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14 de ago. de 2013
Do que vi em ti sem querer ver em mim...
Postado por
aff
Desde que tive meu próprio diagnóstico, busquei em todas as fontes ao meu alcance, as saídas, explicações e tratamentos viáveis. No entanto, quando o diagnóstico ja não era meu, mas sim da minha então companheira, as atenções e buscas deixaram de ter um caráter apenas de busca.... viraram uma verdadeira experiência de imersão... um mergulho de cabeça em um mundo que não era meu. Por tal imersão, e consequente entendimento decorrente dela, acabei em posição de ser procurada por outros familiares que estão na mesma busca, o que além de revitalizar minhas forças, me fez mergulhar ainda mais nesse mundo cheio de paradoxos e inconsistências com o que acreditava e praticava. Em um mundo de sensações e emoções a flor da pele, descobri coisas sobre mim mesma que, se não fosse essa entrega e disponibilidade em trocar informações com outros familiares, jamais teria descoberto. Vejam bem... em conversa com a irmã de uma portadora de TPB, cujo relato é de alguém que arrisca o próprio relacionamento e abandona a faculdade para cudiar da irmã no momento de crise, que eu mesma fiz o mesmo... como não se compreender refletido na atitude de seu companheiro e não perceber que suas motivações são exatamente as mesmas e, por consequência, várias características do que via nesse espelho são sim igualmente percebidas em mim.
Tenho certeza de já ter citado em post anterior uma clara admissão de minha relação ter uma natureza co dependente... Mas até que ponto somos mesmo capazes de perceber em que nível nos ligamos a alguém??? Hoje, rompido o elo, eliminados os equívocos, percebo que além da minha tendência ao apego excessivo (sim, eu reconheço, eu tenho a tendência ao amor meio Cazuza... jogado aos seus pés...) o não conhecimento da natureza dos mecanismos do comportamento border, foram dilapidando dia apos dia minha confiança e autoestima e, quanto mais fragilizada, mais dependente. O que se conclui??? Bem, na minha reles compreensão mundana ficam duas lições.
1ª - Não importa qual seja a natureza da necessidade de seu parceiro, irmão, pai ou filho.... BUSQUE o entendimento sobre os mecanismos que os movem... tenho ainda uma série de sequelas emocionais ecoando dentro de mim e que, sei, vão demorar a calar. Se eu entendesse realmente o que se passava, teria tido a chance de, não apenas evitar esses ecos, como também de ter sido mais assertiva no apoio que oferecia a ela. Mesmo porquê, como oferecer equilíbrio a alguém se você mesmo estiver na corda bamba???
2ª - Ciúme, saudade, medo, ansiedade, dependência.... são coisas inerentes a todos os seres humanos... todo mundo sente isso e aquilo em maior ou menor grau... Na maioria das vezes, não é qual dessas coisas você sente mais ou menos.... mas sim o que você faz com estas emoções... Em respeito a mim mesma, me obrigo a desvincular minhas escolhas da existência de um zelo desnecessário para com quem não deseja ser zelado... retomando velhos projetos deixados de lado em prol de coisas que não diziam respeito realmente a mim e tratando de inserir a autocrítica como companheira diária, policiando meus atos e escolhas para que não volte a esquecer que o centro do universo individual como algo que vá além do que é realmente inerente a minha individualidade...
Sei que essa conversa está parecendo meio narcísica.... mas este é o momento mais necessário para validação deste processo.... eliminar as dores, resgatar o que ficou de aprendizado e construir com o que ficou um novo caminho... E se a vida for mesmo essa tourada.... Que venga el toro!!!!
(A propósito.... pra quem não me viu por aqui, me chamo Paula, venho de um relacionamento de seis anos com uma portadora de TPB e também sou a nova colaboradora deste blog.)
