo muito sentido. Acho que estou querendo dividir o quanto todos esses acontecimentos estão me forçando a repensar meus conceitos de amizade e que se no final a máxima que já escutei de várias pessoas com o tpb é real: "só conseguimos ser amigos de outro border". Não quero acreditar que isso seja real embora saiba que, nesse meu momento de busca pela estabilidade, eu precise daqueles que me cercam (infelizmente) uma dose extra de paciência. Isso pode levar à crenças de que eu quero tratamento diferenciado. Ou que eu acredite que mereço perdão por todas as minhas faltas por causa do Borderline. Não é isso, eu mesma bato na tecla aqui no blog que o TPB é uma razão, mas não nos exime da responsabilidade pelos nossos atos. Rá. Será que isso só os borders entenderiam também?

Penso que é sempre válido o questionamento pessoal. Pesar as opiniões, questionar o que nos motiva a agir dessa ou daquela forma. É o que estou fazendo, observando, pensando, escondidinha aqui no meu casulo para que, pelo menos nesse período de fragilidade, ninguém possa me ferir mais.

(Vale a dica das técnicas que estou usando para passar por este momento sem usar a gilete: ocupo a cabeça com o trabalho, pratico a Atenção Plena, tento tirar um momento do dia fazendo algo prazeroso, nem que seja por 10 minutos, respeito meus momentos e limites e não me forço a fazer coisas que não me fariam bem, estou tentando melhorar a alimentação e tomar muita água por dia - leia-se comer pelo menos uma fruta e tomar 3 litros de água - no final de semana tento me ocupar com serviços domésticos ou com alguma atividade que eu goste e me dê prazer, que no meu caso foi fazer unhas decoradas.)

** Ah, estou aceitando sugestões para temas para um novo vídeo...


15 de nov. de 2013

Como lidar com o Transtorno de Personalidade Borderline




Ter o Transtorno de Personalidade Borderline não significa que você tem que se resignar a uma vida de relacionamentos despedaçados, instabilidade emocional e medo do abandono. Embora viver com os sintomas do TPB certamente pode te levar a uma existência diária frustrante e dolorosa, eles não são de maneira alguma impossíveis de se lidar, uma vez que você comece a aprender novas formas de como administrar as situações que possam ser um gatilho para seus sintomas.

Quando falamos sobre terapia para o TPB, nos referimos a ela como um processo de recuperação, quase da mesma forma que nos referimos às pessoas que estão superando o vício a alguma substância como sendo "paciente em recuperação". As causas subjacentes do Transtorno de Personalidade Borderline estarão sempre presentes, mas isso não significa que os sintomas estarão. Tomar uma posição pró-ativa e buscar informações e opções de tratamento para a TPB são as primeiras coisas que você deve fazer para começar seu processo de recuperação.
Terapia para o TPB

Embora você possa se sentir constrangido, envergonhado, ou resistentes a respeito de um diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline, não há necessidade de se sentir sozinho e sem esperança. Com cerca de 30 milhões de americanos que sofrem de transtornos de personalidade, é hora de entender que os problemas de saúde mental não são culpa de quem sofre com eles, mas são doenças graves, com componentes genéticos, assim como muitas doenças físicas, tais como câncer.
As opções de tratamento para a TPB, independentemente da abordagem específica, são caracterizados por ensinar aos clientes as habilidades que eles precisam para resolver os conflitos, explorar sentimentos e suas causas, e efetivamente auto-acalmar.

A fim de lidar eficazmente com TPB, você vai precisar fazer o seguinte:
- Busque o diagnóstico correto , se você já não o tiver.
- Explore as opções de tratamento para a o TPB. Cheque seu plano de saúde e prestadores de serviços locais de saúde mental. Encontre o melhor caminho a seguir com os recursos à sua disposição.
- Tomar quaisquer medicamentos que seu médico prescreva e informá-lo sobre os efeitos colaterais ou mudanças em seus sentimentos. Os medicamentos corretos podem aliviar alguns sintomas de personalidade borderline que possam prejudicar a sua capacidade de se concentrar na sua recuperação.
- Eduque-se sobre Transtorno de Personalidade Borderline . Conhecimento é poder . Não há escassez de bons livros e informações on-line disponíveis para você começar. (como este blog, por exemplo!)
- Envolva-se plenamente no processo terapêutico. Você é o fator mais importante na sua própria recuperação e deve comprometer-se a praticar as habilidades necessárias para superar os sintomas da personalidade borderline.
- Obter o apoio de amigos e familiares. O TPB afeta todas as pessoas importantes em sua vida . Obtê-los informados e com você na sua recuperação. Incentive-os a educarem-se e buscarem apoio, se necessário.
- Dê a si mesmo algum crédito e seja paciente com você mesmo! O processo de terapia para o TPB pode ser demorado e difícil. Você terá de enfrentar contratempos ao longo do tempo , ou talvez ter problemas para dominar uma habilidade em particular. Não desanime! Lembre-se de observar os seus sucessos e se dar um tapinha nas costas por assumir uma tarefa difícil.

Lidar com o Transtorno de Personalidade Borderline é possível através de compromisso com o processo terapêutico, educação e apoio. Se apoie no processo de recuperação, pratique as habilidades ensinadas a você, e você vai descobrir que a medida que os seus sintomas de personalidade borderline recuam, a sua qualidade de vida melhora.

