Amigos:

22 de jun de 2013

Você tem saudade do quê?




REPORTAGEM DA REVISTA MARIE CLAIRE - JUNHO/2013

"Saudade é um pouco como fome. só passa quando se come a presença." A frase da escritora Clarice Lispector expressa o vazio deixado pelo fim de um grande amor. Não importa o tempo que passou ou se o presente já tem uma nova companhia. Às vezes, um perfume no ar, um olhar, evoca alguém que parecia tão distante e ainda nos toca. É um vazio que, como diz Lispector, faz que nos sintamos privados de um alimento essencial. E com ele vem uma série de perguntas inevitáveis: será que o amor ainda não acabou? Vale a pena procurá-lo ou é melhor deixar quieto? Nesse caldeirão de sentimentos, segundo a psicoterapeuta Lúcia Rosenberg, cabe tanto a satisfação de saber que se viveu uma relação importante quanto a raiva por ela ter acabado. "Mesmo quem tomou a iniciativa da separação pode sofrer com a falta do ex",diz a especialista. "E não sentimos saudade só do outro, mas também de nós mesmos e dos pontos que o outro iluminava na gente", afirma Lúcia.

Para ela, é importante ter bons momentos para lembrar. Isso ajuda a curar a ferida da ruptura. "O que está dentro do seu peito ninguém rouba. O problema é quando a pessoa não se conforma, troca o parceiro pela ferida, casa com ela e chama de saudade o que na verdade é tortura", opina a especialista. Então, nada de ficar ouvindo a música predileta do casal ou vasculhando a vida do ex na web. Uma dose de recolhimento e amor-próprio ajudam, e a presença de amigos é um bálsamo na temporada de luto do amor, que dura, em média, dois anos.

O desejo de reatar, às vezes, bate forte, mas será que vale a pena? "A lealdade interna precisa estar em primeiro lugar", adverte Lúcia. "Pode passar por cima do orgulho, mas não por cima daquilo que é fundamental pra você. Senão estará indo atrás do outro por carência, vício, como quem vai atrás de uma droga, e não é essa a natureza do amor." Se a ruptura é definitiva, não há como evitar a dor: "A gente tem de sofrer o que cabe. Nem mais, nem menos", diz Lúcia. Para ela, reconhecer a importância de um amor é fazer jus à sua história, mas apegar-se a esta memória é um equívoco. "Deixar a saudade passar é um pedido do amor querendo renascer." A seguir, três depoimentos de pessoas que viveram uma grande paixão, sofreram de saudades e aprenderam coisas diferentes com isso.

(nesta transcrição colocarei somente um. - Eilan)

"Deixei de ouvir rock, porque isso me lembrava o Gustavo. Estamos separados há quatro anos, mas durante dois, parei de ir a determinados shoppings e restaurantes que íamos juntos. Fui eu que quis terminar o namoro, não podia voltar atrás. Mas a saudade me deixou fora do eixo. Uma vez, senti o cheiro dele na rua e parei o homem para perguntar que perfume ele estava usando. O cheiro era a lembrança mais forte de quando a gente se abraçava.

Nossa  relação durou seis anos e eu era apaixonada. Nunca tivemos vida social. Gustavo morava com o pai que, nos finais de semana, costumava viajar. eu me mudava para lá e ficávamos assistindo TV, passeando com o cachorro dele, cozinhando e transando.

O sexo não era a chave da relação, mas meu primeiro orgasmo foi com ele. Nossa relação foi se desgastando porque ele era possessivo. Quando entrei na faculdade, ele se matriculou para outro curso no mesmo campus. Batia o sinal, já estava na porta me esperando. No começo, eu achava lindo, via o ciúme como uma prova de amor. Só que acabei ficando isolada, longe do mundo e dos amigos.

Apesar de tudo eu acreditava que as coisas podiam mudar, porque gostava dele, mas esperava um sinal de que ele queria investir em nós dois. Eu queria morar junto, mas ele não se manisfestava. Começamos a brigar por coisas bobas. Até que, no dia do meu aniversário, saímos para jantar e ele colocou uma caixinha de jóias na minha mão. Foram cinco minutos de expectativa. Quando abri a caixa, era uma correntinha. Não escondi minha decepção por não ser um anel de compromisso, e o clima ficou péssimo. Eu me recolhi e acabei rompendo o namoro por SMS. Sabia que era a coisa certa a se fazer, só que ainda o amava, tinha medo de encontrá-lo e fraquejar. Ele já estava com outra pessoa, descobri depois. Mas eu caí num buraco negro. Achei que não iria amar de novo, que tinha perdido a chance de ser feliz. Sentia falta de coisas muito simples, como ele me ligar pela manhã para dar bom dia. Adoeci, comecei a ter ataques de pânico. Por ordem médica, tomei antidepressivos durante quatro meses.

