Amigos:

12 de dez de 2013

Sobre amizades e perdas.




Faz algum tempo que não escrevo por aqui. A vida anda corrida, estou trabalhando demais, com problemas para me organizar, então muitas coisas ficam pendentes, infelizmente o blog está entre elas.

Pra completar, ando tendo vários acontecimentos envolvendo amigos e, por que não dizer, "ex-amigos". Quem sofre do Transtorno de Personalidade Borderline sabe o quanto nos apegamos às pessoas, o quanto decepções podem ser gatilhos para uma nova crise. 

Deparei-me com situações onde amigos se vão, amigos novos aparecem e me enchem de medo de uma decepção e finalmente, alguém que eu achava ser um grande amigo se mostrou frio e surpreendentemente diferente de tudo aquilo que eu acreditava. A história é o seguinte: tenho (ou tinha) dois amigos os quais eu considerava como irmãos. Conheço-os há pelo menos 10 anos e estes dois tiveram um papel decisivo na minha vida durante muitas crises, quando eu nem fazia idéia que era border. Acho que quem me acompanha sabe que eu moro em Recife, mas não sou daqui. Vim de Curitiba, onde vivi por 8 anos e estes meninos são de lá.

Acontece que quando eu namorava (aquele filho da puta do meu ex, o C.) viajei para Curitiba e os apresentei para meu ex. Até onde eu sabia, nenhuma amizade surgiu deste encontro, tirando uma empatia. Qual não foi minha surpresa quando esta semana eu soube que este mesmo ex (peloamordedeus, ele parece estar em todos os lugares) está viajando a passeio para lá e, pasme, um desses meus irmãos de coração vai encontrar com ele, almoçar, sociabilizar. sua justificativa para mim é que ele não tinha nada a ver com o stress ocorrido com nosso término de namoro.

Não preciso dizer o quão chocada e decepcionada fiquei com tal atitude. Um menino que eu considerava parte da minha vida simplesmente deixando claro que o fato de eu ter sido tratada como lixo não faz esta diferença na vida dele. Para ser sincera, estou aqui escrevendo e me vem lágrimas nos olhos, só de pensar nisso tudo.

Porque estou contando tudo isso? Porque logo após falei com V., outra amiga de Curitiba e escutei dela que eu deveria parar de me preocupar e sofrer por quem não tem a mesma consideração por mim, que inclusive este mesmo "amigo" já tinha dito que, durante a minha crise onde eu estava láááá naquele lugar chamado fundo do poço, eu estava "me lamentando demais".

Ela está certa. Costumamos colocar num pedestal aqueles que amamos, sem contar que eles podem sim ter falhas ou simplesmente não serem merecedores de tamanho sentimento. A adoração é sempre maléfica, até mesmo na religião. Fechamos nossos olhos para a parte "humana" daqueles que amamos e não contamos, nem por um segundo, que estes simplesmente podem não ter a mesma recíproca ou sequer parecida, ou até mesmo não ligar pra gente. Não estou aqui tentando defender este meu "amigo" e dizer que a responsabilidade é minha pois, como border, amo demais e eu que lide com isso. Estou querendo dizer que ele tem o direito sim de achar que um "almoço inocente" com meu ex não o faz menos amigo meu. Tem sim. Mas eu também tenho o direito de não concordar com isso, de não aceitar e principalmente, não o querer mais em minha vida. Na realidade é essa parte que está doendo demais. 

Temos que tentar nos colocar em primeiro lugar e respeitar nossas verdades, sempre claro, pensando no limite do outro. Eu sei que eu estou fazendo a coisa certa pra mim mesma me afastando, mas isso não faz desse fato um atalho para uma possível recaída. Meu caminho para a estabilidade está sendo menos longo que o esperado, então tenho que tomar cuidado com tudo. E isso cansa demais. E acaba me deixando mais vulnerável.

Não sei se estou fazendo muito sentido. Acho que estou querendo dividir o quanto todos esses acontecimentos estão me forçando a repensar meus conceitos de amizade e que se no final a máxima que já escutei de várias pessoas com o tpb é real: "só conseguimos ser amigos de outro border". Não quero acreditar que isso seja real embora saiba que, nesse meu momento de busca pela estabilidade, eu precise daqueles que me cercam (infelizmente) uma dose extra de paciência. Isso pode levar à crenças de que eu quero tratamento diferenciado. Ou que eu acredite que mereço perdão por todas as minhas faltas por causa do Borderline. Não é isso, eu mesma bato na tecla aqui no blog que o TPB é uma razão, mas não nos exime da responsabilidade pelos nossos atos. Rá. Será que isso só os borders entenderiam também?

Penso que é sempre válido o questionamento pessoal. Pesar as opiniões, questionar o que nos motiva a agir dessa ou daquela forma. É o que estou fazendo, observando, pensando, escondidinha aqui no meu casulo para que, pelo menos nesse período de fragilidade, ninguém possa me ferir mais.

