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31 de jul de 2013

Mitos Comuns Sobre o Suicídio.




Existem muitos mitos sobre o suicídio, mas eu vou focar em três:

- que as pessoas que falam sobre suicídio só estão tentando chamar atenção.
- que as pessoas que são suicidas estão tentando manipular os outros.
- as pessoas que são suicidas definitivamente querem morrer.

Mito 1: Suicidas só estão tentando chamar atenção

O fato é que as pessoas com tendências suicidas geralmente dão todo tipo de avisos. Elas falam sobre isso com frequencia como um pedido de ajuda. No Exército nos é ensinado a nunca levar ma ameaça de suicídio de uma maneira leve, porque mesmo que a pessoa não esteja falando sério - e elas geralmente estão - é um sinal que algo está muito errado.rong.

As pessoas que falam de suicídio geralmente estão lidando com uma dor muito forte. Elas querem que aquela dor pare, mas não sabem como fazê-lo, exceto terminando com suas vidas. Elas não sabem o que fazer e estão pedindo ajuda falando o quão ruim se sentem.

Eu nem consigo enfatizar isso o suficiente - sempre leve uma ameaça de suicído a sério

Mito 2: As pessoas que são suicidas estão tentando manipular os outros.

Eu me tornei suicida quando estava no Exército e fui imediatamente acusada em manipular o Exército para me dar uma dispensa médica. Isso era a última coisa que passava pela minha cabeça na época. eu queria servir, mas também queria parar de ter alucinações e de sentir-me deprimida. Este mito poderia ter custado a minha vida, se o psiquiatra não tivesse reconhecido que eu falava sério.

Não estou dizendo que não existam pessoas que ameaçam se matar na tentativa de manipular alguém. Meu ex-noivo, que sofria de bipolaridade mal tratada e de TPB, tentou uma overdose depois que eu o deixei e me ligou para me contar. Neste caso, você deve perceber que esta pessoa é mais doente que manipuladora e que precisa de muita ajuda. Elas são a exceção, não a regra.

Seja firme, mas tenha compaixão se alguém deste tipo ameaçar se matar. Leve a sério, ofereça a ajudá-la a achar ajuda, mas não a deixe ditar o rumo da conversa. Diga algo como: "Eu vou te escutar o quanto você quiser e farei o que puder para te ajudar, mas se você tentar, eu vou ligar para a emergência."

Mito 3:  As pessoas que são suicidas definitivamente querem morrer.

Eu tentei suicídio três vezes e só em uma eu estava determinada a morrer. As outras duas, e todas as outras vezes que me senti com vontade de tentar mas não o fiz, eu não queria morrer, eu queria que a dor parasse. As vezes a morte parece a única forma de fazer a dor parar.

As pessoas que tentam suicídio geralmente estão pedindo ajuda. Este pedido merece ser escutado e respondido.

(tradução livre/edição do artigo: "A Deadly Belief: Myths About Suicide")

* Eu tentei me matar duas vezes e pensei em fazê-lo algumas dezenas. Na primeira vez eu realmente quis morrer, pois foi quando meu ex-noivo me traiu e eu me vi numa situação em que sabia que não conseguiria deixá-lo, mas me achava atrapalhando sua vida, então morrer seria a melhor alternativa para todos. Lógico que eu, no alto de meus 18 anos, achei que tomar muitos remédios era o suficiente e que me tirariam os sentidos logo que eu o fizesse. Não foi o que aconteceu e eu fui parar numa emergência de um hospital, levada pelo mesmo ex-noivo. Eu não recomendo a lavagem gástrica para ninguém.

A segunda vez foi agora, quando meu querido ex-namorado, C., me chutou de uma forma bem cruel. Acho que quem me acompanha sabe que eu fiquei 14 dias sem comer, a base de álcool e clonazepan, depois indo pro dramin. Eu queria que aquela dor parasse, eu queria dormir e não acordar para não sentir mais aquilo, que me rasgava por dentro, que me tirava as forças. Se houvesse um comprimido que me fizesse dormir para sempre, eu o tomaria de bom grado. Não sabia (e ainda não sei muito bem) lidar com tudo, com o término, com a indiferença dele, com os insultos, com a solidão, com o que eu achava que tinha se tornado a minha vida. E, por não saber, doía muito pensar. O pensamento da morte me acompanha até hoje, todavia menos frequente que há dois meses atrás, onde eu dormia pedindo não acordar.

Eu escolhi tentar lutar. É frustrante, porque é muito mais difícil que se entregar a todos os pensamentos negativos que nos acompanham. Cansa, exaure a gente. Mas é o caminho. Alguém não pode dizer que vive pensando em morrer volta e meia. Eu não quero mais sobreviver. 

Eu escolho querer viver.

E você?

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Borderline x Bipolaridade: Qual é a diferença?




O Transtorno de Personalidade Borderline e o Transtorno Bipolar compartilham muitos sintomas parecidos, os mais evidentes sendo o humor instável e atitudes impulsivas.

Como resultado eles são confundidos frequentemente, e aqueles que sofrem com os sintomas de um ou do outro são frequentemente diagnosticados errôneamente e então se tratam do transtorno errado.

Como são diferentes, os métodos de terapia variam. A Bipolaridade responde bem a anti-depressivos ao passo que o TPB é tratado eficazmente com terapias, como a Terapia Dialética Comportamental

Em um artigo publicado pelo U.S. National Library of Medicine, Joel Paris, M.D., escreve: "Estudos de tratamento falharam em mostrar que os estabilizadores de humor tem em qualquer ponto a mesma eficácia no TPB do que eles tem no tratamento do Transtorno Bipolar."


Erros no diagnóstico


Portanto, o diagnóstico correto é de extrema importância a fim de experienciar a recuperação dos sintomas do TPB ou do THB (transtorno de humor bipolar). Ainda assim os transtornos continuam a ser confundidos um com o outro.

Todavia, "pode haver mais nisso que uma simples confusão", diz Randi Kreger, autor de "Pare de Pisar em Ovos."

Kreger aponta uma ferramenta para o diagnóstico, o Questionário de Transtornos de Humor  (Mood Disorder Questionnaire - MDQ), como sendo uma ferramenta potencialmente defeituosa na indicação de TPB ao invés de Transtorno Bipolar. Isso é baseado nos resultados de um estudo do Rhode Island Hospital no qual foi descoberto que quando os pacientes eram selecionados baseados no MDQ (bipolares), eles eram quatro vezes mais prováveis de serem diagnosticados com o TPB do que se fossem diagnosticados somente usando os padrões do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Até mesmo os padrões do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais tem estado sob as lentes dos microscópios e foram acusados de serem vagos demais. Mudanças na forma que os pacientes serão diagnosticados estão chegando no novo manual (DSM-5), que será lançado em maio deste ano, na Reunião Anual da Associação Americana de Psiquiatria, em San Diego.
(nota: não houveram mudanças específicas para o diagnóstico do TPB no novo manual, mas um novo modelo foi publicado nele em um capítulo separado, para estimular mais pesquisas neste sistema de diagnóstico modificado)

Além de tudo isso há o fato que o THB e o TPB podem ser co-ocorrentes. As pessoas diagnosticadas com o Transtorno de Personalidade Borderline pode também ser diagnosticada com o Transtorno Bipolar e vice-versa.


