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13 de fev. de 2017

Sobre a "estabilidade".




Então você segue o tratamento, melhora. Consegue trabalhar, consegue se relacionar. Você entende o que tem, consegue (pelo menos algumas vezes) lidar com isso e... Aí você pára de ser borderline!

Como assim? Não, não existe uma "cura". Existe a remissão dos sintomas. Você continua sentindo tudo a sua volta com uma intensidade monstra. A vontade de se cortar vem de vez em quando. As lágrimas também, e o desânimo, e a vontade de largar tudo e voltar pra cama, e ficar na cama. As vezes você até volta pra cama, mas se culpa o resto da semana (ou da vida). Você tem (mais) obrigações que as vezes não consegue cumprir, se planeja no dia anterior pra no outro dia não fazer nada porque estava dormindo. Só que tudo isso acontece e como você não está mais largada numa cama com uma lâmina na mão e um copo de vodka na outra, a parte do borderline é esquecida. Você vira novamente a dramática, irresponsável, impulsiva, difícil, louca...

Você deve estar pensando: "ok, e qual a vantagem nisso então?"
Tenho que dizer que é até mais difícil que estar em crise. É mais difícil estar de pé, se controlar, respirar, tentar agir assertivamente, tentar tirar o óculos que te faz ver tudo tão intensamente e ponderar. Pensar que amanhã as coisas não serão como hoje. Tentar fazer aqueles a sua volta entenderem que você pode estar tendo uma vida dita "normal" (conte aí marido+enteada no meu caso) e mesmo assim agir de forma "estranha" de vez em quando. Que você não fica com raiva por horas, você fica por dias. Que você estressada é um furacão e isso pode passar em questão de minutos ou meses... Aprendi nesses meus dias de "normalidade" que o estável não é tão linear assim. E que a gente fica pensando que quando alcançar a tão falada remissão dos sintomas, tudo será lindo e belo e perfeito.

Não, não é. Mas quer saber? É a remissão que me faz ver que vale a pena. Que, por mais que as vezes eu queira me colocar naquele meu papel seguro de "não é minha culpa, então me aguentem!" e fazer toda sorte de cagadas, minha vida de hoje vale ser vivida. Meu sofrimento vale a pena, porque eu consigo enxergar a beleza das partes boas. Eu não parei de ter problemas de auto-estima, não parei de ser insegura, mas eu consigo arranjar forças pra continuar em mim mesma e naqueles que eu amo que estão à minha volta. Orgulho-me de não me cortar há mais de um ano e meio. De estar num emprego onde pessoas confiam em mim. De ter uma família linda, meus gatos. Antes, nada disso era motivo pra me fazer sair da cama, nem eu mesma era motivo pra sair da cama e ver o dia.

Então não queira a perfeição. Ela não existe.
Queira uma vida que valha a pena ser vivida. Queira ser feliz sabendo que o "ser" pode virar "estar" ou "não estar". Aproveite o momento com os pés no chão de quem sabe que a luz no fim do túnel existe sim, ela só não brilha do jeito que a gente imagina.


23 de jun. de 2015

Sobre a insegurança e a solidão...





Faz tempo que não pego o computador para escrever... Hoje senti vontade. 

É engraçado, o tempo passa e eu sinto que estou sabendo lidar com alguns sintomas do TPB, e outros nem tanto. Como a questão da solidão, de não se bastar. É inacreditável se sentir só e ao mesmo tempo não querer fazer parte de lugar algum. Como se eu não pertencesse a ele. É um sentimento ambíguo, esse de sofrer por estar só e ao mesmo tempo querer estar. E quando estou, vem a luta contra todos os artifícios que antes eu usava pra lidar com meus sentimentos: a lâmina, remédios, bebida... As vezes eu caio. Não com relação aos cortes, esses são bem raros hoje em dia, mas principalmente a me auto-sabotar.

E uma coisa leva a outra, não é? Essa coisa da solidão. A gente não quer estar só e quando está, se culpa. Sempre a gente. Eu reajo a qualquer mudança de humor a minha volta, a qualquer resposta seca em Skype (que uso muito pra trabalhar), discussão, tenho que repetir muito pra mim mesma os mantras da terapia: "quais são as evidências que você tem para achar que você é a culpada?". Então a gente se culpa por estar deslocada, apesar de achar que deveria estar deslocada, e o pensamento gira gira, e o dia passou, o fim-de-semana passou e acabamos a passá-lo perdendo tempo sentindo pena de nós mesmos, aquela coisa do "ninguém me ama ninguém me quer porque eu não mereço" e esquece das próprias escolhas que fazemos.

As vezes acho que meu tempo acabou, sabe? Que é tarde demais, que o TPB fez tanto estrago antes, que agora que estou estabilizando não vou me encaixar nunca mais. Talvez me vitimizando ou talvez sem conseguir enxergar as possibilidades que a vida mostra. É mais fácil não lutar e se entregar a este pensamento de vez em quando. "Nunca vou ser reconhecida", "Nunca vou dar certo". Aí a gente não tenta, não mostra, não ousa, se fecha em concha por achar que não vai dar certo de qualquer forma.

Meio doente, em casa, é fácil se entregar a este sentimento de impotência em relação ao destino. Porém cabe a mim mudar esse quadro. Sair do modo "eilan" e voltar pro modo "naty". Fazer algo, nem que seja escrever no blog. Dividir este sentimento com vocês, talvez os únicos que possam realmente compreender. Dividir também que eu não pretendo pegar uma gilete e me retalhar. Eu quero acordar amanhã. Eu quero acreditar. Mesmo sem acreditar as vezes. 

Beijos a todos. Vamos continuar a fazer uma vida que valha a pena ser vivida. Dia após dia.

PS: Difícil escrever hoje em dia, com tanta gente que me conhece sabendo da fanpage, do blog, enfim... Mas vamos lá. 


10 de jan. de 2015

Apaixonado por uma border - trocando experiências



Oi. Eu não tenho TPB, mas estou apaixonado por uma menina border. Eu a conheci na faculdade, mas ela trancou a matrícula. Por sorte ela faz um curso junto comigo, assim eu pude manter contato.
Depois de muito tempo conversando, principalmente por facebook, já que às vezes ela se ausenta do curso, eu a convidei pra sair. Ela aceitou e até se mostrou bastante entusiasmada. Fomos a um sarau onde ela expôs seus desenhos(ela é uma ótima artista). Nos divertimos, conversamos, tava tudo bem até que ela disse que estava se sentindo mal e pediu pra ir embora. Na verdade ela ficou frustrada porque os desenhos dela não tiveram muito reconhecimento. Não fiquei surpreendido, porque já sabia que ela é borderline, e como faço Psicologia sei que a frustração afeta muito o border. Fomos embora e no dia seguinte eu tentei animá-la, elogiei a arte dela e perguntei se a gente podia sair de novo, mas ela simplesmente não responde mais minhas mensagens. 

Agora não sei o que fazer, devo insistir ou devo deixá-la quieta? Não entendo porque ela passou a me desprezar literalmente de um dia para o outro. Por favor, será que você pode me ajudar a entender o que está acontecendo? É normal mulheres com TPB agirem assim?
Ficarei muito grato se você puder me ajudar.

Obrigado pela atenção.


Oi!

Primeiramente, mulheres são sempre mulheres, com ou sem TPB. E temos razões que a própria razão desconfia... Ela pode não ter respondido por mil razões diferentes: pode ter medo da sua aproximação, pode ter querido te afastar pra ver se você voltava, pode ter "enjoado" - já aconteceu comigo - enfim... Mas cuidado ao vê-la como border simplesmente. Antes de tudo ela é uma pessoa, que pode ter suas próprias razões, que talvez não tenham nada a ver com o TPB. 

Como você me mandou este e-mail já faz um tempo, imagino que esta situação já tenha tido um desfecho. Espero que tenha sido bom!

