Amigos:

28 de ago de 2013

Da delicadeza do amor e da coragem...


Voltamos ao bom e velho processo de concepção dialética do mundo que nos cerca... e nada melhor pra essa avaliação que a capacidade de abstração num momento totalmente "Lennon" de IMAGINE.... não.... não um " Imagine all the people" mas um "Imagine that people".... Imagine AQUELE povo... imagine-se parte daquele povo... Ao longo do meu processo, ouvi um milhão de vezes a mesma pergunta:  Mas pq vc se envolveu com alguém assim? Gente... bora parar de pensar nas coisas sob a ótica das verdades pré-concebidas.... Estamos falando de relacionamentos, de sentimentos, de AMOR! Então voltemos ao mundo Imagine.... Imagine um mundo em que vc vive uma vida toda tranquilamente até que um belo dia tudo começa a mudar.... Imagine-se diante de um médico... E este médico está lhe falando sobre alguém que ao longo do tempo você aprendeu a amar... mãe, pai, irmão, filho, esposa, esposo, namorada, noiva, não importa..... mas alguém cuja história e existência está intrinsicamente ligada à sua.... Alguém que ja te fez sorrir, chorar, sentir prazer e mágoa... como todas as pessoas que são importantes em nosso crescimento como humanos completos e coerentes.... E este médico lhe diz coisas que caem como bombas na sua cabeça... e que põem por terra tudo o que você concebe sobre você mesmo, sobre tudo o que foi vivido e sobre o que você acredita da vida... o que você faz??? Você... eu não sei... mas eu... infernizei a vida de todos aqueles que podiam ter (ainda que remotamente) uma resposta sobre o caminho a seguir... Mas e quando todas as portas se fecham, todos os médicos lhe dizem "é impossível"? O que você faz??? Bem.... eu tenho algumas crenças que dizem uma série de coisas (mais sobre mim do que sobre o mundo mas perdi o medo de me mostrar...)...

Então vamos a elas... Eu já ouvi de médicos que era IMPOSSÍVEL a MINHA recuperação... e eu estou aqui... com dias melhores e piores mas estou aqui.... e isso me ensinou a não ver médicos como detentores de todas as respostas... mas como guardiões de chaves que abrem portões que levam a caminhos diversos... Ouvi a vida toda que a beleza está nos olhos de quem vê... e creio que as possibilidades também precisam de olhos de ver... (minha avó vivia nos dizendo: Olhos de ver, menina! - e eu tento usar os meus...) Assim como era impossível sobreviver a uma gripe e a pneumonia era sentença de morte em séculos passados, assim como era impossível voar, assim como era impossível a comunicação rápida e os caminhos que a conectividade da era digital nos proporciona em anos que não estão assim tão distantes... assim como posso crer que o copo está meio cheio ou meio vazio de acordo com minha própria propensão e estado de espírito.... não... o impossível não existe... Existem milhares de relatos de famílias que abandonam seus filhos, amores, amigos e tudo o mais no momento de dificuldade... mas até na hora de escolher o exemplo a observar, estaremos condicionados à nossa própria disposição e propensão ao copo meio cheio ou meio vazio... à nossa disponibilidade de buscar ou não o caminho mais árduo ou acomodar-mo-nos à sentença anunciada e proferida implacavelmente pelos médicos... Nesse momento entre alguns bilhoes de relatos de desistência, me deparo com um relato ao qual me agarro com o afinco e a determinação de quem se afoga e encontra uma única e solitária tábua de salvação... e essa tábua tem nomes... e um sobrenome.... ODONE.

Anos atrás assisti um filme.... comovente e cheio de mensagens de persistência e de amor.... de resignação e fé... não em algo exterior, mas fé no amor que move montanhas e joga por terra todas as barreiras... Naquele momento uma semente foi plantada e eu nem ao menos cogitava o motivo. Assim como fiz em "Perfume: a história de um assassino" e "Garota, interrompida", me dei ao prazer e ao DIREITO de rever este filme e fazer uma releitura do mesmo de acordo com minha realidade atual... Este filme chama-se "O óleo de Lorenzo" e retrata a trajetória da família Odone, um casal (ele economista e ela historiadora), e seu filho Lorenzo, um menino brilhante que aos seis anos recebe o diagnóstico de adrenoleucodistrofia... Naquele momento, o diagnóstico presumia uma sobrevida de no máximo 2 anos em que se haveria de vivenciar surdez, mudez, cegueira, deterioração dos mecanismos motores, demência e inúmeros outros sintomas decorrentes até a falência completa de todos os sistemas e a morte INEVITÁVEL... Os médicos desconheciam um caminho e por consequência decretam ser IMPOSSÍVEL tratar a moléstia... e é aí que a fé inerente ao amor entra em ação e os pais historiadores entram em ação como pesquisadores e destroçam o "genoma" da doença, identificando o caminho que era considerado impossível para os médicos... a sobrevida de 2 anos??? Bem... Lorenzo faleceu um dia depois de completar 30 anos... se ele se curou??? Não... mas a pesquisa da família Odone resgatou do limbo da condenação milhares de outros meninos e suas famílias... Se seus pais desistiram depois de descobrir como parar a deterioração cerebral já ocorrida e garantir sua sobrevida??? Não!!! Seu pai, Augusto Odone continua a frente de uma fundação que busca caminhos para a regeneração cerebral pós ALD... Se a luta se encerrou após sua morte??? Não!!! Se Lorenzo foi feliz?????? Não sei... Mas uma coisa é certa... Ele sabia com toda certeza o quanto foi amado e o quanto o amor de seus pais por ele fez desse mundo um lugar melhor pra milhares de famílias do mundo todo... Se pretendo desistir??? Não.... Sei que em alguns momentos eu fraquejo... sei que em alguns momentos a dor me dilacera.... mas também sei que o meu amor é muito maior que essa dor e que, de alguma forma, se este é o quinhão de vida e de amor que me foi designado... EU CONSIGO! E se EU não conseguir sozinha.... é pq com certeza consegui tocar outras almas e mentes ao longo do caminho e me fiz acompanhar numa luta que se não é, deveria ser de todos aqueles que tem em seu caminho uma alminha doce perdida em meio a um vendaval de sentimentos... mas creio, assim como Michaela Odone nunca deixou de crer... Não é pq meu filho não responde ou reage que devo deixar de alimentar sua alma... ele não é uma caixa vazia ou uma casa de luzes apagadas... em algum lugar lá dentro ele ainda se faz presente... e é MINHA função entrar neste lugar e segurar sua mão no caminho de volta... (Isto não é transcrição nem citação.... mas minha interpretação livre de uma das cenas do filme em que uma enfermeira se nega a ler para Lorenzo pq "as luzes de sua mente estão apagadas"!) Bem.... deixo aqui o link de uma entrevista de Augusto Odone e o link para o filme completo para se assistir online... Acredite... vale a pena! Se estou falando do filme ou da luta??? Só você tem a resposta...

http://veja.abril.com.br/170805/auto_retrato.html

2 comentários:

  1. Oi Paula
    Vc deve ser a nova colaboradora. Adorei o post! Esse filme é realmente tocante e muito verdadeiro. Acredito que tudo é possível quando temos fé! Não podemos deixar de sonhar!
    Bjos.

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    1. Sim, Luciana... Fico feliz por isso.... na medida do possível trarei mais recomendações.... cinéfila que se preze tem uma boa gama de filmes que se encaixam na temática proposta...
      bjs

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