(Vale a dica das técnicas que estou usando para passar por este momento sem usar a gilete: ocupo a cabeça com o trabalho, pratico a Atenção Plena, tento tirar um momento do dia fazendo algo prazeroso, nem que seja por 10 minutos, respeito meus momentos e limites e não me forço a fazer coisas que não me fariam bem, estou tentando melhorar a alimentação e tomar muita água por dia - leia-se comer pelo menos uma fruta e tomar 3 litros de água - no final de semana tento me ocupar com serviços domésticos ou com alguma atividade que eu goste e me dê prazer, que no meu caso foi fazer unhas decoradas.)

** Ah, estou aceitando sugestões para temas para um novo vídeo...


14 comentários:

  1. SILÊNCIO

    No meu estômago, desfeitos os laços,
    Emaranhadas as fitas às bolas de pelos engolidas.
    A garganta grita, sem nenhum som; o infinito acaba e emudece;
    Minha voz se desfaz na confusão de um grande bolo de sentimentos maltratados.

    Refluxo. Meu grito é vômito, meu sussurro é sangue de úlcera inflamada.
    Minha voz, que não se ouve, se eleva: a cada estrofe; e, em toda estrofe, a cada verso.

    Se eleva o som, assim como quem se solta por fadiga e vai explodindo pela implosão graduada.
    Se joga no ventilador, se faz cascata, se inunda, se debate. Luta! Luta contra o silêncio!

    Cansado e rouco, o som retrai seu tom,
    Na busca por fôlego, palavra,
    Rugido que se faça eloquente e suficiente.

    Eu grito: BASTA!
    Embaixo e em cima de mim, ao redor, nenhuma personificação,
    Nenhum elo, nenhuma ressonância de amor!
    Vou gritar que basta desse silêncio enlouquecedor!
    Que povoem meu quarto minhas bonecas,
    Porque pessoas de verdade, quando não são cheias de merda, são vazias.

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  2. Boa tarde Eilan.. poderia falar muito do que li.. mas vou deixar apenas o link de um video que aborda a palavra amizade.. se te interessar.. achei sublime a explicação.. tem muito fundamento.. beijos e um lindo dia

    www.youtube.com/watch?v=LL7Ob6JAzac

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  3. Olha,vamos deixar de lado a doença e falar a verdade,tremedna filhadaputice dele,vamos ver o outro lado,estou falando por mim,tenho plena consciência do quanto ajudei os outros,ouvi quinhentas vezes o mesmo lamento e não foi chato,porra,era meu amigo(a).Apoiei uma amiga que apanhava do namorado,até ela ter coragem de terminar,mas na hora que ela virou umbandista queria que eu (defensora incondicional dos animais) fosse lá ver decaptar animais e inundar com sangue a cabeça das pessoas,quer dizer,nunca ouviu nem respeitou de verdade o que eu sentia.Então pare pra pensar no que vc já fez por ele,mas leve em conta a história de vida dele,é egoísta mesmo ou se tornou,as pessoas mudam conforme lhes interessa. mas isso que ele fez é uma puta sacanagem e ponto.Mas não se deixe levar por comentários de terceiros,pois nunca se sabe o contexto e lenha na fogueira não é legal né?A vida muda,as pessoas (e nós) mudamos,quem disse que amigos tem que ser pra vida toda?Vai doer,mas vai passar.Ainda bem que a máscara caiu.

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  4. Querida,independente da doença,isso é uma tremenda filhadaputice pra qualquer pessoa,vc não merecia isso.Pense ao contrário,nas vezes que vc o ajudou,escutou,nas vezes em que ele foi repetitivo,chato,nós não precisamos ficar gratos a cada telefonema retornado,isso é normal.Acho que vc não deve se fixar em opinião de terceiros,pois não se sabe o contexto e nem se é verdade e colocar lenha na fogueira não é exatamente uma atitude legal.As pessoas mudam,nós mudamos,quem disse que precisamos dos mesmos amigos a vida toda? Talvez busquemos apoios,mas são só pessoas como nós imperfeitas,mas nesse caso específico a atitude dele foi horrível,é só se colocar do outro lado,eu,por exemplo,jamais faria.Imagina o quanto ele é sozinho pra ter que ir buscar um qualquer em Curitiba?É um nada e disso vc nem precisa né?Vai doer?Vai.Mas vai passar.Este ano perdi uma "super" amiga,por quem me desdobrei monetária e emocionalmente e quando eu precisei de um telefonema porque perdi minha casa numa canalização mal feita de um rio,vc pensa que recebi um telefonema? E quando fui cobrar porque eu precisava muito do dinheiro que eu havia emprestado?Nossa,o mundo caiu,essa é a amiga que levei ao pronto-socorro e paguei todos os exames,dei os materiais da faculdade,roupa,paguei pra me ajudar na mudança.Precisamos talvez enxergar melhor os sinais. Beijos e melhoras

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  5. Nem sei o que dizer se o amor já é uma escuridão para mim a amizade tem sido cada vez mais cinza.

