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23 de jul de 2013

O Borderline Silencioso




O Transtorno de Personalidade Borderline é diferente para cada um que sofre dele. Apesar de haver um número limitado de coisas que qualificam uma pessoa para este transtorno, como e quais combinações de sintomas ele mostra é bem individual.  Outra coisa que é importante lembrar é que o TPB é só um aspecto do faz de alguém que é. As experiências, idéias, gostos, preferências e sim, base da personalidade do indivíduo são únicas, fazendo até mesmo aqueles que tem o TPB pessoas únicas. O transtorno de personalidade borderline por si só é geralmente estereotipado como um transtorno de mudanças de humor agressivas e intempestivas e uma agressão focada. Todavia, como a maioria dos esteriótipos, isso não é verdade para todos.  

O Borderline Silencioso é bem menos comum mas igualmente traiçoeiro, talvez mais ainda, porque pode ser mais complicado de diagnosticar alguém que mostra as características desse tipo de Borderline. Por que? Porque ele é mais propenso a agir de uma forma mais interna que externa. Ele não é conhecido por crises abertas de raiva, onde outras pessoas podem vê-lo, então é mais difícil de reconhecer que há um problema. É bem típico que somente aqueles que são bem próximos, geralmente envolvidos intimamente com a pessoa, saberem que há um problema que precisa ser solucionado.

As razões para um diagnóstico de TPB são essencialmente as mesmas para aqueles que são "silenciosos" e os que reagem externamente. A principal diferença é como o transtorno se apresenta e se manifesta. Como a pessoa expressa seus sintomas.

Geralmente o border silencioso sente-se preso, incapaz de se expressar ou mover-se para qualquer direção. É comum que os terapeutas os estimule a botar os sentimentos para fora, a conectarem-se com eles e se expressarem. Mesmo quando provocados, um border silencioso pode se mostrar inperturbável, até ficar sozinho e então lidar com seu tumulto interno sozinho, em silêncio. 

Anne, uma border silenciosa, escreve:

"Eu não fico furiosa ou me mutilo. Nunca fui capaz de expressar raiva - minha mãe não me permitia isso e eu nunca encontrei uma maneira para deixá-la (a raiva) sair. Sou muito machucada para ficar com raiva.
A maior parte do tempo eu me sinto completamente sozinha, vazia e amedrontada. Anseio ficar sozinha mas muitas vezes abuso de remédios quando estou sem ninguém por perto. Todavia tenho pavor de pessoas e evito estar perto delas. eu sou extremamente ansiosa e deprimida frequentemente.
Sinto-me diferente - como se estivesse em uma cápsula. Eu não sou como as outras pessoas e não compreendo como elas se sentem. Às vezes parece que estou assistindo a vida passar pelo lado de fora. Não tenho muita esperança de me sentir normal algum dia - sequer sei o que isso significa."

O border silencioso muda tudo internamente, onde ninguém mais possa ver. Porém seja silencioso ou não, o vazio emocional resultante é o mesmo. Frequentemente o border silencioso está em maior risco, porque embora o "border típico" atraia muita atenção negativa, pelo menos ele está conseguindo alguma atenção, que cria uma abertura para qualquer intervenção. Com o border silencioso pode ser que nunca se saiba que há um problema que precisa ser curado.

"O border silencioso tende a experimentar uma auto-destruição implosiva enquanto a reação que o borderline típico tem é uma auto-destruição explosiva que atira estilhaços emocionais em qualquer um que chegar muito perto. Ambos estão emocionalmente indisponíveis mais frequentemente. O border silencioso usa a anulação e o silêncio como formas de se proteger contra uma intimidade que eles temem e o border que reage externamente usa de confrontos, intimidação e muitas vezes críticas." - Dr. A.J. Mahari