Mudanças de humor diferentes


Existem diferenças que um clínico qualificado vai procurar para determinar o diagnóstico correto. Uma delas é o ciclo destas mudanças de humor. Embora os dois transtornos experienciem estas mudanças, aqueles com o TPB tem ciclos muito mais rápidos, frequentemente várias vezes ao dia.

Marsha Linehan, professora de psicologia da Universidade de Washington e pioneira da Terapia Dialética Comportamental, descreve estes ciclos que o border experiencia: " Você tem o medo aumentando e diminuindo, tristeza aumentando e diminuindo, raiva aumentando e diminuindo, repugnância aumentando e diminuindo e amor aumentando e diminuindo."

Alguém com o transtorno bipolar vai ter estes ciclos com menos rapidez. Algumas vezes um pode durar meses ou até anos.

Se você acredita que tem sintomas do TPB ou do Transtorno Bipolar, certifique-se de ser diagnosticado por um profissional da saúde mental qualificado. É importante que você receba o diagnóstico apropriado a fim de ter um tratamento eficaz para o Borderline, THB ou para ambos.

(tradução livre deste artigo e referência ao novo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais tirada daqui.)

* Tava tão louca traduzindo o texto que quase me esqueço de falar: 100 seguidores!!! Muito obrigada mesmo, nunca imaginei chegar nem nos 50!!!

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29 de jul de 2013

Gatilhos no Transtorno de Personalidade Borderline e "Música Borderline"


Quando aqueles com o TPB são expostos a um gatilho, eles experimentam um aumento repentino na angústia devido a emoções desreguladas. Se a pessoa com TPB esta em contato ou consciente de seus sentimentos no momento ou não, ela vai sentir um forte aumento de sua angústia e desconforto emocional. como isso se manifesta pode variar para cada border. Porém, no coração desta experiência há o desejo de uma necessidade desesperada de fugir desta aflição e do desconforto usando o que quer que seja necessário ou qualquer atitude que proporcione uma fuga destas emoções desreguladas por este gatilho.

Gatilhos não são só uma experiência borderline. O que é específico para o TPB é que estes gatilhos produzem esta intensa desregulação emocional, são frequentes e tem suas raízes na ferida aberta do abandono e são dissociativas por natureza.

Como borders, temos que focar uma energia considerável para ficarmos seguros. Um gatilho pode fazer isso mais difícil.

Não importa o quanto você já cresceu emocionalmente, você pode temer escorregar e cair em velhos comportamentos. Afinal de contas, você usou as velhas formas de comportamento por tantos anos que elas se tornaram quase automáticas. E, apesar das novas formas que possa ter aprendido para lidar com certas situações, elas exigem esforço, pensamento e concentração. Elas são trabalhosas. Se você está estressado ou se sentindo mal, a tentação natural é lançar mão de velhos comportamentos disfuncionais, porque eles são mais fáceis.

Alguns exemplos de gatilhos que podem levar a uma reação emocional:

- ouvir uma música que lembre uma situação ou desperte um sentimento desconfortável.
- comportamentos de pessoas próximas, como ouvir uma crítica específica ou algo que lembre uma situação dolorosa do passado.
- Uma cena de filme ou uma determinada frase que desperte sentimentos negros
- Histórias de suicídio
- Lugares específicos que lembrem uma situação dolorosa.
- Testemunhar discussões
- Frases que possam, mesmo no campo do imaginário, trazer o sentimento de abandono
- Ambientes que valorizem um comportamento desregrado

Alguns exemplos de consequências:

- auto-mutilação
- depressão
- pensamentos suicidas
- raiva
- aumento  da necessidade de comer demais, beber ou usar drogas.

Quando encarar um gatilho, tente conversar consigo mesmo. Lembre-se de dar um passo de cada vez. Tente relaxar, respirar fundo, e não se culpe por seus sentimentos. Você não escolheu o trauma ou suas reações e só é responsável por ter certeza de que não vai se machucar e nem aos outros.

(Tradução livre de partes destes artigos: "Identifying Your Triggers: What Causes Your BPD Symptoms?" e

* Por que escrever sobre gatilhos junto com a música Borderline? Porque percebi que só postar músicas tristes não ajuda ninguém. Que se eu to fugindo de certas músicas, pra que divulgar um monte de músicas depressivas? Entendam, não vou mudar o jeito do blog, se houver uma que eu ou qualquer uma de minhas colaboradoras acharem bonita e esta for depressiva, não vou deixar de publicar. O que vou parar é de PROCURAR canções que inspirem estas angústias borderlines. A mesma coisa com os textos, eu e minhas "filhas" tem total liberdade de escreverem o que quiserem mas, graças aos Deuses, elas cada vez mais estão focando (e eu também) em tentar buscar algo que seja benéfico e motivador, para nós mesmas e para quem nos lê.

Fico impressionada com a quantidade de gatilhos que vejo no Facebook, por exemplo. Estou deixando de ler certas coisas, pois fico me sentindo mal e tendo idéias. Eu sei que, por exemplo, os grupos são o espaço para que nós possamos falar sem censura e não tiro a importância, porém acaba virando uma apologia à comportamentos que já são sabidos serem prejudiciais a nós borders (como sexo promíscuo, uso de drogas, álcool...), que por si só já não precisamos de ninguém que nos dê idéias, imagina lendo um monte de coisas sobre o assunto? Fora falar mal dos remédios, recusar ajuda, ao invés da troca saudável de experiências que pode nos ajudar a todos Claro que isso não é generalizado, que bom que há os bons exemplos pra gente se espelhar. Temos (incluindo eu) que parar de cultuar o sofrimento. Eu sou border, eu sofro, eu choro, mas eu fiz uma escolha: transformar o que estou passando em algo positivo para os outros e lutar, lutar muito, cair, levantar, fazer cagada, consertar e tentar seguir em frente.

Qual vai ser a sua escolha?

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Música Borderline: Put your Records on - Corinne Bailey Rae


TRADUÇÃO:

Coloque Seu Som Para Tocar

Três passarinhos pousaram na minha janela
E me disseram que não preciso me preocupar
O verão chegou feito canela, tão doce
Garotinhas pulam corda no concreto

Talvez algumas vezes
Cometemos erros, mas tudo bem
Quanto mais as coisas parecem mudar
Mais elas continuam as mesmas
Oh, não hesite

Garota, coloque seu som para tocar
Me diga sua musica favorita
Vá em frente, relaxe
Safira e jeans desbotado
Espero que alcance seus sonhos
Apenas vá em frente, relaxe
Você se encontrará em algum lugar, de alguma maneira

Azul como o céu,
queimada de sol e sozinha
Bebendo chá, no bar da estrada
(apenas relaxe, apenas relaxe)
Não deixe aqueles outros garotos te enganarem
Tem que amar aquele penteado afro

Talvez algumas vezes
Nós sentimos medo, mas tudo bem
Quanto mais você continua a mesma
Mais eles parecem mudar
Você não acha isso estranho?

Garota, coloque seu som para tocar
Me diga sua canção preferida
Vá em frente, relaxe
Safira e jeans desbotado
Espero que alcance seus sonhos
Apenas vá em frente, relaxe
Você se encontrará em algum lugar, de alguma maneira

Apenas mais do que eu poderia aguentar
Compaixão pelo bem da compaixão
Algumas noites não consegui dormir
Achei que eu fosse mais forte
Quando você vai perceber
Que você não precisa mais tentar
Faça o que você quiser

Garota, coloque seu som para tocar
Me diga sua canção preferida
Vá em frente, relaxe
Safira e jeans desbotado
Espero que alcance seus sonhos
Apenas vá em frente, relaxe

Oh, você se encontrará em algum lugar, de alguma maneira

(link)

Boa semana a todos!