Beijos,

Nathy


29 de dez. de 2014

Até 20% dos adolescentes e adultos jovens já experimentaram a automutilação




Associação Americana de Psiquiatria estuda considerar o comportamento como transtorno psiquiátrico

Carolina Cotta - Estado de Minas

Publicação:10/12/2014 





"...eu estava me apunhalando, realmente me atacando com a chave de fenda e aquela dor física que eu estava causando foi melhor que qualquer droga que o hospital tinha. Estava fazendo todo o resto ir embora.A dor, a dor física, estava fluindo pelas minhas veias como heroína, e eu estava entorpecida, imune a todo o resto. Eu não pude sentir nada além de dor, e eu sabia que eu tinha achado um jeito de me salvar" - Trecho do livro Willow, de Julia Hoban


“Não lembro da primeira vez que me cortei, mas eu sentia uma angústia muito grande e não sabia como lidar com aquilo. Em algum momento, comecei a me arranhar e depois a me cortar. Nunca foi algo para chamar atenção, eu escondia. Também não sentia dor, mas aliviava meu sofrimento.” As lembranças de adolescência da bióloga Carolina Costa, hoje com 25 anos, ilustram a triste realidade das pessoas que se automutilam para enfrentar sentimentos com os quais não conseguem mais lidar. Não existem estudos epidemiológicos no Brasil sobre a incidência de autolesão, mas pesquisas feitas no exterior mostram que a prática vem crescendo nos últimos anos. Dados mundiais, considerando apenas adolescentes e adultos jovens, mostram que de 17% a 20% já tiveram, em algum momento da vida, tal comportamento.

Segundo a psiquiatra da infância e da adolescência Jackeline Giusti, responsável pelo ambulatório de adolescente e automutilação do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, o DSM-5, a automutilação é classificada como transtorno psiquiátrico com necessidade de estudos futuros. “Há uma tendência em considerar esse comportamento como um transtorno psiquiátrico por si só, e não mais como comportamento relacionado a outros problemas”, adianta a especialista. Já na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), ela é tida como transtorno do controle do impulso não específico, ou como um dos sintomas de transtornos de personalidade como o borderline.

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), classificado pelo psicanalista Adolph Stern como uma patologia entre a neurose e a psicose que gera uma disfunção no metabolismo cerebral, desintegrando o ego e gerando um sentimento de perda desesperador, é o caso da personagem de Débora Falabella na minissérie Dupla identidade, da Globo. Na trama, a produtora de moda Ray arranha os braços até sangrar muito quando o namorado Edu, o psicopata serial killer vivido por Bruno Gagliasso, some.

Por outro lado, segundo Giusti, há a tendência de desvincular a automutilação de transtornos de personalidade, como o borderline. “Transtorno de personalidade não tem muito tratamento, seu controle não é algo direto. Tem muito paciente que se automutila e não é borderline. Primeiro, porque adolescente nao tem transtorno de personalidade, porque sua personalidade ainda não está formada. Tem, no máximo, traços”, explica.

A automutilação geralmente começa na adolescência e é mais comum nessa faixa etária, mas pode se prolongar até a vida adulta. Um estudo australiano acompanhou, por oito anos, pessoas que começaram a se automutilar ainda jovens e revelou que sintomas depressivos e suporte familiar fraco seriam fatores determinantes dessa persistência do comportamento. O auto-flagelo na adolescência é tema do recém-lançado livro Willow (Editora LeYa), da norte-americana Julia Hoban. Voltado para o público infanto-juvenil, o romance conta a história da personagem que dá nome ao livro, que começa a se cortar para se livrar do sofrimento e da culpa de ter causado a morte dos pais, que faleceram em um acidente de carro em que ela dirigia.


O PANO DE FUNDO 

A pessoa que se automutila, com frequência, refere-se a uma tensão anterior. Segundo a psiquiatra Jackeline Giusti, o ato de se machucar, se morder, se bater – o mais comum é se cortar e se queimar – dá um alívio a quem o pratica. Isso porque o corte, ou qualquer outra lesão no corpo, libera endorfina, mesmo hormônio que dá sensação de bem estar após o exercício aeróbico, por exemplo. Alguns estudos sugerem que quem se automutila liberaria, em função do estresse que antecede o ato, uma quantidade maior do hormônio que outras pessoas. Outra hipótese é a de que uma pré-disposição genética poderia estar relacionada a uma maior liberação de endorfina, o que provocaria uma sensação de bem-estar e não de dor.

Carolina Costa começou a se cortar aos 12 anos. Naquela época, em função da profissão da mãe, se mudava várias vezes de cidade ou de escola, o que, para ela, foi determinante para se tornar retraída e tímida. “As mudanças trouxeram muitos problemas. Não criava raiz, não criava vínculos, não tinha muitos amigos para compartilhar questões mais pessoais”, lembra. Discussões na família ou mesmo uma cena vista na televisão que a entristeciam começaram a ser gatilhos para o ato de se arranhar e depois experimentar cortes mais elaborados, com tesoura, compasso e lapiseira, até passar para a faca. “Não tinha muito padrão. Algumas vezes, os cortes eram mais profundos; em outras, mais superficiais. Dependia da angústia que eu sentia. A maioria das vezes, fazia cortes rápidos e repetitivos no mesmo lugar. E eu não sentia dor”, lembra.

A preocupação com a ansiedade de Carolina fez a mãe levá-la a um médico ortomolecular, que pediu para ficar sozinho com a adolescente, na época com 14 anos. “Aquilo me deu confiança para contar da angústia que eu sentia e com a qual não sabia lidar.” O acolhimento do especialista foi marcante para a paciente, que se lembra de ele explicar que pessoas depressivas como ela, e com transtorno de ansiedade, seriam mais sensíveis e intolerantes a injustiças, que não conseguiam ser superficiais. Segundo Giusti, é comum que a automutilação esteja mesmo associada a depressão e ansiedade, daí a terapia ser essencial na abordagem do problema. Carolina parou de se cortar com 17 anos, mas se tratou até os 19 anos. Diminuiu a frequência da automutilação desde que começou a fazer a terapia e a se medicar.

Segundo Fátima Vasconcellos, diretora médica do Hospital Geral da Santa Casa do Rio de Janeiro, o tratamento é com terapia cognitivo-comportamental e medicamentos antidepressivos, como inibidores seletivos de recaptação de serotonina. “É fundamental que as pessoas reconheçam que isso é uma doença e, principalmente, que é tratável”, alerta. Para a especialista, os pais devem ficar atentos para levar os filhos a um especialista se desconfiarem de uma automutilação. Também é preciso observar as comunidades das redes sociais que dão apoio a esses adolescentes, mas também trocam experiências de como se mutilar. “Infelizmente, a internet é uma extraordinária ferramenta tanto para o bem quanto para o mal. Sempre tem pessoas estimulando comportamentos autodestrutivos, inclusive orientado como fazê-lo de forma mais eficiente”, chama a atenção Fátima.

A forma como esse problema é abordado pelos adultos é muito importante. Educadores que desconfiarem do comportamento em alguma criança ou adolescente devem procurar os responsáveis. Segundo Giusti, é a oportunidade de saber se a família está enfrentando algum problema em casa que possa estar desencadeando o comportamento. Mas o mais importante é não reforçar o estigma de que o paciente faz aquilo para chamar a atenção, porque geralmente ele faz escondido, mesmo que em um segundo momento possa usar aquilo para manipular os pais. “Se o pais descobrirem que seu filho está se cortando, a regra é básica: olhe para ele como se ele estivesse chorando e pergunte o motivo do sofrimento. O problema não é o corte. Ninguém feliz se corta. É preciso descobrir o sentimento que está por trás daquilo”, alerta a psiquiatra.


19 de dez. de 2014

Sobre o “ser” borderline.




Amamos tanto que nos perdemos. Perdemos a nós mesmas pela ausência de uma identidade, por essa desregulação emocional que embaça o juízo. Eu estou reaprendendo a ser quem sou, pouco a pouco. As músicas que gosto, a roupa que visto – um dia blazer, outro tênis no pé – de acordo com meu humor.

Acho que amamos o amor – vício de apaixonar, pelo marido, pela mãe, pai, melhores amigos - vício de sentir muito. O pouco, o blasé, não satisfaz. Só por um período. Enjoa, meu cabelo enjoa, o corpo enjoa, o sentimento enjoa e a sensibilidade aflora.

Todavia tem jeito de tirar este óculos que nos faz enxergar com “olhos de caleidoscópio” (citando John Lennon) – a vida que vale a pena ser vivida é real. Não a normal, aquele “normal” que te fizeram crer ser o certo. O seu “normal”. Sensíveis, coloridos, apaixonantes, seremos sempre, com ou sem diagnóstico. Aliás, somos bem mais do que um. Ao ultrapassá-lo, aprendemos que ser borderline não nos define – ao nos dar conta de quem realmente somos. Ser borderline me ensinou a ser eu.