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13 de ago. de 2013
Remédios
Postado por
Unknown
Eles estão lá todos os dias, às vezes todas as noites, às vezes todas as manhã e noites, e às vezes todas as manhãs, tardes e noites. São nossas muletas, nossos apoios, o que permite que andemos entre as pessoas normais quase sem sermos identificados como desajustados, incompreendidos, incompletos. Precisamos deles, talvez não em uma relação tão mortal quanto um diabético precisa da sua insulina, mas sim como um cego precisa de sua bengala ou cão-guia, por exemplo. Sem eles não podemos seguir em frente, não temos como seguir em frente, qualquer coisa no caminho nos derruba. São eles que nos fazem sorrir mesmo quando as coisas não vão nada bem. São eles que nos anestesiam quando queremos chorar e impedem as lágrimas de caírem. São eles que permitem que a gente minta quando nos perguntam se está tudo bem. São eles que ditam nosso humor e como respondemos ao mundo lá fora.
Tem gente que é contra, tem gente que é a favor. Mas para quem realmente precisa deles, essa discussão não tem importância, tomá-los é questão de vida ou morte. Não que a ausência deles te mate, mas o que você é e o que você tem, sem eles, não se pode chamar de vida. Alguns deles tem efeito quase que imediato, outros demoram dias para fazer efeito, de um jeito ou de outro, todos te transformam de alguma forma e aos pouquinhos, você já não sabe quem é. Onde começa seu eu verdadeiro e onde termina seu eu modificado pelas medicações. Tudo parece um pouco falso de mais, um sorriso, a tranquilidade, o equilíbrio... Tudo combinações químicas em seu cérebro, nada além disso. Uma substância a mais ou a menos é capaz de mudar sua vida inteira, tudo o que você é e vai ser. Não é incrível?
Perigosamente incrível. No fim você não é coisa alguma, a não ser uma construção de substâncias químicas e correntes elétricas, que poderiam estar dispostas de qualquer forma, ou seja, você poderia ser qualquer pessoa, poderia ser de qualquer jeito, ter qualquer doença mental ou ser completamente normal, mas por um acaso e só por isso você é do jeito que é. E precisa dos remédios que precisa, mesmo que isso signifique perder a pessoa que você é. Não gosto da ideia de me perder, de ser só um fantoche na mão de meia dúzia de comprimidos, mas é como eu disse, não tenho escolha, não sobreviveria sem eles.
Blog da Sah!!!
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12 de ago. de 2013
Música Borderline: Bitch - Meredith Brooks
Postado por
Nathalia Musa
Gente gente esta é praticamente o hino que define as mulheres Borderline. Muito boa mesmo. Antiga, verdade, porém ótima canção!
Vaca
Odeio o mundo hoje
Você é tão bom comigo
Eu sei, mas não posso mudar
Tentei lhe dizer, mas você
Olha pra mim como se eu fosse
Talvez um anjo por baixo
Inocente e doce
Chorei ontem
Você deve ter se sentido aliviado
Por ver o lado mais suave
Posso entender como você ficaria tão confuso
Não invejo você
Sou um pouquinho de cada coisa
Tudo dentro de uma só
Sou uma vaca, sou uma amante
Sou uma criança, sou uma mãe
Sou uma pecadora, sou uma santa
Não me sinto envergonhada
Sou seu inferno, sou seu sonho
Não sou um meio-termo
Você sabe que não gostaria que fosse de outro jeito
Então, me aceite como sou,
Isso pode significar que você terá
Que ser um homem mais forte
Tenha certeza de que quando
Eu começar a lhe deixar nervoso
E chegar a extremos
Amanhã mudarei
E hoje não farei o menor sentido
Sou uma vaca, sou uma amante
Sou uma criança, sou uma mãe
Sou uma pecadora, sou uma santa
Não me sinto envergonhada
Sou seu inferno, sou seu sonho
Não sou um meio-termo
Você sabe que não gostaria que fosse de outro jeito
No exato momento que você pensa
Que me tem sob controle
Tudo já mudou
Acho legal
Você fazer o que faz
E não tentar me salvar
Sou uma vaca, sou uma amante
Sou uma criança, sou uma mãe
Sou uma pecadora, sou uma santa
Não me sinto envergonhada
Sou seu inferno, sou seu sonho
Não sou um meio-termo
Você sabe que não gostaria que fosse de outro jeito
Sou uma vaca, sou uma provocadora
Sou uma deusa de joelhos
Quando você está magoado, quando você sofre
Sou seu anjo disfarçado
Fui entorpecida, fui reanimada
Não dá pra dizer que não estou viva
Você sabe que não gostaria que fosse de outro jeito
* Gente, boas notícias: arranjei um emprego!! Nem acredito, tô feliz e ao mesmo tempo melancólica e amedrontada, por um lado tenho orgulho, por outro fico me questionando: "Como assim já vou trabalhar? Estou mesmo pronta?". Afinal, o que é ficar pronta? Sou só eu que tremo nas bases por um novo desafio? Acho que não. Porém tenho certeza que nem todo mundo tem crises de ansiedade. Enfim. As coisas estão acontecendo rápido.