Quero matar meu ex-namorado.




E minha mãe. Meu pai podia ser morto também, acho que me faria bem.

Você que está lendo estas linhas deve estar achando que finalmente eu surtei de vez e assumi meu lado psicopata. Não, ainda não cheguei neste ponto.

Um dos princípios do tratamento psicanalítico é "matar pai e mãe". Claro que ao dizer isso, Freud o faz num sentido figurado, não matar propriamente dito, mas matar simbolicamente as figuras paternais introjetadas em nós, quando chegamos a idade adulta, no sentido de nos libertarmos da submissão aos pais, da autoridade e principalmente da dependência que temos deles.

Escutei minha psicóloga falando isso para mim em minha última sessão e fiquei refletindo. Acho que eu teria que matar quase todo mundo, pois é inacreditável a dependência emocional que tenho para com aqueles que conseguem estar muito ou razoavelmente próximos a mim, de uma forma em que uma opinião deles sobre minha pessoa afeta toda e qualquer crença que eu tinha antes disso. Um exemplo? Discuti com a minha mãe um dia desses e ela acabou falando que eu lia muito sobre o borderline, mas que na hora de colocar na prática eu não fazia nada. Bem, eu sei o progresso que venho tendo. Sei também que ela disse aquilo num momento de emoção e que não condiz com a verdade. Porém só de escutar, e somar esta declaração com uma muito parecida, dita pelo meu queridíssimo ex, o C., fiquei abalada, questionando se eu realmente estava avançando ou se estava simplesmente iludida.

A questão central aqui não é o que ela ou C. acham, é como isso afeta a MINHA verdade. Teoricamente, se eu tivesse uma crença nos meus sentidos e em minhas opiniões, eles até podiam achar isso, acharem que eu estava louca varrida, mas quando estamos bem consigo mesmos estas opiniões não nos afetam.

Citei minha mãe, porém foi só para exemplificar. Poderia falar de tantos outros, como C. me chamando de burra ou de "crazy bitch" (cadela louca... ou algo parecido). Até coisas mais amenas, como uma crítica leve no trabalho, que geralmente faz eu pensar que TUDO que fiz está uma droga ou um amigo dizendo para eu não fazer algo que eu estava determinada a fazer e eu acatar porque para mim se o outro acha é porque deve estar certo.


Resumindo, eu queria matar sim, meu ex, minha mãe, meu pai e uma penca de gente mais. Para que eu possa ter uma relação mais saudável com eles (tirando C., ele é só pra que seus comentários depreciativos parem de ecoar na minha cabeça). Quero poder ter um amor-próprio e um senso de identidade para não me abalar com qualquer opinião que tenham sobre mim ou sobre o que faço. Quero poder colocar uma roupa e, se me sentir bem com ela, sair de casa sem preocupar-me com o que vão pensar. Quero não me abalar quando minha mãe diz que eu deveria emagrecer, ou quando me dizem que me exponho demais, ou quando questionam meus motivos. Entendam, não é que eu queira ser uma porra-louca que vive em seu próprio mundo sem noção do que é certo ou errado. 
Eu quero poder escolher por mim mesma. E aguentar as consequências de minhas escolhas, certas ou erradas, mas tomadas por mim, não por uma mente que insiste que meu valor e minha verdade só existem quando afirmadas por terceiros.


Matando certas pessoas eu renasceria melhor, para mim, e para eles.


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27 de jul de 2013

Depoimento: Diário de um Borderline





Jovem, bonita com 28 anos de idade, com uma profissão e concluindo uma ótima graduação - essa era eu, acabara de comprar meu primeiro carro ano 95, estava feliz? Depois de muitos de muitos dias indo e vindo do caminho do trabalho em prantos, sem encontrar sequer um motivo que fosse para viver. Resolvi pesquisar as doses letais das medicações, e foi com o clonazepam que me entupi na tarde do dia de 24 de outubro de 2012, demorou muito para fazer efeito, não me dava sono logo, comecei a andar, foi então que vomitei e desmaiei...

Acordei em uma internação psiquiátrica, com uma médica me auscultando, apenas um soro fisiológico corria em minha veia, todos os pacientes psiquiátricos curiosos querendo conversar, eu só queria dormir. Aquela médica se foi, e eu fique internada durante 7 dias no hospital Tide Setúbal sem a visita de nenhum psiquiatra, fiquei totalmente robotizada, sem conseguir articular palavras, pouco me levantava e ia ao banheiro. 

Mas o pesadelo mesmo começou após a alta, na qual fui embora sem nenhum tipo de acompanhamento, o CAPS não queria me atender por que eu era caso de ambulatório, e o ambulatório tinha uma fila de dois anos para o primeiro atendimento, sofri muito, tinha desejo me matar constantemente. Enquanto isso em casa eu me perfurava com agulhas 40X12 em minhas artérias na esperanças de ter aquela angústia interna suprida. Todo tipo de martírio eu fiz com meu corpo, raspei meus cabelo, que era o que eu mais amava em mim. Quando não aquentou mais me ver naquele estado minha mãe foi na ouvidoria da saúde, fez denúncia, ameaçou chamar a televisão, e em um mês conseguiram o anjo da minha psiquiatra Dr Taty e até hoje aguardo pela psicoterapia.

Minha professora por dó me encaminhou para a terapia na faculdade, mesmo uma vez a cada dois meses, mas melhor que nada pra quem não tem outra alternativa. Depois de encontrar a mínima ajuda e controlar o desejo suicida, consegui então parar para refletir em tudo que estava acontecendo na minha vida, na reviravolta que minha história havia tomado e como minha vida era incomum e minha experiencia, até mesmo a superação de não ter abandonado os estudos e estar viva até aquele momento. 

Acreditei que a minha experiência pudesse servir para outros, para ajudar pessoas que tem a doença e nem mesmo sabem que a possuem, bem como aqueles que sabem de seu diagnóstico e não conseguem tratamento.

Querem saber mais detalhes dessa história? Mínimos detalhes... então curta a nossa pagina no Facebook: https://www.facebook.com/F6031DiarioDeUmBoderline, e aguardem o lançamento do meu livro, F6031 Diário de um Borderline.

(Depoimento de Camilla Prado, que está lançando sua autobiografia contando o que passou com sua luta Borderline)

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Para quem ainda não viu, saiu o segundo vídeo aqui do blog! Assistam e se gostarem, curtam!






Ódio: Minha 'Raiva Borderline'




Um dos piores mitos estigmatizantes sobre TPB é que somos perigosos devido aos nossos problemas com a raiva. Agora, eu não estou negando que os problemas de controle de raiva são um fator-chave para o diagnóstico de TPB ou dizer que não temos problemas de raiva exacerbada, sendo que este é na verdade um critério para o diagnóstico. A raiva é tão intensa que é muitas vezes referida como "raiva borderline."

Raiva Borderline: Atitudes impróprias, ódio exacerbado, violência, pensamentos extremistas, atitudes sarcásticas, gritos, urros, socos, agressões verbais (geralmente de baixo calão), raiva intensa ou dificuldade em controlá-la muitas vezes por motivos pequenos ou imaginários, exibindo freqüentes reações de mau humor, raiva constante, lutas corporais recorrentes, quebram objetos e/ou agredindo pessoas física ou verbalmente. Muitas vezes interiorizada e levada a agressão de si mesmo.