(tradução livre do artigo: "How to Cope with Borderline Personality Disorder")

* Gente linda que me lê: eu estou desativando a primeira fanpage do Blog (Vivendo a Vida Com Borderline) e migrando para a fanpage Borderline-Girl.
Vai ser um canal mais fácil para eu conversar com todo mundo e falar sobre meu processo de recuperação. 

Curtam!

11 de nov. de 2013

15 coisas que você precisa abandonar para ser feliz



15 coisas que você precisa abandonar para ser feliz


Essa lista é uma tradução, o texto original e em inglês é do World Observer Online.
WE-HEART-IT_11. Desista da sua necessidade de estar sempre certo
Há tantos de nós que não podem suportar a ideia de estarem errados – querem ter sempre razão – mesmo correndo o risco de acabar com grandes relacionamentos ou causar estresse e dor, para nós e para os outros. E não vale a pena, mesmo. Sempre que você sentir essa necessidade “urgente” de começar uma briga sobre quem está certo e quem está errado, pergunte a si mesmo: “Eu prefiro estar certo ou ser gentil?” (Wayne Dyer) Que diferença fará? Seu ego é mesmo tão grande assim? 
2. Desista da sua necessidade de controle
Estar disposto a abandonar a sua necessidade de estar sempre no controle de tudo o que acontece a você e ao seu redor – situações, eventos, pessoas, etc. Sendo eles entes queridos, colegas de trabalho ou apenas estranhos que você conheceu na rua – deixe que eles sejam. Deixe que tudo e todos sejam exatamente o que são e você verá como isso irá o fazer se sentir melhor.
“Ao abrir mão, tudo é feito. O mundo é ganho por quem se desapega, mas é necessário você tentar e tentar. O mundo está além da vitória.” Lao Tzu
3. Pare de culpar os outros
Desista desse desejo de culpar as outras pessoas pelo que você tem ou não, pelo que você sente ou deixa de sentir. Pare de abrir mão do seu poder e comece a se responsabilizar pela sua vida.
4. Abandone as conversinhas auto-destrutivas
Quantas pessoas estão se machucando por causa da sua mentalidade negativa, poluída e repetidamente derrotista? Não acredite em tudo o que a sua mente está te dizendo – especialmente, se é algo pessimista. Você é melhor do que isso.
“A mente é um instrumento soberbo, se usado corretamente. Usado de forma errada, contudo, torna-se muito destrutiva.” Eckhart Tolle
5. Deixe de lado as crenças limitadoras sobre quem você pode ou não ser, sobre o que é possível e o que é impossível. De agora em diante, não está mais permitido deixar que as suas crenças restritivas te deixem empacado no lugar errado. Abra as asas e voe!
“Uma crença não é uma ideia realizada pela mente, é uma ideia que segura a mente.” Elly Roselle
6. Pare de reclamar
Desista da sua necessidade constante de reclamar daquelas várias, várias, váaaarias coisas – pessoas, momentos, situações que te deixam infeliz ou depressivo. Ninguém pode te deixar infeliz, nenhuma situação pode te deixar triste ou na pior, a não ser que você permita. Não é a situação que libera esses sentimentos em você, mas como você escolhe encará-la. Nunca subestime o poder do pensamento positivo.
7. Esqueça o luxo de criticar
Desista do hábito de criticar coisas, eventos ou pessoas que são diferentes de você. Nós somos todos diferentes e, ainda assim, somos todos iguais. Todos nós queremos ser felizes, queremos amar e ser amados e ser sempre entendidos. Nós todos queremos algo e algo é desejado por todos nós.
8. Desista da sua necessidade de impressionar os outros
Pare de tentar tanto ser algo que você não é só para que os outros gostem de você. Não funciona dessa maneira. No momento em que você pára de tentar com tanto afinco ser algo que você não é, no instante em que você tira todas as máscaras e aceita quem realmente é, vai descobrir que as pessoas serão atraídas por você – sem esforço algum.
9. Abra mão da sua resistência à mudança
Mudar é bom. Mudar é o que vai te ajudar a ir de A a B. Mudar vai melhorar a sua vida e também as vidas de quem vive ao seu redor. Siga a sua felicidade, abrace a mudança – não resista a ela.
“Siga a sua felicidade e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes” Joseph Campbell
10. Esqueça os rótulos
Pare de rotular aquelas pessoas, coisas e situações que você não entende como se fossem esquisitas ou diferentes e tente abrir a sua mente, pouco a pouco. Mentes só funcionam quando abertas.
“A mais extrema forma da ignorância é quando você rejeita algo sobre o que você não sabe nada” Wayne Dyer
11. Abandone os seus medos
Medo é só uma ilusão, não existe – você que inventou. Está tudo em sua cabeça. Corrija o seu interior e, no exterior, as coisas vão se encaixar.
“A única coisa de que você deve ter medo é do próprio medo” Franklin D. Roosevelt
12. Desista de suas desculpas
Mande que arrumem as malas e diga que estão demitidas. Você não precisa mais delas. Muitas vezes nos limitamos por causa das muitas desculpas que usamos. Ao invés de crescer e trabalhar para melhorar a nós mesmos e nossas vidas, ficamos presos, mentindo para nós mesmos, usando todo tipo de desculpas – desculpas que, 99,9% das vezes, não são nem reais.
13. Deixe o passado no passado
Eu sei, eu sei. É difícil. Especialmente quando o passado parece bem melhor do que o presente e o futuro parece tão assustador, mas você tem que levar em consideração o fato de que o presente é tudo que você tem e tudo o que você vai ter. O passado que você está desejando – o passado com o qual você agora sonha – foi ignorado por você quando era presente. Pare de se iludir. Esteja presente em tudo que você faz e aproveite a vida. Afinal, a vida é uma viagem e não um destino. Enxergue o futuro com clareza, prepare-se, mas sempre esteja presente no agora.
14. Desapegue do apego
Este é um conceito que, para a maioria de nós é bem difícil de entender. E eu tenho que confessar que para mim também era – ainda é -, mas não é algo impossível. Você melhora a cada dia com tempo e prática. No momento em que você se desapegar de todas as coisas, (e isso não significa desistir do seu amor por elas – afinal, o amor e o apego não têm nada a ver um com o outro; o apego vem de um lugar de medo, enquanto o amor… bem, o verdadeiro amor é puro, gentil e altruísta, onde há amor não pode haver medo e, por causa disso, o apego e o amor não podem coexistir), você irá se acalmar e se virá a se tornar tolerante, amável e sereno… Você vai alcançar um estado que te permita compreender todas as coisas, sem sequer tentar. Um estado além das palavras.
15. Pare de viver a sua vida segundo as expectativas das outras pessoas
Pessoas demais estão vivendo uma vida que não é delas. Elas vivem suas vidas de acordo com o que outras pessoas pensam que é o melhor para elas, elas vivem as próprias vidas de acordo com o que os pais pensam que é o melhor para elas, ou o que seus amigos, inimigos, professores, o governo e até a mídia pensa que é o melhor para elas. Elas ignoram suas vozes interiores, suas intuições. Estão tão ocupadas agradando todo mundo, vivendo as suas expectativas, que perdem o controle das próprias vidas. Isso faz com que esqueçam o que as faz feliz, o que elas querem e o que precisam – e, um dia, esquecem também delas mesmas. Você tem a sua vida – essa vida agora – você deve vivê-la, dominá-la e, especialmente, não deixar que as opiniões dos outros te distraiam do seu caminho.
Fonte: Guia Ingresse

