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29 de dez. de 2014
Até 20% dos adolescentes e adultos jovens já experimentaram a automutilação
Postado por
Nathalia Musa
Associação Americana de Psiquiatria estuda considerar o comportamento como transtorno psiquiátrico
Carolina Cotta - Estado de Minas
Publicação:10/12/2014
"...eu estava me apunhalando, realmente me atacando com a chave de fenda e aquela dor física que eu estava causando foi melhor que qualquer droga que o hospital tinha. Estava fazendo todo o resto ir embora.A dor, a dor física, estava fluindo pelas minhas veias como heroína, e eu estava entorpecida, imune a todo o resto. Eu não pude sentir nada além de dor, e eu sabia que eu tinha achado um jeito de me salvar" - Trecho do livro Willow, de Julia Hoban
“Não lembro da primeira vez que me cortei, mas eu sentia uma angústia muito grande e não sabia como lidar com aquilo. Em algum momento, comecei a me arranhar e depois a me cortar. Nunca foi algo para chamar atenção, eu escondia. Também não sentia dor, mas aliviava meu sofrimento.” As lembranças de adolescência da bióloga Carolina Costa, hoje com 25 anos, ilustram a triste realidade das pessoas que se automutilam para enfrentar sentimentos com os quais não conseguem mais lidar. Não existem estudos epidemiológicos no Brasil sobre a incidência de autolesão, mas pesquisas feitas no exterior mostram que a prática vem crescendo nos últimos anos. Dados mundiais, considerando apenas adolescentes e adultos jovens, mostram que de 17% a 20% já tiveram, em algum momento da vida, tal comportamento.
Segundo a psiquiatra da infância e da adolescência Jackeline Giusti, responsável pelo ambulatório de adolescente e automutilação do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, o DSM-5, a automutilação é classificada como transtorno psiquiátrico com necessidade de estudos futuros. “Há uma tendência em considerar esse comportamento como um transtorno psiquiátrico por si só, e não mais como comportamento relacionado a outros problemas”, adianta a especialista. Já na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), ela é tida como transtorno do controle do impulso não específico, ou como um dos sintomas de transtornos de personalidade como o borderline.
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), classificado pelo psicanalista Adolph Stern como uma patologia entre a neurose e a psicose que gera uma disfunção no metabolismo cerebral, desintegrando o ego e gerando um sentimento de perda desesperador, é o caso da personagem de Débora Falabella na minissérie Dupla identidade, da Globo. Na trama, a produtora de moda Ray arranha os braços até sangrar muito quando o namorado Edu, o psicopata serial killer vivido por Bruno Gagliasso, some.
Por outro lado, segundo Giusti, há a tendência de desvincular a automutilação de transtornos de personalidade, como o borderline. “Transtorno de personalidade não tem muito tratamento, seu controle não é algo direto. Tem muito paciente que se automutila e não é borderline. Primeiro, porque adolescente nao tem transtorno de personalidade, porque sua personalidade ainda não está formada. Tem, no máximo, traços”, explica.
A automutilação geralmente começa na adolescência e é mais comum nessa faixa etária, mas pode se prolongar até a vida adulta. Um estudo australiano acompanhou, por oito anos, pessoas que começaram a se automutilar ainda jovens e revelou que sintomas depressivos e suporte familiar fraco seriam fatores determinantes dessa persistência do comportamento. O auto-flagelo na adolescência é tema do recém-lançado livro Willow (Editora LeYa), da norte-americana Julia Hoban. Voltado para o público infanto-juvenil, o romance conta a história da personagem que dá nome ao livro, que começa a se cortar para se livrar do sofrimento e da culpa de ter causado a morte dos pais, que faleceram em um acidente de carro em que ela dirigia.
O PANO DE FUNDO
A pessoa que se automutila, com frequência, refere-se a uma tensão anterior. Segundo a psiquiatra Jackeline Giusti, o ato de se machucar, se morder, se bater – o mais comum é se cortar e se queimar – dá um alívio a quem o pratica. Isso porque o corte, ou qualquer outra lesão no corpo, libera endorfina, mesmo hormônio que dá sensação de bem estar após o exercício aeróbico, por exemplo. Alguns estudos sugerem que quem se automutila liberaria, em função do estresse que antecede o ato, uma quantidade maior do hormônio que outras pessoas. Outra hipótese é a de que uma pré-disposição genética poderia estar relacionada a uma maior liberação de endorfina, o que provocaria uma sensação de bem-estar e não de dor.
Carolina Costa começou a se cortar aos 12 anos. Naquela época, em função da profissão da mãe, se mudava várias vezes de cidade ou de escola, o que, para ela, foi determinante para se tornar retraída e tímida. “As mudanças trouxeram muitos problemas. Não criava raiz, não criava vínculos, não tinha muitos amigos para compartilhar questões mais pessoais”, lembra. Discussões na família ou mesmo uma cena vista na televisão que a entristeciam começaram a ser gatilhos para o ato de se arranhar e depois experimentar cortes mais elaborados, com tesoura, compasso e lapiseira, até passar para a faca. “Não tinha muito padrão. Algumas vezes, os cortes eram mais profundos; em outras, mais superficiais. Dependia da angústia que eu sentia. A maioria das vezes, fazia cortes rápidos e repetitivos no mesmo lugar. E eu não sentia dor”, lembra.
A preocupação com a ansiedade de Carolina fez a mãe levá-la a um médico ortomolecular, que pediu para ficar sozinho com a adolescente, na época com 14 anos. “Aquilo me deu confiança para contar da angústia que eu sentia e com a qual não sabia lidar.” O acolhimento do especialista foi marcante para a paciente, que se lembra de ele explicar que pessoas depressivas como ela, e com transtorno de ansiedade, seriam mais sensíveis e intolerantes a injustiças, que não conseguiam ser superficiais. Segundo Giusti, é comum que a automutilação esteja mesmo associada a depressão e ansiedade, daí a terapia ser essencial na abordagem do problema. Carolina parou de se cortar com 17 anos, mas se tratou até os 19 anos. Diminuiu a frequência da automutilação desde que começou a fazer a terapia e a se medicar.
Segundo Fátima Vasconcellos, diretora médica do Hospital Geral da Santa Casa do Rio de Janeiro, o tratamento é com terapia cognitivo-comportamental e medicamentos antidepressivos, como inibidores seletivos de recaptação de serotonina. “É fundamental que as pessoas reconheçam que isso é uma doença e, principalmente, que é tratável”, alerta. Para a especialista, os pais devem ficar atentos para levar os filhos a um especialista se desconfiarem de uma automutilação. Também é preciso observar as comunidades das redes sociais que dão apoio a esses adolescentes, mas também trocam experiências de como se mutilar. “Infelizmente, a internet é uma extraordinária ferramenta tanto para o bem quanto para o mal. Sempre tem pessoas estimulando comportamentos autodestrutivos, inclusive orientado como fazê-lo de forma mais eficiente”, chama a atenção Fátima.
A forma como esse problema é abordado pelos adultos é muito importante. Educadores que desconfiarem do comportamento em alguma criança ou adolescente devem procurar os responsáveis. Segundo Giusti, é a oportunidade de saber se a família está enfrentando algum problema em casa que possa estar desencadeando o comportamento. Mas o mais importante é não reforçar o estigma de que o paciente faz aquilo para chamar a atenção, porque geralmente ele faz escondido, mesmo que em um segundo momento possa usar aquilo para manipular os pais. “Se o pais descobrirem que seu filho está se cortando, a regra é básica: olhe para ele como se ele estivesse chorando e pergunte o motivo do sofrimento. O problema não é o corte. Ninguém feliz se corta. É preciso descobrir o sentimento que está por trás daquilo”, alerta a psiquiatra.