A raiva não é um sentimento restrito a portadores de TPB, existem muitas pessoas mal humoradas e com explosões de raiva, e também existem Borderlines que não tem um melhor controle das explosões de fúria. Todos ficamos com raiva às vezes, e sim como acontece com qualquer outra pessoa que fica com raiva, há uma chance de que a raiva possa ser física contra outra pessoa. Alguns Borderlines são violentos, mas não mais do que o resto da população, a proporção de Borders violentos é menor que de pessoas violentas sem trastorno. Também foi feito um estudo que descobriu que portadores de TPB tem uma raiva que além de mais intensa também é mais duradoura, por isso é mais evidente.

A realidade de raiva e Borderline é que ele está intimamente ligado a um outro dos critérios: a automutilação. A razão para isto é que a maioria dos Borders estão com tanto medo de extravassar a raiva que eles estão sentindo que acabam lutando para prende-la dentro de si, então naturalmente se agridem de diversas formas, raramente não é cogitada essa tentativa. É neste sentido interior da raiva que distinguimos os portadores de  TPB dos portadores de Transtorno de Personalidade anti-social (TPAS) por exemplo, outro transtorno de personalidade caracterizado por comportamento anti-social e raiva direcionada aos outros, ao ponto de um maior risco de violência para com os outros. Em resumo: os Borderlines tendem a canalizar esta raiva dentro de si se autoagredindo e os anti-sociais em outros, botando a raiva em forma de agressão a outros indivíduos.

Voltando para o TPB, muitas das pessoas com este transtorno vão relatar ter testemunhado cenas ou ter vivido momentos, sendo eles vítimas de expressões violentas, abusivas, raiva de si mesmos, seja quando crianças ou ao entrar na idade adulta. Vivenciar essas coisas em primeira mão, testemunhando/sentindo o dano e devastação de raiva expressa fisicamente, pode ter vários efeitos sobre a pessoa e para a maioria dos Borderlines, o efeito é que tememos a raiva, a ponto de temer expressá-la, evitando deixar sua raiva a todo custo. Nós tememos o efeito e o dano que nossa raiva causaria aos outros (porque a vontade geralmente é sempre de matar, quebrar, dilacerar), é como se tomássemos o veneno que desejamos dar para alguém por medo do que causaríamos.


Darei alguns exemplos de minha própria vida ...

Brigas na escola e ofensas a professores e outros colegas era algo normal para mim e minha família, não havia colégio que eu estudei que não deixei marcas de sangue e muitos xingamentos ecoando paredes...
Dentro de casa eu era como um menino, falava alto gritava palavrões e chutava móveis quebrava brinquedos com raiva, as portas... ah as portas.. coitadas.
Lembro que também desde muito cedo eu me agredia quando estava mal humorada, raivosa ou contrariada, eu só não sabia o porque mas era algo que meu cérebro já buscava como uma autodefesa imposta, e mesmo com essas tentativas de controle ainda existiam muitos descontroles.
Tive muitas chances de ser presa por depredar lugares agredir pessoas ou praticar coisas para aliviar a raiva que eram proibidas drogas por exemplo (que por sinal é também uma forma de automutilação).
Quando tive meu primeiro relacionamento não faltou agressões (de minha parte) pra cima dele, ninguém escapa do meu ódio, tudo vira motivo, um comentário, um olhar uma insinuação... Mesmo hoje aos 23 anos ainda sinto isso cada vez mais forte, mas de contraponto tenho aprendido mais maneiras de controlá-la.


25 de jul de 2013

O Tédio que Nos Assola



"Ah, como é bom passar o dia no ócio, sem nada pra fazer  ou até mesmo sentir"... Bom, será? Não para um border. Não sentimos prazer algum nisso, pelo contrário, é uma grande tortura não ter nada o que fazer,ouvir,sentir durante o dia. O tédio  é um dos precursores de muitos outros sintomas que temos, como a ansiedade, o sentimento de vazio crônico e a raiva súbita. Aí eu pergunto: é bom que todos os sentimentos malditos se unam contra nós, quando podemos modificar plenamente tudo isso? Obviamente que não. 

Não culpemos o TPB. Sim, o sentimento de tédio constante (principalmente quando vem junto com a sensação crônica de vazio), é um dos sintomas do TPB, mas pra quê sofrer tanto se é relativamente fácil contornar o tédio? Temos as soluções em mãos e não podemos deixar escapar. Vamos lá:

1º- Leia um bom livro: ler é se permitir viver uma outra vida, uma vida que nos faça refletir, viajar, imaginar, sentir, viver melhor. Ler um bom livro é como ir a um outro planeta sem hora pra voltar. Então, por que não se permitir um pouco de paciência e um lugar tranquilo para ler um bom livro de vez em vez?  A vida ganha outra forma e obtêm novas cores. 

2º- Escute boa música: música é presente, não é divino, mas é um grande presente. Boa música então, não tem preço. Aquela música que lhe faz refletir e ver o quanto a vida pode ser bela, essa canção sim, vale a pena. Deixe de lado canções que nada dizem e nada transmitem e foquem em canções realmente do amor e da vida. Pareço piegas falando assim, mas uma música e uma música boa são diferentes entre si e fazem diferença pra quem está sofrendo com o tédio. 

3º- Assista mais filmes: não importa se é um curta ou um longa, terror ou comédia, Godard ou Tarantino; o que importa mesmo é se você deixa ou não o filme entrar na sua alma, assim como tem de ser. Um filme não pode passar pelas nossas vidas apenas por passar, tem que deixar um lembrete sempre. Então não espere que o tédio passara com ataques de raivas ou crises de ansiedade, entre numa maratona de bons filmes e seja feliz!

4º- Vá sempre à terapia: é a dica mais importante e óbvia que posso dar. Nunca deixe de ir à terapia. Você pode conhecer novas pessoas no caminho até o consultório; ganhar um sorriso de uma criança; ajudar um idoso a atravessar a rua; ver como o mundo não é tão preto&branco como pintávamos... E o mais importante: você estará sempre conhecendo um pouco mais de você mesma com a ajuda de um profissional que no fundo só quer o nosso bem estar, verdadeiramente. Não que o tédio será um tema específico da terapia, mas com todo o trabalho que terão, esse sentimento se desvaecera e você se sentirá bem melhor. Você pode achar inútil, que não dá certo, pode não gostar do terapeuta, mas a terapia é parte fundamental para o nosso tratamento ir de vento em poupa. Abandonar a terapia por qual for a causa é inadmissível e intolerável. Então, vá sempre à terapia e good lucky! 

5º- Mas se você, definitivamente, está sem paciência pra ler um bom livro, escutar boa música, assistir um filme, quer largar a terapia, já rezou o que tinha que rezar (ou não, se você não tiver religião assim como eu) e quer jogar tudo p'ro alto, calma, ainda há uma solução. Escreva. É, escreva. Não importa se você não tem talento ou se tem a letra feia), apenas escreva. Escreva tudo aquilo que seu coração mandar na hora, aquilo que sua alma jorrar. Escreva bonito, escreva palavrões, contos, crônicas, poemas. Escreva pra você mesmo, p'ro seu namorado, pra sua mãe, seu terapeuta... Apenas escreva e estará tudo bem. Você começará e não vai querer parar mais. E o tédio? Cadê? Sumiu, desapareceu. 

