Amigos:

6 de set de 2014

Conheci um border... (depoimento)





Oi Eilan, estava vendo seu blog e resolvi te escrever.

Esse meu e-mail é fictício, prefiro não me identificar e com certeza entendes isso.
Apesar do nome no e-mail eu sou mulher... então vamos à história curta:

Sou das pessoas mais certinhas que existe. Mas gosto de conhecer pessoas. Foi assim que entrei naquele aplicativo Tinder (já ouviu falar?) e conheci um rapaz. 

Nos falamos por três dias e fui conhecê-lo. 

De cara ele me contou muitas histórias que pensei "como alguém pode confiar assim alguém que mal conhece?" Mas ao mesmo tempo fiquei "tranquila" por ele ser tão sincero. Ele conversou muito comigo, inclusive contou que tinha sido preso por ameaçar a ex-namora e descumprir a ordem do juiz de não se aproximar dela.

De cara eu percebi que ele tinha algum distúrbio de comportamento. Ele disse que tinha que me contar uma história ainda... mas no momento a história da prisão já foi demais... não sei porque, ainda assim ficamos (só beijos, nada de sexo).

Apesar de não ter medo das pessoas e acreditar que todas tem um lado bom, eu sou muito desconfiada, então fui pesquisá-lo na internet. Descobri que tudo que ele contou era verdade mesmo e ainda outras coisas. 

Nos encontramos no outro dia e antes que ele falasse qualquer coisa eu disse que tinha pesquisado ele no Google, ele sorriu e terminou de me contar a história. 

E me disse que era Borderline. Contou tudo sobre como descobriu a doença, como foi diagnosticado, as crises, a pior delas, a internação e a prisão e os motivos. Me falou tudo.

Eu fiquei sem reação. Primeiro porque a gente se conhece só há pouco menos de 1 semana. Segundo porque nunca tinha ouvido falar da doença. Terceiro porque fiquei pensando o motivo dele confiar em mim assim de cara e ser tão sincero. 

Ele disse que está fazendo tratamento, que toma os remédios. Que às vezes é meio anti-social porque ele evita situações e pessoas que possam desencadear uma crise. Ele pratica muito esporte como forma de liberar endorfina e liberar também um pouco do comportamento explosivo.

Enfim, só o conheço há uma semana! E agora lendo tudo sobre o TPB não sei o que fazer ou como posso ajudá-lo. Ele disse que entendia se eu não quisesse mais ficar com ele, e que entendia eu estar assustada e que não sabia como, depois de tudo que eu já sabia (pois antes de ir vê-lo pela segunda vez eu ja tinha visto que ele tinha sido internado em uma clínica de recuperação), eu ainda estava alí. Eu perguntei se teria algum problema se voltássemos uma "casa" e fôssemos só amigos. Ele disse que não, que talvez isso fosse o que ele precisava agora e tal. Acabamos nos beijando novamente e eu fui pra casa.

E com tudo isso na cabeça. Coloquei tudo no google pra descobrir mais sobre o TPB. Fiquei assustada com as pessoas falando como se afastam e abandonam as pessoas. Mas vi depoimentos de pessoas com a doença e que estão em tratamento... 

Enfim, o que achas? Como devo continuar com a amizade?

E desculpa por não me identificar.

Att.

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* Ai gente, eu queria ter tempo de responder todos os emails que vocês me mandam. As vezes estou online e chega um, aí respondo na lata. Mas as vezes não dá, muita coisa pra fazer, agora que estou tentando fazer uns posts programados pra o blog não ficar sem nada por tanto tempo.

Na verdade, nem sei se a pessoa que me escreveu já resolveu o problema, porém achei que valia a pena postar isso, pra gente pensar junto: bato sempre na tecla do tratamento, o quanto ele é importante. Só que também não é mágica, tipo, começou a se tratar e já fica 100%. Na minha humilde opinião, eu acho que o cara merecia uma chance sim, se ele está comprometido com o que tem que fazer para melhorar. A gente não é só o borderline. 
Agora, sempre se protegendo. Pode parecer meio feio o que eu disse, todavia sabemos que podemos, sem querer, magoar. Por isso a consciência do nosso transtorno é tão importante, para que possamos prestar atenção nas nossas atitudes e comportamentos disfuncionais. 
Uma amizade/namoro com um border é possível? Claroooo! E digo mais, é maravilhosa, pelo grau de envolvimento que temos. Só não podemos achar que o outro tem que entender todo e qualquer comportamento nosso "por causa do borderline". Não somos escravos do transtorno e nem podemos exigir que ninguém seja, viu?