Para o border silencioso, ao invés de dar aos outros uma chance de abandoná-los, ele frequentemente se ausenta da multidão para evitar este abandono. Todavia, isso não significa que ele não está sofrendo por isso. Especialmente se ele está nas garras da auto-mutilação. "Ao invés de agir de uma forma que pode levar outros a abandoná-lo, ele continua a abandonar-se (e sua criança interior), sendo repetidamente auto-abusivo e se odiando. Ele vira o medo do abandono em si mesmo. Muitos 'borderlines típicos' projetam esse conflito interno nos outros. Isso leva o border silencioso a quietamente, mas implacavelmente, a sangrar"emocionalmente"  por dentro, mais e mais profundamente dentro do vazio onde o self recisava ser compreendido. Na ausência de conhecer a si mesmo, o abuso repetido, o abandono e a aniquilação deste self, os borders silenciosos sentem como se uma 'personalidade estrangeira' se espalhasse dentro deles - um falso self ".

O medo de abandono e rejeição sentido tão agudamente pelos borders geralmente leva a uma reação externa que leva essa dor para os outros ou a uma reação interna, levando esta dor para dentro de si. Isso não significa que estas características não se misturam ou mudam com o tempo.

"O border silencioso, não é o" border tradicional". O border silencioso não é o border mais temido. Ele conhece a mesma raiva borderline tradicional, mas ela é dirigida para dentro e não para fora. Em muitos casos, é o border silencioso que pode muito bem estar em maior risco. Estes borders, no entanto, estão prejudicando a si mesmos em taxas alarmantes e à noite se matando. As falhas dos sistemas de saúde mental para tratar isso adequadamente este é  mais um abandono imposto sobre o border silencioso. Ele muitas vezes não é levado a sério ou ouvido a tempo de fazer a diferença ". - Dr. A.J. Mahari

É importante reconhecer que há diferenças na forma como Transtorno da Personalidade Borderline se apresenta. Nós não podemos curar o que não podemos reconhecer.

(tradução livre deste artigo)

12 comentários:

  1. muito bom o artigo. me descreveu por inteira.

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  2. Muito interessante este post. O "problema" é a desinformação! Nunca tinha ouvido falar deste tipo de manifestação do TPB, é algo que se encaixa muito em mim, não sou daquelas de ficar divulgando o meu imenso sofrimento e essa sensação constante de vazio. Sou muito sensível a rejeição, na maioria das vezes ela não existe, apenas é distorcida, mas não sou aquela de implorar e mostrar o quanto estou me sentindo abandonada, tenho raiva de mim por ser assim, então de noite sento no canto da cama com meu estilete e me "vingo" dessa criança insaciável dentro de mim.

    O profissional de saúde está habituado ao tipo de borderline mais manifesto e esquecem daqueles que sofrem mais em silêncio ainda, ficam mudando de diagnóstico toda hora como se girassem uma roleta e nunca conseguem dar conta de entender o que realmente aflige e semm um diagnóstico certo, remédios são temporários e muitas vezes pioram o estado destas pessoas.

    beijos e boa noite

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  3. Eilan, seu post é muito esclarecedor. Tenho certeza que vai ajudar muita gente. Encontro aqui tantos artigos bacanas, por isso o blog ganhou aquele livro. Tem muito conteudo aqui, e tb muita emocao. Bjs

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  4. Oi querida
    Estou voltando as atividades blogosféricas. Muito bom o artigo, não sabia que existia esse tipo de boder também, deve ser tão sofredor quanto o tipo mais comum. E vc, como está? Vou te mandar um convite para o face.
    Bjos. e #tamo junto.