E lembrem-se sempre: nem tudo está perdido - de jeito nenhum! A vida é difícil não só para nós, borders. Não deixe que o tédio seja seu companheiro toda vida, não deixe ele te assolar muito menos tomar conta de você. Contorne-o com soluções lindas, práticas e que só acrescentarão vida à você. Os problemas que você têm não define quem você é. 


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Com mais de 500 mil exemplares vendidos somente nos EUA, "Pare de pisar em ovos" lida com um tema marcante nos dias atuais: o transtorno de personalidade borderline (TPB). Este livro busca entender este transtorno destrutivo, estabelecer limites e incentivar amigos ou familiares com o transtorno a deixar de lado comportamentos perigosos. Ele discute as últimas pesquisas sobre um problema caracterizado pelo limite das emoções e apresenta técnicas de comunicação e estratégias de enfrentamento para que o leitor possa equilibrar seu relacionamento com um borderline.

Blog Borderline-Girl está sorteando, em parceria com a Editora Fontanar, dois exemplares deste livro. Para concorrer basta seguir estes passos:

- Curtir a página da Editora Fontanar e o Vivendo a Vida com Borderline


- Ser seguidor do blog Borderline-Girl
- Preencher e enviar o formulário na página SORTEIO do blog.

O sorteio acontecerá dia 20/08!

Música Borderline: Assombrissement De L'âme – Dark Sanctuary


Tradução: Escurecimento da Alma

"Vejo a vinda da morte
Misterioso mas atrativo…
Vejo um sofrimento eterno
Como uma incisão neste corpo tão pálido…

A minha vida era feita
De agonias insuportáveis…
A Solidão era
A minha única perspectiva…

Lassitude, um gosto amargo do déjà-vu,
Assombrou minha mente triste…
Privada de qualquer alegria…
Perdida num mundo paralelo,
Eu sonhei em mergulhar profundamente
Em um abismo escuro…

É a sombra da morte
Que fornece o revelo da vida…
Agora esta é a morte,
Que eu escolho aqui…
Que eu descobri aqui em baixo
Além de meu êxtase…

É a sombra da morte
Que fornece o revelo da vida…
Mas, contudo esta é a vida
Que eu rejeito amargamente,
Que eu detesto aqui em baixo
Além de qualquer dor…

Sem relevo e sem vida,
Como uma sombra da esperança,
Uma única lágrima
No meio das chamas…

"Quando o cenário sinistro estava agonizando
Gostaria de esquecer que vivi…"








24 de jul de 2013

#TudoCulpaDoBorderline




Tropeçou numa pedra, perdeu o ônibus, acordou atrasado pro trabalho? Tudo culpa do borderline! O dólar subiu, gastou com aquela blusa linda que você tava de olho a tempos, não estudou pra prova? Tudo culpa do borderline! Deu em cima de quem não devia e levou um fora? Borderline malvado!

Tendemos a nos apoiar no diagnóstico muitas vezes pra justificar as mais diversas desgraças de nossa vida. Lamentamos por horas na terapia, pensando em como tudo seria diferente se não tivéssemos sido "amaldiçoados" com este transtorno maldoso. Ou pior, não vamos à terapia e culpamos o borderline também.

Pra piorar, há aqueles que nunca pisaram num consultório médico, se acham borderline e culpam ele por isso. "Me encaixo nos sintomas". "Sofro". Bem, tenho novidades: todo mundo sofre! Só que a gente tem essa mania horrorosa de acreditar que a vida dos "não-borders", estes seres que vivem em um mundo mágico do controle, não tem problemas. Ah, eles tem sim, e pior, não podem culpar nem o borderline pelas cagadas que fazem.

Bem, como é tudo culpa do borderline mesmo, abusamos da sorte. Não tentamos, muitas vezes, nem parar pra pensar. Paramos remédios, esquecemos a terapia, lemos textos e textos mas na hora de botar em prática, nada... (tudo culpa do borderline também). Eu sei que é difícil. Eu sei que é muito mais fácil se entregar, pois o sofrimento é nossa zona de conforto. Não vislumbramos a vida como algo estável, e pior, não nos imaginamos sem sermos este turbilhão de emoções. Cultivamos a dor, compartilhamos lamúrias no facebook, lembramos a todos e a nós mesmos o quanto nos sentimos miseráveis. E esta roda-viva continua indefinitamente.

Eu já escrevi algumas vezes aqui que não somos um transtorno. Eu aprendo isso a cada dia, tentando analisar como funciono, os motivos de minhas reações, sendo elas corretas ou não. Caio, dou 5 passos pra trás mas volto a tentar ir pra frente e, por isso, algumas coisas estão acontecendo na minha vida.

Então, da mesma forma que eu odeio os rótulos que as pessoas nos colocam, também não acho saudável usar o borderline de muleta, pois ele não vai te levar a lugar algum.

O que te leva a algum lugar é o que você vai fazer a respeito disso. 

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* Ah! Resolvi compartilhar com vocês o presente que recebi da Editora Fontanar: o livro "Pare de Pisar em Ovos", a tradução do "Stop Walking on Egg Shells", super vendido nos EUA! Na página TPB aqui do blog vocês podem ler um pouco do que se trata. É um livro para borders e não-borders que tem que lidar com a gente. Vale a pena comprar!
A boa notícia é que o Borderline-Girl vai sortear, em parceria com a Editora Fontanar, dois exemplares deste livro! Logo logo posto as regras.

A mais descabelada tirando foto.

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* O blog Borderline-Girl está de luto pela morte da Wally Martins, blogueira do Re-Tecendo a Vida. Um dos motivos de eu ter decidido escrever este blog foi depois de visitar o dela, cheio de informações não só sobre o TPB, mas também sobre vários outros transtornos. "Peguei emprestado", com a autorização da mesma, muitas idéias, como a música Borderline.
Descanse em paz, querida. Você ajudou muita gente. Eu aqui vou tentar seguir seu exemplo.



23 de jul de 2013

O Borderline Silencioso




O Transtorno de Personalidade Borderline é diferente para cada um que sofre dele. Apesar de haver um número limitado de coisas que qualificam uma pessoa para este transtorno, como e quais combinações de sintomas ele mostra é bem individual.  Outra coisa que é importante lembrar é que o TPB é só um aspecto do faz de alguém que é. As experiências, idéias, gostos, preferências e sim, base da personalidade do indivíduo são únicas, fazendo até mesmo aqueles que tem o TPB pessoas únicas. O transtorno de personalidade borderline por si só é geralmente estereotipado como um transtorno de mudanças de humor agressivas e intempestivas e uma agressão focada. Todavia, como a maioria dos esteriótipos, isso não é verdade para todos.  

O Borderline Silencioso é bem menos comum mas igualmente traiçoeiro, talvez mais ainda, porque pode ser mais complicado de diagnosticar alguém que mostra as características desse tipo de Borderline. Por que? Porque ele é mais propenso a agir de uma forma mais interna que externa. Ele não é conhecido por crises abertas de raiva, onde outras pessoas podem vê-lo, então é mais difícil de reconhecer que há um problema. É bem típico que somente aqueles que são bem próximos, geralmente envolvidos intimamente com a pessoa, saberem que há um problema que precisa ser solucionado.