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29 de out. de 2014
Como a Neurociência explica a automutilação. (parte 3)
Postado por
Nathalia Musa
(essa é uma reportagem longa que saiu agora em outubro sobre a automutilação, que estou traduzindo aos poucos e publicando - pra ler do início, coisa que eu sugiro que façam, segue: parte 1 , parte 2)
Lader primeiro começou a estudar e tratar a auto-lesão no início de 1980, depois que seu colega Karen Conterio começou a ver sinais de mais e mais mulheres a auto-flagelando em seu trabalho ambulatorial para abuso de substâncias. Nenhuma destas mulheres mostraram sinais de distúrbios psicóticos ou de personalidade, nem estavam se cortando ou queimando-se com intenção de suicídio. Conterio pensou que estava vendo apenas a ponta do iceberg, e por isso ela colocou um anúncio no jornal Chicago Tribune em 1984, pedindo para ouvir aqueles que se machucavam regularmente sem a intenção de cometer suicídio. Foi uma enxurrada de cartas, e de repente as pessoas começaram a falar sobre auto-lesão. O seu surgimento como um fenômeno da cultura pop levou a uma aparição no programa de TV Phil Donahue em 1985 com várias mulheres que se auto machucavam.
Em 1986, Lader e Conterio fundaram o que se tornaria a SAFE Alternatives(Self-Abuse Finally Ends - o auto-abuso finalmente termina ) , a primeira instalação residencial do mundo especificamente para tratar as mulheres que se automutilavam, localizada nos arredores de St Louis. Psicólogos acreditavam que Lader e Conterio estavam vendo um subconjunto raro da população, e que as psiquês dessas mulheres estavam tão irremediavelmente marcadas quanto seus corpos. Lader não estava convencido. "Eram pessoas incríveis, brilhantes, inteligentes jovens que tinham tanta promessa, só que foram consumidas por pensamentos de se machucarem", Lader me disse.
Embora outros duvidassem, Lader também acreditava que automutilação era muito mais comum do que se pensava. A prova finalmente chegou em 2002 a partir de Nancy Heath, uma psicóloga da Universidade McGill, no Canadá, e sua aluna de doutorado, Shana Ross. Em uma escola local, Ross estava conversando regularmente com os adolescentes, que expressavam preocupação com a sua própria prática de automutilação ou de um amigo. Quando ela quis tornar este o foco de sua dissertação, Heath tentou convencê-la do contrário.
"Eu disse a ela que ela nunca iria encontrar número suficiente de pessoas que se automutilavam para obter os dados para uma tese," Heath disse. "Eu finalmente concordei em deixá-la tentar."
Os resultados preliminares de Ross indicaram que mais de um em cada cinco jovens praticaram a auto-lesão pelo menos uma vez. Isto chocou tanto Heath e o resto da comissão de dissertação que eles achavam que os alunos do ensino médio tinha entendido mal a pergunta. Então, Ross voltou para a prancheta, fazendo entrevistas com mais profundidade com os que haviam relatado a auto-lesão e descartou todos os resultados com uma uma leve incoerência. Os percentuais caíram, mas Ross ainda ficou com um atordoante e elevado número de adolescentes que relataram a auto-mutilação: 13,9 por cento.
Não muito tempo depois que o estudo de Ross e Heath apareceu no Journal of Youth and Adolescence (Jornal da Juventude e Adolescência), Janis Whitlock, uma psicóloga da Universidade de Cornell, publicou um estudo de auto-agressão entre 5.000 estudantes de várias universidades da Ivy League. Seus resultados mostraram números igualmente elevados de jovens que tinham se machucado: 20 por cento das mulheres e 14 por cento dos homens disseram que tinham se auto-ferido pelo menos uma vez.
"Eu estava chocada. Todo mundo estava achando taxas muito altas ", me disse Whitlock. "A questão parecia vir do nada."
O que foi inovador nesses dois estudos não foram apenas os altos índices para a auto-lesão, mas que estes eram populações da comunidade, e não de pessoas internadas por problemas psiquiátricos. Eram as pessoas que se sentavam do seu lado na sala de aula e ficavam na fila do supermercado.
continua...
(tradução livre/edição da reportagem: "Why self-harm?")
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26 de out. de 2014
Como a Neurociência explica a automutilação. (parte 2)
Postado por
Nathalia Musa
(perdeu a primeira parte desta reportagem? Vá aqui.)
O sangue é uma força poderosa. Falamos de laços de sangue e terra que foi consagrada pelo sangue. Nós derramamos sangue para curar doenças e para apaziguar os deuses. Disputas de longa data entre grupos de pessoas tornam-se feudos de sangue. Sangue- e as lesões sofridas para obtê-lo - tem sido por muito tempo um símbolo de guerra e religião. Cristãos bebem vinho durante a Santa Ceia, que representa o sangue de Cristo, que foi derramado para redimir nossos pecados. Sacerdotes maias abriram suas próprias veias para um sacrifício de sangue para suas divindades.
A auto-mutilação é tão antiga quanto. O historiador Heródoto escreve sobre o primeiro rei Cleómenes de Esparta, que enlouqueceu e foi colocado no tronco, no quinto século a.C:
"Enquanto ele estava lá, percebeu que todos os seus guardas o deixaram, exceto um. Ele pediu a este homem, que era um servo, para emprestar-lhe a faca. No início, o companheiro recusou, mas Cleómenes, por ameaças de que ele faria com ele quando ele recuperasse a liberdade, o assustou tanto que ele finalmente consentiu. Assim que a faca estava em suas mãos, Cleomenes começou a mutilar-se a partir de suas canelas. Ele cortou sua carne em tiras, trabalhando para cima em direção a suas coxas, quadris e lados até que alcançou sua barriga, que ele cortou em picadinhos.
Os primeiros relatos clínicos de que hoje seria reconhecido como auto-lesão apareceram no final de 1800, em Anomalias e Curiosidades da Medicina (1896) pelos médicos americanos George Gould e Walter Pyle. Eles escrevem sobre "meninas de agulha", as jovens mulheres que repetidamente feriam-se através da inserção de agulhas de costura e pinos em sua pele, desta forma cortando-se. Eles resumem o caso de uma mulher de 30 anos de idade, de Nova York assim:
Em 25 de setembro ela cortou o pulso esquerdo e mão direita; em três semanas ela se mostrou novamente desanimada porque não quiseram lhe dar ópio, e novamente cortou os braços abaixo dos cotovelos, cortando a pele e fáscia, machucando completamente os músculos em todas as direções. Seis semanas depois, ela repetiu a façanha em cima das cicatrizes recentemente curadas [marcas de corte] ... Cinco semanas após a convalescença, durante os quais sua conduta foi exemplar, ela voltou a cortar os braços no mesmo lugar. Em abril do ano seguinte, por motivos banais, ela novamente repetiu a mutilação, mas desta vez deixando pedaços de vidro nas feridas. Seis meses depois, ela infligiu-se uma ferida de sete centímetros de comprimento, na qual ela inseriu 30 peças de vidro, sete lascas longas e cinco pregos de sapato. Em junho de 1877, ela cortou-se pela última vez. Os artigos a seguir foram retiradas de seus braços e preservados: 94 pedaços de vidro, 34 lascas, duas tachas, cinco pregos de sapato, um pin e uma agulha, além de outras coisas que se perderam - fazendo no total cerca de 150 artigos.
Gould e Pyle classificaram esta automutilação ritualística como uma forma de histeria, e as mulheres que se faziam como enganadoras e em busca de atenção. De fato, até o início de 2000, a maior parte da literatura clínica classificava a auto-lesão com transtornos psiquiátricos mais graves, como psicose e transtorno de personalidade borderline, um estado de caos interno e instabilidade, especialmente quando relacionamentos estavam envolvidos.
"Algumas mulheres que se machucavam eram hospitalizados cada vez que se cortavam, o que poderia ser centenas de vezes ao longo de sua vida. Elas essencialmente viviam nos hospitais ", disse Wendy Lader, o diretor clínico de um programa de auto-abuso EUA e um dos primeiros psicólogos a tratar a automutilação. "As pessoas achavam que eu era louco, quando eu disse que muitas dessas pessoas poderiam ser tratadas ambulatorialmente, porque eles não eram necessariamente suicidas."
continua...
(tradução livre e edição desta reportagem: "Why Self-harm?")
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17 de out. de 2014
Como a Neurociência explica a automutilação (parte 1)
Postado por
Nathalia Musa
Isso é o que eu me lembro sobre a primeira vez que eu me cortei: eu estava com muita raiva. Como escritora, queria poder vir com algo mais literário, tais como: "Os cortes forneceram uma rota através da minha pele para que as emoções escapassem." Ou talvez: "Eu o fiz para traduzir a dor emocional em dor física." ou ainda, talvez: "Eu gravei meu sofrimento em minha pele, tumulto em larga escala para todo o mundo ver".