Reaprendendo a ficar com raiva




Pergunte-se: "Vale a pena?"

Acalmar a raiva não acontece naturalmente. Tenho que admitir que tenho temperamento forte. Dito isso, tenho feito progresso em aprender como expressar minha raiva. Antes de reagir, paro e pergunto-me: "Vale a pena?" 

Vale a pena se cortar depois? Vale a pena ficar com fama de passional? Vale a pena tudo que já evoluí? Vale a pena me prejudicar com minhas próprias reações?

Pergunte-se coisas assim. Mais frequentemente do que você pensa, vai ver que a resposta é "não". E quando a resposta é "não", você vai se dar conta que é mais fácil se acalmar e responder racionalmente.

Veja o lado bom.

Acredite em mim, isso não me acontece naturalmente. Na verdade, tenho que me esforçar horrores e na maioria das vezes só consigo bem depois que a situação passou, muitas vezes com a ajuda de minhas terapeutas. Leva-se muito tempo pra não se limitar a dizer o lado bom, mas também sentir. Dizer é o primeiro passo.

O lado bom é: tenho um emprego, consigo pagar a maioria de meus tratamentos e consigo comprar meus cigarros. O lado bom é que estou fazendo o que gosto, o blog e meu canal têm muitos acessos, então estou ajudando muitas pessoas, depois de tanto tempo consigo fazer o que eu gosto novamente, já estou entrando no shopping sozinha.

Como eu já disse, isso não me acontece naturalmente e provavelmente não vai acontecer com você. Não fique desencorajado, essa é uma habilidade que melhora com a prática. Estou melhor do que eu costumava ser e você vai ter progressos também. Comece dizendo o que não está errado na situação - por exemplo: se eu tiver frustrada por ter me atrasado, posso lembrar que chegarei ao destino e pelo menos tenho um lugar para ir, e não adianta querer bater em todos os carros para que o trânsito flua mais rápido. Há sempre algo, mesmo que seja um simples "Eu não me cortei/fiquei bêbada/criei expectativas loucas hoje".

Reconheça sua Raiva

Isso não significa que você tem que enfiar a raiva dentro de si e deixá-la apodrecer. Pelo contrário, o primeiro passo para aceitar a vida como ela realmente é reconhecer sua raiva. Dizer para a pessoa - ou para a situação - "Estou puto porque isso aconteceu" ou talvez algo mais educado do que isso. Seja honesto. Diga como se sente e preste atenção na sua reação. Muito frequentemente você vai perceber que há uma razão perfeitamente razoável por trás daquilo que está chateando você, ou que há um ângulo que você ainda não considerou para estudar o problema. 