Por isso, lute. Vá a terapia, cuide de si, acredite mesmo sem acreditar, há luz, Ame-se. Descubra-se. Tente todos os dias, caia, levante, mas não desista. Não se humilhe, se baste. Nem que seja por hoje. Acredite que você é mais que um “ser” borderline e seja, simplesmente.





13 de out. de 2014

Sobre a vida que é digna de ser vivida.


É engraçado. Hoje recebi um e-mail me perguntando qual era o primeiro sinal indicando que estávamos melhorando. Logicamente respondi que não há um padrão, cada ser humano é único. Porém fiquei pensando em mim e no que melhorei. Não sei. Não penso em morrer com frequência, a vontade de se cortar é bem menos frequente, o choro vem mais espaçado. Trabalho. Lido com pessoas, organizo e resolvo a vida de muita gente, com suas expectativas. 

Fico perto da vida que falo tantas vezes, aquela que "vale a pena ser vivida", só que na verdade ainda não sei o que significa isso de verdade. Sofro ainda, a lembrança de tudo que passei vem vívida muitas vezes. Uma pessoa comentou a cena da Ray, a que ela sofre pelo sumiço do psicopata Edu em Dupla Identidade, dizendo que a atriz tinha sido bem dramática. Eu só sorri e respondi que ela havia sido simplesmente fiel. A dor corrói, entra na alma, que se rasga em pedaços. Eu sei o que é isso, apesar das pessoas as vezes se esquecerem disso. Como eu levo uma vida dando conselhos, advogando pela causa do transtorno, levantando a bandeira e sendo elogiada pela minha coragem, a parte que eu também sou border passa batido. Eu cheguei longe, eu sei. Meu blog me levou a colocar a cara a tapa na TV, mas minha escolha me fez perder este canal de desabafo. Muita gente que conheço entra aqui, então não posso mais me dar ao luxo de usar este veículo como diário pessoal. 

Não que eu me arrependa, não é isso. Eu fiz uma escolha, quando decidi ir a público e defender o que eu acredito. Eu levo a vida pensando em como vou agir, reagir, no que falar para você que está me lendo agora, que se corta todo dia, que está sem esperanças, que acha que não existe luz. Existe sim, mas não enxergá-la de vez em quando faz parte do processo de recuperação, no meu ponto de vista. Eu não enxergo as vezes. Deixo a vida me levar um dia após o outro, esperando que talvez eu acorde uma manhã e tudo deixe de ser tão intenso, como que por encanto. Há dias em que tudo que eu quero é ficar em casa, dormindo, comendo, ouvindo música. Todavia eu fiz a escolha mais difícil: melhorar. E isso demanda um esforço grande, um conhecimento pessoal, um controle que cansa, cansa muito... Tem dias que eu queria voltar a ser a Eilan. Era mais sofrido, mas menos cansativo. Eu reagia simplesmente, acabava com nada e culpava a vida por isso.

Esse texto não faz nenhum sentido, eu acho. Estava com saudade de escrever aqui, com minhas palavras, dividir a minha dor não para que eu a cultive, mas para mostrar que, apesar dela, eu vou acordar amanhã, cuidar dos gatos, vestir a roupa, colocar uma maquiagem e vou trabalhar. Que a vida que é digna de ser vivida talvez seja essa mesmo, onde apesar de querer sumir num dia, a gente levanta e vai viver no outro.

Pra terminar a nostalgia, uma música borderline pra coroar este post meio melancólico. Estava ouvindo no carro e achei bem adequada...

Simple Plan - Welcome to my Life


23 de set. de 2014

Rock and Roll.


Comecei a escrever este texto sobre a relação do Rock e do TPB pra mim mas... Fez mais sentido que ele fosse em inglês. Para os que falam o idioma, sugiro que leiam só a versão original, pois a tradução ficou boa porém não tem o mesmo espírito.

Are you a Rock'n'roll Girl? I truly believe I am one of these. Spirit wearing fancy and scratched All Stars, heavy makeup on. And that bad attitude, not caring, not giving a shit.

I have been starting to believe rock'n'roll has everything to do with Borderline Personality Disorder. Wild, madly crazy people. The sounds that hipnotize us are not quiet strings of an opera aria, but heavy hard core guitar solos on fire. Screaming with the last spark of voice left inside our lungs. Spreading vodka on the air. Eyes numbed by the smoke around, where are we?

Best poetry I've ever heard, sorry for the ones who are fond of the classics, came out of the (wonderful) throats of Eddie Vedder. Laney Staley, Chris Cornell, John Lennon, Janis Joplin. And my prince, Sir Paul McCartney. They take you away, but not to a very warm and tidy place, but to a room full of mess: inside your own mind.

And isn't it what we are, fellow borders? A room of mess, a pool of deep feelings, all entangled in a way that we can hardly ever figure out? Life of screams for freedom, can't we even free ourselves from our own thoughts? Just as drums beat, we wander around the ambience, taking everywhere, filling everywhere with our simpathy, empathy, craziness, sadness and shall we give people a break? No. The beats never stop. They stump, and stumble, and bump, and banish ordinary around. Even from dreams.

Can we be, even for a moment, mere ordinary people? I wish. Or not. Drugs taken, theraphy attended, but inside ourselves we are and will always be rock'n'roll people. We are the sounds that take everybody over. No matter how we do it and honestly we don't give a fuck, we live. Like a rock'n'roll oncert, with thousands of people singing along a chorus sometimes they don't understand, as if they were connected in an enchanted net, they keep going.

And that's who we are, my friends. Crazy rock'n'roll chords that only rock'n'roll people get. And the good news are: even with the therapy, meds, mind training, control... The verses will keep on playing. On our mind.

TRADUÇÃO:

Você é uma garota Rock'n'Roll? Eu realmente acredito que sou uma dessas. Um espírito calçando All Stars chiques e arranhados, maquiagem pesada na cara. E toda aquela atitude má, não dando a mínima.

Comecei a acreditar que o rock'n'roll tem tudo a ver com o transtorno de personalidade borderline. Pessoas selvagens, enlouquecidamente insanas. Os sons que nos hipnotizam não são as notas quietas de uma aria em uma ópera, mas pesados e hard core solos de guitarra pegando fogo. Gritando com a última centelha de voz ainda restante em nossos pulmões. Jogando vodka pelos ares. Onde estamos?

Desculpem-me aqueles que são fãs dos clássicos, mas a melhor poesia que já escutei saiu das gargantas (maravilhosas) de Eddie Vedder. Laney Staley, Chris Cornell, John Lennon, Janis Joplin. E de meu príncipe, Sir Paul McCartney. Eles te levam pra longe, porém não para um lugar quentinho e arrumado, mas para para um quarto repleto de bagunça: dentro de sua mente

E não é o o que somos, colegas borders? Um quarto bagunçado, uma piscina de sentimentos, todos emaranhados de tal forma que nós raramente conseguimos compreender? Vida de gritos por liberdade, não podemos sequer libertar-nos de nossos próprios pensamentos? Tal como as batidas da bateria, vagamos pelo ambiente, pegando tudo, preenchendo tudo com nossa simpatia, empatia, loucura, tristeza e será que deveríamos dar um tempo a eles? Não. As batidas nunca cessam. Elas batem pesado, tropeçam, impactam e banem o normal a volta. até mesmo dos sonhos.

Podemos ser, mesmo que por um momento, meras pessoas normais? Queria que sim. Ou não. Remédios tomados, terapias seguidas, mas dentro de nós mesmos ainda somos e sempre seremos pessoas rock'n'roll. Somos os sons que levam a todos. Não importa como fazemos isso e honestamente estamos pouco se fodendo, só vivemos. Como um show de rock, com milhares de pessoas cantando juntas acordes que as vezes não compreendem, como se conectados em uma teia encantada, eles continuam.

Isso é o que somos, meus amigos. Acordes loucos de rock, que só pessoas rock'n'roll entendem. E a boa notícia é: mesmo com a terapia, remédios, treinamento mental, controle... Os versos continuarão a tocar. Em nossa mente.


Mad Season - Lifeless Dead

Curiosidade: A banda que canta é o Mad Season.

Mad Season foi uma banda grunge estado-unidense criada em 1994 como um projeto paralelo de integrantes de outras bandas com base em Seattle e do sub-gênero, o que a conferiu a alcunha de supergrupo grunge. Formada pelo guitarrista Mike McCready do Pearl Jam, o vocalista Layne Staley do Alice in Chains, o baterista Barrett Martin do Screaming Trees e o baixista John Baker Saunders, o grupo fazia um som diversificado a partir de uma mistura entre blues e hard rock.


