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29 de abr de 2013

Transtorno de Personalidade Borderline e a Dissociação



Critérios Diagnósticos para Transtorno da Personalidade Borderline: 

Um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes critérios: 

(1) esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado.
Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5
(2) um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização
(3) perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou do sentimento de self
(4) impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente).
Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5
(5) recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante
(6) instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (por ex., episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias)
(7) sentimentos crônicos de vazio
(8) raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por ex., demonstrações freqüentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes)
(9) ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou severos sintomas dissociativos

Resolvi fazer uma série de posts explicando cada um destes 9 itens, para que até eu possa compreender melhor o que tenho e que não tenho.

(9) Ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou severos sintomas dissociativos

Você alguma vez já chegou em casa do trabalho sem lembrar como o fez? Você faz este trajeto tantas vezes que seu cérebro deixa seus olhos e reflexos dirigirem. Este sentimento de se estar "fora de si mesmo" é um tipo suave de dissociação.

Porém as pessoas que dissociam gravemente se sentem irreais, estranhas, dormentes ou desconectadas. Elas podem ou não lembrar o que aconteceu exatamente enquanto eles estavam "fora". O grau de dissociação pode variar de um trajeto trabalho-casa para dissociações extremas caracterizadas pelo transtorno de personalidades múltiplas, agora chamado Transtorno Dissociativo de Identidade. 

Os indivíduos com TPB podem dissociar em diferentes níveis para escapar de sentimentos ou situações dolorosas. Quanto mais estressante for a situação, maior a chance da pessoa dissociar. Em casos extremos, pacientes com o TPB podem até perder contato com a realidade por um curto período de tempo. Se o borderline da sua vida reportar memórias de situações em comum que sejam diferentes das suas, dissociação pode ser uma explicação possível.

Karen (Bordeline)

"As vezes me sinto como um robô me movimentando. Nada parece real. Meus olhos se nublam, é como se um filme estivesse passando ao meu redor. Meu terapeuta diz que eu pareço perdida, como se eu estivesse desligada em um lugar onde nem mesmo ela pode me alcançar. Quando retorno, as pessoas me dizem que eu fiz ou disse certas coisas as quais não consigo me lembrar"

(fontes: PsiqWeb e o livro "Stop Walking on Egg Shells" - Paul T. Mason, MS e Randi Kreger)

* A pergunta que não quer calar: Sou uma border que dissocia? Acho que sim. Não nos níveis extremos relatados acima, porém eu tenho sim meu "lugar feliz" para onde vou quando não quero me lembrar de algo, principalmente antes de dormir, naqueles minutos que antecedem o sono, os quais não nos resta outra escolha senão pensar.

Neste lugar, eu sou quem eu quero e crio situações em minha mente que nunca aconteceriam na realidade. Sou magra, bonita, desejada por todos. As vezes estas criações são estórias românticas imaginadas somente por mim, onde aquele rapaz vai me arrebatar ao som de uma música arrebatadora ou quem sabe, meu ex vai acordar e perceber a pessoa maravilhosa que sou, vai me ligar pedindo desculpas e seremos felizes para sempre.

Então, neste meu mundo, não preciso pensar em problemas, em cortes, em lágrimas e na minha situação. Na verdade isso ocorre há muito tempo e eu achava que era simplesmente uma parte infantilizada de minha alma, que insistia em criar este mundo imaginário (o qual vivemos com frequência na infância) para me fazer sentir segura. quando eu estava bem não precisava deste recurso, pois minhas memórias eram agradáveis e podia me apegar a elas para dormir em paz. Porém quando tudo ficava mais negro eu me abrigava neste recurso de minha mente e lá ficava, aonde nenhum problema pudesse me alcançar. Ou as vezes até em situações cotidianas, como em um ônibus ou no trajeto de caminhada até o trabalho, principalmente se minha cabeça estava cheia.

Saber da dissociação me tirou pelo menos este peso de me sentir uma criançona que fica sonhando aos 33 anos com uma vida perfeita de filme de Hollywood para conseguir dormir. Sim, continuo recorrendo a isso. Mas quero conseguir dizer um dia que consegui fechar os olhos e pensar na minha vida real ou até mesmo nos meus problemas, sem que eles me tirassem o sono.

(post dedicado à minha marida Miss Danielle de Barbarrac)

6 comentários:

  1. Ôi... Passando pra ver como você está... Na semana que inicia em 06 de maio, próxima segunda,você está agendada para participar do Blog Novo/Veterano. Agradeço se você puder me enviar pelo email uma imagem que, em sua opinião, melhor represente teu blog. Meu email: elaine.averbuch@gmail.com
    Uma semana de muita paz e alegria!
    Abraço fraterno e carinhoso!
    Elaine Averbuch Neves
    http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com.br/

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  2. Isso de ficar sonhando com a vida perfeita é coisa de todo mundo e parece não ter fim. A gente gosta da ilusão. Mas eu suponho o quanto pra vocês boderlines (acho esse nome vistoso que só) seja algo imensuravelmente mais intenso. Eu te desejo leveza... Muita leveza para os momentos que parecem nuvens de pedra.

    Beijo, menina.

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  3. Oiii...eu achei muito interessante seu post, a forma que você olha e analisa o que acontece com você.
    Acredito que conforme você escreve também se conhece melhor, e sabe onde deve investir.
    Te desejo uma linda semana!!
    Bjss

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  4. Você com certeza fechará os olhos um dia e imaginará a sua vida real. Mas eu acredito que todo mundo faça um pouco disso, é uma forma de presenciarmos na mente um momento que queriamos que acontecesse.

    Um beijo Eilan!

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  5. Adorei o post Eilan! Eu me sinto assim também. Quase sempre durmo pensando em alguma situação que eu gostaria que fosse real. Mas também tenho me sentido como a Karen descreveu, assim meio desconectada do mundo :( Tô criando coragem pra ir numa psicóloga.
    Força!
    Beijos, Lavi.
    http://acidia28.blogspot.com.br/

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  6. Sou uma borderline diagnosticada e fiquei muito feliz por encontrar esse blog. É interessante ler depoimentos com os quais me identifico muito. Principalmente para mim, que me sinto uma estranha no meio das pessoas, meio que um peixinho fora d'agua, Em relação a dissociação,o meu psiquiatra não falou muito a respeito,e quando li agora esse post, fui perceber que essa dissociação explica muitas coisas. Muitas vezes (muitas mesmo) eu estou conversando com uma pessoa, fazendo algo, e do nada, eu "saio dali", como se na minha mente eu fosse para um lugar distante, e depois, alguém me "acorda", e pergunta o que eu estava pensando e o porque de estar tão distante.Em relação ao que você falou de sonhar acordada com uma vida perfeita, eu faço o mesmo. E faço há muito tempo. Mais uma vez, repito que é muito bom encontrar pessoas que tem o mesmo problema que eu , e estão tentando melhorar e reconstruir suas vidas. Muito bom, saber que tem pessoas que conseguem superar tudo isso e tentam ser feliz. Espero que um dia eu consiga.

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