Uma vez que você admita que está zangado, se pergunte o que você quer fazer com essa raiva. Já que há pouco o que se possa fazer para mudar a sittuação, podemos escolher como reagir a ela.
Eu mesma venho pro blog e escrevo. Decidi tentar canalizar minha raiva em algo produtivo - escrever/fazer ioga/fazer unhas decoradas/trabalhar. Decidi tentar não me cortar, não me embebedar.

Diga a si mesmo: só por hoje eu vou tentar pensar antes de reagir. Por hoje.

(tradução/edição livre do artigo "Relearning How to Be Angry")





28 de out. de 2013

Sobre expectativas e frustrações.




Há muito tempo atrás eu escrevi sobre frustração, que eu não sabia como lidar com elas. E para o contraponto, minhas expectativas são sempre muito altas, então pensem na combinação explosiva: as coisas geralmente não saem da maneira que eu imagino frequentemente.

Resolvi voltar ao assunto porque eu, mesmo cheia de terapia, remédios, ioga e tudo mais, caio nesse carrossel de emoções. Este final de semana saí a noite, depois de meses sem fazê-lo. Como estava com a auto-estima até razoável depois de cortar o cabelo, fui achando que ia beijar na boca. Acabou que no final os dois meninos que estavam comigo ficaram conversando com as outras duas meninas do nosso grupo e eu me sentindo a baleia orca do universo. A cabeça inclusive começa a pregar peças, das do tipo: "Eles vão me deixar em casa e depois sair de novo, pois não me aguentam." - detalhe: eram 5 da manhã.

Resultado: cheguei em casa e me cortei, pois pra mim era "o que eu merecia". Ainda por cima fiquei o domingo na cama e hoje, auto-sabotagem: não fui na ioga!

Sim, eu tenho recaídas. Beleza. O que posso fazer para tirar esta sensação do meu peito? Estou me sentindo irritada, feia e desmotivada. Fora aquela angústia básica. Vontade de fazer algo para melhorar, para ser sincera, eu não tenho. Mas preciso fazer algo. Vou trabalhar e preciso parecer gente até as 14:00.

Primeiro: o borderline tem dificuldades para voltar ao estado basal das emoções (estado basal = primeiro estado). Ou seja, fiquei mal na madrugada de sábado para domingo e até agora não voltei ao estado mais estável. Eu sei disso. Nossos mecanismos de defesa para as frustrações são prejudiciais e acabam piorando a situação. 

Tudo que fazemos é pensando nos extremos: ou eu estou uma gostosa ou estou um lixo. Saí achando que eu estava maravilhosa e como as coisas não saíram do jeito que eu queria eu automaticamente me coloquei no lugar de lixo. 

Como pensar diferente? Sinceramente minha terapeuta vai me ajudar nisso amanhã. Como sair deste estado de tristeza? Posso tentar algumas técnicas:

- Comer alguma coisa gostosa. 
- Fumar um cigarro
- Nomear 3 coisas que eu agradeço ter nesse exato instante.
- Tomar um banho beeeeem demorado.
- Postar no blog (!)
- Sorrir, mesmo sem vontade.
- Me forçar pra me maquiar pra trabalhar, mesmo achando que isso não melhora minha feiura.
- Ver esse vídeo fofo de gatos ronronando


- Todas as alternativas acima.

Vou tentar sair dessa hoje, pois sei que estas sensações são trazidas pelo borderline. E eu quero uma semana melhor!

E vocês? Alguma sugestão para que eu me sinta melhor?

20 de set. de 2013

Mindfulness: Exercício de respiração / Música Borderline: Unwell - Matchbox 20




(não faz a menor idéia do que estou falando? Leia este post aqui, aqui e este aqui.)

Respirar é algo que acontece tão automaticamente que você não tem que pensar sobre isso, seu corpo faz sozinho.

Então, pelos próximos minutos, preste atenção especial à sua respiração. Seja curioso a respeito dela: Como se sente? Você está respirando profundamente pelo diafragma ou levemente pelo peito? Está respirando rápido ou devagar? Pela boca ou pelo nariz?

Agora perceba como se sente como você respira profundamente, preste atenção enquanto você você enche os pulmões de oxigênio, preenchendo seus pulmões enquanto seu estômago se expande com ar, então expirando profundamente, notando quealquer sensação que acontece enquanto você o faz. Faça isso algumas vezes, observindo como é respirar.

Enquanto está fazendo isso, você pode começar a perceber seus pensamentos se distraindo da sua respiração. Pode começar a se perguntar qual é o propósito deste exercício, ou sua atenção pode ir para algo completamente diferente: pensar no que você vai almoçar esta tarde, por exemplo, ou se preocupar com uma apresentação que tem que fazer no trabalho. Quando isso acontecer, simplesmente perceba que sua atenção se distraiu e, sem se julgar, traga-a para sua respiração.

Este é o exercício de Atenção Plena para a Respiração: focar na respiração, prestar atenção nela no momento presente e quando sua atenção se distrair dela, gentilmente trazê-la de volta a este momento. Muitas pessoas se dão conta frequentemente que este tipo de exercício as ajuda a se sentirem mais calmas, centradas e com os pés no chão. Em outras palavras, ele ajuda a diminuir a intensidade de qualquer emoção que está presente, para que você possa pensar racionalmente.