Acho que me alonguei. O que acham de tudo isso?

5 comentários:

  1. "De cara ele me contou muitas histórias que pensei "como alguém pode confiar assim alguém que mal conhece?". Ás vezes a pessoa dá um pouco de atenção e já saio contando tuuuuuudo tbm. Depois me arrependo, e daí acontece isso:
    "às vezes é meio anti-social porque ele evita situações e pessoas que possam desencadear uma crise". Aliás, já estou evitando situações e pessoas à uns meses. Vontade nenhuma de socializar, Sempre a mesma droga...

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  2. Só o fato dele assumir ser border já é ótimo. E se faz terapia e toma remédios acho que deve ser possível uma amizade ou até mesmo um namoro.
    Eu sofri muito já por causa de um ex namorado que tenho certeza que é border, porém ele não quis procurar ajuda e não assume. Achava que eu era louca e a relação se tornou insustentável. Acabei terminando o namoro, com o coração na mão, mas terminei. Até hoje penso nele, pois sei que nunca vou encontrar alguém que me trate como uma princesa, como ele fazia. O problema é que ao mesmo tempo que ele me amava demais e me colocava num pedestal... Ele tinha crises de raiva... Quando brigávamos, me mandava mensagens absurdas, com xingamentos extremamente sem respeito. Tinha paranóias, achava que eu tinha um amante ou quando eu não atendia o telefone , ele pirava. Me ligava e mandava mensagens mutas vezes no dia. E quando estávamos juntos, me sufocava. Não aguentei, pesquisei muito sobre as características que ele apresentava e cheguei a conclusão que ele é borderline. Ele não se corta, mas pesquisei sobre isso também e descobri que a liberação de endorfina miniza a vontade de se auto multilar e no caso dele acho que é isso, ele faz musculação diariamente , adora academia. Depois de pesquisar muito mesmo, eu resolvi contar pra ele o que eu pensava e me ofereci para ajudá-lo a procurar ajuda, assim poderíamos continuar juntos. Mas ele não quis, insistiu que não tinha nada e terminamos. A família dele , não admite também, dizem que ele é mimado (não é filho único), que tem gênio forte e etc... Tentei mostrar até teus vídeos Eilan, mas ele não me ouviu.
    Ficamos de janeiro a maio deste ano juntos, neste tempo, terminamos e voltamos 5 vezes! Desde maio, sei que já namorou duas pessoas e agora mesmo estando enrolado com alguém, resolveu me procurar e dizer que eu sou a mulher da vida dele e que se arrepende muito de não ter meu ouvido. Porém ainda não procurou tratamento, por falta de dinheiro. Confesso que me abalei um pouco, pois gosto muito dele. Mas me mantive firme, pois sei que não há como voltar pra ele, sem terapia e medicamento.
    Seu blog me ajudou muito! Já vi todos os seus vídeos!

    Abraço!

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  3. imagine uma balança, de um lado coisas boas e do outro ruins.. vc vai sentir q sempre vai estar com uma criança q quer sua atencao e por isso te sufoca (muito).. de repente, vai sentir q está com alguém q fará td por vc e q seus planos batem.. de repente a criança volta.. de repente vcs perde. o controle pq no fundo sentirá q está pisando em ovos... a escolha é sua..

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  4. Ja namorei um boder e um narcisista. Prefiro mil vezes me relacionar com boder pois são pessoas com sentimentos apesar dos seus problemas. Já o narcisista, destruiu minha autoestima. São frios e ocos por dentro.

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  5. Eu acho que nós estamos sempre querendo pessoas "prontas", sem problemas, sem dilemas a serem resolvidos...queremos pessoas que não existem. Concordo que não somos capazes de mudar alguém, não devemos ir pra qualquer relação com esse pensamento, mas se houver qualquer sentimento de bem querer por alguém e ela corresponde já vale a pena estar por perto. A pouco tempo fiquei amiga de uma presidiária num hospital que fiquei internada, conheci a história dela, mas mesmo assim senti vontade de ajuda-la e oferecer minha amizade, não lembrei dos crimes que ela cometeu, nao me assustei mais com o passado dela porque naquele momento a companhia dela me fazia bem, me fazia bem ve-la bem e acho que isso que importa. Não vamos julgar as pessoas pelo que elas foram antes de nos conhecerem, vamos analisar o agora, pois o passado ja foi e o futuro ainda virá.

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