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13/08/2013

Remédios





Eles estão lá todos os dias, às vezes todas as noites, às vezes todas as manhã e noites, e às vezes todas as manhãs, tardes e noites. São nossas muletas, nossos apoios, o que permite que andemos entre as pessoas normais quase sem sermos identificados como desajustados, incompreendidos, incompletos. Precisamos deles, talvez não em uma relação tão mortal quanto um diabético precisa da sua insulina, mas sim como um cego precisa de sua bengala ou cão-guia, por exemplo. Sem eles não podemos seguir em frente, não temos como seguir em frente, qualquer coisa no caminho nos derruba. São eles que nos fazem sorrir mesmo quando as coisas não vão nada bem. São eles que nos anestesiam quando queremos chorar e impedem as lágrimas de caírem. São eles que permitem que a gente minta quando nos perguntam se está tudo bem. São eles que ditam nosso humor e como respondemos ao mundo lá fora.

Tem gente que é contra, tem gente que é a favor. Mas para quem realmente precisa deles, essa discussão não tem importância, tomá-los é questão de vida ou morte. Não que a ausência deles te mate, mas o que você é e o que você tem, sem eles, não se pode chamar de vida. Alguns deles tem efeito quase que imediato, outros demoram dias para fazer efeito, de um jeito ou de outro, todos te transformam de alguma forma e aos pouquinhos, você já não sabe quem é. Onde começa seu eu verdadeiro e onde termina seu eu modificado pelas medicações. Tudo parece um pouco falso de mais, um sorriso, a tranquilidade, o equilíbrio... Tudo combinações químicas em seu cérebro, nada além disso. Uma substância a mais ou a menos é capaz de mudar sua vida inteira, tudo o que você é e vai ser. Não é incrível?

Perigosamente incrível. No fim você não é coisa alguma, a não ser uma construção de substâncias químicas e correntes elétricas, que poderiam estar dispostas de qualquer forma, ou seja, você poderia ser qualquer pessoa, poderia ser de qualquer jeito, ter qualquer doença mental ou ser completamente normal, mas por um acaso e só por isso você é do jeito que é. E precisa dos remédios que precisa, mesmo que isso signifique perder a pessoa que você é. Não gosto da ideia de me perder, de ser só um fantoche na mão de meia dúzia de comprimidos, mas é como eu disse, não tenho escolha, não sobreviveria sem eles.

Blog da Sah!!!


7 comentários:

  1. Olá, sempre visito o blog e gosto muito das postagens.
    Concordo sobre a importância de remédios, eu mesmo tomo. No começo tive bastante receio e preconceito em tomar a medicação, mas depois de tantas emoções a flor da pele, aceitei tomar. Me senti melhor sim. Não sei se concordo muito com o fato do remédio mudar quem vc é. Talvez eu que não tenha entendido o que vc quis dizer, mas acho que o remédio não muda quem vc é nem tira sua dor, ele atenua, minimiza, acalma a dor. O remédio faz com que vc "respire", com q vc pare um pouco, freia a sua emoção, mas não creio que mude quem vc é. Não sei, acho q também depende de qual medicação a pessoa está tomando.
    E quanto a mudar o seu eu ou sua personalidade, bem acredito que de fato não sabemos ou não temos muito bem definidos esse eu. Acho que o remédio dá uma pausa na emoção para que possamos pensar com calma e ai sim tentar descobrir quem somos. A terapia tb ajuda bastante.

    Bem é so minha opinião. Não sei se estou certa.
    Beijos

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  2. Eu sem minhas emoções intensas, contraditórias e explosivas... Não sou eu. Foi o que eu quis dizer =]

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  3. Acho que essas emoções é o que vc é agora. Na verdade é o que vc está e não o que vc é. Isso é a ponta do iceberg, mas tem muita coisa abaixo do nivel do mar. E muitos não enxergam isso. Talvez, possam te julgar de explosiva ou emotiva mas pq vc é assim? Pq tem algo por tras disso. Tem dor, tem episódios de sua vida que só vc conhece e que te marcaram. Penso que o remédio faz vc se acalmar para vc mesma enxergar além do nivel do mar e ai sim se conhecer.
    Não te conheço, mas acredito que vc é mais que um turbilhão de emoção.