Quando você está começando a aprender estes exercícios de respiração, algumas pessoas notaram que se sentiram mais ansiosas. Se isso acontecer com você, tente da melhor forma que puder trabalhar esta ansiedade notando o que está acontecendo com o seu corpo: "Minha respiração está pouco profunda e acelerada. Meu coração está acelerando. Estou percebendo pensamentos conflituosos". Se você sentir que isso não está funcionando, sinta-se a vontade para parar, para pessoas com ansiedade os exercícios de respiração podem ser mais difíceis e você pode perceber que precisa parar um pouco para recomeçar depois.

(Fonte: Calming the Emotional Storm - Using Dialectical Behavior Therapy Skills to Manage your Emotions & Balance Your Life - Sheri Van Dijk, MSW)

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MÚSICA BORDERLINE: Matchbox Twenty - Unwell

Adorooo!! A letra tem a ver com todo mundo que foge um pouco da "normalidade" e pra completar eles tocaram hoje no Rock in Rio!


Tradução:

Indisposto


O dia todo olhando para o teto
Fazendo amizade com as sombras na parede
A noite toda ouvindo vozes me dizendo
Que eu deveria dormir um pouco
Pois amanhã pode ser bom para alguma coisa

Espere aí
Sinto que estou prestes a ter a um ataque nervoso
E eu não sei por que

Mas eu não estou louco, só estou um pouco indisposto
Eu sei que nesse momento você não pode perceber
Mas fique por aí e talvez você veja
Um outro lado meu
Eu não estou louco, só um pouco debilitado
Eu sei que agora você não dá a minima
Mas logo você vai pensar em mim
E como eu costumava ser... eu

Eu estou falando sozinho em publico
Driblando os olhares no trem
E eu sei, eu sei que todos estão falando de mim
Eu posso ouvir os sussurros
E me faz pensar
que deve ter alguma coisa errada, comigo
E por causa de todas horas que eu fiquei pensando
De alguma forma perdi a cabeça

Mas eu não estou louco, só estou um pouco indisposto
Eu sei que nesse momento você não pode perceber
Mas fique por aí e talvez você veja
Um outro lado meu
Eu não estou louco, só um pouco debilitado
Eu sei que agora você não dá a minima
Mas logo você vai pensar em mim
E como eu costumava ser

Tenho falado durante meu sono
Logo, logo, eles virão me buscar
Sim, eles estão me levando para longe

Mas eu não estou louco, só estou um pouco indisposto
Eu sei que nesse momento você não pode perceber
Mas fique por aí e talvez você veja
Um outro lado meu
Eu não estou louco, só um pouco debilitado
Eu sei que agora você não dá a minima
Mas logo você vai pensar em mim
E como eu costumava ser
Yeah, como eu costumava ser


Link: http://www.vagalume.com.br/matchbox-20/unwell-traducao.html#ixzz2fUAnXAiD


9 de set. de 2013

Desregulação Emocional e Mindfulness - (1)




Desregulação emocional significa que você reage emocionalmente à coisas que a maioria das pessoas não reagiriam, sua reação é mais intensa do que precisava e que você leva mais tempo para se recuperar dela ou para retornar ao seu estado normal (estado basal). As pessoas que tem dificuldade em regular ou administrar suas emoções geralmente sentem dificuldade em tolerar suas emoções e muitas vezes tem problemas para identificar, compreender e expressar como se sentem.

Ela não é incomum. Geralmente anda de mãos dadas com problemas da saúde mental, como o transtorno de personalidade borderline ou transtornos de humor e de ansiedade, mas pode também estar presente em pessoas sem nenhum transtorno específico. Dificuldades em regular suas emoções podem levar a problemas variados em sua vida. Tentar evitar ou tolerá-las podem te levar a se engajar em comportamentos doentios, como beber ou usar drogas, alimentação desregrada, jogos de azar, gastar demais ou práticas sexuais perigosas (como ter relações sexuais com estranhos). A lista continua indefinidamente.

Além disso, seus relacionamentos e sua auto-estima podem sofrer, como resultado de sua inabilidade para gerenciar suas emoções ou dos comportamentos doentios que acabei de mencionar.

O que causa a desregulação emocional?

Infelizmente, quando falamos sobre doenças mentais, há muito que ainda não sabemos. A teoria que prevalece é que não existe uma causa única. É preciso uma predisposição genética ou biológica, juntamente com certos fatores ambientais, para um transtorno em particular se desenvolver.

Com a desregulação emocional não é diferente. Existem evidências que a forma que experienciamos as emoções está conectada dentro de nós, algumas pessoas simplesmente nascem mais sensíveis emocionalmente que outras. 

Mas nosso ambiente também tem um papel importante no desenvolvimento da desregulação emocional, e trauma é um fator em comum para pessoas que tem problemas administrando suas emoções: ter sido abusado fisicamente ou sexualmente ou ter sido negligenciado quando criança, por exemplo. De acordo com a terapia comportamental dialética, um dos fatores que mais contribui para a desregulação emocional é ter crescido em um ambiente de invalidação, onde você foi ensinado que suas emoções estavam erradas ou inapropriadas.

O que é Mindfulness?