PS: Delícia do dia: escutar de uma pessoa que C. estava gordo.
Vaca
Odeio o mundo hoje
Você é tão bom comigo
Eu sei, mas não posso mudar
Tentei lhe dizer, mas você
Olha pra mim como se eu fosse
Talvez um anjo por baixo
Inocente e doce
Chorei ontem
Você deve ter se sentido aliviado
Por ver o lado mais suave
Posso entender como você ficaria tão confuso
Não invejo você
Sou um pouquinho de cada coisa
Tudo dentro de uma só
Sou uma vaca, sou uma amante
Sou uma criança, sou uma mãe
Sou uma pecadora, sou uma santa
Não me sinto envergonhada
Sou seu inferno, sou seu sonho
Não sou um meio-termo
Você sabe que não gostaria que fosse de outro jeito
Então, me aceite como sou,
Isso pode significar que você terá
Que ser um homem mais forte
Tenha certeza de que quando
Eu começar a lhe deixar nervoso
E chegar a extremos
Amanhã mudarei
E hoje não farei o menor sentido
Sou uma vaca, sou uma amante
Sou uma criança, sou uma mãe
Sou uma pecadora, sou uma santa
Não me sinto envergonhada
Sou seu inferno, sou seu sonho
Não sou um meio-termo
Você sabe que não gostaria que fosse de outro jeito
No exato momento que você pensa
Que me tem sob controle
Tudo já mudou
Acho legal
Você fazer o que faz
E não tentar me salvar
Sou uma vaca, sou uma amante
Sou uma criança, sou uma mãe
Sou uma pecadora, sou uma santa
Não me sinto envergonhada
Sou seu inferno, sou seu sonho
Não sou um meio-termo
Você sabe que não gostaria que fosse de outro jeito
Sou uma vaca, sou uma provocadora
Sou uma deusa de joelhos
Quando você está magoado, quando você sofre
Sou seu anjo disfarçado
Fui entorpecida, fui reanimada
Não dá pra dizer que não estou viva
Você sabe que não gostaria que fosse de outro jeito
* Gente, boas notícias: arranjei um emprego!! Nem acredito, tô feliz e ao mesmo tempo melancólica e amedrontada, por um lado tenho orgulho, por outro fico me questionando: "Como assim já vou trabalhar? Estou mesmo pronta?". Afinal, o que é ficar pronta? Sou só eu que tremo nas bases por um novo desafio? Acho que não. Porém tenho certeza que nem todo mundo tem crises de ansiedade. Enfim. As coisas estão acontecendo rápido.
PS: Delícia do dia: escutar de uma pessoa que C. estava gordo.
......................................
NÓS E NOSSOS FILHOS PELUDOS!
![]() |
"Até nas minhas noites de insônia insuportáveis, ela está lá bocejando mas está do meu ladinho! Isso é amor e não há preço que pague!" |
Levou tempo, mas eu prometi e cumpri. Quero muito publicar fotos de vocês com seus bichinhos e me dizer como eles te fazem bem. Essa na foto é a lindíssima da Driele.
Algumas meninas me mandaram pelo Facebook mas eu pediria que mandassem pro meu e-mail. Acho legal a gente espalhar a idéia do quanto é legal e faz bem ter um bichinho de estimação.
Enviem suas fotos com uma frase dizendo como seu bichinho te faz bem para borderlineggirl@gmail.com!
......................................
Com mais de 500 mil exemplares vendidos somente nos EUA, "Pare de pisar em ovos" lida com um tema marcante nos dias atuais: o transtorno de personalidade borderline (TPB). Este livro busca entender este transtorno destrutivo, estabelecer limites e incentivar amigos ou familiares com o transtorno a deixar de lado comportamentos perigosos. Ele discute as últimas pesquisas sobre um problema caracterizado pelo limite das emoções e apresenta técnicas de comunicação e estratégias de enfrentamento para que o leitor possa equilibrar seu relacionamento com um borderline.