    Beeijos

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  4. Também tive um certo receio ao tomar a medicação e havia muito preconceito na família sobre psiquiatra, psicólogo e antidepressivos. Minha mãe inicialmente ficou apavorada. Eu custei me acostumar, mas depois as coisas foram se ajeitando e realmente os remédios me deram a chance de um "respirar", como uma "pausa" no meio do furacão. Hoje, eu não tomo mais remédios e nem vou a terapia, parei por conta própria. E tive que achar meios de contornar as minhas crises, com o tempo elas foram diminuindo e há meses já não tenho nenhuma crise. Bem, mas depende das condições de cada um, e de tudo que está envolvido. Eu não sou TPB. Tive uma depressão forte e desenvolvi o vicio da automutilação. Imagino que esse transtorno seja complicado por tudo que vejo aqui no blog e ate pelo que vivi acredito que os remédios e a terapia sejam necessários mesmo. Eu mesma, confesso que sinto falta da terapia, quanto aos remédios, estou feliz por não precisar mais deles, me sinto mais no controle da minha vida e poder ter esse controle é uma conquista que me faz bem. Desejo que fique bem, e que se encontre. Também não gosto de ficar perdida, já estive assim por um bom tempo e estou na luta diária por me reencontrar. Boa sorte a nós.

    Bjs

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  5. Tomei antidepressivo durante dos anos e mudei 3 vezes de medicação. Esses medicamentos controlaram um pouco minha ansiedade e explosões, mas por outro lado, me deixavam apática, desanimada, sonolenta 24h por dia, sem desejo sexual nenhum, mais depressiva ainda e conformada. Ou seja, um círulo vicioso. Estava totalmente funda na depressão e não conseguia sair pq estava lenta demais pra tomar qlqr atitude. Eu não tinha reação à nada. ´Resolvi parar de tomar no começo desse ano. Fui ao meu psiquiatra e conversei com ele. Ele me perguntou diversas vezes se eu estava certa disso, e chegando a decisão final, ele me disse q eu teria q ir retirando aos poucos o antidepressivo, diminuendo as doses até parar de vez. No começo tive algumas reações, pequenas crises de ansiedade mas q com muita calma e persistência acabei conseguindo controlar, apenas com minha mente. Depois foi como se eu tivesse acordado de um coma ou um sonho. Percebi o quão "lenta" eu estava tomando essas porcarias. Foi como se eu tivesse recobrado minha consciência, reação, etc, de uma hora pra outra, depois de 2 semanas de desintoxicação. Prefiro ter minhas explosões e "loucuras" limpa, do q ficar "calminha" e apática tomando essas coisas, q na verdade só me fizeram ficar como um fantoche dos outros.
    Bom, pra muitas pessoas a medicação é boa. Mas pra mim não foi. Optei por continuar apenas a psicoterapia.

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  6. Na ultima vez que resolvi parar de tomar os medicamentos por conta própria foi horrível, foi ai que percebi que preciso deles para me manter viva. Pra mim doi muito pensar que posso precisar tomar essa medicação pelo resto da minha vida queria não precisar dela, ser normal.

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  7. Aquele que diz que merdas de terapias alternativas o fizeram sair da medicação psiquiátrica é porque não sabe o que é a dor de um Border. Procure outro médico porque seu diagnóstico está errado. E quanto as que ficam preocupadas com sofrimentos futuristas do tipo: Oh, não quero me sentir uma viciada em remédios para sempre", um recado: Acorda, você mal dá conta de si mesma no hoje, não existe o amanhã para o Border, mas sim as melhores estratégias que ele possa traçar para suportar melhor o agora. O pensamento e energia que você gasta pensando num futuro que nem sabemos se virá, invista no agora, esteja forte para enfrentar o minuto em que está vivendo..Amanhã... Se houver amanhã

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