Estas são, de certa forma, verdade. Mas isso não é o que eu estava pensando na primeira vez que peguei uma tesoura e cortei as minhas coxas. Principalmente, eu estava muito p. da vida.
Eu tinha discutido com minha mãe sobre algo tão banal que já há muito desapareceu da memória. E, em um acesso de fúria adolescente, eu voei pro meu quarto e bati a porta. Cega de raiva, eu peguei uma tesoura e a virei na minha mão. A próxima coisa que eu tenho consciência é que eu estava olhando para pequenas pérolas de sangue na minha perna. A névoa de raiva tinha desaparecido.
Eu rapidamente cuidei do ferimento, um tanto envergonhada. A tesoura eram velha e as lâminas estavam meio cegas, então eu tinha feito mínimo dano físico . Naquela época ou agora eu não poderia explicar o que tinha acontecido comigo. Eu jurei para nunca mais fazer isso de novo. Em duas semanas, eu tinha quebrado essa jura.
Ao longo dos anos, eu tentei explicar a automutilação aos meus terapeutas, meus pais, meus amigos e mais recentemente, ao meu marido. Todo mundo tem a mesma pergunta melancólica: 'por que?' Principalmente, eu apenas dou de ombros e murmuro: 'Não sei.' Não digo a eles que eu estou fazendo a mesma pergunta de mim mesma. Eu não gosto do processo, nem eu gosto das cicatrizes. São vergonhosas e constrangedoras. Eu queria desesperadamente parar, mas uma coisa sempre aparecia na minha cabeça: depois de cortar, eu me sentia melhor.
Apesar de eu ter escrito extensivamente sobre a minha história de saúde mental - eu tenho uma folha psiquiátrica que tem o tamanho do meu braço - raramente menciono automutilação. Depressão, ansiedade, anorexia, até mesmo tentativas de suicídio - todos estes parecem ser infinitamente mais explicáveis do que a atração recorrente da lâmina. Eu não estou sozinha em minha vergonha ou minhas lutas. Um estudo de 2006 na revista Pediatrics estima que cerca de um em cada cinco estudantes universitários deliberadamente se feriram pelo menos uma vez. Cerca de seis por cento dos jovens adultos vão se machucar repetidamente. Embora casos de morte causada diretamente pela automutilação são relativamente raros, mesmo a auto-lesão ocasional aumenta drasticamente o risco de tentativas de suicídio e suicídios consumados.
O porquê de tantos de nós continuarmos a apertar o botão de auto-destruição ainda não está claro, mas uma nova era de estudos em psicologia e neurociência oferecem uma imagem mais rica do motivo pelo qual, para alguns de nós, sentir-se mal mal significa sentir-se bem.
(tradução livre/edição do artigo "Why Self-Harm?" - em 13/10/2014)
***********************
* Essa é uma reportagem super atual (saiu esta semana) e interessante sobre automutilação. Só que ele é beem longo, então vou traduzir e publicar em partes, também pra fazer todo mundo ler, porque sei que tem alguns preguiçosos que não lêem textos grandes. Quem souber ler em inglês, como em todos os meus posts, o link está acima.
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26 de mar. de 2014
Quais os sinais de auto-mutilação em alguém com TPB?
Postado por
Nathalia Musa
A mídia nos dá uma imagem deturpada e esteriotipada de alguém que pratica a auto-mutilação, invocando imagens de adolescentes magros e sombrios, provavelmente com o cabelo tingido e vestidos de preto.
Assim como qualquer outro estereótipo, esta imagem pode ser aplicada a alguns que se envolvem em auto-mutilação , não chega perto de abranger a grande variedade de pessoas que fazem tal prática ou, mais importante ainda, as razões para as pessoas se envolverem neste comportamento.
Auto-mutilação é normalmente um sinal de um problema muito maior e é muitas vezes um sintoma de um distúrbio de saúde mental, como Transtorno de Personalidade Borderline ( TPB ) . O problema com o estereótipo é que podemos fechar os olhos para um amigo, um ente querido, ou colega de trabalho que podem estar se prejudicando, porque eles não se parecem com a pessoa " normal " que se auto -flagela.
Sinais de auto-mutilação:
Comportamentos auto- lesivos não discriminam. Qualquer pessoa, de uma empresária bem-sucedida ao melhor amigo de seu filho adolescente podem estar envolvidos. Mas se você não reconhecer os sinais de auto-agressão você pode nunca perceber, já que a maioria das pessoas que se envolvem em autolesão não medem esforços para cobrir as evidências.
Os sinais de auto-mutilação incluem os seguintes:
- Arranhões finos, quase como feitos por gatos;
- Machucados incomuns ou queimaduras;
- A pessoa usa regularmente mangas compridas ou roupas pesadas , mesmo se está quente;
- A pessoa parece deprimida ou ansiosa;
- A pessoa torna-se irritada ou na defensiva , se perguntada sobre os hematomas, queimaduras ou cortes.
Por que as pessoas fazem isso?
A auto-mutilação é também conhecida como auto- lesão não- suicida, já que aqueles que se dedicam a ela normalmente não pretendem acabar com a suas vidas. Então, por que elas fazem isso?
Há muitas razões:
- A auto-mutilação pode ser um mecanismo de enfrentamento, a dor sendo física e controlada, contra uma dor emocional incontrolável de um trauma passado, como abuso sexual ou negligência infantil;
- A auto-mutilação pode distrair alguém de tensões cotidianas, tais como problemas de relacionamento, problemas financeiros , ou um ambiente de trabalho estressante;
- A auto-mutilação pode ser uma tentativa de chamar a atenção de outros, ou um grito de socorro;
- Pode até ser um sintoma de psicose. A pessoa pode realmente ter ouvido "vozes", advertindo que se não se cortar, bater sua cabeça contra a parede, ou se envolver em outra auto-agressão, algo ruim vai acontecer.
Nem todo mundo que se mutila sofre de psicoses, é claro. Ainda assim, não há realmente nenhuma quantidade segura deste comportamento, então a ajuda deve ser procurada.
A auto-mutilação pode, de fato, levar a danos físicos irreparáveis. Em última análise, pode até mesmo levar a morte por um corte muito profundo ou de uma infecção resultante dele.
Há outras maneiras de enfrentamento saudáveis lá fora. Há ainda terapias que pode ajudá-lo a parar seus comportamentos auto- prejudiciais.
(tradução/edição: What are the Signs of Self-Harm in Someone with BPD?)
****************************************
- Faz um tempo que eu não me corto. Sei lá, não sei bem como falar sobre isso. Fiz dois pequenos cortes na barriga um tempo desses, não me lembro o motivo, acho que estava frustrada. As vezes sinto falta como a que sinto de um cigarro. Às vezes nem lembro que eu fazia isso, até olhar para as minhas cicatrizes nos braços, que hoje andam expostas aos olhares do mundo, pois me cansei de usar sempre as mesmas roupas, todas de manga, e consequentemente morrer com o calor pernambucano.
Sinto falta de muitas coisas e fico pairando entre esse meu mundo border/real, onde sinceramente não sei onde me encaixo. Na dúvida é que a lâmina me chama. Lembro da sensação de paz e tenho vontade de fazê-lo. As vezes eu caio, mas no outro dia eu recomeço, como se tivesse simplesmente saído da dieta.
Cada dia é mais um, que eu saí da cama, que trabalhei, que lutei, que consegui, enfim.
Ainda acredito.
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15 de mar. de 2014
Depoimento: Mais uma garota borderline.
Postado por
Nathalia Musa
Olá, borderline girl!
Também sou uma garota, hoje com quase 22 anos. Tenho crises desde os 13. No início acontecia geralmente uma vez por mês, próximo da tpm. Chegavam esses dias e minhas unhas quebravam. Eu me sentia feia e, desde então, comecei a desenvolver o hábito de pensar coisas negativas sobre mim. Passava a menstruação, eu pintava o cabelo. Naquele primeiro ano pintei inúmeras vezes o cabelo. Era muito impulsiva. Comecei a me relacionar amorosamente sem nem saber direito o que queria. O cara era um pouco mais velho que eu e me levava sair com a galera dele, onde rolava bebida e até drogas. Me pergunto às vezes, como ninguém daquele grupo notou que eu era uma pré-adolescente ainda sem personalidade? Comecei a desistir da escola e das pessoas normais, passava o dia dormindo.