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11 de ago. de 2013
Transtorno da Personalidade: Teoria do Apego
Postado por
Nathalia Musa
(post da minha colaboradora Perséfone)
Simone Hoermann, Ph.D., Corinne E. Zupanick, Psy.D. & Mark Dombeck, Ph.D.
Outra forma influente de pensar sobre transtornos de personalidade decorre da teoria do apego, desenvolvida por John Bowlby e Mary Ainsworth. Ela propõe que as pessoas desenvolvem representações internas de relacionamentos através de suas interações com os primeiros cuidadores. Essas representações internas, ou modelos de relações, em seguida, virão a influenciar:
1) desenvolvimento da personalidade
2) tendências de interação social,
3) as expectativas do mundo e de outras pessoas
4) estratégias para regular emoções.
A teoria separa estes modelos de trabalho de relações em duas categorias principais, uma fixação segura e fixação insegura, de acordo com o grau de segurança e proteção presente nas relações representadas pelos modelos. A categoria de apego inseguro é subdividida em função de como as crianças reagem aos outros: ambivalente, esquiva, ou desorganizada. Características desses estilos de apego inseguro são comportamentos que buscam proximidade excessivamente grudenta, comportamentos onde se rejeita o cuidador e, por fim, algumas crianças desenvolvem um estilo de apego desorganizado, que se caracteriza pela alternância de ida e volta entre o comportamento pegajoso e o de rejeição.
A teoria do apego propõe que as primeiras relações das crianças com os cuidadores devem, idealmente, dar origem a um apego seguro, formada pelo fornecimento de uma base segura a partir da qual as crianças podem explorar de forma segura o mundo. Cuidadores de confiança tornam-se uma espécie de "base" ou porto seguro a partir do qual as crianças podem se aventurar com segurança em seu ambiente circundante, e então elas podem retornar à sua "base", sempre que precisarem de algum conforto. Quando as crianças estão chateadas, elas são biologicamente programadas para buscar a proteção e conforto de cuidadores. Cuidadores que atendem às necessidades das crianças para proteção e conforto fornecem respostas suaves, eficazes e adequadas. Quando os cuidadores modelam essas respostas, isso permite que as crianças aprendam a se acalmar e suavizarem-se. Experiências positivas de segurança e conforto das crianças fazem a formação de representações mentais de si e dos outros, caracterizadas por um senso básico de auto-estima e da confiança em outras pessoas (ou seja, o apego seguro). Ao longo do tempo, através de um comportamento consistente dos cuidadores de confiança, as crianças aprendem a regular o seu próprio afeto, e internalizar dentro de si uma estratégia suave de enfrentamento dos problemas, que acontecia anteriormente no espaço entre o cuidador e a criança.
Em contraste, quando os cuidadores rejeitam, são frios e/ou inconsistentes, em resposta às necessidades das crianças (em vez de serem sempre acolhedores e reconfortantes), as crianças não veem os cuidadores como pilares calmos e seguros, e, posteriormente, desenvolvem representações mentais de relacionamentos como inseguros. Pouca ou nenhuma modelagem do comportamento calmante é oferecida dentro desses apegos inseguros, ou a que é oferecida não pode ser confiável, porque é inconsistente, assim, as crianças não aprendem efetivamente a regularem suas próprias emoções ou a acalmarem-se.
Maus tratos prematuros, que culminam na formação de um estilo de apego inseguro, podem fazer as crianças a ficarem confusas em sua abordagem para as relações com os cuidadores e outras figuras de autoridade, embora passem a antecipar o abuso e, portanto, estão motivadas a serem cautelosas ou esquivas, elas precisam simultaneamente de apoio e proteção de tais figuras que motivam sua abordagem. Tal mistura incompatível de motivações interpessoais podem ser responsáveis por alguns dos comportamentos conflitantes e de instabilidade interpessoal freqüentemente encontrados em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline . Apesar de um estilo de apego inseguro e as respectivas representações internas distorcidas de si mesmos e dos outros não constituírem doenças, quando combinado com outros fatores de risco biológicos e ambientais, tais como o abuso, eles podem contribuir para o desenvolvimento de um transtorno de personalidade.