(Wikipedia)

TRADUÇÃO:

Morto Sem Vida

Morto sem vida, aquele leito impuro
Até ou quando o desejo dela foi satisfeito
Como ele tinha desejado que eles se casassem
"Eu prometo pelo nosso amor" ela disse
Promessas nunca foram cumpridas
Sozinho em chão sujo ele dormiu

Yeah, morto sem vida

E apesar de que ele não tivesse acreditado
Ela havia ido embora e assim ele chorou
Então um demônio veio a ele
"Você deve saber que eu vou vencer"

Yeah, morto sem vida

Ele disse, ela disse
Ela o guiou a morte
Ele disse, nós sofremos
Ela disse, mas não tentou

Morto sem vida, morto sem vida

(essa devia ser música borderline também...)
28 de ago. de 2014

Minha namorada borderline - depoimento




Oi Eilan, tudo bem com você?

Venho encarecidamente pedir ajuda em uma situação que não estou mais conseguindo administrar. Vou tentar resumir a história...

Conheci uma menina linda e muito querida em 2009, através de uma amiga em comum, conversávamos nos intervalos nas manhãs de aula por um tempo, mas nada além de poucas palavras. Desde o início simpatizei muito com ela. Passamos alguns anos sem nos ver e acabamos por nos reencontrar na metade do ano passado, nos reaproximamos como amigas. Em janeiro desse ano começamos a ficar, no início era algo sem envolvimento, só por diversão mesmo. Com o passar do tempo os sentimentos foram surgindo e nossa aproximação aumentando. Foram 8 meses convivendo, conversando diariamente. Acabei me apaixonando por ela.

Quando fazia um mês que estávamos juntas, ela me contou que tinha TPB. Eu sabia que ela havia desistido dos fármacos que utilizava em um tratamento, porém não sabia que eram referentes a esse transtorno. Havia parado o uso ainda em dezembro por achar que eles modificavam muito a personalidade dela. Também vinha de um fim de relacionamento de dois anos com outra menina. Nesse mesmo mês ela teve uma briga com a terapeuta, e desistiu da psicoterapia também. Detalhe, ela formou-se em psicologia em dezembro do ano passado, tem 23 anos. Eu tenho 24 e sou estudante, agora, do quarto semestre de psicologia.

De lá, até o início dessa semana, estivemos juntas. Mas acabamos terminando o relacionamento por eu não saber mais o que fazer. Ela vem piorando a cada dia, tivemos momentos complicados, ela continuava a ficar comigo e com a ex namorada ao mesmo tempo. Elas trabalham no mesmo local, o que dificulta a minha situação. A outra menina, havia acabado o relacionamento com ela, alegando que não sabia lidar com a imaturidade, se arrependeu e quis voltar atrás. eu pedi diversas vezes que se não fosse intenção dela levar nossa relação adiante, ela deveria me avisar, coisa que ela nunca fez, ao contrário, sempre incentivou. Brigamos muito, mas não conseguíamos ficar longe uma da outra. Em julho resolvi pedir ela em namoro, ela aceitou com alguma relutância. Sempre alegando um medo de me fazer mal, também falou poucas vezes que me ama, que não tinha certeza disso. E admitia que não consegue se afastar da ex (e nem de mim). Nas últimas duas semanas ela me afastou muito, não me respondia direito, me deu bolo várias vezes. Pedi se ela gostaria de terminar o namoro, ela disse que sim. Foi o que fiz. 
Mas o que me preocupa é que ela está muito mal, muito mesmo, ainda nesta segunda, antes de terminar vi ela ter uma acesso de psicose e também notei que ela vem pegando a personalidade da ex namorada. Afastou quase todos os amigos e a família ignora as necessidades psicológicas dela. A mãe é um grande problema nisso, por não aceitar o transtorno e nem a homoafetividade. Conversamos sobre ela voltar a se tratar (coisa que fez desde uns 14-15 anos), mas ela me disse que não quer pq não tem solução, que está cansada e tem direito a negar tratamento. Estou muito preocupada com tudo isso. Como era a vontade dela, desde terça me afastei, mas não sei mais o que fazer. Ela veio atrás mas me mantive longe, estou com medo de estar piorando a situação dela. Estou com muito medo que ela tente suicídio ou algo assim. Fico confusa, não sei se faço bem ou mal pra ela, só sei que sou a única pessoa que tem percebido o quão mal ela está...

Por favor, me sugira algo pra fazer. Estou completamente sem norte e a amo muito, não quero que nada ruim aconteça com ela.

Obrigada por ler meu desabafo.

Beijos,

****************

* Baby... Infelizmente o que se tem pra fazer é torcer que ela busque o tratamento. Eu sempre bato nessa tecla: tem como ter uma vida que valha a pena ser vivida, mas precisamos do tratamento. Senão vai tudo por terra. 
E não dá pra obrigar ela a ir. Claro que a situação com a família dela não ajuda em nada, todavia ainda assim a escolha é dela, ainda mais sendo estudante de psicologia. 
Tente conversar, mas se preserve, sempre.


13 de jul. de 2014

Quando o diagnóstico vem depois dos 30. (depoimento)




Querida Eilan!


Teus vídeos têm me ajudado bastante. Queria te agradecer pela coragem de se expor. A tua coragem ajuda, certamente, muitos de nós, limítrofes. 

Tenho 39 anos e sofro do transtorno desde sempre, mas - principalmente - dos 19 em diante, quando as coisas foram ficando piores. Aos 20, passei um ano me cortando. Nunca mais fiz isso porque passei a ter muita vergonha, mas passei a abusar de medicamentos. Tentei suicídio muitas vezes. A dor é indescritível, você bem sabe.

Só fui diagnosticada há uma semana. Até então, passava por sérios julgamentos da minha família como sendo uma pessoa birrenta, raivosa, mimada e que queria chamar atenção. Isso me deixava extremamente pior. Com o tempo, minha mãe foi percebendo que eu "tinha alguma coisa", mas pensava que era depressão, embora não achasse que tinha muitas características. Pensava isso pelos meus momentos depressivos e destrutivos. Mas sempre dizia que não fazia sentido porque eu oscilava demais. Também não me achava bipolar porque eu não tive jamais crises maníacas, de euforia. Entretanto, nunca havia recebido diagnóstico correto.

No momento, estou tomando medicação e fazendo análise (há dois anos). Depois de ver teus vídeos, passarei a fazer ioga também e voltarei à academia.
Passei por um fim de relacionamento com uma pessoa que, embora fosse um doce em muitos momentos, me julgava muito e me acusava de não saber me relacionar porque meus relacionamentos não era duradouros como os dele. Isso foi me destruindo e acabei não suportando e tentando suicídio por conta das discussões. Ele nem sonha que tenho o diagnóstico e nem que tentei me matar. Eu terminei a relação e estou me recuperando. Agora meus pais estão me ajudando e meu pai, percebo, sente-se culpado por nunca ter percebido o que eu tinha antes. Ele comentou hoje, com as mãos no rosto: "Meu Deus, eu sou um cara que lê tanto, que estuda tanto, como nunca pesquisei o que a minha filha tinha?! Tantos anos achando que era frescura! Como não pude descobrir o que você tinha?!" Quase morri de pena. Ele não tem culpa. Ninguém tem. 

Ainda estou um pouco em choque com o diagnóstico, para o qual fecho em 100% dos critérios. Dá um certo alívio, mas desanima, por ser algo que não tem cura. Sei que terei muitos sofrimentos ainda. Não há com quem falar sobre isso por aqui. O único amigo com quem comentei, me abandonou. Nunca mais me atendeu, nem entrou em contato. Foi bem triste. Depois disso, nunca mais comentei com ninguém. Só meus pais sabem.

Morro de medo de entrar em uma nova relação. Tenho medo de ser maltratada, de estragar tudo, de não ter critérios de escolha dessa pessoa. Medo de me machucar, de me destruir se não der certo novamente.

Não sou do tipo agressiva. Embora já tenha acontecido isso sim. Hoje em dia, sou mais implosiva e sofro demais. Me aniquilo. Não vejo futuro, me sinto perdida, doi o tempo todo. Aquela coisa... A única coisa que consegue me tirar da cama quando estou muito mal, são minhas 4 cadelas que tirei da rua. Elas precisam de mim, dependem de mim, sofrem e se alegram por mim. São meus anjos. Já deixei de tentar suicídio outras vezes por causa delas, pois sei que não teria quem cuidasse delas. É a única coisa que me mantém um pouco.