A auto-mutilação começou nessa época, não lembro direito quando exatamente. Mas era no banheiro de casa e quem acabava por assistir isso eram as pessoas mais próximas de mim, ou seja, minha família. Eles tentaram me levar numa psicóloga, mas eu estava revoltada e achei a médica uma arrogante. Fui sobrevivendo até notar que tinha feito minha mãe sofrer um monte, ela estava com olheiras enormes já. No segundo ano, decidi que seria uma boa aluna para orgulhar minha mãe. Decidi que melhoraria. Procurei me relacionar com pessoas boas e até fiz uma grande amiga nessa época. Mas os dias ruins ainda aconteciam, talvez com menos frequência.
Promiscuidade também marcou um pouco essa fase. Mas, bem, até aí parece normal por se tratar de uma adolescente, não é? Bem que eu queria que tivesse ficado para trás. Consegui virar uma boa aluna sim, terminei a escola com a vaga dentro de uma faculdade federal já garantida. Nesse meio tempo, pelo menos três relacionamentos amorosos bastante conturbados. Cicatrizes no pulso. Antes de ir para a faculdade eu já estava bem mais amadurecida e resolvi tatuar por cima das cicatrizes. Tinha tampado boa parte das marcas. Mas meu pior corte foi no segundo ano da faculdade, já num quarto relacionamento sério, onde tive que fazer pontos e por isso hoje minha tatuagem está falhada... feia.
Mas enfim, nesse texto não consigo contar tudo pelo que passei. Algumas crises marcaram mais, outras deletei. Nesse segundo ano de faculdade, 2012, aceitei a terapia. Antes disso, em 2010 tinha visitado um psiquiatra e um neurologista, indicações de amigos e conhecidos da minha família. A saga da minha mãe pela minha cura continuava, acho que continua até hoje. Então, em 2012 aceitei terapia, psiquiatra e medicação. Foi essa médica quem me diagnosticou como border. Foi ela que me internou durante as crises mais fortes. Foi ela quem me falou em investir num tratamento apoiado pela minha família. Eu tentei por um tempo, mas sempre me cobrei muito pelo valor gasto nesse tratamento. Foi com essa supervisão toda que me afastei da faculdade, trancando o curso. Fiquei alguns meses na casa dos meus pais dando continuidade a minha recuperação (o que causou tudo isso na verdade foi um término de relacionamento, segundo cara que me abandonou e eu não consegui aceitar tendo dificuldades até agora, no presente, de aceitar).
Mas eu precisava fazer algo da minha vida e foi assim que planejei vir pra uma cidade diferente, longe de todo mundo, na busca de um emprego e uma estabilidade nova. Em agosto do ano passado fiz essa mudança. Tomei os medicamentos em agosto e passei esse mês procurando emprego. Em setembro comecei a trabalhar e, me sentindo bem, parei com a medicação. A médica e a terapia ficaram na outra cidade. Consequência: fiquei um mês naquele emprego e quando começaram as pressões, desisti. Já estou em um novo relacionamento e ainda consigo conturbar as coisas com a minha infelicidade geral com a vida. Assim contando, só me desmotivo mais... parece tudo tão feio, tão errado. Já me desmotivei a continuar escrevendo... te contato em outro momento quando conseguir falar sobre como me sinto agora.
Obrigada pelo espaço de desabafo.
Att. J
* Espero que contate sim, J., e seja com notícias melhores. Continue tentando. Beijos e muita luz, Eilan.
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28 de fev. de 2014
Trocando Experiências.
Postado por
Nathalia Musa
Olá, boa tarde, bom dia, ou qualquer coisa assim... não sei muito bem como iniciar essa conversa pelo maior motivo que é não saber exatamente como contar... Eu tenho 17 anos e julgo estar vivendo a melhor fase da minha vida, mas eu descobri que até as coisas boas me trazem uma ponta de extrema insanidade e recaídas.
Eu não lembro qual foi a primeira vez que me cortei, mas lembro que passei a minha infância inteira pressionando objetos afiados pelo meu corpo, naquela idade eu não tinha coragem de me cortar, mas não suportava as coisas que aconteciam ao meu redor e o que o mundo inteiro colocado em minhas costas, eu era uma criança que não teve uma boa infância e sonhava em ter coragem de se cortar.
A criança cresceu e começou a fazer riscos em seu corpo para aliviar os acontecimentos, sai de casa procurando uma outra realidade para viver e mudei de estado, mas foi exatamente nessas mudanças que tudo desandou.
Cheguei em SP com 14 anos e não tinha ninguém para contar, minha presença não era programada para os meus familiares então teve que ser adaptada, nessa época comecei a me cortar com mais frequência, em mais lugares e cortes mais profundos para amenizar as dores. Comecei a escrever, criei uma personagem que era eu - um alterego que tinha coragem de morrer propriamente dito.
Com 15 anos comecei a morar com meu pai e nossa relação era muito complicada, eu me cortava todos os dias e escrevia, digo que 15 anos é uma idade infernal. Namorei com uma guria que sempre foi filha da puta e me fazia de gato e sapato, mas na época eu não ligava porque precisava de alguém. Terminamos no inverno dos meus 16 anos e eu não era mais eu, eu era o meu alterego e tinha coragem de morrer, queria morrer, conspirava sobre isso, foi quando eu reencontrei minha atual namorada e nós, com os mesmos problemas, começamos a nos ajudar, entramos no mundo uma da outra e começamos a termos coragem e vontade de viver, queremos realizar todos os nossos sonhos, queremos casar, ter filhos, uma casinha com cerca branca... essas coisas de casais 'normais'.
Meu diagnóstico está sujeito a mudanças por ele não ser exatamente um diagnóstico, tenho medo de ir em psicólogos, embora minha namorada me incentive e há pouco tempo atrás eu fui numa consulta com ela, a terapeuta dela disse que eu tenho traços border. O jeito qu'eu falo, me expresso, todos os meus jeitos. Eu tenho tendências suicidas e não sei o que está errado na minha vida agora para explicarem minhas recaídas, mas acontece qu'eu não me corto mais pela vontade de me punir, para tampar um espaço, para esquecer, eu passei a me cortar por gostar, gostar de verdade e aí que mora o meu principal perigo, eu sei que tenho total controle sobre mim mesma, mas sei que a linha desse controle é muito tênue.
Eu passei dois meses sem me cortar e recai essa semana, a semana qu'eu completei 17 anos. Recai de uma forma uma brusca e estou tentando parar novamente, estou tentando me reerguer, mas não por mim, por eu saber que minha namorada precisa de mim em pé.
Obrigada pela atenção, acho quer consegui organizar até quer bem todas as letrinhas.
(Por T.)
** Baby, o que te dizer? Primeiramente: Vá para terapia. Busque ajuda. É difícil sozinha. Você já deu um passo importante, que é admitir que quer melhorar. Tem que ter um diagnóstico fechado, pra ter o tratamento correto. Então vamos tentar de todas as formas!
Mas olha, tem que ser POR VOCÊ. Você precisa de si mesma de pé. De si mesma fazendo uma vida que valha a pena ser vivida. Eu sei, parece distante e difícil de internalizar isso, mas a terapia ajuda muito!
Tô torcendo por ti!
*** Querem sua história aqui no blog? Escrevam: borderlineggirl@gmail.com!
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28 de dez. de 2013
Lidando com os sintomas do TPB: Resistindo à vontade de se cortar.
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Nathalia Musa
Um dos sintomas associados com o Transtorno de Personalidade Borderline é a necessidade da auto-mutilação. Ela pode se manifestar de várias maneiras, incluindo se queimar com cigarros, arrancar fios do cabelo ou bater a cabeça na parede. Muitas vezes esta compulsão se manifesta quando queremos nos cortar.
