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3 de abr de 2013

Home is where the heart is...


Novamente vou usar meu blog como ferramenta para expressar meus sentimentos. 

Hoje, como a cada dois dias na semana, fui para minha casa com minha mãe alimentar e olhar meus gatos. Para quem não lembra (ou não sabe), estou na casa de minha mãe por estar incapaz de estar/ficar sozinha neste período negro que estou passando.
Toda vez que chego em casa, me dá uma dor no coração de deixar meus bichinhos sozinhos. Hoje veio um sentimento diferente: me deu vontade de voltar. Eu sinto muita falta de minha casa, de minha rotina, abrir minha geladeira, cozinhar no meu fogão, lavar a minha roupa, brincar com meus bichanos. Me deu vontade de ter minha vida de volta. Por um momento, eu me vi dormindo lá, aguentando...

E então eu entrei no meu banheiro e tinha uma peça de roupa do meu ex lá dentro, pendurada. Quase que como se ele fosse entrar pela porta a qualquer momento, pra pegá-la, ou como se eu pudesse ouvir a voz dele gritando do lado de fora pedindo pra eu entregar ela pra ele, pois não sabia onde tinha colocado. Então eu me percebi, com clareza, que mesmo que eu volte pra casa não é mais a casa que eu conhecia. Meu celular não toca mais, a campainha está muda, a casa está imersa em lembranças de uma vida que eu achava que tinha mas era tudo ilusão. 

As lembranças dele estão espalhadas pela casa como bandeiras, tremulando meu passado. Mesmo as que não se podem ver a olho nu gritam pra mim, me chamam, me machucam de uma forma que nem minha faca quando entra na pele consegue infligir um flagelo igual. Lembro dos meus sonhos, da idéia de ter finalmente um apartamento de dois quartos, nossos planos de decoração, eu chegando a noite depois de um dia de trabalho, assistindo TV deitada na sala com meus gatos a meu redor... Tudo está perdido. 


Eu não queria ser esta pessoa dependente. Eu não queria precisar tanto assim de alguém. Principalmente um alguém que claramente não está mais nem lembrando que eu existo. Como pode isso? Toda lembrança que tenho de alguma forma está conectada a ele. Não consigo pensar em nada que, mesmo brigando, ele não estivesse de alguma forma em minha vida. Como ele consegue apagar tudo isso, como ALGUÉM consegue apagar uma vida deste jeito e agir como se o outro nunca tivesse existido?


Como "desconstruir" (parafraseando minha psicóloga) o que nunca esteve lá? Será que eu valho a pena ser "reconstruída"? Que espécie de pessoa desprezível é essa que é esquecida num piscar de olhos, como se não tivesse tido valor nenhum? Que espécie de pessoa merece continuar vivendo depois de jogar pela janela emprego, casa, animais, amor-próprio, tudo? Do que me adianta saber meus sintomas, se mesmo assim não consigo controlá-los? 

Até quando eu vou aguentar?


Minha mãe varrendo a porta de meu apartamento, em nossa visita de hoje.
PS: eu gostaria muito que vocês opinassem na minha enquete se devo ou não postar vídeos. Tenho medo da exposição, estou confusa...


3 comentários:

  1. Olá!
    Eilan
    Imagino que esteja doendo demais, principalmente depois de ter investido tanto em uma relação.
    Penso que a percepção de que se pode sair da inércia é o primeiro passo. Você pode até pensar que está no fundo… mas seu lugar não precisa SER o fundo. Olhe para o espelho, lembrar, sempre, de modular TUDO pela razão, afinal, se chegou até aqui...
    Meu carinho ,sempre
    Bom dia
    Beijinhos

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  2. Oi querida
    Vou te chamar assim agora! Você vai aguentar até o seu tratamento começar a fazer efeito, e as coisas começarem a fazer sentido para vc! Agora nada faz sentido, eu sei, mas eu digo e repito: VC É MAIOR QUE A DOENÇA, NÃO O CONTRÁRIO, um dia vc vai sentir isso, daí vc vai dizer isso para outra pessoa, porque só uma pessoa doente entende outra. Não desista!
    Bjos. #tamo junto.
    http://ashistoriasdeumabipolar.blogspot.com.br/

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  3. Olá Eilan, eu tenho TPB também e é incrível como todos nós passamos pelas mesmas coisas. Fiz um blog recentemente também para poder me abrir, falar o que sinto me deixa menos inquieta. Fique com Deus!

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