(tradução livre e edição deste artigo)
* Eu não sofri abusos físicos, acredito que meus pais não tem culpa no que aconteceu à minha família. Meus pais se casaram por amor e continuam casados até hoje, quase 32 anos. O nosso problema foi que meu irmão mais velho é doente. Ele é autista em um alto grau. Não tem asperger, ou seja, ele não é esperto em nada. Não sabe ler e vive em uma realidade alternativa em profunda regressão. Foi descoberta a doença dele quando eu nasci. Ele parou de falar e andar. Minha mãe passou dois anos até conseguir o diagnóstico de autismo. Então eu já tinha dois anos e meu irmão quatro. Apesar dos meus pais nunca terem se separado logo houve a separação de responsabilidades, minha mãe cuidava do meu irmão e meu pai de mim. Não por que eles assim quisessem, mas meu irmão nunca aceitou ninguém além de mainha. Eu não entendia o que havia com a minha família, mas sentia falta de coisas necessárias à formação de qualquer criança; hora para dormir, alguém checando minha tarefa de casa –ou mesmo me mandando fazer-, alguém vendo meu boletim, etc. Tentei chamar a atenção sendo a melhor aluna, não deu certo até eu passar a agir como adulta com dez anos. Eu conversava sobre a guerra do Golfo, colecionava artigos de economia e falava sobre marxismo. Virei a melhor amiga do meu pai. Nunca fui a festas, eu gostava de jazz, como meu pai. Os gostos dele eram os meus gostos, e se eu o decepcionava eu tinha que enfrentar discussões de como eu não estava pensando certo, eu era uma adulta aos dez anos. Hoje, aos 30, sou uma adolescente. Por quê?
Se você leu o artigo que traduzi acima, você vai ver que eu não tive pais acolhedores e calmantes, eu nunca estive segura com quem deveria cuidar de mim. Eu não tive limites. Crianças devem ser egoístas, e não seres preocupados, com que roupa o pai irá vestir. Eu queria limites, eu me impus limites. Hoje não tenho nenhuma noção de realidade ou limites, não entendo o dinheiro e não suporto ser rejeitada. Minha mãe nunca quis me rejeitar, a doença do meu irmão foi um fator com o qual eles não contavam e não poderiam antecipar. O abuso que sofri foi de um tipo subestimado tido como de segunda o abuso psicológico. Não foi maldade, mas muitas vezes mesmo com boas intenções, fazemos coisas ruins.
Hoje vario entre colar em alguém e rejeitar totalmente. Mas após muitos anos de terapia sei como funcionam os gatilhos – coisas que me fazem ter crises-.
Em futuros posts pretendo falar sobre o que são, os gatilhos e quais dispositivos internos eu uso para me acalmar.
Marcadores:depoimentos,família,terapia,TPB | 1 comentários
9 de ago. de 2013
Dissociação
Postado por
Nathalia Musa
(post da minha colaboradora Perséfone!)
É bem difícil explicar esse sintoma, os que já tiveram devem entender melhor, mas pelo que pesquisei a experiência é bem de cada um.
Nós borders somos bem seletivos, eu sou o cúmulo da seletividade então escolho até memórias. Existem lapsos de memória meus que tem duração de meses, o maior foi de um ano. Onde estive durante esse tempo? Dissociada. A verdade é que sempre há algo que me incomoda tant na realidade que eu resolvo tirar "férias" de mim. Não é bem resolver por que não tem um processo pelo qual você consiga "ir".
Eu não bebo nem uso drogas, pelo menos as não prescritas, mas sou viciada em leitura. Quando a realidade começa a ficar sufocante eu começo a ler mais. Em doze dias li quinze livros. E eu comecei a viver os livros aquelas "realidades ficcionais" (bom paradoxo), se tornaram mais reais do que a minha realidade, de acordo com as pessoas a minha volta eu ficava lendo e dormindo, comia lendo e nem queria tomar banho. Dormia exausta, às vezes com enxaqueca vomitando, ler sem parar tem esse inconveniente. Eu não lembro ao certo o que aconteceu. Quando você tem uma convulsão, você se bate toda é capaz de arrancar a própria língua, as pessoas tem que te segurar e impedir você de serrar os dentes, quando passa você não lembra de nada, mas as pessoas ao seu redor estão chocadas e com medo de você, você vê os hematomas mas não sabe direito porque todos estão agindo como se você fosse quebrar, certo? Bem, a dissociação é assim.