Se você tem o TPB, pode já saber o que é essa necessidade de se cortar. Para aqueles que não, se cortar é o tipo de auto-mutilação no qual alguém usa um objeto afiado (uma lâmina, uma faca ou tesouras) para rasgar a pele.
Cortar-se é diferente de tentar se matar, pois quem o faz não está tentando tirar sua vida, mas anestesiar-se de algum stress causado por um gatilho. Obviamente que, apesar desta prática não estar associada ao suicídio, ela é muito perigosa devido à perda de sangue ou risco de infecção. Pode ser também emocionalmente perigosa, já que muitos reportaram terem se tornado viciados em se cortar.
Como resistir à vontade de se cortar:
Resistir pode ser um grande desafio: Aqui vão algumas dicas do que você pode fazer da próxima vez que tiver vontade de se cortar:
- Esteja consciente de quais situações te levam a querer se cortar. O cutting (expressão em inglês para o ato de querer se cortar) é como se fosse uma solução "rápida" e impulsiva para um sentimento negativo. Identifique estas situações e as evite ou tente aprender outras formas de lidar com elas.
- Saiba o que te acalma. Tenha uma lista, seja na cabeça ou mesmo escrita na sua bolsa, de outras formas de lidar com seus gatilhos. Ligue para um amigo. Escute uma música. Vá correr. Tome um banho. Respire.
- Tente se lembrar que este sentimento passa. Quando estamos imersos no momento, durante o gatilho, há uma escuridão avassaladora difícil de suportar.
Tente lembrar agora de quando isso aconteceu antes, e os momentos que se seguiram, quando a escuridão se dissipou. Veja se você consegue chegar lá sem se machucar.
- Entenda que o progresso leva tempo. Tenha objetivos realistas e não espere que seu comportamento mude do dia pra noite. O progresso, acredite ou não, pode ser amedrontador e você pode começar a se identificar com este sentimento negativo. Isso junto com os outros sintomas como senso de si mesmo instável ou medo de abandono, pode ser realmente aterrorizante seguir para um período de vida mais saudável.
- Busque ajuda! Nunca é demais dizer que a terapia, os remédios e os exercícios são essenciais para nossa busca pela estabilidade. Infelizmente não conseguimos sozinhos.
(tradução livre/edição do artigo: "Managing BPD Symptoms: Resisting the Urge to Cut")
************************
* Assusta. Estar menos instável assusta pra caralho. Eu fico esperando uma crise a cada momento. As lâminas estão lá, na minha cabeceira, caso eu falhe. Não consigo me livrar delas. Mas faz tempo que não me corto... Uns dois meses, talvez. Parei de contar. Acho que deveria.
Cansa, claro que cansa. Cansa se policiar sempre, cansa se obrigar a enfrentar o problema ao invés de rasgar a carne. E houveram dias que cheguei a chorar de vontade. Mas vale a pena, vale o esforço, vale.
Estou longe de estar estável, mas sinto que meu esforço está rendendo frutos! :)
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3 de dez. de 2013
Depoimento: dias borderlines.
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Nathalia Musa
(segundo desabafo da Poison Girl. Se quiser publicar o seu, envie para borderlineggirl@gmail.com)
Domingo, dia 17 de novembro de 2013, o dia que era para ter sido um dos melhores da minha vida tornou-se um desastre completo. Alguns dias antes eu já tinha tido um ataque, me cortado e pintando meu cabelo de loiro, raspando uma parte dele, mas no domingo foi pior.
Primeiro foi um dia maravilhoso, levei vários presentes para minha namorada, cheguei de surpresa já que no dia 23 faremos um ano, tiramos várias fotos, até mesmo fizemos vídeos. Mas começamos a beber e é aí que o problema começa, bebi 3 garrafas de cerveja e um litro e meio de vinho, fumei inclusive um maço inteiro. Finalmente tive coragem de pedir a mão dela a minha sogra em casamento, até mesmo chorei de emoção por ela ter deixado. Mas depois comecei a passar mal, minha namorada teve que me levar pra casa, comecei a me cortar, a chorar muito. Felizmente ou infelizmente atingi uma veia do pulso, cortei meus braços, pernas e se não fosse minha namorada estancando o sangue da veia poderia ter sido pior. Minha mãe ficou horrorizada, pedi a minha namorada para que explicasse a ela o motivo disso tudo, que meu cunhado passava a mão em mim, tirava fotos minhas com roupas leves de dormir, quando eu tinha apenas 10 anos. E que eu jamais contei porque me sentia culpada, e tinha muito medo de que fosse apenas alguma coisa da minha cabeça e acusar alguém inocente. Mas meu ex estava escondido um dia embaixo da minha cama e viu ele mexendo na minha primeira gaveta onde ficam calcinhas/cuecas e sutiãs. Só que aí já era tarde demais, minha irmã já estava casada com ele e eu tinha medo de que ela não acreditasse em mim, de ser julgada. Por isso estou pesando quase 45 kg, 10 kg a menos do que eu deveria estar pesando, não quero que ninguém olhe pra mim.
Por isso me corto, bebo, choro, me sinto culpada e não me sinto à vontade na minha própria casa. As pessoas que tem borderline geralmente tem medo de serem abandonadas por aqueles que amam, eu também tenho medo disso e também tem necessidade de impressionar as pessoas, mas no meu caso eu me corto e sofro toda vez que um amigo se declara pra mim, porque eu só quero que eles sejam meus amigos. Praticamente todos os homens que eu conheci me magoaram, a ponto de praticamente me estuprar me fazendo fazer sexo contra a minha própria vontade.
Minha sogra conversou comigo, sobre a possibilidade de ir morar na casa dela, achei muito legal, e provavelmente é o que farei, talvez me fará muito bem, não custa nada tentar. Afinal, eu prefiro voltar para o hospital ou ir para um hospício ao invés de ficar em casa. Minha mãe falou que todo homem é um pouco assim, que eu to exagerando, que parece que estou usando isso como desculpa pra ir morar com a minha namorada, é parece que eu devia ter aceitado e ter ficado quieta. Jamais imaginei que eu não iria sequer conseguir ficar perto da minha irmã, de quem gosto tanto, por culpa dessa pessoa que estragou minha vida. Jamais imaginei que teria que sair de casa, mudar tudo, só pra tentar me sentir bem, mas prefiro sair daqui e lutar a deixa-lo vencer. A questão é contar ou não para minha irmã a verdade, talvez já seja tarde demais e acho que eu jamais teria coragem.
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28 de out. de 2013
Sobre expectativas e frustrações.
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Nathalia Musa
Há muito tempo atrás eu escrevi sobre frustração, que eu não sabia como lidar com elas. E para o contraponto, minhas expectativas são sempre muito altas, então pensem na combinação explosiva: as coisas geralmente não saem da maneira que eu imagino frequentemente.
Resolvi voltar ao assunto porque eu, mesmo cheia de terapia, remédios, ioga e tudo mais, caio nesse carrossel de emoções. Este final de semana saí a noite, depois de meses sem fazê-lo. Como estava com a auto-estima até razoável depois de cortar o cabelo, fui achando que ia beijar na boca. Acabou que no final os dois meninos que estavam comigo ficaram conversando com as outras duas meninas do nosso grupo e eu me sentindo a baleia orca do universo. A cabeça inclusive começa a pregar peças, das do tipo: "Eles vão me deixar em casa e depois sair de novo, pois não me aguentam." - detalhe: eram 5 da manhã.
Resultado: cheguei em casa e me cortei, pois pra mim era "o que eu merecia". Ainda por cima fiquei o domingo na cama e hoje, auto-sabotagem: não fui na ioga!
Sim, eu tenho recaídas. Beleza. O que posso fazer para tirar esta sensação do meu peito? Estou me sentindo irritada, feia e desmotivada. Fora aquela angústia básica. Vontade de fazer algo para melhorar, para ser sincera, eu não tenho. Mas preciso fazer algo. Vou trabalhar e preciso parecer gente até as 14:00.
Primeiro: o borderline tem dificuldades para voltar ao estado basal das emoções (estado basal = primeiro estado). Ou seja, fiquei mal na madrugada de sábado para domingo e até agora não voltei ao estado mais estável. Eu sei disso. Nossos mecanismos de defesa para as frustrações são prejudiciais e acabam piorando a situação.