Nós nos encontramos três vezes por acaso e apenas nos cumprimentamos. Nas duas primeiras, minha vontade era de pedir para voltar. Na terceira, com oito meses de separação, não senti mais nada, estava em paz. Felizmente, reatei o vínculo com meus amigos, voltar a sair com eles me fez reviver. Depois de alguns meses, comecei a ir sozinha ao cinema, ao teatro e descobri que gostava da minha companhia! Até eu me sentir curada, levou uns dois anos. Cheguei a ficar com outros homens antes disso, mas nada sério. Melhorei aos poucos, e passei a me sentir cada vez mais autônoma. Adorei viajar sozinha! fui primeiro para a Bahia depois para Buenos Aires e para a Europa. O ressentimento acabou. Sou grata a tudo que vivi, porque sei que amei e fui amada enquanto durou.

Há alguns meses, conheci o Rafael. Estamos gostando um do outro, nos descobrindo. Tudo é diferente porque eu mudei. Amadureci. Hoje sei o que eu quero e o que não quero de um romance."

Thais Turlão, 29, publicitária. Após quatro anos separada, apaixonou-se de novo.

* Eu resolvi escrever sobre este tópico, porque é algo que sofro até hoje. Mas lendo este artigo, percebo que não é simplesmente por causa do transtorno que estou assim. Neste relato esta menina não tem nenhum e mesmo assim ficou mal. Claro que a intensidade deve ser diferente, mas dá pra se sentir menos ET, pelo menos. Afinal de contas, quem nunca sofreu de saudades?

Ainda sofro, até hoje, lembrando exatamente das pequenas coisas, os detalhes que fazem a diferença quando estamos com alguém: a voz, o cheiro, o abraço. Também deixei de ouvir certas músicas, ir a certos shoppings e restaurantes. Tenho fobia de lugares muito cheios. Qualquer coisinha a toa ainda me leva a ele. Eu tenho consciência sim que ele não merece tamanha devoção, e cada vez mais consigo me libertar. A semana do meu aniversário foi bem pesada. Recebi uma mensagem desaforada de C. um dia antes, respondendo a que eu eu havia mandado (bêbada). Fora todo o resto. Tive uma crise violenta, me cortei como nunca havia feito, tive que chamar a minha mãe para ajudar e se ela não tivesse vindo eu não teria parado.

Mas estou melhor. Como eu falei, mudei o cabelo. Vou publicar os vídeos. E ontem eu dei um passo importante, fui ao shopping com uma amiga. Tudo bem, era de tarde, as chances de encontrar meu ex eram quase nulas porém ainda assim foi um passo, pois eu não estava entrando de jeito nenhum.

A vida vai seguindo. E eu vou tentando. Será que consigo?

(amanhã podcast!)




8 comentários:

  1. Ei, você consegue! Quando terminei com um ex, que eu amava muito e com quem passei quatro anos, sofri como uma condenada, passei por uma fase muito promíscua, pois tentava encontrar uma conexão emocional em qualquer lugar. Até o dia, que percebi que ele era um canalha, eu havia feito tudo que podia para dar certo. Toda humilhação possível, pois o medo do abandono em nós é terrível e como último sacrifício eu ainda tive que terminar, ele não tinha coragem nem para isso. A única vez que o vi depois foi numa festa de família, e já tinham passado dois anos, eu o confrontei, queria saber se era verdade o que eu pensava e ele confirmou -eu ouvi dele que nunca me amou, que queria terminar e não tinha coragem e ainda ouvi piadinha de que tal ainda era amiga dele, eu detestava a fulana-. Depois disso ele deixou de existir para mim. Por que vou sentir por uma pessoa que deliberadamente quis me machucar? Eu queria ouvir que era verdade, ele nunca me amou, mas ele não precisava inserir a extra nota de crueldade falando da "amiga".
    Mas para mim ex bom é ex morto. Como boa borderline não tenho meio termo se amo quero perto se não amo ou odeio, ou não suporto a existência da pessoa.

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  2. VAI CONSEGUIR SIM! E eu vou estar ao seu lado para te ajudar amiga!!
    Te amo e entendo tudo isso...