Nós vivemos nossas vidas muito no piloto automático, seguindo sem saber muito bem o que estamos fazendo. Você não tem momentos de sua vida em que você gostaria de ter estado mais presente, ao invés de estar com a cabeça no que aconteceu antes ou no futuro? Consegue se lembrar momentos em você estava tão imerso em suas preocupações, sua raiva ou outros sentimentos que perdeu o que estava acontecendo no presente? Isso é estar sem consciência, sem atenção, ou Mindless.

Mindfulness (atenção/consciência) é definido como o ato de prestar atenção propositalmente no momento presente, sem julgamento (Kabat-Zinn 1994). Em outras palavras é estar consciente intencionalmente do momento presente e, ao invés de julgar o que quer que encontre nele, permitir-se se voltar para a experiência.

Focando no momento presente, mindfulness te ajuda a treinar sua mente a controlar para onde sua atenção vai ao invés de deixar sua mente te controlar. Ela não é uma coisa nova. Tem sido praticada no mundo oriental por milhares de anos como forma de meditação é uma parte bem conhecida de práticas espirituais como o Zen-Budismo. 

Inclusive, viver uma vida com mais "atenção" pode aumentar sua alegria pela vida, sua habilidade de lidar com doenças, reduzir o stress, a ansiedade, insônia e melhorar seu sistema imunológico. (Harvard Women's Health Watch 2004). Além disso, ela geralmente traz uma maior consciência de si mesmo, aumenta sua habilidade de tolerar pensamentos perturbadores e ativa o cortex esquerdo pré-frontal, uma parte do seu cérebro que está conectada a experienciar felicidade e otimismo.

O Minfulness ajuda na regulação emocional porque aumenta sua consciência de si mesmo e praticando ele por um tempo te ajudará a escolher como responder a uma situação ao invés de simplesmente reagir quando situações estressantes e emoções dolorosas ocorrem.

(fonte: Calming the Emotional Storm - Sheri Van Dijk, MSW)

....................

* Não estou mal, mas também não estou 100%. Mas resolvi seguir com uma idéia da lista de e-mails da My Dialectical Life e farei essa semana uma "semana da felicidade". Não precisa ser aquele conceito utópico de estado profundo de contentamento, mas queria passar a semana falando de jeitos de ficar bem, nem que seja naquele momento. Por isso comecei esta série de posts sobre Mindfulness. Vou postar uns exercícios, umas dicas, vale a pena tentar e não te custa nada, e o máximo que pode te acontecer é ficar relaxado... :)

Uma semana linda para vocês!





26 de ago. de 2013

Música Borderline: Rumour Has It - Adele


* Rá. Espírito Adele hoje, DI-VA maravilhosa. Essa música arrasa e não tem a mensagem "você me deixou e eu vou morrer."

RUMOUR HAS IT 




Dizem Por Aí

Ela, ela não é real,
Ela não vai ser capaz de te amar como eu irei,
Ela é uma estranha,
Você e eu temos história,
Ou você não se lembra?
Claro, ela tem tudo,
Mas, querido, isso é realmente o que você quer?

Abençoe sua alma, você tem sua cabeça nas nuvens,
Ela te fez de tolo,
E, garoto, ela está te deixando para baixo,
Ela fez seu coração derreter,
Mas você está frio até sua alma
Agora dizem por aí que ela não tem mais o seu amor

Dizem por aí (8x)

Ela tem metade da sua idade,
Mas eu acho que essa é a razão pela qual você ficou,
Ouvi dizer que você tem sentido minha falta,
Você tem dito coisas ás pessoas que não deveria
Como quando nos arrastamos e ela não está por perto,
Você não ouviu os rumores?

Abençoe sua alma, você tem, você está com cabeça nas nuvens,
Você me fez de tola
E, garoto, você está me deixando para baixo,
Você fez meu coração derreter, mas eu estou com frio até a alma,
Mas dizem por aí que eu sou aquela por quem você a está deixando

Dizem por aí (8x)

Todas estas palavras sussurradas em meu ouvido,
Conte uma história que eu não suporto ouvir,
Só porque eu disse isso, não quer dizer que eu quis dizê-lo,
As pessoas dizem coisas malucas,
Só porque eu disse isso, não significa que eu quis dizê-lo,
Só porque você ouviu,

Dizem por aí... (repete)

Mas dizem por aí que ele é aquele por quem eu estou deixando você

.............................

* Tô legendando um documentário novo sobre o Borderline pra vocês, galera. Tá dando trabalho, mas vai valer a pena. Meu muito obrigada à Val, parceira pra me ajudar a terminar esta tarefa. Lindona, você não faz idéia do quanto é importante!! (my preshious... aiuheiauheiuhae)


Ah! Não se esqueçam: Vocês podem SIM criar uma vida que vale a pena ser vivida!!

Uma palavrinha rápida pra todo mundo:


Férias!


Não se esqueçam que esta é a última semana para concorrer ao livro "Pare de Pisar em Ovos" que o blog tá sorteando junto com a editora Fontanar. Regras na página SORTEIO!