Tudo que fazemos é pensando nos extremos: ou eu estou uma gostosa ou estou um lixo. Saí achando que eu estava maravilhosa e como as coisas não saíram do jeito que eu queria eu automaticamente me coloquei no lugar de lixo.
Como pensar diferente? Sinceramente minha terapeuta vai me ajudar nisso amanhã. Como sair deste estado de tristeza? Posso tentar algumas técnicas:
- Comer alguma coisa gostosa.
- Fumar um cigarro
- Nomear 3 coisas que eu agradeço ter nesse exato instante.
- Tomar um banho beeeeem demorado.
- Postar no blog (!)
- Sorrir, mesmo sem vontade.
- Me forçar pra me maquiar pra trabalhar, mesmo achando que isso não melhora minha feiura.
- Ver esse vídeo fofo de gatos ronronando
- Todas as alternativas acima.
Vou tentar sair dessa hoje, pois sei que estas sensações são trazidas pelo borderline. E eu quero uma semana melhor!
E vocês? Alguma sugestão para que eu me sinta melhor?
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30 de set. de 2013
Sobre recaídas e o medo da estabilidade. / Música Borderline
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Nathalia Musa
Ontem (28/09) eu me cortei. Após meses me controlando, após minha vida entrar em um túnel de uma razoável "normalidade", trabalhando, começando a tomar as rédeas da situação, praticando ioga, fazendo terapia cognitivo-comportamental além da análise, eu não aguentei a pressão e novamente recorri a gilete.
É assustador ter que lidar com os mesmos problemas que eu lidava a seis meses atrás, só que com uma perspectiva diferente. Antes eu chorava por não estar com meu ex mas estava presa em casa, agora choro porque não estou presa em casa mas continuo sozinha. Na realidade, se eu for parar para analisar, os problemas aumentaram um pouco, porém graças aos Deuses aumentou minha rede de ajuda. Agora eu tenho que parecer estável num mundo de "estáveis", esconder os cortes debaixo de blusas de manga longa embaixo de um sol do nordeste, controlar a boca para não falar demais e mais do que tudo, reaprender a conviver com pessoas que não tem transtornos de personalidade. Isso quer dizer separar a Eilan do meu eu.
Mas quando eu acabo e começa a Eilan? Minha psicóloga da cognitivo-comportamental me pediu para me definir e definir a Eilan e não consegui. Sei da Eilan: segura, sincera, com vontade de vencer, adorável. Eu? Só poderia falar uma coisa agora: covarde.
Aí entra a parte do medo da estabilidade. Porque é bem mais difícil se dizer pronta pra enfrentar a vida de frente. Isso quer dizer, no meu caso, parar de depender da minha mãe pra tudo, assumir o risco de encontrar meu ex em qualquer esquina, pagar todas as contas, tomar as próprias decisões sem o "borderline" na frente. Dá medo. As vezes eu só queria voltar mais no tempo, onde eu não sabia que era border e vivia iludida com uma vida que era baseada numa firmeza de teia de aranha. Eu sei, não condiz com meu discurso de Mindfulness, ioga e tal, mas também tenho meus momentos. Momentos de balançar, de me questionar, de cair, pra ter forças pra levantar.
Pois isso eu não posso abdicar: da crença que eu vou levantar. Passei pelo inferno. Sobrevivi. Não vai ser qualquer coisa que vai me nocautear tão feio novamente.
.........................
Música Borderline: Ironic - Alanis Morissette
Escolhi essa porque é realmente irônica essa vida...
5 de jul. de 2013
Depoimento: Auto-Mutilação
Postado por
Nathalia Musa
Eu me chamo Fabiana, tenho 22 anos e por quase dois anos sofri/sofro com a automutilação. Tive uma forte depressão logo após meu aniversário em 2011. Estava num relacionamento que não andava lá grandes coisas e quando ele me deixou, depois que fiquei deprimida, tudo ficou mil vezes pior. Foi aí que procurei ajuda psicológica. Pensava frequentemente em fugir pra bem longe, me jogar de um lugar alto, dormir por mil anos ou simplesmente desaparecer. Nesse tempo já me cortava mas não com muita frequência. Me lembro que em uma das consultas com o psicologo do Cras, ele me perguntou porque eu havia feito aquilo: porque havia cortado meus braços com cacos de vidro. E eu disse que queria me punir, que afinal de contas merecia, que devia ser louca e que estava com muita raiva por querer tanto uma pessoa (meu ex) que só me desprezava. Conversamos sobre a questão do vazio que eu vivia reclamando; minhas expectativas; minha carência; a separação dos meus pais que vivia me assombrando; meu sentimento de culpa por não lhes ter dado felicidade (como se fosse minha função); minha guerra diária contra mim mesma; minha visão distorcida da minha própria imagem... ( "só queria ser normal" dizia) e um tanto de outras coisas que naquele momento sufocavam minha existência. Em algumas semanas, ele me encaminhou para um processo psicoterapêutico.
A primeira vez que conversei com a psicológa, me lembro de mostrar a ela os cortes em meus braços e dizer " Me ajuda, por favor, me ajuda. Olha só o que eu fiz comigo..." e chorar desesperadamente. Eu estava despedaçada e não tinha o minimo de auto estima e amor próprio. Estava muito cansada e só queria descansar... ou seja achava que se eu morresse ficaria bem. Me sentia como se tivesse 80 anos de idade, como se já tivesse vivido bastante e como se não me restasse mais nada. Sentia muita falta do meu pai (que mora longe), e da minha mãe (que apesar de perto, era meio distante) e claro muita falta do Rafa (meu ex, que quando decidiu sair da minha vida , saiu pra sempre. Apesar de no inicio dizer que só queria "um tempo"...). Sentia falta deles, e a minha solidão era absurdamente esmagadora e achava que se fosse parar num hospital de tão doente, teria os três de volta, ao meu lado. Pasmem, mas era um preço que estava disposta a pagar.
Por duas vezes, realmente fui parar no pronto socorro. Tentativas (frustradas) de suicídio misturando tarja preta com cerveja; e tomando cartelas completas do rivotril. A primeira vez passei a noite no hospital, e da segunda vez fiquei umas horas e a Drª me disse que se aparecesse lá pela terceira vez ela sequer me atenderia mas me encaminharia direto para uma clinica psiquiátrica. Talvez só quisesse me assustar. Mal sabia ela que eu não me importava de ter que ir para lá. Mas quem segurou minha barra foi a minha mãe. Ela jamais deixaria eu precisar passar por isso. Me lembro do meu pai, chorando pelos corredores do hospital dizendo o quanto eu estava feia... e magra... e doente... e o quanto ele estava triste de me ver assim. Rafa nunca soube e também nunca apareceu. Nessa época eu me cortava praticamente todos os dias. Era difícil lidar com tudo aquilo. Perdi alguns semestres na faculdade, dos quais me arrependo até hoje. Tive crises sérias, tinha lâminas escondidas por todos os cantos do meu quarto, me cortava na rua atrás de carros, dentro de ônibus ou em banheiros públicos. Me cortava até sangrar e até ficar "satisfeita". Uma vez sangrou tanto que fiquei com medo e liguei para o pastor da igreja que costumava ir. Tenho essas cicatrizes até hoje.
Com o tempo e com muita força de vontade (que eu realmente não sei de onde tirei: Deus, acredito) consegui recuperar o controle da minha vida. Remédios e mais remédios, terapia de duas a três vezes por semana, acompanhamento psiquiátrico, amigos, fé e família: foi o que me ajudou a voltar a viver bem. Mas se cortar ainda me persegue. Afinal é um vicio e como todos os outros leva tempo pra se curar. Luto contra isso todos os dias. Tenho fases em que fico meses sem me cortar e depois tenho recaídas. Da última vez, fiquei seis meses. Mas tive uma recaída, mas apenas arranhei os braços dessa vez e está tudo sob controle, logo será um mês sem cortes (a gente recomeça do zero) e logo já serão seis meses outra vez... quem sabe um ano.