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  3. Claro que consegue e eu estou aqui na torcida por você. Todo mundo sente saudade, é normal, é humano. E se isolar depois de uma decepção também deve ser, acho que a gente precisa de um tempo pra sem recuperar, mesmo que esse tempo leve anos.

    Fique bem sempre Eilan,
    Bjs

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  4. Tenho certeza que vai conseguir! Não é fácil lidar com rupturas, com ex- namorado. Eu particularmente nunca fiquei amiga de ex, queria que eles desaparecessem da face da terra. Mas um dia passa...Esquecer ninguém esquece, pois seria um caso de amnésia... Mas a gente acaba superando. Estou esperando seus vídeos. Um super bj

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  5. Consegue sim, dói, dá vontade de esmurrar nosso coração. Dá vontade de ligar pra ele só pra ovir a voz e as vezes só pra saber se ele sente falta...fiz muito isso...vivi um relaconamento doente por quatro anos...levei exatamente dois para que as crises de pânico parassem. Quandoo ia pegar ônibus, imaginavA que ia vê-lo com outra e o desespero vinha...mas agora, cerca de 3 anos depois, tenho um namorado que me ama e tenta enfrentar a bipolaridade comigo. Vai acontecer contigo, mas enquanto isso a saudade vai doer pacas.

    http://pingentesdeilusao.blogspot.com

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  6. Estou meio confusa...O segundo depoimento é o seu? Forte pra caramba, pra variar! E eu gostei mesmo foi o "mas eu estou melhor"... Isso aí!

    Bom que na primeira história o amor apareceu outra vez.

    Beijo,menina.

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  7. Ao ler o primeiro depoimento achei um pouco controverso, pelo fato desse ex ser tão ciumento mas ao mesmo tempo ser ela q o visitava nos finais de semana, apenas ela q queria morar com ele, usar um anel de compromisso, além de pouco tempo depois q acabou ele já estar com outra?!?! Percebo tbm qdo ela diz q terminou o relacionamento q não teve outra alternativa.

    Não estou colocando dúvida no sentimento dele pois não os conheço, porém falo isso por experiência própria. Vivi uma relação q tbm durou 6 anos e hj vejo q se eu tivesse me valorizado mais e tentado ouvir o q as pessoas me alertavam teria durado uns dois anos a menos.

    Às vezes qdo amamos tentamos nos iludir e criar expectativas q não existem, ficamos cegas. Sei q é difícil, mas temos q pensar em nós mais do q em uma pessoa q toma esse tipo d atitude conosco. Questionar se as atitudes do nosso namorado são por amor ou não.

    Eu consegui ser mto feliz sem meu ex e fico feliz em ver q ela está conseguindo. Eu torço por vc tbm! Seja otimista, se ame em primeiro lugar e verá q o melhor esta por vir.

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  8. Oi Eilan, td bem?

    Achei seu post por acaso ao buscar algumas publicações antigas em meu nome. Fico feliz em saber que, pelo menos em parte, meu depoimento à revista despertou seu interesse. Acredite, mesmo depois de muito tempo, doeu muito falar sobre isso abertamente. Falar dos outros é muito mais fácil.

    Sobre o texto parecer controverso, como alguém disse num comentário ai em cima, gostaria de esclarecer que faltam MUITAS informações aí. Como o espaço da revista é curto, a edição deixou a desejar (no meu ponto de vista). Para vc ter uma ideia, eu falei com eles por 3 vezes, durante pelo menos 3 horas em cada entrevista. Mesmo conhecendo minha própria história, eu mesma me sinto confusa em alguns trechos.

    Convido vc e o usuário ai de cima a entrarem em contato comigo para que possamos falar mais sobre isso.

    Dói. Demora. Machuca. Dá vontade de morrer. Mas no final, tudo se ajeita. Cada um no seu tempo. E eu quero que vc anote isso em algum lugar, pois um dia quero que se lembre das palavras de uma mulher simples que, como você, achou que o mundo ia acabar. E hoje eu tenho maturidade e clareza o suficiente para saber onde errei e, principalmente, para saber o que quero e não quero de um relacionamento.

    Depois de 5 anos solteira, estou namorando há 3 meses e agradeço todos os dias por ter conseguido esperar o MEU tempo. Hoje tudo parece mais claro, mais simples, como realmente deve ser.

    Se eu puder ajudar em algo, me encontre no Twitter ou no G+.

    Desejo que tudo dê certo pra vc. E tenho certeza que vai dar.

    beijos (e obrigada pelo carinho com que tratou meu depoimento!)

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