As razões para um diagnóstico de TPB são essencialmente as mesmas para aqueles que são "silenciosos" e os que reagem externamente. A principal diferença é como o transtorno se apresenta e se manifesta. Como a pessoa expressa seus sintomas.

Geralmente o border silencioso sente-se preso, incapaz de se expressar ou mover-se para qualquer direção. É comum que os terapeutas os estimule a botar os sentimentos para fora, a conectarem-se com eles e se expressarem. Mesmo quando provocados, um border silencioso pode se mostrar inperturbável, até ficar sozinho e então lidar com seu tumulto interno sozinho, em silêncio. 

Anne, uma border silenciosa, escreve:

"Eu não fico furiosa ou me mutilo. Nunca fui capaz de expressar raiva - minha mãe não me permitia isso e eu nunca encontrei uma maneira para deixá-la (a raiva) sair. Sou muito machucada para ficar com raiva.
A maior parte do tempo eu me sinto completamente sozinha, vazia e amedrontada. Anseio ficar sozinha mas muitas vezes abuso de remédios quando estou sem ninguém por perto. Todavia tenho pavor de pessoas e evito estar perto delas. eu sou extremamente ansiosa e deprimida frequentemente.
Sinto-me diferente - como se estivesse em uma cápsula. Eu não sou como as outras pessoas e não compreendo como elas se sentem. Às vezes parece que estou assistindo a vida passar pelo lado de fora. Não tenho muita esperança de me sentir normal algum dia - sequer sei o que isso significa."

O border silencioso muda tudo internamente, onde ninguém mais possa ver. Porém seja silencioso ou não, o vazio emocional resultante é o mesmo. Frequentemente o border silencioso está em maior risco, porque embora o "border típico" atraia muita atenção negativa, pelo menos ele está conseguindo alguma atenção, que cria uma abertura para qualquer intervenção. Com o border silencioso pode ser que nunca se saiba que há um problema que precisa ser curado.

"O border silencioso tende a experimentar uma auto-destruição implosiva enquanto a reação que o borderline típico tem é uma auto-destruição explosiva que atira estilhaços emocionais em qualquer um que chegar muito perto. Ambos estão emocionalmente indisponíveis mais frequentemente. O border silencioso usa a anulação e o silêncio como formas de se proteger contra uma intimidade que eles temem e o border que reage externamente usa de confrontos, intimidação e muitas vezes críticas." - Dr. A.J. Mahari

Para o border silencioso, ao invés de dar aos outros uma chance de abandoná-los, ele frequentemente se ausenta da multidão para evitar este abandono. Todavia, isso não significa que ele não está sofrendo por isso. Especialmente se ele está nas garras da auto-mutilação. "Ao invés de agir de uma forma que pode levar outros a abandoná-lo, ele continua a abandonar-se (e sua criança interior), sendo repetidamente auto-abusivo e se odiando. Ele vira o medo do abandono em si mesmo. Muitos 'borderlines típicos' projetam esse conflito interno nos outros. Isso leva o border silencioso a quietamente, mas implacavelmente, a sangrar"emocionalmente"  por dentro, mais e mais profundamente dentro do vazio onde o self recisava ser compreendido. Na ausência de conhecer a si mesmo, o abuso repetido, o abandono e a aniquilação deste self, os borders silenciosos sentem como se uma 'personalidade estrangeira' se espalhasse dentro deles - um falso self ".

O medo de abandono e rejeição sentido tão agudamente pelos borders geralmente leva a uma reação externa que leva essa dor para os outros ou a uma reação interna, levando esta dor para dentro de si. Isso não significa que estas características não se misturam ou mudam com o tempo.

"O border silencioso, não é o" border tradicional". O border silencioso não é o border mais temido. Ele conhece a mesma raiva borderline tradicional, mas ela é dirigida para dentro e não para fora. Em muitos casos, é o border silencioso que pode muito bem estar em maior risco. Estes borders, no entanto, estão prejudicando a si mesmos em taxas alarmantes e à noite se matando. As falhas dos sistemas de saúde mental para tratar isso adequadamente este é  mais um abandono imposto sobre o border silencioso. Ele muitas vezes não é levado a sério ou ouvido a tempo de fazer a diferença ". - Dr. A.J. Mahari

É importante reconhecer que há diferenças na forma como Transtorno da Personalidade Borderline se apresenta. Nós não podemos curar o que não podemos reconhecer.

(tradução livre deste artigo)
22 de jul de 2013

Música Borderline: Pain - Three Days Grace


"Porque eu prefiro sentir dor do que não sentir nada..."



E já que estamos falando de amor, segue um texto de uma blogueira (adoro os textos dela!) convidada Thaís Morrison, do Cabaré-Verde, blog muito bom!

10 razões para não acreditar no amor

Ser borderline é ter seu dia destroçado por um único gesto. 
Mínimo, pequeno, insignificante para muitos.
Mas não, Thais, não estrague o dia. 
Deixe de ser doente. 
Deixe de ser sentimentalmente barata. 
Não frite a carniça do seu coração para dar aos urubus. 
Não seja egoísta, você tem amor próprio (?) Ou deveria. 
Não precisa de migalhas, de carinhas felizes. 

Ah, Thaís, sempre se doando
Sempre se perdendo
Sempre deixando você para ser outro
que nunca deixará de ser ele mesmo.

Quem quiser publicar um texto aqui, mande!


21 de jul de 2013

O Amor Borderline



O amor, ah o amor... Sentimento tão sublime que nos deixa leve e insones por um bom tempo. Amar alguém está inserido no ciclo natural da vida. Amar é necessário, mas penoso. Amar pode ser tudo e nada ao mesmo tempo, o bem e o mal, 2 em 1. Amar é isso, é aquilo, é outrora... Não há uma definição certa para o amor, além do famigerado “Eu amo porque amo e não tem explicação”. Mas o amor é sentido de maneiras diferentes.

Um border, por exemplo, não ama de maneira sublime e leve, mal sabe o que é isso. Um border ama de maneira pesada e dolorosa, que machuca e sofre e também faz sofrer. O amor borderline é o mais complicado de se entender, ou o mais fácil. Nós amamos por carência e, geralmente, por enxergar coisas que não existem, como uma certa malícia em cada palavra dita pela pessoa amada sem nada disso ter ocorrido. Nós amamos pela falta, falta de carinho da família e amigos, falta de ambição na vida, falta de paciência, falta de amor próprio, daí vem o ciclo vicioso resumido em poucas palavras: escassez, “objeto de desejo”, obsessão, possessão, dor. Aí que mora o perigo, nessa exata bola de neve do mal. Não sabemos amar direito, é sempre a pessoa errado, salvo raras exceções. 

Mas por que é sempre assim, tanto sofrimento pra amar alguém? Talvez se não enxergássemos no outro apenas aquilo que queremos (ao invés daquilo que devêssemos), tudo seria mais colorido e menos preto&branco. Nós nos projetamos no outro e é isso que torna o amor borderline sinônimo de dor, frustração e “masoquismo”.