Consegui um emprego ( concurso) que eu surpreendentemente amo. Fiz novos amigos. Estou avançando na faculdade e às vezes até me permito paquerar um pouco. Não tomo mais remédios, e há tempos não vou ao psiquiatra. Mas da terapia, admito que sinto falta e em breve pretendo voltar a fazer. Estou muito feliz com o lugar que conquistei e com a minha qualidade de vida hoje. E sim, acreditem EU ME AMO. Apesar de ter as cicatrizes comigo; apesar de não ter a família perfeita; apesar do Rafa nunca mais ter aparecido na minha vida; apesar de ter passado por tudo o que passei EU ME AMO. Gosto de me vestir bem, amo meu cabelo (não acredito que eu cortei ele praticamente todo, que bom que cresceu), amo o blog, adoro ler, escrever e adoro ouvir Legião Urbana. Antes eu achava a solidão algo terrível, mas hoje eu adoro a minha companhia. Estou fazendo de tudo para cuidar melhor de mim, e vou fazer mais... afinal eu me odiei por tanto tempo que agora tudo o que quero é recuperar o tempo perdido.
Me lembro que na sessão de terapia, Paulinha me dizia "você está lutando com um leão mas se você se esforçar e lutar com ele todos os dias logo será um gatinho, ainda vai estar lá mas não vai lhe oferecer nenhum risco."
Bem, é isso... continuem lutando,
Stay Strong.
* Fabi escreve no Blog Da Fabi. Guria, obrigada por este depoimento emocionante. Sua história é um exemplo.
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29 de jun. de 2013
As Formas mais comuns de Automutilação + #ProjetoEuMeAmo
Postado por
Miss Danielle de Barbarrac
As 10 Formas mais comuns de Automutilação:
Há muitas maneiras que podemos nos machucar, geralmente quando alguém fala 'Automutilação' está se referindo ao corte, mas este é apenas um dos muitos métodos.
Neste texto vou explicar sobre este e alguns outros métodos comuns dos quais eu tive/tenho alguma experiência pessoal e eu vou dar uma breve descrição das minhas próprias experiências para ajudar a entender.
Comportamento autodestrutivo é um dos principais critérios para o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline, mas também pode ser uma condição em sua própria personalidade, ou relacionado a outros problemas. Não é generalizado o fato de quem se machuca tenha o TPB.
O ato pode ser viciante e alguns automutiladores (ou que tem vontade de experimentar) “pede” para agir dessa maneira através do *gatilho* pensando na Automutilação.
Não se trata de pessoas em busca de atenção, mas outras pessoas ou causas podem desencadear um indivíduo automutilador, a ação real é inteiramente sobre si próprio.
Curiosidades:
Não é de hoje que existe a automutilação/autoflagelação, a muitas décadas os Muçulmanos Xiitas usam facas e correntes se punindo para "lembrar" a morte do Imã Hussein, neto de Maomé (o profeta sagrado deles). (Não ria Eilan! Sei do que você lembrou! ¬¬)
E não são só os "habibis" que praticam este ato. Entre os religiosos católicos, a prática da autoflagelação era considerada um ato de purificação após ser cometido um (ou vários) pecados, principalmente durante a Idade Média. Atualmente, o Vaticano condena esta prática. Porém, este ato ainda divide opiniões entre clérigos e leigos. A autoflagelação pública ainda é comum entre os Cristãos Católicos durante a celebração da Semana Santa nas Filipinas.
Bem mas vamos ao que interessa!
O corte (cut) é o que as pessoas tradicionalmente pensam quando alguém diz "Automutilação”. O corte é feito muitas vezes como uma forma de ‘autopunição’ ou como uma ‘libertação’, na maioria dos casos não se trata de uma busca de atenção, como muitas vezes as pessoas assumem.
O Corte pode ser superficial, ou grave, dependendo do nível de necessidade do cortador - pessoalmente, eu só preciso ver o sangue de um corte e estou satisfeita, não preciso que seja profunda e eu nunca precisei de pontos ou tratamento hospitalar para os meus cortes, mas muitas vezes um único corte não é suficiente, eu preciso cortar várias vezes. - Também o corte não é necessariamente uma tentativa de suicídio, na maioria das vezes, os cortes no antebraço, coxas ou outros lugares onde podem ser escondidos são mais comuns do que os cortes de pulso perigosos.
O dano do corte é geralmente mais imediato do que em outras formas de Automutilação, quase nunca deixando danos duradouros além de cicatrizes.
Outras formas de lesão física são muito comuns na automutilação, isso inclui a autoperfuração, bater a cabeça, se queimar, cortar ou arrancar os cabelos/pelos e muitas outras coisas, a partir de comportamentos prejudiciais suaves como beliscar a pele, até coisas mais arriscadas como pular de um lugar alto por exemplo.
Às vezes, esse tipo métodos de automutilação pode resultar em lesões mais graves do que o corte, ossos quebrados, sendo um resultado possível e lutas corporais provocando com os outros.
Dar socos na parede geralmente é a expressão mais externa de raiva que tenho, pois é quando tento evitar direcionar este soco em outros ou provocar brigas. Sentada batendo a cabeça contra parede geralmente para mim está relacionado à frustração e dor interior. Eu não quebrei nenhum osso (felizmente), mas tiveram alguns cortes e hematomas desagradáveis. Queimar a ponta dos dedos, fazer furos com agulhas no meu corpo, cortar-me, colocar a mão no vão da porta e bate-la com força... Eu tive diversos tipos de automutilação em diferentes fases da minha vida, uns ocorreram mais na infância, outros mais na adolescência e alguns ainda ocorrem hoje, no começo da minha vida adulta.
Cortes e queimaduras têm uma maior chance de cicatrizes e para refrescar a sensação de "libertação", basta coçar ou cutucar para que eles sangrem novamente.
A compulsão alimentar, a fome deliberada, vômitos (purgatórios ou laxativos) ou apenas não querendo/precisando comer muito, resultado de se sentir triste ou deprimido. Os alimentos podem ser usados para automutilação e/ou regular as emoções.
Empanturramento e compulsão alimentar podem aliviar a sensação de vazio, enquanto purga pode ser uma libertação de algo ruim que está dentro de si. Métodos mais graves e mais raros envolvem coisas como a ingestão de produtos não alimentares ou produtos químicos.
Para mim, o desejo de comer está totalmente relacionado a ansiedade, tristeza e sensação de vazio. Sofri este tipo de autoflagelação a vida toda, sempre recorri a comida como um estabilizador de humor, e sempre me puni depois disso. Eu mesma gero minha dor.
Os transtornos alimentares são condições co-mórbidas comuns em pessoas com TPB, como já foi esclarecido aqui no blog (Leia Aqui). É um alívio imediato óbvio, de se sentir completo, ou vazio, o uso de alimentos como um método de automutilação é uma forma de criar danos permanentes, como anorexia, obesidade e muitas queixas médicas podem estar relacionadas com essas condições.
Mesmo pessoas sem problemas de saúde mental têm uma tendência a usar álcool para ajudá-los a lidar com os sentimentos e emoções que são difíceis de lidar sobriamente.
É certamente um método de autoflagelação, dando uma segunda olhada para tantas pessoas que bebem em excesso para se divertir, apenas um copo de “coragem holandesa”. Hahahaha. Mas o fato é que o excesso de bebida pode levar a danos imediatos como desmaios e perda de memória, ou resultar em danos de longo prazo afetando úlceras ou insuficiência hepática.
Eu não tenho um grande problema com o álcool no meu dia-a-dia, posso passar semanas, meses sem tocar em uma gota, mas quando estou no quadro 'errado' de mente vou logo descontar na bebida, bebo como um Cowboy. Já tive que (em certo carnaval da vida) ser reanimada em plena praia, muitas vezes misturo álcool com uma overdose de drogas não necessariamente como um gesto suicida, mas, ao menos como uma tentativa de um extravasar certos sentimentos e emoções.
As drogas legais, drogas ilegais, medicamentos prescritos, medicamentos “sem receita” ou outras substâncias de aerossol ou gás, a cola. Tudo, absolutamente tudo!
Drogas modificam ou geram uma série de sentimentos e emoções que podem ser muito grandes, não é segredo para ninguém que dá prazer, minimiza dores (internas e externas) e podem viciar.