Tenho desenvolvido uma certa fobia social, sinto-me desadaptada ao mundo e muito sozinha. Todos os meus amigos casaram, constituíram suas famílias, meu irmão, que é mais novo, também. E eu aqui. Sou uma mulher bonita, inteligente, meiga, carinhosa. Reconheço isso, mas não sei pra que me serve. Não me vejo capaz de viver sem alguém, em contrapartida, nunca tenho ninguém. Os homens reconhecem minhas qualidades, mas não querem compromisso comigo. E seguem me elogiando. Minha sensibilidade me mata. Na verdade, na minha última tentativa de suicídio, eu sinto que morri. Estou feito zumbi agora. Só durmo com medicação, só como se minha mãe vem a minha casa me trazer comida. Emagreci horrores. Envelheci muito nos últimos dias, é notável e triste. Estou muito isolada e sem forças para nada.
Vou tentar seguir a prática da ioga, como vc sugeriu. Também quero melhorar.
Te agradeço demais e gostaria de poder te ajudar também.
Um grande beijo.
Com carinho, 

Laura


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* Resolvi colocar este depoimento porque a maioria dos e-mails que eu recebo é de gente mais jovem - menos de 25 anos - e acho que foi o primeiro que recebi de alguém mais velho que eu (tenho 35).

Sempre comento a sorte que os mais novos tem de um diagnóstico cedo - quanto sofrimento eles podem evitar, se começarem o tratamento logo de uma vez. Só os Deuses sabem o que eu poderia  ter evitado, caso alguém tivesse cogitado o TPB pra mim. 

O que importa é que você está tentando, Laura. É difícil, eu sei. Você logo vai conseguir se levantar, eu acredito!


22 de jun. de 2014

Medo de quê?




Algo que eu me dei por conta nestes anos me analisando e a outros casos de amigos com o mesmo transtorno foi que vivemos em torno do medo. Temos medo de tudo. Imagine um bichinho assustado dentro de uma caixa escura, ele não sabe o que se passa lá fora, aliás ele não entende, apenas ouve barulhos e sente os trancos, de vez ou outra vê um olho curioso abrindo uma fresta da tampa para espiar. É mais ou menos isso. A gente vive com medo e todo nosso "jeitão" é apenas um disfarce muitíssimo frágil que a qualquer momento pode ser descoberto e nós nos vermos em maus lençóis.
Constantemente sinto medo, insegurança ou chame como quiser desde minha aparência física até mesmo do som da minha voz ou de como meu caminhar deve parecer. Será que eu devo parecer estranha? Acho que alguém deve sacar que eu não sou normal... Esses são só alguns poucos itens que passam em minha cabeça e que ouço com frequência de amigos.

No trabalho, escola, curso, entre amigos, na própria família, não importa, nunca nos sentimos a salvo. A sempre um motivo ou uma brecha para um momento insegurança. Qualquer risada mais alta que alguém deu, pode ser um indício que você não deveria ter exagerado na maquiagem. Dois dias de demora que o cara que você ficou demorou pra ligar já significa que ele te odeia e você é feia. Tudo, qualquer motivo é motivo pra pessoas com sensibilidade intolerante.

Já nos relacionamentos o fator só se agrava, onde se torna mais conhecido o famoso "medo do abandono". Queria deixar bem claro que desconfio e sou contra este termo. Proponho olharmos para o seguinte ponto, somos extremamente inseguros sobre nós mesmos, se alguém nós perguntar numa porcentagem o quanto nos sentimos vivos enquanto estamos com alguém contra quando estamos sozinhos, os valores são bem diferentes. Para se fazer imaginar é como quando o calor primaveril derrete todo o gelo e a geada do inverno deixando os bulbos das flores e brotos germinarem criando grande beleza. Hahaha me animo só de falar... Então corrijo, não é o medo de abandono que define o que acontesse, é um sentimento de semi morte, pois quando a pessoa amada se vai ela leva junto a graça da vida. Seja ou não seja, dentro da gente funciona assim. Esta é a nossa verdade, nossa prerrogativa e é nossa luta.


Um novo começo... E se a gente não tivesse medo? E se de repente a gente aprendesse a confiar mais em nós mesmos, afinal, só depende da gente. Podermos ser eternamente nosso próprio sol a esquentar. BOA SORTE!

19 de jun. de 2014

Feliz Aniversário?




Aniversário é um dia feliz, não é? Muitos abraços, sorrisos, recados carinhosos no facebook, festa e presentes... Certo?
Será mesmo?

Ontem foi meu aniversário e me vi nessa pressão de estar feliz, agradecida, aproveitar o momento e tudo mais, só que simplesmente não consegui. Boa parte do tempo o que eu lembrava era quando eu estava lá naquele lugar chamado "fundo do poço" e não recebi quase nada, porque, convenhamos, é bem mais fácil apoiar a felicidade do que a tristeza.

Não me levem a mal, esse texto não será um protesto sobre a noção torpe do que é "amizade" hoje em dia. É sobre aceitar o estado de espírito que estamos. É muito comum que queiramos "expulsar" a dor, por achar que ela não se encaixa com o ambiente ou o período que estamos vivendo e a consequência é que vivemos ainda mais este estado.

É mais fácil colocar a dor de lado, não lidar com ela. Ficamos em um estado de negação e, ao invés de tentar conviver honestamente com o que estamos sentindo, nos anestesiamos com coisas como álcool, sexo ou drogas. 

Desde o começo da semana estou tentando lidar com o fato de que não estava animada para o meu aniversário, não estava ansiosa e que por mim este diz simplesmente passaria sem maiores mudanças. Ao mesmo tempo minha lente borderline estava curiosa para saber se as pessoas a minha volta se lembrariam. Acabou que eu tomei AQUELE porre na terça, recaí e me cortei e passei o dia de ontem meio que me forçando a mostrar o sorriso que é aguardado do aniversariante.

Não que eu não esteja agradecida, por favor. Estou trabalhando, ganhando dinheiro, comprando minhas coisas. O blog está com uma visibilidade incrível, consigo alcançar e tocar as pessoas, enfim. Minha vida está melhor SIM. 

Ainda assim estava  e estou melancólica. O exercício que estou fazendo é tentar aceitar isso sem me julgar como se eu fosse um ET mal-agradecido. A dor faz parte da vida de qualquer pessoa. O que não posso é me deixar carregar por ela. 

Você que está me lendo tem essa escolha também. Aceitar sua vida como ela é e vivê-la. Nenhum sentimento é para sempre, nem a dor nem alegria. 

Então, feliz aniversário melancólico pra mim. 


25 de mai. de 2014

Quando experimentar uma droga se torna vício.





(post da Becky, do More Than Borderline)

Se você olhar meu histórico no Hospital Estadual de Richmond, vai ver que eu sou fumante de maconha. Não acho que isso deveria fazer parte do meu prontuário médico, já que só fumei duas vezes, ambas por razões médicas. Porém, porque a maconha não é aprovada para usos medicinais em Indiana, isso aparentemente me fez uma viciada.
Aí fiquei pensando: quando que "experimentar uma droga" se torna vício?

Quando você não consegue parar:

A primeira  vez que usei maconha eu estava me recuperando de uma cirurgia. Os analgésicos me deixavam com fortes náuseas e meu irmão insistiu que eu experimentasse algo diferente.  Em minutos, o enjôo sumiu. A sensação de estar chapada era agradável e eu logo percebi porque as pessoas arriscavam serem presas por ela - também compreendi como alguém pode se tornar viciado.

Experimentar é normal, vício não. Como eu disse, a pergunta é: "Quando experimentar se torna vício?"
Um sinal de que você está se viciando é quando não consegue parar de usar a substância. Se você tem que usar, se nunca é o suficiente, se você não pára apesar das consequências negativas, então experimentar se tornou vício.

O ato de experimentar se torna vício quando a substância em questão é a coisa mais importante no mundo,  quando sua vida gira em torno de conseguir e usá-la.