 Dor porque é mais do que normal um border se machucar em uma relação - ou pseudorrelação -, mesmo sabendo que aquilo não daria certo de um jeito ou de outro. Machucamos-nos seriamente, às vezes as feridas parecem não querer cicatrizar ou parar de latejar. Frustração porque no fim, tudo não passava de uma grande ilusão, um sonho – ou melhor, pesadelo – criado por nós para sustentar uma verdade intrínseca que mal sabemos como surgiu. Uma verdade que não é simples, nada mais é que um emaranhado de fios conectados ao nosso ponto mais fraco: o abandono real ou imaginário da pessoa amada. Masoquismo porque é nisso que se torna o nosso sentimento: quanto mais amamos, mais nos machucamos e parece que mais gostamos da dor. Só depois de muito apanhar é que um border aprende a lição. Mas precisa sangrar, jorrar sangue pelos poros para ver o quanto é inútil crer que temos aquela pessoa em mãos. O quanto é inútil crer que seremos felizes como um “não-border”, enquanto nos deixamos de lado para viver a vida alheia. O quanto é inútil se colocar como um ser desprezível e o outro como um deus. Tudo é uma questão de tempo e razão, até o amor.


O que fazer para mudar esse estigma? Nada. Isso mesmo, nada. Não tem muito que fazer. É normal um border sofrer por amor. Alías, border que não sofre por amor é um pouco estranho, não acham? Então, ao invés de procurar fórmulas mágicas para não sofrer por amor, que tal deixar o tempo fluir na vida como tem que ser? Nada cai do céu, muito menos a felicidade plena. Uma decepção amorosa pode ser universal, seja você um border ou não. O que falta é acreditarmos mais em nós mesmos e menos nos outros. No dia que isso acontecer, o céu brilhará de outra forma para todos nós. 
20 de jul de 2013

Amizade (post conjunto)



Eilan

É engraçado como a vida ensina lições... Eu sempre fui uma pessoa completamente leal aos meus amigos e sempre estive ao lado de todos eles. As vezes da minha forma "borderline" de ser, exagerando, sufocando, mas bem, era o que eu podia fazer.

Em Curitiba não posso reclamar dos amigos que tinha. Viraram irmãos, irmãs, me deram a mão incontáveis vezes e o mesmo fiz por eles, não importava se estivessem bem ou mal.

Chegando aqui em Recife, demorei muito pra me abrir. As pessoas eram fechadas, estranhas, diferentes. Com o tempo fui conhecendo pessoas e bem, achava que tinha encontrado o que eu tinha antes no Sul. Eu mesma continuei agindo como agia lá: aquela pessoa que estava apoiando faça chuva ou faça sol. Qual não foi minha surpresa quando, assim que tive minha crise com o término de meu namoro, eles sumiram. Alguns eu briguei, fiz as pazes e depois deixaram claro que estavam do lado de C. Outros davam desculpas de não virem me visitar por falta de tempo, distância, muito trabalho. Os amigos de C., que ajudei a todos, sem exceção, praticamente me deletaram de suas vidas como se eu tivesse sido apenas uma chuva passageira... Eu sei que posso contar nos dedos quem esteve realmente do meu lado. Uns ligavam de vez em quando, outros ligavam uma vez ou outra... Concluí que quando estamos mal, com problemas, não somos interessantes. Pelo menos para aqueles que não são seus amigos de verdade.

Por que estou contando esta história? Porque antes do blog, cada vez que eu lia um artigo que falava sobre a importância dos amigos para a recuperação do border eu me desesperava. Tinha minha prima, amiga de infância, que me dava uma força grande como podia, já que é casada e com filho pequeno. Alguns me surpreenderam mas, no geral, éramos eu e minha mãe. Aí criei o blog. E pessoas que nem me conheciam começaram a me dar a força e os conselhos que os meus supostos amigos deveriam ter dado. Comecei a ficar próxima de todos e o ponto alto de meu dia era ler os comentários.

Então comecei a conversar com alguns, trocar e-mails e, quando percebi, tinha muita gente pra falar, e-mails, gente que se importava comigo e eu com elas. Apesar de não nos conhecermos pessoalmente, a energia me deu o impulso para começar a fazer as mudanças que eu precisava.

Então, apesar de ainda ter sim amigos (poucos) fora do mundo do blog, resolvi fazer este texto para dar o Feliz Dia do Amigo a quem fez a diferença nesta minha fase onde finalmente busco a recuperação... A todos que se preocuparam, escreveram, ligaram, mandaram e-mails, falaram no chat... Principalmente minhas filhinhas borders Tadllla, Perséfone, Marília, Sabrina e minha marida, que posso hoje ter a honra de chamar de amiga, Miss Danielle.

Uma vez, conversando com a Dani, nos questionávamos se nos dávamos bem por sermos borders. Eu disse que não. Não precisa ser border para escutar sem julgamento, dar a mão quando preciso e amar de coração.

Miss Danielle:

A amizade é como um casamento, exige afinidade, confiança, entrega e amor. E assim como o casamento pode existir rompimentos devido a traições. É realmente um grande obstáculo encontrarmos pessoas em quem confiar. Mas felizmente ainda encontramos a quem se apoiar e servir de apoio, a energia prestada e recebida deve ser a mesma.
Ter alguém para ligar as 3 da manhã é bom, melhor é ter alguém para ficar falando bobagem até as 4 da manhã sem parar. ;P
O melhor que tirei da vida? Certamente as amizades verdadeiras que fiz, poucas mas boas, pessoas que estiveram comigo principalmente nas horas ruins, e mesmo que a vida se esforce em nos afastar não há nada que as tire de mim, estarão para sempre em mim.


Não somos monstros!




Desde que comecei a estudar sobre o Borderline, escutei muito sobre este rótulo que temos: impulsivos, manipuladores, dramáticos, inconsequentes, promíscuos e impossíveis de se lidar. quem não sabe do diagnóstico nos acha fora do controle e muitos que sabem ainda insistem que "estamos numa fossa", "somos crianças", "fazemos muito drama".

Não somos monstros. Apesar de muitos livros e sites nos pintarem assim, a verdade é que somos seres humanos que são extremamente sensíveis emocionalmente e que geralmente tem comportamentos extremos. Para muitos, é uma combinação de "sabotar a própria vida", escolhas impulsivas ou literalmente auto-mutilação. Apesar de muitos de nós terem experiência com estes sintomas e comportamentos, somos tamb´´em muito vulneráveis e queremos desesperadamente que gostem de nós, que tenhamos aprovação e que se importem conosco. Queremos estar em relacionamentos mas a dicotomia deste desejo desesperado e medo de ser machucado causa confusão. O resultado é agir das formas que conhecemos até o momento - a que serve para alcançarmos o que queremos.

Não estou aqui falando que se relacionar com um(a) border é fácil. Pode ser muito difícil, realmente, mas tudo depende da pessoa, se ela está em tratamento, se está no caminho de se conscientizar sobre suas reações. Eu já fiz muita nesta vida, coisas de que não me orgulho, porém já fiz um outro tanto por várias pessoas - ações que mudaram suas vidas pra melhor. Então tudo depende da maneira que você enxergue.

A verdade é que vivi, e sei que muitos vivem, perdida. Precisava sentir algo para não encarar meu vazio e muitas vezes me pegava fazendo algo louco ou inconsequente (de vez em quando até hoje) só para sentir algo. Para agitar as coisas, e preencher minhas próprias lacunas. Não é consciente. Não, não é uma desculpa, é só a realidade.

Eu sei que para muita gente tudo se resume a drama. Queria eu que fosse simplesmente isso, que fosse fácil. Não é. A gente age e depois de culpa, só que não consegue parar, pois o medo de encarar o próprio vazio, encarar a solidão, nos cega.