Eu já usei praticamente todos os tipos de drogas durante minha vida, também já misturei substâncias. Na minha adolescência eu cheirei cocaína e cola, tomei chá de cogumelo antes de passar para a maconha. De lá fui para drogas de festa, lança perfume, LSD, êxtase... Eu nunca me viciei realmente (organismo talvez), mas a sensação é única, não há nada para comparar o que você sente na hora, o problema é o depois, depois eu me sentia muito pior do que antes de começar a usar, drogada eu era uma deusa depois do efeito eu me tornava um zumbi. Parei pouco antes de engravidar, embora depois de ganhar eu fumei e cheirei novamente algumas vezes, me sinto envergonhada agora, talvez por ser mãe.
E é claro que os riscos de curto e longo prazo de todas as formas de abuso de substâncias são elevados, levando doenças graves, dependência e até danos cerebrais e a morte.
Estranhamente este tema é, provavelmente, o mais ‘tabu’ quando se trata de automutilação. Mas o sexo é SIM uma ferramenta para o mal, tanto quanto qualquer outro citado aqui. A questão é que o comportamento impulsivo associado a pessoas com TPB e outras doenças mentais tende a uma elevação uma muito grande (ou inexistente) do desejo sexual, mas isso não é preenchido facilmente em um relacionamento monogâmico. Muitas vezes precisamos do fator “promiscuidade” que se refere a fazer o ato sexual de uma maneira arriscada. E é ai que está o problema.
Muitas pessoas que tem TPB sofreram abuso sexual e como resultado tem distorcidas suas conexões com o sexo. Não necessariamente falando de quem não passou por isso pode também ter associações turvas sobre o assunto.
Para mim, usava o sexo (e uso ainda) como forma de receber o carinho abraços e beijos que não tive na infância. Submeto-me a ficar com um cara mesmo sem ser respeitada somente pela troca de toques, e não necessariamente pelo prazer. Quando impulsiva eu já trai meu namorado, tive relações em lugares públicos, dormi com vários caras na mesma noite, mas o pior de tudo, devido à minha imprudência e impulsividade o uso de camisinha raramente era considerado.
Assim, a promiscuidade sexual como uma forma automutilação traz riscos de gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis. Tenho a sorte de graças a Deus nunca peguei nenhuma doença, mas outros não tiveram tanta sorte ... Mais uma vez, os riscos de curto prazo com relacionamentos prejudiciais e doenças sexualmente transmissíveis através de riscos a longo prazo de risco de vida, doenças sexualmente transmissíveis, infertilidade e gravidez são os ricos.
Outro comportamento imprudente. Muitas pessoas sem doenças mentais têm problemas com gastos excessivos, mas porque tantas pessoas têm enormes quantidades de dívidas?
Para mim, quando eu estou pra baixo eu compro roupas e bugigangas em excesso, não tenho tempo para ler, assistir, ouvir ou usar todas as coisas que eu compro porque eu compro muito. Tenho tido muita sorte, de nunca ter entrado em uma dívida grande, pois nunca tive cartão de crédito talvez. Mais uma vez um monte de pessoas lutam contra isso.
O gasto excessivo pode levar a problemas financeiros de curto e longo prazo, tais como jogos de azar, agiotas ou perder bens como casa, carro, etc.
Incluem coisas simples como vários piercings e tatuagens ou as adaptações do corpo mais drásticas. Body Modification pode ser arte, para mim apenas outra forma de punição ou libertação.
Tenho quatro piercings no corpo, atualmente só uso o da língua. Eu sempre quis fazer tatuagens, e ainda quero. O que sempre me segurou foi o medo de não gostar ou pensar como eu ficaria quando velha.
Os riscos de tatuagens e piercings podem não parecer tão altos em comparação a outros métodos aqui citados, riscos de curto prazo como infecção são mais comuns. Mas indo para o lugar errado pode adicionar em risco de agulhas sujas podem por em risco a infecções e doenças, em longo prazo isso pode afetar sua capacidade de obter um emprego o que terá um efeito de arrastamento sobre outras áreas de sua vida.
9. Exercícios:
Você pode pensar que nunca é demais quando se trata de exercício, mas você certamente já sentiu a presença de endorfinas atuando em seu corpo quando teve um bom dia de treino?
Quando eu estava fazendo RPM na academia (aquelas bicicletas que você fica inclinada) eu faria uma hora o que exige muito fisicamente, em seguida, fazia outra hora de musculação, e por estar tão “alta” eu saia fazendo piruetas até chegar em casa, ainda ansiosa pingando suor, exausta e mesmo sentindo náuseas adorava aquela sensação. Não falhava nenhum dia. Sinto saudades. Como um monte de outras coisas, meu corpo/cérebro não lida com o exercício da maneira que outras pessoas fazem, e eu não estou sozinha nessa. O problema surge quando isto se torna viciante, quando aquilo foge de suas mãos, você não pode comer ou dormir sem fazer sua caminhada, academia ou corrida. Você está assim, pois precisa das suas endorfinas.
Exercício, com moderação, é maravilhoso. Mas, para algumas pessoas, a pressa e os sentimentos de prazer podem ser tão viciantes que levam a extremos perigosos que realmente nos fazem mais mal do que bem. Tudo é uma questão de bom senso (o que eu não tenho).
10. Auto Injuria:
Esta forma de automutilação eu creio que seja unânime entre quem sofre de TPB. Esta é uma das piores pois provoca dores e agressões justamente no emocional.
Quem nunca ficou remoendo acontecimentos negativos, quem nunca se autossabotou, quem nunca se insultou?
Eu sempre faço isso, mesmo quando inconscientemente, odeio a solidão mas ela me traz uma falsa segurança. Eu acho horrível os insultos que ganho, mas volta e meia eu uso os mesmos para me ofender. Amores negativos?.. Minha especialidade, me agarro a coisas que me fazem mal como se não existisse outra saída no universo. Preciso evidentemente de acompanhamento psicológico antes da viajem, mas volta e meia me esquivo, acabo me prejudicando. Como eu amo me odiar. Como é bom me ferir me achar horrível, incapaz, burra, feia, gorda, não merecedora da vida. Tudo isso internamente.
Isto nos traz problemas em todas as áreas da vida. Pois a Auto Injuria afeta a raiz de todos os outros problemas. Trazendo problemas de efeito imediato. E consequentemente de longo prazo se não vetado.
** Conclusão: Esta não é uma lista exaustiva, ainda há muitos tipos de Automutilação. Eu só queria chamar a atenção para o fato de que a Automutilação é muito mais abrangente que você pode imaginar ou acreditar. As pessoas que se automutilam precisam de ajuda e não julgamento para superar e lidar com seus problemas, mas o primeiro passo é reconhecer que você tem um problema. Talvez você seja uma das pessoas acham abomináveis pessoas que se cortam, usam drogas, ou tem seus corpos cheios de tatuagens. Mas você descobriu que você também é um automutilador! Pois você se maltrata por dentro, gasta todo dinheiro em coisas que não usa ou sempre dá graças a Deus quando chega sexta-feira e você pode sair para beber e dar aquela espairecida com seus amigos, pois você precisa disso para não surtar! Reveja seus conceitos, ninguém precisa permanecer ignorante a vida toda! Para os que têm uma ou mais das formas de automutilação, procure ajuda, seja como ou onde for. Seu corpo é um presente da natureza cuide dele!
Conheça alguns exercícios sobre a Automultilação:
(Basta clicar nas imagens para ver ampliado)
> Qual é o seu maior desejo??? SER AMADO!
> E quem deve ser a primeira e mais importante pessoa para fazer isso??? VOCÊ!
Seguindo esta linha de raciocínio e depois de fazer esta pesquisa para o blog, proponho a TODOS que lerem este post aderirem a esse movimento a favor do amor próprio. Pois eu, você, todos nós borders ou não temos o direito de sermos felizes!
Basta primeiramente postar algo (foto, depoimento, frases, etc) com a "hashtag" #ProjetoEuMeAmo
Já foi feito uma Fan Page no Facebook: http://www.facebook.com/ProjetoEuMeAmo
Lá e aqui será montado um suporte de apoio a pessoas que buscam ajuda. No decorrer dos dias irei explicando melhor do que se trata. Mas não deixem de curtir a page, ok?
* Obrigada a TODOS que doaram seu tempo para ler este post!
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