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22 de out de 2013

Amo e odeio. (história de um pensamento preto-e-branco)




"Pessoas normais são ambivalentes e podem vivenciar estados contraditórios ao mesmo tempo. Os borders, no entanto, vivem num vaivém de emoções opostas e ignoram o estado anterior quando estão no outro extremo... A pessoa com TPB é emocionalmente uma criança que não tolera as inconsistências e ambiguidades humanas. Ela não consegue conciliar as qualidades boas e más da personalidade alheia e formar um entendimento coerente sobre o outro. O outro ou é bom, ou é mau. Não há meio--termo, não há área cinzenta. As nuances são percebidas com muita dificuldade, se tanto."

(Pare de Pisar em Ovos - Paul T. Manson / Randi Kreger)

Quando estamos mais antenados com os sintomas do TPB, perceber quando isso acontece é muito fácil (e ao mesmo tempo engraçado).

Eu, por exemplo, estou passando por isso no trabalho. Tem um menino que trabalha comigo, que eu conhecia um pouco de antes de começar lá, eu gostava dele, achava gente boa. Mas daí depois que comecei, descobri que ele reclama de tudo!! Do horário de trabalho, do tipo de trabalho, das reuniões... Como eu sou a superiora dele, fico maluca, pois é praticamente impossível agradá-lo. E ele me irrita profundamente quando fica falando sem parar sobre como queria que tal coisa fosse de tal jeito e blablabla.

Então eu havia decidido que não gostava mais dele. Mas daí ele me dá um abraço enorme depois de uma sessão de "mimimi" que tinha me tirado a paciência. Então decidi que gostava dele. Só que no outro dia eu faço uma reunião e ele reclama o tempo todo. Ódio novamente. No dia seguinte ele me dá uma massagem maravilhosa, porque eu dei um mal-jeito no pescoço na ioga. Ok, eu gosto dele...

Quando me toquei do que estava se passando, fiquei rindo pra mim mesma. Tipo, eu simplesmente NÃO CONSIGO um meio termo. E me dei conta que as coisas sempre foram assim: quando gosto, coloco panos quentes nos defeitos, quando odeio, digo que as qualidades são só falsidade. Como faz então? Eu tenho que conviver com esta pessoa. Tenho que encontrar o meio-termo, tomar uma decisão, gostar dele APESAR dos defeitos ou não gostar dele APESAR das qualidades. Só que nunca pensei que fosse tão difícil.

Aconteceram algumas coisas que depois disso me ajudaram a decidir finalmente qual era meu sentimento por essa pessoa... Eu havia decidido não gostar dele ou pelo menos tentar ser indiferente, consegui por uns dois dias, depois já estava confusa.

O que quero dizer com tudo isso? Que quando estamos conscientes dos sintomas, podemos tentar agir de uma forma diferente, e não simplesmente reagir, que é geralmente nossa primeira opção. Se fosse antes, eu já teria ido pra cima dele com todas as pedras na mão, provavelmente ficaria (de novo) com fama de instável e passional e pior, teria um membro de minha equipe praticamente contra mim declaradamente. Não é que estou falando para vocês serem falsos. É pra tentar pensar antes de sair que nem o demônio da Tazmania girando e quebrando o que vem pela frente. 


Fácil falar, né? Eu sei. Ainda estou na luta amo-odeio-amo-odeio esse colega de trabalho, sabendo que eu precisava é aprender a nem amar, nem odiar, simplesmente ter uma visão mais ou menos neutra, ou cinza. Tô tentando.
Conseguindo pelo menos chegar na indiferença, tô no lucro... ;)


4 comentários:

  1. Também vivo tentando parar com isso, até que to conseguindo, mas é realmente difícil, ainda mais no relacionamento. Espero que consiga, afinal, lutar contra e não se entregar ao borderline é o que importa né. Por mais que você tenha recaídas, deve ficar orgulhosa de pelo menos estar tentando e não desistir.

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  2. Gosto dos seus textos. São elucidativos para TPB. Vou me cadastrar como seguidora do seu blog. Bjs

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  3. Olá, somos da rádio CBN de Salvador, estamos fazendo uma reportagem sobre Transtorno Bipolar,e encontramos seu Blog pela internet. Se importaria de falar um pouco sobre a sua vida e de como é conviver com esse problema? Podemos proteger seu nome se não quiser a divulgação. Acho que vai ser um trabalho bem legal, inclusive pra você, divulgação do seu blog e pra ajudar as pessoas que te acompanham. Aguardo contato. Meu e-mail é: chayenne.guerreiro@redebahia.com.br

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  4. estou vivendo exatamente isso no momento mas c meu namorado,temrinei semana passada pq odiava ele , só me irritava c mimimi, daí ele reagiu tao doce e continua a me visitar quando preciso de alguem e conversa comigo dai amo denovo, se na mesma conversa ele me irrita penso logo q n tem jeito mesmo e quero q ele suma... muito dificil decidir o q sentir e pior decidir com base no que sinto se tudo muda tanto.

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