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27 de jul. de 2013

Ódio: Minha 'Raiva Borderline'




Um dos piores mitos estigmatizantes sobre TPB é que somos perigosos devido aos nossos problemas com a raiva. Agora, eu não estou negando que os problemas de controle de raiva são um fator-chave para o diagnóstico de TPB ou dizer que não temos problemas de raiva exacerbada, sendo que este é na verdade um critério para o diagnóstico. A raiva é tão intensa que é muitas vezes referida como "raiva borderline."

Raiva Borderline: Atitudes impróprias, ódio exacerbado, violência, pensamentos extremistas, atitudes sarcásticas, gritos, urros, socos, agressões verbais (geralmente de baixo calão), raiva intensa ou dificuldade em controlá-la muitas vezes por motivos pequenos ou imaginários, exibindo freqüentes reações de mau humor, raiva constante, lutas corporais recorrentes, quebram objetos e/ou agredindo pessoas física ou verbalmente. Muitas vezes interiorizada e levada a agressão de si mesmo.

A raiva não é um sentimento restrito a portadores de TPB, existem muitas pessoas mal humoradas e com explosões de raiva, e também existem Borderlines que não tem um melhor controle das explosões de fúria. Todos ficamos com raiva às vezes, e sim como acontece com qualquer outra pessoa que fica com raiva, há uma chance de que a raiva possa ser física contra outra pessoa. Alguns Borderlines são violentos, mas não mais do que o resto da população, a proporção de Borders violentos é menor que de pessoas violentas sem trastorno. Também foi feito um estudo que descobriu que portadores de TPB tem uma raiva que além de mais intensa também é mais duradoura, por isso é mais evidente.

A realidade de raiva e Borderline é que ele está intimamente ligado a um outro dos critérios: a automutilação. A razão para isto é que a maioria dos Borders estão com tanto medo de extravassar a raiva que eles estão sentindo que acabam lutando para prende-la dentro de si, então naturalmente se agridem de diversas formas, raramente não é cogitada essa tentativa. É neste sentido interior da raiva que distinguimos os portadores de  TPB dos portadores de Transtorno de Personalidade anti-social (TPAS) por exemplo, outro transtorno de personalidade caracterizado por comportamento anti-social e raiva direcionada aos outros, ao ponto de um maior risco de violência para com os outros. Em resumo: os Borderlines tendem a canalizar esta raiva dentro de si se autoagredindo e os anti-sociais em outros, botando a raiva em forma de agressão a outros indivíduos.

Voltando para o TPB, muitas das pessoas com este transtorno vão relatar ter testemunhado cenas ou ter vivido momentos, sendo eles vítimas de expressões violentas, abusivas, raiva de si mesmos, seja quando crianças ou ao entrar na idade adulta. Vivenciar essas coisas em primeira mão, testemunhando/sentindo o dano e devastação de raiva expressa fisicamente, pode ter vários efeitos sobre a pessoa e para a maioria dos Borderlines, o efeito é que tememos a raiva, a ponto de temer expressá-la, evitando deixar sua raiva a todo custo. Nós tememos o efeito e o dano que nossa raiva causaria aos outros (porque a vontade geralmente é sempre de matar, quebrar, dilacerar), é como se tomássemos o veneno que desejamos dar para alguém por medo do que causaríamos.


Darei alguns exemplos de minha própria vida ...

Brigas na escola e ofensas a professores e outros colegas era algo normal para mim e minha família, não havia colégio que eu estudei que não deixei marcas de sangue e muitos xingamentos ecoando paredes...
Dentro de casa eu era como um menino, falava alto gritava palavrões e chutava móveis quebrava brinquedos com raiva, as portas... ah as portas.. coitadas.
Lembro que também desde muito cedo eu me agredia quando estava mal humorada, raivosa ou contrariada, eu só não sabia o porque mas era algo que meu cérebro já buscava como uma autodefesa imposta, e mesmo com essas tentativas de controle ainda existiam muitos descontroles.
Tive muitas chances de ser presa por depredar lugares agredir pessoas ou praticar coisas para aliviar a raiva que eram proibidas drogas por exemplo (que por sinal é também uma forma de automutilação).
Quando tive meu primeiro relacionamento não faltou agressões (de minha parte) pra cima dele, ninguém escapa do meu ódio, tudo vira motivo, um comentário, um olhar uma insinuação... Mesmo hoje aos 23 anos ainda sinto isso cada vez mais forte, mas de contraponto tenho aprendido mais maneiras de controlá-la.