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  6. meu melhor amigo não é border, mas sim uma pessoa super empática e bem sensível (e com uma mente muito aberta), outras amigas minhas que tbm não são border não deixam de ser amigas fundamentais para mim com quem me preocupo demais!!! então posso te dizer que com certeza que conseguimos sim nos relacionar com pessoas ditas "normais", com certeza um border se conecta mais forte com outro border porque nos entendemos, não é só empatia, realmente sentimos com todo amago do ser o que a outra pessoa descreve!!! entendemos o passado e a família disfuncional... enfim tudo isto facilita uma aproximação e ligação mais forte entre a gente, com certeza não conseguiriamos ser amigos de pessoas total oposto da gente, que não tem empatia, que não tem sensibilidade ao próximo, que não são emotivas por exemplo um psicopata ou simplesmente alguém que não se importa com os próximos, mas certeza que não se pode se limitar a rótulos e achar que não nos relacionamos com os "normais", que não conseguimos laços fortes com outras pessoas!!!

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  7. "- A maior vingança contra contra um inimigo e perdoá-lo. MATE-O dentro de si.
    - Como assim? - indagou surpreso o homem.
    - Os fracos matam o corpo dos seus inimigos, os fortes matam o significado deles dentro de si. Vingue-se dele resgatando sua tranquilidade e brilhando ainda mais...Caso contrário, ele o assombrará pelo resto da sua vida."
    O Vendedor de Sonhos -Augusto Cury - página 144 e 145.
    " Os que matam o corpo são assassinos, os que matam o que eles representam são sábios"

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  8. Não sei se podemos ser realmente amigos só de outros Borders mas sei que com certeza meus melhores amigos tem algum tipo de transtorno. É uma atração mútua, porque facilmente nos identificamos e a compreensão é imediata. Sinto pelo que te aconteceu mas fico feliz que esteja conseguindo passar por essa fase sem o gilete. Eu não passo mais por nada sem isso ultimamente. Faz algum tempo que acompanho seu blog e ele de alguma forma também me inspirou a escrever, estava me expondo demais no facebook e agora que o desativei terei mais tempo pra comentar suas postagens. Se puder ou quiser dá uma passadinha no meu blog, te mando por email. Abraços.

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    1. G... eu tbm tenho amizades muito legais com pessoas que tem algum tipo de transtorno (Bipolar, TDAH etc...), mas mesmo minha amiga de infância que passou trilhões de coisas comigo e tbm tem seus problemas psicológicos, não me suporta mais... E sei que as pessoas se afastam da gente pq somos "pesados" mesmo, exigimos coisas sob humanas e chega um hora que nossa doença começa a fazer mal pra elas... Estou tentando sair da pior crise da minha vida e a dor do abandono, da rejeição é insuportável... por mais que minha mente me diga que meus amigos gostam e se importam comigo, mas simplesmente eles precisam de um tempo... a border desgraçada diz que eles são um bando de FDP ingratos, os quais sempre me sacrifiquei e agora me viraram as costas... Posso estar falando a maior merda do mundo, mas eu preferiria mil vezes ser Bipolar do que ser Borderline...

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  9. Oi querida
    Sei que estive muito ausente, fiz um post sobre isso, mas assim que decido aparecer, seu blog é um dos primeiros que visito. Sinto muito por suas decepções, mas quanto mais conheço os seres humanos, menos eu os entendo kkkkkkk. Espero que neste momento vc já esteja melhor!
    Um bom natal, e um 2014 muito melhor para vc!

    Bjos.

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  10. Estou passando por exatamente a mesma coisa! Parece que eu estava lendo a história da minha vida... meu namorado diz "vc tem q parar de sofrer tto por uma amizade que não considera vc o quanto vc o considera". Meio que cheguei à conclusão junto à minha psicanalista que eu faço isso (me sinto tão "grata" por qqr sinal de atenção q ele me dá) em razão da negligência que sofri de meus pais na infância. Então sou mto intensa com minhas amizades. Gosto sempre de mostrar q eu sou a melhor amiga que eles poderiam ter na vida, me desdobrando em um milhão pra fazer qualquer coisa por eles. E quando não recebo o mínimo em troca, desabo e sou considerada "drama queen". É um drama diário... Também decidi recentemente me desapegar desta amizade. Veremos oq acontecerá... força para nós! Grande abraço

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  11. Minha última master, blaster advancet crise foi justamente por conta disso.. Duas amigas que pra mim eram tudo, mas que pra elas eu não sou tanto assim... Ou pelo menos é o que o Border me diz constantemente.

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  12. Eu também me sinto exausta, sozinha, consegui afastar todos que ainda gostavam de mim, até os meus próprios filhos. Devido a impulsionador a minha falta de controlo. Estou sozinha, tenho medo de sair, não sei mais o que fazer. Tenho alturas em que estou bem, com força, mas de um momento para outro, por motivos banais e com álcool a mistura, afasto tudo e todos, até contraímos eu fico por arrependimento. Estou medicada, mas nem a medicação faz o milagre de me mudar. Sinto-me exausta.

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