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12 de out de 2013

Depoimento: Borderline: Uma Luta Diária.






No domingo, dia 15 de setembro de 2013, eu estava com dor de garganta e febre acima de 40 graus. No dia seguinte escutei a voz da minha irmã, chamando meu nome, mas eu não conseguia abrir os olhos e nem responder. Finalmente consegui abrir os olhos e levantar, mas ainda não conseguia falar e fui esbarrando em tudo, minha mãe e minha irmã me levaram pro UPA, no carro de um primo. Eu estava muito mal e desmaiei enquanto estava com soro e medicação entrando pela minha veia, me levaram pra sala vermelha (onde ficam os pacientes em situações graves e de maior urgência) e só lembro de ter desmaiado e voltado muitas vezes, e pessoas desconhecidas chamando meu nome. No dia seguinte depois que acordei me levaram pra sala amarela, minha mãe foi me ver e disse que no dia anterior minha pressão chegou a 4 por alguma coisa, que meus batimentos chegaram a 50 por minuto e que o próprio médico se surpreendeu porque sobrevivi. Uma bactéria atacou meus rins e meu coração, estava passando por uma necrose na garganta (morte dos tecidos), já que meu sistema imunológico estava fraco. Meu irmão, pai, irmã, mãe e namorada foram me visitar no horário de visitas. 

No decorrer dos dias que fiquei lá a cardiologista quis falar com minha mãe, depois liguei pra ela pra saber o que a cardiologista queria, eu estava com um problema no coração, depois que desliguei o telefone comecei a chorar, falei para minha namorada que eu não queria nenhuma visita e pedi pra ela ligar pra minha mãe e avisar, minha mãe ficou me ligando depois e não atendi. Me levaram para o isolamento, quando isso aconteceu fiquei desesperada, achei que poderia estar com algo grave que poderia passar para outro paciente. Começaram a me dar antibióticos mais fortes, eu estava cheia de furos e desanimada, cansada de viver, só queria morrer pra não preocupar mais quem gosta de mim, primeiro com a borderline e agora com esse problema no coração. Minha mãe passou a ficar comigo como acompanhante, e às vezes minha irmã, descobri que me mandaram pro isolamento para a minha própria segurança, pois com o sistema imunológico muito fraco eu poderia facilmente pegar uma bactéria hospitalar. 

Após saber disso fui mudando de atitude, fiquei mais comunicativa, alegre, comecei a ver o lado bom das coisas, e a valorizar mais minha família que estava lá me apoiando, como se tivesse sido me dada uma segunda chance, o problema no coração me motivou a continuar sem beber e a parar de fumar, e assim como minha namorada deixou de beber por minha causa, ela parou de fumar também. Fiquei sem tomar os remédios que o psiquiatra receitou, e não tive nenhuma crise, achei que tivesse encontrado minha cura para o borderline, saí do hospital dia 24 de setembro. A cardiologista do hospital me aconselhou a parar de tomar os remédios que o psiquiatra receitou, pois segundo ela eram remédios demais, e passou apenas 2 remédios para substituírem os que eu estava tomando, 2 antidepressivos. 

Estava tão feliz por estar viva, antes eu não tinha medo de morrer, até queria isso em certos momentos. Mas depois do que eu passei, vi como minha mãe ficou preocupada, não queria que ela, minha namorada e qualquer outra pessoa que goste de mim tivesse que passar pela dor de me perder, que eu passe pela dor de perdê-las para poupa-las do sofrimento. Já tinha até esquecido que o borderline existe, até essa terça. Estava vendo na TV uma matéria sobre transtornos alimentares e apesar de nunca ter provocado vômito pra emagrecer ou algo do tipo, lembrei que sempre falam que estou muito magra mas eu não enxergo isso, às vezes até acho que deveria emagrecer mais um pouco. Inclusive, o médico perguntou se eu não estava tomando remédio para emagrecer quando fui parar no hospital. Juntando o medo de desenvolver um transtorno alimentar com o medo dos sintomas da Borderline voltarem tive um ataque, comecei a ficar nervosa, agitada e com vontade de fumar, não estava conseguindo dormir. 

No dia seguinte (ontem) não almocei e comprei 1 maço de cigarros, fui encontrar meu ex (que na verdade era mais um melhor amigo, de quem ainda sou muito dependente pois gosto de contar tudo para ele), ele parece bem diferente, abatido, não posso deixar de me sentir culpada pelas coisas de ruim que fiz (traí-lo como uma forma de testa-lo para ter certeza de que ele não iria me abandonar, que eu sempre o teria por perto; ser muito possessiva; achar que ele era sempre o errado; agredi-lo; entre outras coisas). Na hora da volta pra casa percebi que eu queria voltar para o hospital, talvez seja porque lá eu não preciso de antidepressivos, tranquilizante e estabilizador de humor para ficar bem, ou até mesmo porque lá fumar não é uma opção. Comecei a me sentir culpada, uma fraca, por ter quebrado o acordo de não fumar que fiz com minha namorada. Nem contei pra minha mãe, não quero decepciona-la. 