Assustador, mas o que estou tentando aprender é a não precisar "adoecer" para sair de uma realidade sufocante. Se nós formos sinceros conosco e com os outros, dizer que aquela atitude te machuca, que você não suporta, é melhor do que "fugir". Muito difícil fazer isso, as outras pessoas não entendem o porquê de eu não suportar coisas tão normais. Mas eu não suporto e pronto. Ajuda se entender e se aceitar, pra isso é necessária a terapia.
.............................
como se acalmar usando a música!
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8 de ago. de 2013
Sobre assassinatos, transtornos e o programa da Sônia Abrão.
Postado por
Nathalia Musa
Você é diagnosticado com um transtorno de personalidade/humor. Começa sua luta pessoal, submerge em terapias, remédios controlados e possíveis internações. Lê tudo que pode a respeito para entender o que se passa dentro de sua mente, para se conhecer e tentar viver neste mundo que infelizmente é dividido entre o "normal" e o "anormal".
Então você começa a perceber os olhares enviesados quando descobrem que você tem um problema de ordem mental. Medo, receio, desconfiança de suas habilidades, como se você mesmo não estivesse confuso o suficiente.
Aí descobre que, além de tudo isso, muitas patologias do mundo são atribuídas a você: matou?envenenou?estuprou?roubou? Tem um transtorno. Como se os ditos "normais" não fossem capazes de nada fora da linha da decência e dos bons costumes.
Um menino de 13 anos é suspeito de matar a família inteira em São Paulo. Choque. Medo. surpresa que uma criança possa ter planejado tão friamente a morte de seus pais e que tenha ido ao colégio logo depois, como se nada tivesse acontecido. A família repudia a idéia, a sociedade se divide em acreditar na história ou numa suposta "queima de arquivo". Os programas de televisão, jornais, fervilham com informações e perguntas a serem respondidas.
Não assisto muita TV. E quando o faço, geralmente é a Globo ou canais da TV a cabo. Qual não foi minha surpresa quando ouvi que no programa da Sônia Abrão, "A Tarde é Sua", do dia 07/08, que estava falando sobre o crime, a possibilidade do menino ser Borderline havia sido aventada. Descobri o vídeo e o diálogo entre o especialista de segurança Jorge Lordello e o psicólogo presentes no programa foi assim:
Jorge Lordello:
- Muita gente fala, e eu já li algo a respeito, de pessoas que estão com problemas de ordem emocional, com algum tipo de problema sério e que precisa de um gatilho pra "startar". A informação que a gente tem é a seguinte: o crime ocorreu no domingo, ok? Ocorreu no domingo, do domingo pra segunda. A informação ela diz o seguinte, que no sábado a noite o Marcelinho tinha uma festa a noite para ir, uma festa bem bacana, de amigos, e os pais não permitiram que esse garoto fosse à festa e ele teria ficado muito chateado com isso. Isso é uma informação extra-oficial, ok? Então, a pergunta é: será que a negativa de pais numa faixa etária de 13 anos, que a gente sabe que é a faixa etária mais problemática, 13, 14 anos, aonde o garoto se acha homem mas também tem cabeça de criança, meio a meio. Então a pergunta é - e se esse fato realmente é realmente verídico, de uma negativa de um garoto querer ir numa festa e não pôde ir, se isso Haroldo, poderia ser um "start" pra desencadear esse grande problema.
Psicólogo (doutor Haroldo):
- Eu inclusive queria dizer ao doutor Itagiba que eu discordo um pouquinho de algumas colocações que ele fez e outras pessoas também que ele não apresentava sintomas, problemas emocionais nenhum. Gente, pelo amor de Deus, um garoto que só vive jogando e jogos de morte, de sangue e diz abertamente pra um amigo que gostaria de ser um matador de aluguel e que vai para uma professora e faz esse tipo de pergunta, se ela já pensou em matar pai e mãe, se isso já não é um sintoma de uma criança que já mereceria a muito tempo uma atenção psicológica, lógico doutor que mereceria, é que as pessoas muitas vezes não sabem fazer a leitura, por isso o que o doutor Nordello colocou aqui pode ter ocorrido sim, ou seja, ele já tinha uma predisposição a uma personalidade borderline em relação aos pais e ficou irritado com uma negativa e partiu pra prática.