Quando você usa a droga para tratar sua doença mental:

Usei maconha pela segunda vez quando eu estava tentando lutar contra um episódio psicótico. Resumindo: não funcionou e meus amigos me internaram. Existe uma correlação entre a psicose e o uso de maconha, mas não é claro se você usa esta substância porque é psicótico ou se está assim porque a usa. Porém não importa - quando você faz uso de uma droga para tentar tratar sua doença mental, corre o risco de se viciar

A auto-medicação não funciona. Eu usei o álcool para tratar os meus sintomas do transtorno de personalidade borderline sem perceber que eu os estava piorando ao invés de melhorar. A medida que fiquei pior, minha solução era beber mais. Se isso descreve como você usa alguma substância, você tem um vício

Quando você pensa que tem um problema com drogas:

Se chegar a este ponto, seu ato de "experimentar" se tornou vício. Dito isso, você provavelmente é a última pessoa a se dar conta que tem um problema.

Minha terapeuta um dia me perguntou se eu já tinha considerado ir para os Alcoólicos Anônimos - respondi que a coisa não estava assim tão ruim - fato que ela discordava. Permaneci em negação pelo resto do ano até perceber que ela estava certa: eu tinha um problema.

Eu percebi muitas outras vezes que eu também tinha um problema com as drogas: quando eu me desesperava por estar ficando sem, quando vagava pelo centro de Indianapolis procurando por um bar aberto no dia de Natal porque eu precisava de um drink, quando o limite que eu me impunha era não sentir mais meu rosto.

Então o que fazer? Um terapeuta disse pra minha família que se um viciado não estava indo às reuniões, estava usando (eu discordo, já que fiquei sóbria por 3 anos sem ir para as reuniões). Reconhecer que tem um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Porém temos que fazer mais do que isso - precisamos agir. Que seja o programa dos 12 passos, rehab ou terapia, temos que fazer alguma coisa.

Mesmo que "experimentar" se transforme em vício, há esperança que possamos parar.

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Quantos borders que já me escreveram dizendo que "não gostam da terapia", "não querem os remédios"? Gente, o problema que temos é real. Tem que tratar. Existe possibilidade do diabético ficar sem insulina? Não. A gente fica irritado quando a sociedade não trata nosso problema como sério, mas somos os primeiros a não entender o básico.

Não sou perfeita, não estou estável, me dá muita vontade de chutar o balde sim, mas... Eu luto. Mesmo quando não acredito.

PS: tão acontecendo umas coisinhas legais aqui pro blog... reconhecimento do meu trabalho. Por enquanto é TOP SECRET!




21 de mai. de 2014

Relacionamentos com borders (trocando experiências)



(e-mail recebido)

Olá! Parabéns pelo blog, muito dinâmico e elucidativo. 

Dos fatos: Namorei por um período breve de apenas 5 meses, mas fazia tempo que não me envolvia tão a fundo como me envolvi com essa garota, a princípio já entrei na história do relacionamento muito preocupado, afinal tenho uma filha de 7 anos (que a mesma admitiu não gostar), e ela é 23 anos mais jovem do que eu!!!! 

E pra resumir a novela mexicana, depois de inúmeras discussões, uma delas durante uma viagem de férias, que estragou por completo a viagem e quase deu morte no aeroporto no retorno. A última discussão ocorreu na véspera de um exame que a mesma precisava realizar, e após a briga eu não pude acompanhá-la porque o clima era tenso. Para piorar ela acabou indo parar numa UTI, onde ficou por 7 dias devido à choque anafilático. Fui quase todos os dias visitá-la nesta UTI. No começo da relação e até antes quando conversávamos, eu sabia que ela tinha uma paixão mal resolvida de 8 anos, mas muitas vezes que eu questionei ela respondia: "Mas veja eu estou aqui com vc". Muito provavelmente o aqui com vc seria apenas o corpo. Pedi para meus caminhos fossem abertos, as duas situações de brigas foram muito tensas, pensei que seria o momento para me afastar, mas por amá-la tanto, a coisa foi se arrastando, até chegar na ocasião em que ela acabou indo para uma UTI. 

Numa última visita que fiz, o enfermeiro estava perguntando o que faria com os rascunhos que ela tanto tinha escrito por ocasião das visitas, afinal ela estava com entubação o que dificultava a comunicação. Ela respondeu que uma prima dela gostaria de levar de recordação, o enfermeiro disse que precisaria verificar quais folhas continham dados do tipo nome e idade de pacientes da enfermaria para jogar fora e devolveu um bloco de folha A4 para a prima guardar, mas nesse momento da devolução ele deixou próximo à cama a e não teve como eu não ler, a sensação foi de que era o destino me dando mais uma cutucada, me senti como se eu descobrisse ali que namorara até então uma jovem casada. Porque nos rascunhos ela afirmava que queria ter filhos com fulano, apresentava o fulano não sei para quem, talvez equipe médica, como sendo o grande amor da vida dela, etc, etc. Ela ficou muito desconcertada, mas caramba ela estava numa UTI eu tinha que me controlar e engolir seco. Me abraçou disse que decidiria ao sair, que gostava dos dois, isto foi há quase uma semana atrás. 

Já li muita porcaria na internet, até uma cartilha de como se desligar de uma pessoa borderline, mas nesse blog encontrei coisas muito mais sensatas e menos bizarra. A garota quando entrou na minha vida eu sabia que ela pausava o namoro com o tal cara de 8 anos e saia e ficava com inúmeros outros. Mesmo sendo um tanto quanto machista/conservador, na minha atual fase da vida eu consegui conduzir tudo isso. Mas essa do rascunho foi demais, não pensei em me desligar dela, como sugerido na cartilha que falei anteriormente, mas mesmo sofrendo muito, resolvi ajudar à distância, no tocante às situações de rotina de saúde. Desde então evito contato visual de qualquer natureza, mas estou sofrendo muito com tudo isso, pois a amo muito, mas não queria passar ou promover um constrangimento de estar num ambiente que de repente pode ser frequentado por mim e pelo namorado anterior.

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Então, qual a minha opinião sobre isso: antes de sermos borders, somos seres humanos e não temos o direito de magoar as pessoas. Para não fazermos isso existem os tratamentos, remédios... A responsabilidade de melhorar é muito nossa. Esta pessoa estava sofrendo por causa das indecisões desta menina e resolveu se afastar... quem sou eu para julgá-lo? As pessoas tem direito de se proteger sim. Os mais extremados podem achar que ele a abandonou, porém ele não o fez - ajuda a distância, e aguentou bastante coisa. 

Se ela realmente o quiser, tem que fazer um compromisso primeiro consigo mesma para melhorar e para tentar não magoá-lo. Conseguimos isso sim, não é fácil, exige tempo e muita luta. O importante é não sentar e simplesmente colocar a culpa no TPB e esquecer que temos que fazer nossa parte.

bjos da Eilan :*

- Querem mandar seu depoimento? borderlineggirl@gmail.com

Sigam a Eilan no instagram agora!! @borderlineggirl


26 de mar. de 2014

Quais os sinais de auto-mutilação em alguém com TPB?




A mídia nos dá uma imagem deturpada e esteriotipada de alguém que pratica a auto-mutilação, invocando imagens de adolescentes magros e sombrios, provavelmente com o cabelo tingido e vestidos de preto.


Assim como qualquer outro estereótipo, esta imagem pode ser aplicada a alguns que se envolvem em auto-mutilação , não chega perto de abranger a grande variedade de pessoas que fazem tal prática ou, mais importante ainda, as razões para as pessoas se envolverem neste comportamento.

Auto-mutilação é normalmente um sinal de um problema muito maior e é muitas vezes um sintoma de um distúrbio de saúde mental, como Transtorno de Personalidade Borderline ( TPB ) . O problema com o estereótipo é que podemos fechar os olhos para um amigo, um ente querido, ou colega de trabalho que podem estar se prejudicando, porque eles não se parecem com a pessoa " normal " que se auto -flagela.

Sinais de auto-mutilação:

Comportamentos auto- lesivos não discriminam. Qualquer pessoa, de uma empresária bem-sucedida ao melhor amigo de seu filho adolescente podem estar envolvidos. Mas se você não reconhecer os sinais de auto-agressão você pode nunca perceber, já que a maioria das pessoas que se envolvem em autolesão não medem esforços para cobrir as evidências.

Os sinais de auto-mutilação incluem os seguintes:

- Arranhões finos, quase como feitos por gatos;
- Machucados incomuns ou queimaduras;
- A pessoa usa regularmente mangas compridas ou roupas pesadas , mesmo se está quente;
- A pessoa parece deprimida ou ansiosa;
- A pessoa torna-se irritada ou na defensiva , se perguntada sobre os hematomas, queimaduras ou cortes.