Estou deprimida, sem ânimo, sem vontade de comer, só quero ficar comendo doce quando fico nervosa, quero voltar a tomar meus remédios de costume, pelo menos eles são mais fortes. Só espero não voltar a me cortar, não faço isso a mais de um mês e se eu voltar a fazer estarei a apenas um passo de voltar para o fundo do poço. Acho que sei porque voltei a ficar assim, ou pelo menos tenho uma teoria, infelizmente gosto muito de ter atenção das pessoas de quem gosto, mesmo sendo geralmente uma relação de amor e ódio, lá no hospital eu tinha atenção o tempo inteiro, depois que voltei conversava bastante com minha mãe e minha irmã ainda, mas as coisas foram voltando a ser como antes, minha irmã fica na casa dela e minha mãe fica na sala vendo novelas. E agora minha namorada está trabalhando e não dá para nos vermos direito e nem podemos ficar trocando sms o dia inteiro que nem antes, por causa do emprego dela. Talvez algum dia eu consiga definitivamente parar de fumar. E uma luta diária contra meus vícios, e contra o borderline, tentando me manter ocupada, me distrair, para não ficar sozinha com meus pensamentos ruins. Talvez algum dia eu vença o Borderline, ou ele mesmo me vença pelo cansaço.

(Depoimento enviado pela Poison Girl. Quer enviar seu depoimento para eu publicar no blog? Mande pro e-mail borderlineggirl@gmail.com)



9 comentários:

  1. Eilan, quanto tempo! :)
    Que depoimento triste :/ Mas tenho fé de que ela vencerá o border! :)
    Bjs.

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  2. Poxa você sumiu..nunca mais falou comigo. Espero que esteja melhor do sufoco que passou no hospital. Meu pai conseguiu parar de fumar com tratamento e tem mais de 25 anos que nunca mais fumou...Ele fez tratamento aqui no RJ na Santa Casa. Que são palestras com psicologas e desintoxicação aos poucos do vicio...funciona muito bem, viu? Procura aí no seu estado também irá te ajudar, fumar prejudica muito..espero que vc fique bem. Saudades..beijos Helen

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  3. Descobri muitas coisas em relação a mim através do seu blog, estou lendo ele á uma semana sem parar. Parabéns! Meu nome é Isabela Assumpção e gostaria muito que você conhecesse o meu blog: http://servisivel.blogspot.com.br/

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  4. Eilan, te mandei uma mensagem no facebook. Tô avisando porque achei que tu podia nem ver, já que não somos amigas no fcbk e minha mensagem vai para a caixa "outros". Kelen

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  5. Estou melhor agora mas já passei por uns momentos bem piores. mas os malditos filminhos me incomodam muito, a raiva de mim,,,,por ter feito tudo aquilo.

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  6. Olá, por favor, gostaria que lessem este artigo abaixo, em meu blog (sem custo, não tem fins lucrativos). O texto aborda todo o processo de formação das crises na maioria dos transtornos, de forma que seja possível não apenas evitá-los, como direcionar o tratamento para algo mais palpável. Sou idealizador de um Projeto (de quase 20 anos) de estudo sobre Personalidade Reativa Comportamental (Chamado Projeto VIVA+, que pesquisa sobre o processo de tomada de decisão do ser humano, sob diversas circunstâncias (entre elas os transtornos psiquiátricos). Estou à disposição para esclarecimento de dúvidas, através da minha página no face: Peço encarecidamente que divulgue. Obrigado. https://www.facebook.com/profile.php?id=100008846865345

    http://deondeparei.blogspot.com.br/2015/10/desmistificando-transtornos.html

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  7. Olá, tenho uma irmã diagnosticada com borderline e sempre venho aqui para poder buscar ajuda e fazê-la se sentir melhor. Tento melhorar minha forma de ser pra que ela possa se sentir bem próxima da família. Você ajuda a todos. E muito. Nunca esqueça disso!

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  8. Olá, sou idealizador, administrador e pesquisador e o foco da minha pesquisa é influência pregressa em respostas emocionais. Um projeto que já dura 18 anos). Postei recentemente um artigo sobre transtorno borderline e estou aqui para compartilhar com vocês, através do meu blog. Vou deixar-lhes o link do artigo. No Blog existe atalho para minha página do Facebook, estarei à disposição. Obrigado.
    http://deondeparei.blogspot.com.br/2016/05/transtorno-de-personalidade-borderline.html

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  9. Olá Boa tarde, gostaria muito de conversar e trocar experiências. Recentemente saí ou saíram comigo de um relacionamento muito conflituoso, no qual desconfio que minha namorada é borderline. Meu nome é Carla.

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