Várias perguntas passaram pela minha cabeça: o que ele quis dizer com "personalidade borderline em relação aos pais"? O que o levou a crer que uma reação a uma negativa levaria alguém com tal personalidade borderline, caracterizada pelo impulso e raiva certamente, ao invés de ter uma reação imediata de raiva e descontrole, vai planejar friamente um assassinato que claramente se foi o menino mesmo, já estava na cabeça dele antes? E o mais importante: como um psicólogo cita um transtorno que já é pouco conhecido pelo público de uma forma tão vaga e pejorativa em um programa de rede nacional, onde muitas pessoas podem concluir que a personalidade borderline se resume a matar friamente pai e mãe com uma arma?
Não estou aqui questionando o psicólogo e sim a forma infeliz que ele citou o problema. Como eu vi reações indignadas e surpresas no Facebook, como fiquei imaginando como reagiriam pessoas recém diagnosticadas ao ver tal relação ser desenhada em um programa de televisão. É preciso responsabilidade quando se cita qualquer transtorno, não só o Borderline, pois a falta de informação já é geral e preconceito também. Nós, os com "problemas mentais", já temos que enfrentar nossas batalhas diárias para termos uma vida saudável e plena, certamente não precisamos de mais notícias sem muita base e com um fundo que pode criar uma falsa definição de nossa patologia.
Vou mandar este post como e-mail para o tal programa e peço que vocês façam o mesmo, espalhem este protesto indignado que não é só meu, mas de todos que vivem com transtornos e só querem que o mundo lembre que não são só isso. São seres humanos.
Marcadores:transtornos | 7
comentários
7 de ago. de 2013
O peso da família no tratamento do TPB
Postado por
Miss Danielle de Barbarrac
Não importa qual seja seu transtorno, distúrbio ou doença. O
apoio e envolvimento familiar são de extrema importância. E nem quão grande
seja seu problema ter alguém em quem você pode se apoiar e dividir o peso são fatores
chave para a confiança em dar continuidade a terapia. Muitas vezes um simples gesto
de levar a pessoa ate a terapia, o dialogo, o envolvimento e o suporte dos
membros da família auxiliam o trabalho de qualquer profissional.
O papel da família na resolução do tratamento:
Amar alguém com Transtorno da Personalidade Borderline podem
ser confuso e, muitas vezes, cansativo.
Imagine que seu familiar dizendo: "Eu sou uma pessoa
ruim", ou "Eu quero me matar." Estas declarações, tão carregadas emocionalmente, são difíceis de lidar de uma maneira que não é simplesmente uma reação instintiva.
"Não, você não é uma pessoa ruim", é,
naturalmente, a primeira coisa que você quer dizer. Mas a contradição de que
você está dizendo e como a pessoa que sofre de Transtorno de Personalidade
Borderline sente pode ser confuso e invalidar a essa pessoa.
Há uma necessidade de quase uma hiper-consciência de suas
próprias ações e reações quando se trata de lidar com a pessoa com
Transtorno de Personalidade Borderline.
Isso soa familiar? Relembre episódios que você
experimentou com o membro da sua família com Transtorno da Personalidade
Borderline. Você dá a ele mais
atenção quando ele ou ela está em crise, e, em seguida, recua quando ele ou
ela não está? Isso pode realmente servir para recompensar o comportamento de crise.
Especialmente considerando que o medo do abandono ou a falta de seus entes
queridos é um dos sintomas de TPB.
Tratamento para você e seu familiar
Os sintomas da TPB podem resultar nesse tipo de círculos viciosos. Incentivar seu familiar a procurar tratamento é uma forma de mostrar ao seu ente
querido que você acredita na sua capacidade de recuperar e melhorar a sua vida.
No começo, ao aumentar o tema de tratamento do TPB, você pode sentir no começo como pisando
em ovos. Traga-o suavemente, com amor, e definitivamente, não durante o período quando as emoções estão elevadas. Ofereça-se para ajudá-lo a encontrar clinicas. Deixe-os saber
que você vai estar lá como uma base sólida através do processo.