Por que as pessoas fazem isso?

A auto-mutilação é também conhecida como auto- lesão não- suicida, já que aqueles que se dedicam a ela normalmente não pretendem acabar com a suas vidas. Então, por que elas fazem isso?

Há muitas razões:

- A auto-mutilação pode ser um mecanismo de enfrentamento, a dor sendo física e controlada, contra uma dor emocional incontrolável de um trauma passado, como abuso sexual ou negligência infantil;
- A auto-mutilação pode distrair alguém de tensões cotidianas, tais como problemas de relacionamento, problemas financeiros , ou um ambiente de trabalho estressante;
- A auto-mutilação pode ser uma tentativa de chamar a atenção de outros, ou um grito de socorro;
- Pode até ser um sintoma de psicose. A pessoa pode realmente ter ouvido "vozes", advertindo que se não se cortar, bater sua cabeça contra a parede, ou se envolver em outra auto-agressão, algo ruim vai acontecer.

Nem todo mundo que se mutila sofre de psicoses, é claro. Ainda assim, não há realmente nenhuma quantidade segura deste comportamento, então a ajuda deve ser procurada.

A auto-mutilação pode, de fato, levar a danos físicos irreparáveis. Em última análise, pode até mesmo levar a morte por um corte muito profundo ou de uma infecção resultante dele.

Há outras maneiras de enfrentamento saudáveis ​​lá fora. Há ainda terapias que pode ajudá-lo a parar seus comportamentos auto- prejudiciais.


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- Faz um tempo que eu não me corto. Sei lá, não sei bem como falar sobre isso. Fiz dois pequenos cortes na barriga um tempo desses, não me lembro o motivo, acho que estava frustrada. As vezes sinto falta como a que sinto de um cigarro. Às vezes nem lembro que eu fazia isso, até olhar para as minhas cicatrizes nos braços, que hoje andam expostas aos olhares do mundo, pois me cansei de usar sempre as mesmas roupas, todas de manga, e consequentemente morrer com o calor pernambucano.

Sinto falta de muitas coisas e fico pairando entre esse meu mundo border/real, onde sinceramente não sei onde me encaixo. Na dúvida é que a lâmina me chama. Lembro da sensação de paz e tenho vontade de fazê-lo. As vezes eu caio, mas no outro dia eu recomeço, como se tivesse simplesmente saído da dieta.

Cada dia é mais um, que eu saí da cama, que trabalhei, que lutei, que consegui, enfim.

Ainda acredito.


15 de mar. de 2014

Depoimento: Mais uma garota borderline.





Olá, borderline girl!

Também sou uma garota, hoje com quase 22 anos. Tenho crises desde os 13. No início acontecia geralmente uma vez por mês, próximo da tpm. Chegavam esses dias e minhas unhas quebravam. Eu me sentia feia e, desde então, comecei a desenvolver o hábito de pensar coisas negativas sobre mim. Passava a menstruação, eu pintava o cabelo. Naquele primeiro ano pintei inúmeras vezes o cabelo. Era muito impulsiva. Comecei a me relacionar amorosamente sem nem saber direito o que queria. O cara era um pouco mais velho que eu e me levava sair com a galera dele, onde rolava bebida e até drogas. Me pergunto às vezes, como ninguém daquele grupo notou que eu era uma pré-adolescente ainda sem personalidade? Comecei a desistir da escola e das pessoas normais, passava o dia dormindo. 

A auto-mutilação começou nessa época, não lembro direito quando exatamente. Mas era no banheiro de casa e quem acabava por assistir isso eram as pessoas mais próximas de mim, ou seja, minha família. Eles tentaram me levar numa psicóloga, mas eu estava revoltada e achei a médica uma arrogante. Fui sobrevivendo até notar que tinha feito minha mãe sofrer um monte, ela estava com olheiras enormes já. No segundo ano, decidi que seria uma boa aluna para orgulhar minha mãe. Decidi que melhoraria. Procurei me relacionar com pessoas boas e até fiz uma grande amiga nessa época. Mas os dias ruins ainda aconteciam, talvez com menos frequência. 

Promiscuidade também marcou um pouco essa fase. Mas, bem, até aí parece normal por se tratar de uma adolescente, não é? Bem que eu queria que tivesse ficado para trás. Consegui virar uma boa aluna sim, terminei a escola com a vaga dentro de uma faculdade federal já garantida. Nesse meio tempo, pelo menos três relacionamentos amorosos bastante conturbados. Cicatrizes no pulso. Antes de ir para a faculdade eu já estava bem mais amadurecida e resolvi tatuar por cima das cicatrizes. Tinha tampado boa parte das marcas. Mas meu pior corte foi no segundo ano da faculdade, já num quarto relacionamento sério, onde tive que fazer pontos e por isso hoje minha tatuagem está falhada... feia. 

Mas enfim, nesse texto não consigo contar tudo pelo que passei. Algumas crises marcaram mais, outras deletei. Nesse segundo ano de faculdade, 2012, aceitei a terapia. Antes disso, em 2010 tinha visitado um psiquiatra e um neurologista, indicações de amigos e conhecidos da minha família. A saga da minha mãe pela minha cura continuava, acho que continua até hoje. Então, em 2012 aceitei terapia, psiquiatra e medicação. Foi essa médica quem me diagnosticou como border. Foi ela que me internou durante as crises mais fortes. Foi ela quem me falou em investir num tratamento apoiado pela minha família. Eu tentei por um tempo, mas sempre me cobrei muito pelo valor gasto nesse tratamento. Foi com essa supervisão toda que me afastei da faculdade, trancando o curso. Fiquei alguns meses na casa dos meus pais dando continuidade a minha recuperação (o que causou tudo isso na verdade foi um término de relacionamento, segundo cara que me abandonou e eu não consegui aceitar tendo dificuldades até agora, no presente, de aceitar). 

Mas eu precisava fazer algo da minha vida e foi assim que planejei vir pra uma cidade diferente, longe de todo mundo, na busca de um emprego e uma estabilidade nova. Em agosto do ano passado fiz essa mudança. Tomei os medicamentos em agosto e passei esse mês procurando emprego. Em setembro comecei a trabalhar e, me sentindo bem, parei com a medicação. A médica e a terapia ficaram na outra cidade. Consequência: fiquei um mês naquele emprego e quando começaram as pressões, desisti. Já estou em um novo relacionamento e ainda consigo conturbar as coisas com a minha infelicidade geral com a vida. Assim contando, só me desmotivo mais... parece tudo tão feio, tão errado. Já me desmotivei a continuar escrevendo... te contato em outro momento quando conseguir falar sobre como me sinto agora. 


Obrigada pelo espaço de desabafo.


Att. J


* Espero que contate sim, J., e seja com notícias melhores. Continue tentando. Beijos e muita luz, Eilan.


5 de mar. de 2014

Abuso de Substâncias e o Borderline (2)





Dois terços das pessoas com Transtorno Borderline abusam seriamente do álcool, drogas e / ou medicamentos prescritos .  Uma razão comum  relatada por borders para abusar de álcool e drogas é que tais comportamentos temporariamente aliviam a dor emocional grave que eles experimentam , especialmente quando sob estresse.
Previsivelmente, esse alívio é de curta duração . Pior ainda , o uso destas substâncias marcadamente
diminui o controle já prejudicado das emoções , comportamento impulsivo e capacidade de raciocínio .

É possível que algumas das alterações genéticas que são fatores de risco para o TPB também pode estar entre o grupo de genes que predispõem as pessoas ao alcoolismo e o abuso de drogas.

Critérios do DSM-IV-TR para Transtornos de Uso de Substâncias :

Existem dois tipos de transtornos por uso de substância , a dependência de drogas e o abuso de substâncias.