24 de ago. de 2013

Novo filme de Hollywood mostra personagem com o Transtorno de Personalidade Borderline




Hollywood está fazendo outra tentativa em trazer o TPB para os holofotes com um novo filme estrelado por Kristen Wiig (estrela de "Missão Madrinha de Casamento")

Em "Welcome to Me", Wiig é Alice, que sofre do Transtorno de Personalidade Borderline. Depois de ganhar ma loteria, Alice gasta todo seu dinheiro fazendo um talk-show sobre si mesma num canal de TV a cabo. Sua obsessão pela fama e personalidade arrogante acaba por levá-la a se alienar dos amigos e da família.

O filme, que acabou de começar a ser produzido e está programado para ser lançado em 2014, também conta com James Marsden, Joan Cusack, Wes Bentley, Linda Cardellini, Jennifer Jason Leigh, Tim Robbins e Alan Tudyk.

Ele é caracterizado como comédia dramática, e ainda está se aguardando para ver como os sintomas do TPB serão retradados no filme. Há a esperança que ele seja mais preciso ao mostrar alguém com o transtorno do que os filmes anteriores, como "Atração Fatal" ou "Mulher Solteira Procura", que retratavam mulheres border como vingativas e assassinas.

E vocês? Como se sentem tendo borders como personagens de filmes? 


....................................

* Gente, morri quando li que a louca do Atração Fatal era border. Sério que não dá pra colocar ninguém menos fora da casinha nos retratando em um filme?

Surpresas a parte, resolvi postar essa nota curtinha hoje porque estava meio preguiçosa. Tudo bem que me rendeu assunto para mais dois posts (um deles ainda sobre filmes) que colocarei no decorrer da semana.

Mas hoje resolvi falar rapidinho sobre uma coisa que eu tava conversando com uma amiga do Face. Eu fiz um pavê escândalo hoje e ela me sugeriu colocar a receita no blog, pois as vezes é legal tratar de coisas leves. Por que não? Inclusive a razão de eu decidir cozinhar hoje foi por não estar muito bem. Não sei porque diabos o desgraçado do C., meu ex, está na minha cabeça mais frequentemente há uns dois dias. Não tem motivo mesmo, porque duvido que ele estivesse me dando muita força nessa minha recuperação da cirurgia. Mas enfim. Bate a vontade de se cortar (estou a mais de um mês sem fazer isso, yay!!), de beber, de mandar mensagem, enfim, toda sorte de cagadas. Então pra não ficar remoendo isso na cabeça resolvi cozinhar algo bem gostoso. Pensei em não postar, mas me forcei porque sei que me faz bem. Acendi um incenso de Lótus, aproveitei que outro colega tava postando umas músicas do Evanescence no Facebook, coloquei elas pra tocar e pronto.

Por que estou falando isso? Porque estas são pequenas coisas que você pode fazer pra fugir do perigo, da lâmina, do álcool. É difícil. A cama chama você, a melancolia é tentadora mas... não. 

Eu pergunto, alguém com outras idéias pra afastar a gente dos pensamentos perigosos?

E claro, receitinha do pavê que eu fiz. Gente, fácil, rápido, prático e enlouquecedoramente bom. Cozinhar também é terapia!



PAVÊ DE MORANGO (eu não achei morango, fiz com manga)

INGREDIENTES:

1 pacote de bolacha maizena ou bolacha champagne
1 lata de leite condensado
1 caixinha de creme de leite
1 lata de leite comum
2 gemas peneiradas
1 colher de sopa de farinha de trigo ou maisena
2 xícaras de chá de morango
1 colher de chá de baunilha
Morango e chantilly para decorar

MODO DE FAZER

Em uma panela, coloque o leite condensado, o leite (reserve um pouco para dissolver o trigo), as gemas peneiradas levemente batidas, a baunilha e a farinha misturada no leite reservado
Mexa até engrossar (engrossou em 15 minutinhos, mas não pode parar de mexer)
Desligue o fogo e junte o creme de leite com o soro
Se necessário, bata o creme no liquidificador para desmanchar possíveis bolinhas que se formam no creme
Em um refratário, coloque na seguinte ordem uma camada de bolacha (passe as bolachas no leite com açúcar rapidamente), uma camada de morangos picados, metade do creme
Repita as camadas terminando com o creme
Decore a seu gosto, com morangos e chantilly

(link)


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Com mais de 500 mil exemplares vendidos somente nos EUA, "Pare de pisar em ovos" lida com um tema marcante nos dias atuais: o transtorno de personalidade borderline (TPB). Este livro busca entender este transtorno destrutivo, estabelecer limites e incentivar amigos ou familiares com o transtorno a deixar de lado comportamentos perigosos. Ele discute as últimas pesquisas sobre um problema caracterizado pelo limite das emoções e apresenta técnicas de comunicação e estratégias de enfrentamento para que o leitor possa equilibrar seu relacionamento com um borderline.

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22 de ago. de 2013

Os sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline diminuem com a idade?




Você deve estar se perguntando se seus sintomas do TPB vão ser sempre tão intensos quanto eles são agora. Estudos mostraram que, a medida que as pessoas que sofrem com o transtorno ficam mais velhas, é provável que alguns de seus sintomas se tornem menos severos.