Como um membro da família, você está em uma posição única
para lembrar ao seu familiar que as mudanças levam tempo, e para lembrá-lo que você estará lá constantemente no processo de cura, que por vezes ficará tumultuosa.
Por este motivo, encontrar um tratamento correto para TPB que envolve a família no processo é vital para ajudar seu familiar se recuperar. Não é só aqueles que sofrem de Transtorno de
Personalidade Borderline, que seriam ajudadso por habilidades, como a atenção plena (mindfulness) e uma melhor comunicação da aprendizagem.
Cuidar de si mesmo e da sua própria saúde mental e emocional
(e física, na verdade) é de extrema importância. Olhe para o seu próprio
eixo: em amigos e familiares de grupos de TPB. Você pode encontrar neles,
também, a necessidade de validação e em como ajudar seu familiar em sua jornada
para uma vida mais saudável e satisfatória.
Fornecer suporte durante o tratamento de TPB:
Enquanto seu familiar está em tratamento de Transtorno de
Personalidade Borderline, há algumas dicas para dar apoio
em sua jornada para a recuperação:
1- Vá devagar. Aceite o fato de que a mudança leva tempo, e que há avanços e retrocessos
2- Seja legal e gentil. Mantenha as coisas calmas e em equilíbrio. O elogio é
bom, mas mantenha-o em um nível legal. O mesmo vale para o conflito.
3- Não esquecer a vida. Fique em dia com suas rotinas e mantenha contato com a família, amigos e atividades que nada têm a ver com TPB ou seu
tratamento. Seu amado não é definido por seus sintomas e seu tratamento.
4- Piadas, sorrisos, risos. Faça um esforço para se concentrar em
coisas e eventos fora do tema da TPB. Aproveite a vida e a companhia um do outro
como membros da família, e não apenas os membros da família no tratamento. Não
se esqueça da causa que estão neste caminho juntos. Amor.
5- Não há como duvidar da importância da família e entes
queridos, quando se trata de tratamento de Transtorno de Personalidade
Borderline.A família pode fornecer uma base e um alicerce para um ente querido,
bem como uma fonte estável de reforço positivo e compaixão.
[Tradução livre do artigo: "The Importance of Family in BPD Treatment"]
***Na minha experiência pessoal na falta do apoio familiar foi
sem dúvidas não só um dos precursores do meu transtorno, mas também o motivo do
qual ainda não consegui lidar nem minimamente com ele. Desde muito cedo senti
na pele esse déficit no meu desenvolvimento e na criação da minha autoconfiança.
O preço pago foi caro, e foi jogado nos braços de quem sofreu a falta. Nunca
fez muito sentido e nunca me sentirei vingada, pois nada apaga o estrago. Eu
nunca sonhei realmente com uma família utópica, dessas de propaganda de
margarina, mas queria uma mãe zelosa um pai exigente que realmente quisesse
algo de bom pra mim, talvez irmãos que eu brigasse muito, mas no final sempre terminássemos
unidos lutando juntos. Eu sei que a vida não é como queremos e que sempre dá
pra ser pior, mas mesmo assim qualquer gota de amor, qualquer grão de proteção
teriam evitado muita coisa em mim. No atual momento dependo do meu pai para
pagar a terapia e os remédios do meu longo tratamento para TPB (que de certa
forma ele foi o grande causador) e estou aventando a possibilidade de ter que interromper
novamente por falta de dinheiro, pois ele assim como topou pagar, agora ele está “destopando”,
pois não me dá o dinheiro pra pagar. Juro que do fundo do meu coração desejo
poder conseguir trabalhar e ser a responsável pelo meu tratamento, mas no momento
preciso me humilhar pro cara mais besta da face da terra: meu pai. Minha mãe??!
Minha mãe finge que nem é com ela, ta maravilhosa morando numa bela casa na
Costa Rica casada com um cara bem de vida e dorme tranquila no travesseiro
todas as noites, sabendo que a única filha dela ta aqui com um problemão e sem
ter como viver. Sinceramente ser pais e ter filhos são duas palavras muito
diferentes.
Marcadores:depoimentos,família,TPB | 6
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