Dependência de Substâncias

Um padrão de uso de substância que leva a um comprometimento significativo ou sofrimento em três (ou mais) dos seguintes:

● tolerância , tal como definido por:
~ Uma necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para atingir o efeito desejado, ou
~ Um efeito acentuadamente diminuído com uso contínuo da mesma quantidade da substância.
 ● sintomas de abstinência característicos para a substância , ou aumento do uso para aliviar ou evitar sintomas de abstinência
● a substância é consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido 
● um desejo persistente ou esforços infrutíferos para reduzir ou controlar o uso da substância
● muito tempo é gasto em atividades para obter a substância , usar a substância , ou se recuperar de seus efeitos 
● atividades sociais , ocupacionais ou recreativas importantes são abandonadas ou reduzidas
● o uso da substância continua , apesar dele causar um  problema físico ou psicológico  persistente ou recorrente (por exemplo, o uso de cocaína , apesar do reconhecimento da depressão induzida por ela)

 Abuso de Substâncias: 

Um padrão de uso de substância que leva a um comprometimento significativo ou sofrimento em um (ou mais) dos seguintes:

● fracasso ao cumprir obrigações importantes no trabalho , na escola ou em casa;
● uso recorrente da substância em situações nas quais é fisicamente perigoso;
● problemas legais recorrentes relacionados à substância;
● uso contínuo da substância , apesar de ter problemas interpessoais ou sociais persistentes ou recorrentes, causados ou agravados pelos efeitos da substância.

Consequências do Abuso de Álcool e Drogas Ilícitas no Transtorno Borderline:

● dramático agravamento dos sintomas de transtorno;
● marcada diminuição da eficácia dos medicamentos e psicoterapia;
● vício e desejo e por estas substâncias.

Tratamento

Por todas estas razões, eu recomendo fortemente que meus pacientes com o TPB para que não usem álcool, não usarem drogas e tomar medicamentos prescritos apenas como ordenados por seus médicos. Além disso , encorajo aqueles pacientes que têm um transtorno relacionado ao uso de substâncias para se inscreverem em um programa de tratamento de álcool ou drogas, incluindo participação em reuniões dos Alcoólicos Anônimos ou Narcóticos Anônimos. Sugiro também a alguns deles que eles podem se beneficiar do Antabuse (remédio utilizado no tratamento de alcoolistas), se eles não são capazes de
controlar sua ingestão de álcool, ou o anti-epiléptico e estabilizador do humor Topiramato, devido ao seu potencial relatado para reduzir a ânsia por álcool e drogas em pacientes dependentes . A utilização de topiramato para o tratamento de Transtornos de uso de substância é um uso não padronizado da droga (não é uma indicação aprovada pela Food and Drug Administration , FDA ) . Os potenciais efeitos colaterais de ambas as drogas devem ser discutidos cuidadosamente com seu médico.

Conclusões

● transtornos por uso de substância são um dos mais fortes preditores de resultados pobres de tratamento a curto e a longo prazo do transtorno borderline.

● Há pouca ou nenhuma esperança de ganhar o controle sobre os sintomas do TPB, enquanto o álcool e outras drogas estão sendo usados ​​, não importa o quão apropriado do programa de tratamento seja.

(tradução livre/edição de: Substance-Use Disorders Co-Occurring with Borderline Disorder por Robert O. Friedel, M.D., autor de Borderline Personality Disorder Demystified e www.BPDdemystified.com .)



22 de fev. de 2014

Abuso de Substâncias (dependência química)




Abuso de substâncias significa mais que usar drogas ou álcool regularmente. Duas características que definem esse ato são a dependência a uma substância e a inabilidade de parar de usá-la, apesar das consequências negativas associadas a ela.

Mais de 23 milhões de americanos lutam com o vício de drogas ou álcool, muitas vezes colocando suas vidas em risco. Dependentes podem se engajar em comportamentos arriscados, roubar dinheiro para comprar mais drogas/álcool ou mesmo ter problemas com a justiça.

Os sintomas físicos do abuso de substâncias são:

- Perda ou ganho de peso repentino
- Mudança no padrão de sono
- Olhos injetados
- Negligência consigo mesmo
- Fala arrastada ou coordenação afetada.
- Tremores.

O abuso de substâncias pode levar ao vício. Viciados em drogas e álcool acabam por aumentar sua tolerância à estas substâncias, e também perda total de controle do uso destas. experienciarão a síndrome de abstinência ao parar.

Tratamento

Você pode achar que não há esperança para que consiga parar com sua dependência, mas existe como aprender-se a parar de contar com substâncias para se lidar com o dia-a-dia e viver sim uma vida mais saudável.

Uma internação pode ajudar você a reunir as forças que você precisa para acabar com tal comportamento. Tratamentos usados também involvem terapia individual e de grupo, como também terapias especializadas. 

As pessoas geralmente começam a usar drogas ou álcool para mascarar ou lidar com sintomas de outro transtorno, como o Transtorno do Estresse Pós-traumático, depressão, transtornos de ansiedade e o TPB.

Se você está sofrendo com isso, buscar ajuda é o primeiro passo para conseguir a recuperação.

(tradução livre daqui)


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Recebo um monte de e-mails de gente que é usuária. Têm que procurar ajuda. Vocês sabem que não leva a nada, que piora. Eu mesma sei que tenho que diminuir a bebida. O abuso de substâncias é uma comorbidade comum entre nós borders e temos que estar alertas a isso!

Me dei conta que quase não falei de drogas aqui, pois não é algo comum no meu dia-a-dia... Estou corrigindo isso.

Vamos tentar fazer uma vida que valha a pena ser vivida? 
17 de fev. de 2014

Minha namorada tem borderline (trocando experiências)





E-mail que recebi semana passada:

Olá meu nome é D. (não gostaria que identificasse este nome) , pode me chamar de D , minha namorada tem este transtorno, na verdade quando há conheci não sabia disto e aos poucos ela foi me falando , hoje ela faz tratamento com psiquiatra e psicologo, ela por algumas vezes no mes se corta,tem crises fortes de furia e parece que as vezes fica atuando sabe? na verdade muitas vezes tenho paciencia outras não, fico sem saber como agir pois parece que pessoas com este transtorno quer que o mundo gire em torno delas são extremamente carentes afetivamente e tem medo de serem abandonadas. Gostaria de saber como lidar melhor com ele ao ponto que também não me prejudique psicologicamente, e se este transtorno pode amenizar e ela ter mais facilidade em se relacionar com pessoas, digo isto pois ela não tem muitas amizades


Oi D.!

É difícil falar sobre "namoro borderline" quando eu mesma posso estar no mesmo papel que sua namorada a qualquer instante. Mas vamos lá: Primeiro de tudo, que bom que ela está se tratando, isso já faz as coisas ficarem mais fáceis. Porém leva tempo, D. Eu mesma estou em tratamento há um ano e me cortei a uma semana. Claro, no meu caso a frequência é beeem baixa, mas pra você ver que recaídas acontecem.

Sua namorada age estranho porque ainda é a única maneira que a mente dela enxerga de como se portar. Não é por querer que o mundo gire em torno dela, é por achar que a única maneira de ser amada que resta pra ela é chamando a atenção, é implorando. Não tô aqui dizendo que é pra você passar a mão na cabeça dela não, por favor. TPB não é desculpa pra fazer o que quiser. O que eu estou dizendo é que as razões dos atos dela não são ruins. Ela ainda não percebe.

Ela vai morrer de medo sim que você a deixe e pode te testar. Isso não é bom. O que você pode fazer para ajudar? Mande mensagens dizendo que a ama. Dê uma foto pra ela carregar, ou qualquer objeto que lembre você e diga que é pra ela se sentir contigo. Seja coerente, não caia em brigas, tente de alguma forma expor suas razões objetivamente, tentando não usar frases como "não acredito que você está com raiva por algo tão pequeno", "isso é besteira", "você está exagerando"... Não invalide os sentimentos dela, não precisa concordar, mas deixe claro que sim, o fato dela estar sentindo A ou B é compreensível mas que você tem uma opinião diferente pois tem o direito de discordar, e isso não faz que você a ame mais ou menos. Imponha limites, sempre.

Eu sei, na hora da raiva é difícil pensar em tudo isso. Por isso tô te dando dicas. E com relação a você, bem, já tiveste uma boa atitude que foi buscar informação a respeito do TPB. Leia. Proteja-se, tendo tempo pra si mesmo, fazendo atividades que gosta. Lembre que não é pessoal, que os ataques de fúria não existem porque é com você. 

Com o tratamento, os sintomas amenizam sim. O tempo ajuda a gente a saber como se portar em determinadas circunstâncias. A raiva passa mais.

Para terminar, D, olha... Ninguém disse que é fácil. Mas ter um amor de uma garota borderline é um presente. Ela vai ser sua e estar neste relacionamento de tal forma que duvido que encontres novamente em sua vida. E, acima de tudo, ela não é só o transtorno. 

Espero ter ajudado!!