Um estudo de 2007 feito por uma equipe de Harvard descobriu que 12 dos 24 sintomas do TPB nos participantes da pesquisa foram reduzidos significativamente em um período de 10 anos. Cada pessoa foi contatada e entrevistada pela equipe de dois em dois anos a partir do momento em que entraram no estudo.

Os 24 sintomas do transtorno de personalidade borderline que focados foram divididos em duas categorias de 12:  agudos e crônicos.

Sintomas agudos:

Os sintomas "agudos" do TPB são definidos como os mais severos porém de menos duração. São eles:

Pensamentos quase psicóticos
Abuso de substâncias / Dependência
Desvio sexual (principalmente promiscuidade)
Auto-mutilação
Esforços manipulativos de suicídio
Relacionamentos tempestuosos
Desvalorização / Manipulação / Sadismo
Exigências / Exagero
Regressões no tratamento
Problemas de contra-transferências / Relacionamentos de tratamentos "especiais"
Instabilidade afetiva
Sérios distúrbios de identidade

Sintomas crônicos:

Os sintomas crônicos do TPB são definidos como os de longa duração ou frequência recorrente. São eles:

Sentimentos crônicos de depressão
Desamparo / Desespero / Sentimento de inutilidade / Culpa
Raiva
Ansiedade
Loneliness/emptiness
Pensamento preto-e-branco / Idéias super valorizadas ou despersonalização
Paranóia não-delirante
Impusividade (compulsão alimentar, gastos escessivos, direção imprópria)
Intolerância à solidão
Problemas com abandono / aniquilação
Contra dependência / conflitos sérios com a ajuda e o cuidado
Dependência / Masoquismo

Dos 290 participantes do estudo (que se enquadravam no critério do DSM-IV para o transtorno de personalidade borderline), menos de 15% ainda mostravam sinais de certos sintomas reportados depois de um período de 10 anos. Os sintomas que mostraram maior diminuição foram aqueles denominados agudos.

Teorias para a diminuição dos sintomas do TPB:

Apesar de poder atribuir a diminuição dos sintomas do TPB a medida que vai se ficando mais velho à terapia e ao tratamento, não há respostas definitivas sobre o porquê de alguns deles permanecerem enquanto outros decaem. Algumas teorias sobre as razões para que o borderline suavize com a idade são interessantes de se analisar: 

Há a idéia de que a idade em si contribua para a diminuição de certos sintomas do TPB. Os borders simplesmente se engajam em comportamentos menos impulsivos a medida que vão ficando mais velhos

Aprender sobre o Transtorno de Personalidade Borderline pela terapia é outra razão óbvia que certos sintomas diminuem. Todavia até mesmo pessoas que sofrem com o TPB que nunca procuraram tratamento podem simplesmente compreender com o tempo como lidar com seus sintomas de uma melhor forma a fim de evitar alguns dos problemas que encontraram ao longo dos anos como resultado de seu comportamento borderline.

Evitar relacionamentos interpessoais pode ser resultado após anos de lutas, conflitos e crises. Os sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline diminuem quando os borders se engajam menos em relacionamentos com outros a fim de evitar problemas.

Existem fortes evidências para apoiar a idéia de que os sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline reduzem-se naturalmente ao longo dos anos conforme as pessoas ficam mais velhas. Porém, não há substituto para o tratamento correto do TPB e ele ainda é a única e melhor chance para que aqueles sofrendo desse transtornos administrem e reduzam seus sintomas.

(tradução livre do artigo: Do Borderline Personality Disorder Symptoms Decrease With Age?)

...........................

* Esse artigo me deu mais um gás para continuar tentando. Apesar de ter sido diagnosticada muito tarde, agora que estou no caminho certo, posso chegar sim a pensar em uma vida plena e saudável. Que, gente, não é perfeita. Conformar-se NÃO É A RESPOSTA. Dizer "não há melhora e pronto" não ajuda ninguém. O que temos que compartilhar são mensagens de otimismo, de força! Vocês acham mesmo que eu sou assim, sempre alegre, otimista e tal? Não! Eu tenho meus momentos de desespero, de sofrimento, de impotência, mas estou escolhendo lutar por mim. Porque quero aprender que valho a pena.

Então este texto pra mim foi mais um motivo pra continuar. É difícil, mas eu quero sim uma vida que valha a pena ser vivida.

E você?

Ah!! Fiz mais um podcast curtinho, menos de dois minutos, com uma dica legal pra redirecionar os pensamentos quando estamos nos sentindo pra baixo. Só apertar o play!





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Com mais de 500 mil exemplares vendidos somente nos EUA, "Pare de pisar em ovos" lida com um tema marcante nos dias atuais: o transtorno de personalidade borderline (TPB). Este livro busca entender este transtorno destrutivo, estabelecer limites e incentivar amigos ou familiares com o transtorno a deixar de lado comportamentos perigosos. Ele discute as últimas pesquisas sobre um problema caracterizado pelo limite das emoções e apresenta técnicas de comunicação e estratégias de enfrentamento para que o leitor possa equilibrar seu relacionamento com um borderline.

O Blog Borderline-Girl está sorteando, em parceria com a Editora Fontanar, dois exemplares deste livro. Para concorrer basta seguir estes passos:

- Curtir a página da Editora Fontanar e o Vivendo a Vida com Borderline


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