Queria eu poder encarar as situações que vivi no meu passado com a maturidade que alcancei (e ainda estou no começo do caminho!) hoje em dia. Não teria ficado 5 anos com C. Não teria tido muitas atitudes extremas. Hoje talvez eu estivesse com a vida mais encaminhada. 

Então, bem, lidamos com as ferramentas que nos foram dadas. E se você que está me lendo ama alguém que é border, saiba que não há esperança. Se não temos tratamento, bem, as coisas ficam difíceis, mas você mesmo pode ajudá-la a encontrar o caminho, pois há esperança. E quando o tratamento já está acontecendo, tenha esperança porque a tendência é sempre melhorar.

Nós não somos monstros. Infelizmente as cores do nosso mundo são brilhantes demais e temos dificuldade de lidar com elas. A solução é colocar os óculos certos, pode ser incômodo no início, mas quando se acostuma, tudo fica bem mais nítido e claro.

(texto inspirado neste post aqui)


PS: Viram que o Blog tá todo mudado? Ainda to acrescentando algumas coisas. Na parte TPB vocês vão encontrar não só a definição dos sintomas, mas também dicas de links e livros interessantes. Também colocamos a página do Anjos de Estimação, onde postarei algum caso de resgate de animais que eu faço ou pessoas próximas, e eventualmente pedir ajuda. Na barra lateral postarei os vídeos do canal e se quiser me seguir em alguma rede social os ícones estão a disposição!

Espero que gostem!

Agradeço do fundo do meu coração a minha marida Miss Danielle, que mudou este layout e me deu este presente lindo. inclusive, se alguém quiser fazer um template, fale com ela, seus dons são ótimos!! 
Amo tu marida.
18 de jul de 2013

Desabafo



‘Em sua mente, em suas veias, eu nado perdida e delirada.’


É com essa dor que me invade sem qualquer permissão, que eu me sinto segura. 
Ela não para, não cessa, me castiga até minha carne não aguentar mais. Não é o tempo, não são as pessoas, não são os remédios. O problema está em mim. O maldito problema está impregnado na minha alma. 
Estou cada vez mais presa em um mundo de escuridão e maldade que não sei como sair, como ir embora daqui.
Que gosto pelo tédio, vazio sem fim, me aflige hoje (e o meu hoje é o meu sempre). Não quero saber de mais nada, apenas a inércia me convêm. É difícil ficar parada, é complicado me movimentar, o que posso fazer contra meu coração? 
Sempre a mesma rotina, a mesma batida, a mesma canção colada no ouvido. Mesmo quando quero trocar a dor interna por algo que eu possa sentir (vermelho é sua cor), preciso de um estímulo maior do que eu possa acreditar. 

Eu quero mudar. Quero parar de beber, parar de fumar, parar de me drogar, quero parar com tudo isso que só me leva mais ainda para o fundo do poço. Mas e minhas forças pra fazer tudo isso? Onde estão? Não posso sozinha, preciso de ajuda urgente, mas ninguém me vê, ninguém me lê, ninguém me quer. É mais fácil jogar tudo p’ro alto e ver no que dá essa merda toda. 
E se eu estiver enlouquecendo? Se eu não conseguir mais definir o real do imaginário? Eu tenho medo, mas não posso transparecê-lo. Preciso parecer forte para que as pessoas não tenham receio de mim.
É com essa dor, essa pálida tristeza, que vou sobrevivendo a cada dia. Um dia após o outro, uma tortura diferente.


                             
Deixa Eu Dizer - Ivan Lins

Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Suportei meu sofrimento 
De face mostrada, riso inteiro 
Hoje canto o meu lamento 
Coração cantou primeiro 
Você não tem direito 
De calar a minha boca 
Afinal me dói no peito 
Uma dor que não é pouca 
Tenha dó


P.S.: Desculpem-me pelo texto “torto” que escrevi, não sou muito boa em desabafar.
P.S.²: Espero que minha volta não seja em vão (no fundo eu sei que não será).
16 de jul de 2013

Quando e porque se internar



A clínica psiquiátrica se constitui como um universo a parte. Quando você é internado é como se alguém tivesse apertado o pause na sua vida e te jogado para outra dimensão. Falando assim até parece ser uma boa ideia para quem está querendo fugir do mundo por exemplo, mas como tudo na vida, ser internado em uma clínica tem seus prós e contras.

Vamos ao lado bom. Por que uma pessoa é internada? Essa é fácil. Porque ela se tornou um perigo para si mesma ou para a sociedade. Esse é o único motivo justificável para prender uma pessoa entre quatro paredes. A internação protege o indivíduo dele mesmo e, caso ele seja agressivo, protege o mundo contra essa pessoa. O universo da clínica gira ao redor do paciente e todos os profissionais estão lá para recuperá-lo e tornar a vida do mesmo melhor. É um lugar onde você está supostamente seguro e deveria se sentir assim. Lá a única coisa que importa é a sua doença e como você vai aprender a lidar com ela para ser reinserido na sociedade.

Pois bem. Por que, então, tanta gente é contra a internação? Isso já é um pouco mais complicado. O universo da internação não é o universo real, é algo construído para proteger pessoas problemáticas. A função da clínica é recuperar o doente para que ele volte a ter uma vida normal, ou tão normal quanto seja possível. O problema é que algumas pessoas acabam se viciando nesse ambiente. Elas começam a negar o mundo real e passam a buscar a doença como desculpa para se manterem internadas. Não é muito difícil entender porque elas fazem isso. Viver dentro de uma clínica psiquiátrica significa não ter liberdade, mas também significa não ter responsabilidades, não precisar lidar com os problemas do dia-a-dia fora dali e significa nunca se ver sozinho e sem apoio. É um pouco assustador ver que muita gente prefere renunciar sua liberdade ao invés de enfrentar seus problemas, mas acontece bastante. Outro lado negativo em uma internação é a convivência, ou seja, o fato de ter um bando de louco vivendo trancado no mesmo lugar. Não é raro observarmos o efeito bola de neve ali dentro. Uma pessoa surta e acaba levando a clínica inteira junto. É preciso tomar cuidado para ao invés de sair melhor, não sair com mais problemas ainda.

Tudo isso sem contar os detalhes de como é o dia-a-dia trancado em um lugar como este. Estar internado significa ter horário para tudo, liberdade para nada e privacidade como artigo de luxo. Significa ser vigiado 24 horas por dia, 7 dias por semana. Significa estar longe das pessoas que te amam e ter como único meio de comunicação com o mundo lá fora um telefone público que mal funciona. Estar internado significa ser amarrado em uma cama e ser dopado quando a única coisa que você queria era um abraço, significa passar dias e noites ouvindo os gritos das pessoas que estão piores do que você. Significa perceber que eles te tiraram tudo... Absolutamente tudo, porque você não tinha mais capacidade de fazer suas próprias escolhas. Ser internado é como voltar ao útero da sua mãe depois de experimentar a maravilhosa liberdade do mundo lá fora. No começo pode parecer quente e seguro, mas com o tempo você percebe que aquilo não passa de uma prisão sufocante.

Eu não sou contra a internação, tanto que já fui internada duas vezes, mas acredito que seja uma ferramenta para casos bem específicos e extremos. Ser internado não é como tirar férias, está há anos luz de distância disso. Não se engane e nunca se acomode.



[ Primeiro texto meu no blog. Muito prazer, me chamo Sah.

Meu blog pessoal -> yoyo-sah.blogspot.com ]