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16 de set de 2014

Não me Deixe! O Transtorno de Personalidade Borderline e o abandono. (1)



No ano 2000, eu passei pelo que as pessoas com TPB tem pavor: um abandono quase total. Um resumo da estória: minha igreja acreditava que meu problema mental era uma possessão demoníaca, e eu saí dela. Como resultado, quase todos os meus "velhos amigos" da igreja deixaram de falar comigo.
A memória é tão dolorosa que eu não sei direito como sobrevivi. Ainda assim eu o fiz e você pode sobreviver a um abandono real ou imaginário também.

A relação valia a pena?

Nos casos onde você se sente abandonado, esta deveria ser a primeira pergunta que devias fazer. O relacionamento valia a pena o sofrimento que você passou ou está passando? Era um relacionamento saudável? Você está melhor sem ele? Se a resposta for não, por que você está vivendo esta tristeza?

Isso não é para rebaixar a dor de perder um relacionamento. Mesmo em casos em que você está claramente melhor sem ele, ainda dói. Por exemplo, eu estava chateada quando terminei meu noivado com um homem abusive e promíscuo. Porém eu olhei para o relacionamento e percebi que eu estava melhor sem ele. eu realmente queria ser baleada com uma pistola de chumbinho quando ele se sentia meio sádico? Eu realmente queria ser traída com duas mulheres diferentes na mesma semana? A resposta era um enfático "não", e este insight me permitiu sobreviver o que eu sentia ser um abandono real.

O que estou perdendo e a que custo?

Esta também deve ser uma pergunta importante. O que no relaciomento que você está sentindo falta e está te deixando mal? Qual o preço dessa necessidade?

Na minha experiência com a igreja, eu sentia falta do senso de pertencer a algo. Eu estava com saudades de ser amada. Mas o preço era comprometer quem eu era. Eu tinha que negar o fato de que eu tinha uma doença, o que significava que eu não poderia ter um tratamento. Contando com o fato que eu estava frequentemente com pensamentos suicidas, psicótica ou ambos sem minha medicação, esta não era uma situação saudável. O custo de um relacionamento abusivo era simplesmente alto demais.

Você pode estar na mesma situação. Você pode sentir que tem que comprometer suas crenças mais profundas a fim de ser aceita. É importante lembrar que se você não é aceita como é, não é aceita de verdade.Se não podes ser você mesma, não és amada verdadeiramente. Esse preço vale a pena? Vale a pena sacrificar sua identidade por pessoas que querem que sejas diferente?

Posso encontrar esta minha necessidade em outro lugar?

Responder esta pergunta requere muita saúde mental e uma auto-imagem positiva, então tenha cuidado se você decide perguntar isso. A letra da música “Lookin’ for love in all the wrong places”  (música de Johnny Lee - traduzindo: Procurando o amor em todos os lugares errados) existe por uma razão.

No começo, eu encontrei este senso de aceitação no álcool. Ele deixava minha dor dormente e fazia ser mais fácil falar com as pessoas - ou eu pensava que era assim. Meus amigos de bar eram minha rede de apoio. Porém, eu percebi logo que beber piorava meus problemas. além de ter uma doença mental e sentir como que ninguém se importava, estava ficando alcoólatra. Estava me auto-medicando e isso fez meus sintomas psiquiátricos ficarem piores. Não sabia mais o que era o álcool e o que era a doença.

Eu eventualmente resolvi minha necessida de amor em outra igreja. Eles me aceitaram não importando meus problemas - apesar do alcoolisomo e do transtorno. Me encorajaram a procurar ajuda e me seguraram infinitas vezes por minhas ações. Ninguém ajuda ninguém tantas vezes se não se importar.
Embora você pode não querer encontrar o que procura com religião, há um grupo em algum lugar que vai te amar pelo que você é. Só tens que continuar procurando.

(tradução livre do artigo: Don’t Leave Me! BPD and Abandonment)

NOTA: A maioria dos textos informativos que coloco aqui são do blog sobre TPB no site Healthy Place - America's Mental Health Channel. Quem escreve este blog é Becky Oberg, uma border com tratamento. Escolhi-os porque acho a linguagem mais acessível e com exemplos reais, ao invés de muita linguagem científica, apesar de poder usá-la eventualmente. Aos que falam inglês e querem ler o texto na íntegra, basta acessar o link. Me esforço para que minha traduções sejam fidedignas.

Resolvi dividir este assunto em duas partes pois tenho MUITO  a falar sobre isso. Este medo de abandono, tão característico aos borders, foi a primeira coisa que me fez ter absoluta certeza de meu diagnóstico, além do fato de que minha crise se deu pelo término de meu namoro de 5 anos.
Então deixei para falar sobre minhas experiências num próximo post, pois ainda não respondi e consegui seguir nenhum destes conselhos citados no texto e, além disso, tenho que me preparar, já que este é um assunto deveras doloroso pra mim.

4 comentários:

  1. Eu tenho personalidade borderline e tenho pavor de ser abandonada. Toda vez que fui "abandonada" e foram muitas vezes, talvez pela minha personalidade difícil, eu realmente quase enlouqueci, mas estou aqui hoje. Viva e tentando compreender e melhorar a mim mesma nesses momentos.

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  2. Querida,
    sempre venho aqui,
    somente não
    comento por me sentir
    impotente diante da
    seriedade do assunto.
    Bjins
    CatiahoAlc.

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  3. Agora que estou entendendo muita coisa na minha vida e suas postagens fazem parte desse entendimento. Ótimo post.

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  4. Eu, estou conhecendo o assunto recentemente, mas penso não ter medo de rejeição, porém o medo pode ser tão grande que crio mil barreiras para não começar um relacionamento. parece que fico bem só, mas no fundo, procuro alucinadamente uma companheira, embora vejo só futilidade nas pessoas. Sou antisociavel, não por atitudes, mas por palavras. Bem, eu sempre me achava uma pessoa acima dos sofrimentos, mesmo vivendo sem muitas atividades sociais, mas com uma paz interior que provavelmente vem da religião, da minha fé. Porem, estou descobrindo uma enorme ansiedade por trás dessa aparente paciência que me fez perder anos, na incapacidade de fazer o que realmente quero. estou procurando formas de trocar experiências e de abrir para entendimentos pessoais que se indentifiquem com essas questões. riknto@hotmail.com

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