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  5. Boa tarde Eilan...cada post lido é algo que me identifico mas não pelo agora.. mas sim pelos meus 15 anos... nós vivemos num envoltório de emoçoes, nunca sabemos de onde elas vem e pq.. e cada emoção nos destrói lentamente.. a raiva age sobre nosso figado.. e ali surgem as dores de cabeça.. o medo age sobre nossos rins.. dai vem as quedas de cabelos.. a falsa euforia age sobre nosso coração dai vem ataques cardiacos e outros problemas.. sobre o pulmão age a tristeza.. sempre nos deixando vulneraveis a doenças..e por fim o baço que age sobre a emoção da preocupação.. e isso mostra pelos numeros de pessoas obesas.. que estão sempre preocupadas e descarregam na comida.. sem falar na menstruação que desregula tudo.. tudo tem uma orgiem.. não podemos nos jogar nas cordas.. mas é o que acontece hj em dia.. muita gente se joga na frente de uma televisão e passa o dia inteiro vendo lixo.. novelas programa do ratinho jornais e por ai vai.. nós temos o livre arbitrio mas não estamos sabendo usar ele da melhor forma.. quem fala de doença.. é doente.. quem fala de assalto é assaltado.. ou seja a gente atrai tudo que nos acontece.. então pq não mudar a vibração.. que assim seja... bjs e um lindo dia

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  6. Muito bom esses textos traduzidos amplia nosso conhecimento sobre o assunto, seu trabalho aqui na blogosfera é lindo ( não me canso de dizer) .

    Bjs

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  7. Olá Eilan!
    Desculpe o sumiço! Fiquei na correria essas semanas..vou reler todos os posts do blog com calma. E não posso deixar de notar o novo layout do blog ficou muito bom...e também gostei da foto de si mesma que vc colocou! Como estão as coisas por ai, tudo certo?
    Ah...a camisa é linda mesmo..ganhei de presente mas ela ficou folgada em mim mesmo sendo M..e ela é comprida também...se quiser posso ver quanto ela mede de cintura e ombros!
    bjs

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  8. Exatamente eu.
    Exatamente por ser uma "borderline silenciosa", como vc diz, e não exteriorizar metade do q sinto, é que demorei alguns anos até ser diagnosticada.

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  9. obrigada. nunca tinha lido algo que me descrevesse com tanto conhecimento. me achava um pouco menos borderline, porém ainda sentindo a mesma dor. Dor que normalmente evoluía para alguma tentativa de suicídio.

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  10. Recentemente descobri e fui diagnosticada com o Transtorno e sempre sentia que essa parte da raiva extrema e a impulsividade nos atos de fúria e descontrole não batiam comigo. Ao ler essa postagem me identifiquei logo de cara, cada descoberta me sinto mais liberta das prisões que eu mesma imponho na minha vida e em mim. Obrigada pelo esclarecimento.

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  11. Nao sei se sou borderline silenciosa,apesar de eu me encachar em muitos dos sintomas,eu nao sinto a necessidade de ter alguem ou de nao ser rejeitada,nao sei é muito confusso,as vezes sinto uma necessidade grande der ser amada,e do nada isso pra mim é "tanto faz",tenho uma dificuldade imensa de me expressar,sou extremamente fechada,nao mostro meus sentimentos pra ninguem,nem para os mais proximos,tanto que nao choro,mesmo estando sozinha,é como se eu estivesse me privando ate de mim mesma,a visao que os outros tem de mim é completamente falsa,nem minha mae me conheçe de verdade,eu sinto que nao sou feliz,apessar de aparentar ser,as vezes eu bloqueio sentimentos tristes e tento ser,mais no fundo sou muito,muito infeliz,eu passei um tempo me analisando e percebi que essa tristeza nao surgiu de momentos ruins que eu passei e sim venho de mim mesma,eu nao sei,isso simplesmente doi,doi incondicionalmente,eu quero melhorar so que ao mesmo tempo nao quero que saibam como me sinto,que nao tenham que se preocupar,que eu nao seja um problema,pode ser ironico eu estar compartilhando tanto de mim aqui,estou conseguindo fazer isso, porque nao estou tendo que me comunicar cara a cara,entao pra mim é mais facil assim,bom acho que era isso rs.

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  12. Excelente o artigo. Faltava para mim entender meus dramas, pois acredito ser border, mas nunca fui explosivo. Agora tenho um norte para cuidar de mim. Obrigado pelo artigo.

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